Rosário

TV de político em governo de oposição

Situada na margem do Rio Itapecuru, a 70 Km de São Luís, Rosário é a quarta cidade mais antiga do estado do Maranhão, tendo sido fundada em 1620. Duas coisas atraem a atenção de quem a visita: os prédios históricos que ainda restam e o comércio ao ar livre de peixes recém-tirados do rio. Rosário tem 40 mil habitantes.

A poucos metros da prefeitura, numa velha casa colonial de fachada rosa, funcionam a televisão e a rádio comunitária da ex-vereadora Maria da Graça Botentuit (PV).

Amiga de longa data da família Sarney, ela é a principal liderança política de Rosário. Foi vereadora por 20 anos consecutivos e diz que se dobrar a resistência do marido, sairá candidata a prefeita em 2016.

Graça é presidente do diretório municipal do PV, mas, na prática, controla mais três siglas, pois, segundo admite, é ela quem indica os presidentes dos diretórios locais do PP, do PSL e do PRB.

Foi José Sarney Filho quem viabilizou a outorga do canal 13 pelo Ministério das Comunicações, em 2001. Na época, ele era ministro do Meio Ambiente. A licença do canal está em nome da empresa Sistema Rosariense de Comunicação, que retransmite a RedeTV.

Há outra retransmissora outorgada na cidade, o canal 7 (TV Difusora, afiliada do SBT), mas está há vários anos fora do ar. Segundo Graça, a família Lobão, proprietária da Difusora, oferece o canal aos prefeitos, em arrendamento, mas poucos se dispõem a pagar pelo sinal.

O canal 13 é dirigido por José Faria Júnior, de 44 anos, fiel escudeiro de Graça Botentuit. Ele conduz a pequena emissora desde sua fundação, com uma equipe minúscula.

Faria Júnior e um cinegrafista apuram as reportagens para o principal programa da emissora, o “Rosário em Revista”. Um produtor e o apresentador completam o time. Os salários variam de R$ 1 mil a $ 1.200, que saem de comissões sobre a venda de anúncios. “O jornalista tem que correr atrás do salário dele”, diz o diretor.

Além do noticiário, a emissora tem um programa de videoclipes – o “Onda Clipe”–, um programa de temática rural e arrenda horário para o programa evangélico local “Manancial da Vida”.

Ajuda de Roseana

Quando a família Sarney e seus aliados estão no governo do Maranhão, a emissora de Graça Botentuit recebe ajuda do estado. Mas quando a oposição governa, ela enfrenta uma “maré baixa”, como a atual, sob a gestão de Flávio Dino, do PC do B.

Ela conta que esteve na secretaria Secretaria de Comunicação em busca de ajuda financeira para a retransmissora e para a rádio comunitária, e recebeu um não como resposta. O estado alegou não ter recursos. “Não tive apoio porque sou amiga do Sarney. Dizem que estão sem dinheiro, mas não passa de desculpa. Eu vou levando…”, disse.

A TV, segundo Graça Botentuit, tem despesa mensal de R$ 8.500 e se mantém com a contribuição de aliados políticos locais, com alguns anúncios e com dinheiro que ela, médica veterinária, diz tirar do próprio bolso. O marido é procurador federal.

De abril de 2009 a dezembro de 2014, quando Roseana Sarney era governadora, a emissora estava em fase de maré alta. Um jornalista contratado pelo estado ia a Rosário três vezes na semana para produzir reportagens. O estado bancava os gastos com combustível e a alimentação do profissional.

Além disso, jornalistas da capital treinavam jovens repórteres, editores e cinegrafistas, que, depois de algum tempo, segundo Faria Junior, “ganharam asas” e partiram em busca de melhores oportunidades.

Ao longo da história da retransmissora, houve vários momentos em que a produção de conteúdo local esteve interrompida, e ela se limitava a repetir a programação da RedeTV, “com uma materiazinha aqui e outra acolá”, segundo Faria Júnior.

“Anti-mídia’’

Questionado se há imparcialidade no noticiário durante os períodos de campanha eleitoral, Faria Júnior diz que ‘’em cidade pequena, com grupos políticos enraizados e muitos conchavos, é difícil ser totalmente imparcial”.

Graça Botentuit sustenta que não usa a rádio e a televisão em seu favor nas campanhas eleitorais e diz que não gosta de mídia. E arremata: “Sou anti-mídia. Montei as emissoras porque me pediram muito”.

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