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	<title>Pública &#187; Tag: #Venezuela</title>
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	<description>AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO</description>
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		<title>Um espião indiscreto contra Chávez</title>
		<link>http://www.apublica.org/2013/03/um-espiao-indiscreto-contra-chavez/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 Mar 2013 12:37:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
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		<description><![CDATA[Pública segue o rastro de um espião machista e temperamental enviado pela USAID para distribuir dinheiro à oposição venezuelana e dividir o chavismo]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Eduardo Fernandez é um nome comum. Tão comum que é impossível encontrar informações sobre um determinado Eduardo dentre milhares deles em dezenas de países da América Latina. Mas o argentino-americano Eduardo Fernandez não é um homem nada comum. Entre 2004 e 2009, era ele quem dirigia o Development Alternatives (DAI) em Caracas, que recebia milhões de dólares da Usaid para seguir o plano estabelecido pelo Departamento de Estado dos EUA para a Venezuela: fortalecer grupos de oposição, dividir o chavismo e isolar Hugo Chávez internacionalmente. (<a href="http://www.apublica.org/2013/03/passo-passo-plano-da-usaid-para-acabar-governo-de-chavez" target="_blank">Leia mais sobre a estratégia da USAID</a>)</p>
<p>O papel de Fernandez talvez passasse despercebido como o nome comum, não fosse o seu temperamento explosivo, desbragadamente machista e indiscreto &#8211; o que o levou a ser investigado por comportamento impróprio na empresa em que trabalhava &#8211; e que desapareceu da noite para o dia da Venezuela.</p>
<p>Como relataram seus ex-funcionários, ele era do tipo que se referia às mulheres colocando as mãos sobre os próprios peitos, para sugerir seios fartos, e chegou a dizer que o escritório da DAI em El Rosal, Caracas, era “ineficiente como um bordel”. Diante do caso de uma funcionária grávida, reagiu: “Se vocês conseguissem segurar uma pílula entre os joelhos, eu não teria que gastar dinheiro pagando por licença-maternidade”. Outra funcionária ficou tão desconcertada com os olhares sedentos do chefe à sua saia, que resolveu fechar a fenda com um clipes de papel. Dias depois Fernandez perguntou quando ela iria usar “aquela saia com o clipes” de novo.</p>
<p>Mas Fernandez é assim mesmo e não pretende mudar, como afirmou durante a investigação interna da DAI. Foi ele quem deixou o rastro das atividades da DAI na Venezuela, três anos depois de sua equipe ter se retirado às pressas do país, em 2009. Graças e ele uma longa lista de documentos que revelam em detalhes o trabalho da DAI pode ser consultada na internet, <a href="https://docs.google.com/file/d/0B6Mo1c2bIFLWU2dwYVI1V2J4WTg/edit" target="_blank">no processo</a> de US$ 600 mil que a ex-diretora Heather Rome move contra a empresa por não ter tomado nenhuma atitude contra Fernandez apesar de suas repetidas reclamações. Os documentos da justiça de Maryland, nos EUA, foram vazados pelo jornalista americano Tracey Eaton, do blog <a href="http://alongthemalecon.blogspot.com.br/2012/11/woman-alleges-sexual-harassment-at-dai.html" target="_blank">Along the Malecon</a>.</p>
<p><a href="https://docs.google.com/file/d/0B6Mo1c2bIFLWMXkwVVp2T1FOcVk/edit?pli=1" target="_blank">São mais de 300 páginas</a> de documentos sobre o diretor da empresa que atuou num dos principais QGs anti-Chávez plantados pelos EUA em Caracas. “As reclamações que eu recebia das funcionárias venezuelanas iam ao ponto de elas virem chorar em meu escritório, o que reduzia a produtividade”, conta Heather no seu depoimento. “Várias pessoas falavam que seu sentimento era: ‘temos orgulho de estar trabalhando neste projeto, nós preenchemos os cheques e sabemos quanto dinheiro está sendo gasto. O governo dos EUA está trabalhando muito duro, e a DAI está nos ajudando a mudar a situação do nosso país para torná-lo mais democrático do que Chávez quer. Mas não entendemos como eles podem fortalecer a sociedade civil quando temos nosso próprio mini-Chávez aqui no escritório, e eles não ligam’”.</p>
<h3><strong>Alan Gross: sua prisão em Cuba revelou a existência da DAI</strong></h3>
<p>Entre 2002 e 2009 a Usaid <a href="http://www.miamiherald.com/2012/08/31/2979156/when-it-comes-to-us-aid-some-in.html" target="_blank">distribuiu</a> cerca US$ 95,7 milhões de dólares a organizações de oposição venezuelana através do seu Escritório de Iniciativas de Transição (OTI, em inglês), aberto no país dois meses após o fracassado golpe de estado contra Hugo Chavéz.</p>
<p>Simultaneamente, instalou-se no país a empresa Development Alternatives, uma das maiores contratistas da Usaid para gerenciar fundos de assistência no exterior, o que desde o governo Bush vem sendo feito pela iniciativa privada. A empresa, que costuma atuar nos bastidores, passou a ser conhecida no cenário latinoamericano em dezembro de 2009, quando Alan Gross, um de seus funcionários, foi preso em Cuba ao distribuir celulares e equipamentos de comunicação via satélite à dissidência cubana. Gross foi condenado a 15 anos de prisão por atos “contra a segurança nacional” de Cuba.</p>
<p>Na Venezuela, a DAI, cujo slogan é “moldando um mundo mais habitável”, foi a principal responsável pela distribuição de pequenos financiamentos da Usaid a diversas organizações da sociedade civil, seguindo a estratégia traçada pelo Departamento de Estado e pela missão diplomática no país de dividir o chavismo, infiltrar-se na sua base política e isolar Chávez internacionalmente.</p>
<p>No escritório em Caracas, situado entre a rua Guaicaipuro e a Mohedano, trabalhavam 18 venezuelanos de tendência anti-chavista e dois diretores americanos – Eduardo Fernandez era um deles e passou a dirigir o escritório em 2004. O currículo de Heather Rome, anexado ao processo, explica que a diretora assistente, também americana, chegou ao país em julho de 2005 para supervisionar a administração das doações a ONGs em um programa de US$ 18 milhões de dólares. Segundo seu currículo, Heather, que era subalterna a Fernandezn trabalhava “em colaboração com o embaixador americano William Brownfield”. Brownfield ocupou o cargo entre 2004 e 2007 e <a href="http://www.apublica.org/2013/03/passo-passo-plano-da-usaid-para-acabar-governo-de-chavez" target="_blank">elaborou uma sucinta</a> estratégia de 5 pontos para acabar com o governo Chávez em médio prazo.</p>
<p>Os programas mantidos pelas doações destinavam-se principalmente a “facilitar o diálogo entre segmentos da sociedade que dificilmente se sentariam juntos para discutir temas de interesse mútuo”, segundo um <a href="http://wikileaks.org/cable/2004/07/04CARACAS2224.html" target="_blank">documento diplomático</a> enviado ao Departamento de Estado em 13 de julho de 2004. Ou seja, unir a oposição. Um dos principais projetos era o “Venezuela Convive” que, segundo o documento diplomático, buscava “encorajar o conceito de convivência pacífica entre indivíduos e organizações com fortes opiniões contrastantes – um valor que a maioria dos venezuelanos respeita e que é considerado sob ataque no atual clima de intolerância política” &#8211; promovida pelo governo Chávez, segundo a embaixada.</p>
<p>Em 24 de fevereiro de 2006, em <a href="http://www.cablegatesearch.net/cable.php?id=06CARACAS520" target="_blank">outro despacho diplomático</a>, o ex-embaixador Brownfield explica que os financiamentos da DAI “apoiam instituições democráticas, incentivam o debate público, e demonstram o engajamento dos EUA na luta contra a pobreza na Venezuela”. Para William Brownfield, fortalecer a sociedade civil era essencial para isolar Chávez internacionalmente, levando para a arena internacional “os sérios problemas de direitos humanos no país”. Dois exemplos neste sentido, que receberam financiamento através da DAI, são o Centro de Direitos Humanos da Universidade Central da Venezuela e os projetos do  IPYS, Instituto Prensa y Sociedad de jornalismo investigativo e de uma Lei de Acesso à Informação venezuelana.</p>
<h3><strong>Grosso e machista, o chefão da DAI tinha apoio da Usaid</strong></h3>
<p>O temperamental Eduardo Fernandez era uma peça fundamental nessa engrenagem, e contava com o apoio incondicional da Usaid. Tanto é que, mesmo depois de uma investigação interna da DAI em 2008 ter comprovado que Fernandez, no mínimo, assediava moralmente seus funcionários, gritando com eles, e que “destrataria um homem tão rapidamente quando uma mulher”, a DAI resolveu mantê-lo no cargo. E demitir Heather Rome. “A última coisa que eu preciso é ter de novo caos e desobediência no escritório”, escreveu Fernandez em um email à gerência da empresa.</p>
<p>No final de abril de 2008, o supervisor da Usaid para o programa da Venezuela, Russel Porter, ligou pessoalmente para o diretor da DAI, Mike Godfrey, para congratulá-lo pelo trabalho na Venezuela. Godfrey descreve, em um email constante no processo, que Porter voltara de uma visita ao país bastante satisfeito. “Russel queria especificamente relatar sua satisfação com o time sênior em Caracas – Erin Upton-Cosulich e Eduardo Fernandez. Fez questão de destacar que eles trabalham bem juntos, que o ambiente está mais harmonioso e que os dois conseguiram engajar toda a equipe de modo mais eficiente. Ele tem esperanças que isso continue”.</p>
<p>Eduardo Fernandez, portanto, seguiu sendo o chefe.</p>
<p>Um ano depois, porém, as coisas não estavam tão “harmoniosas” no escritório. O governo venezuelano acabava da abrir uma investigação contra empresa e contra seu diretor. No dia 27 de agosto de 2009, um consternado Eduardo Fernandez se reuniu com o pessoal da embaixada americana para pedir socorro.</p>
<h3><strong>A polícia bate à porta da empresa de Fernandez</strong></h3>
<p>No dia anterior, uma quarta-feira, policiais venezuelanos bateram à porta da DAI com intimações para que Eduardo Fernandez e Heather Rome prestassem depoimento na semana seguinte perante a divisão de Crimes Contra a Riqueza Nacional do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC).</p>
<p>Os policiais – que foram “profissionais” e “educados” segundo Fernandez – disseram que a investigação fora iniciada pela Superintêndencia de Bancos após a detecção de “transferências incomumente grandes” de dinheiro em 2007 e 2008, conforme o <a href="http://www.cablegatesearch.net/cable.php?id=09CARACAS1132&amp;version=1315488573" target="_blank">despacho diplomático</a> do embaixador dos EUA na Venezuela durante o governo Bush, Patrick Duddy, que já havia sido embaixador antes de Brownfield, mas fora expulso do país por Hugo Chávez antes de voltar como enviado de Obama.</p>
<p>“Isso [as grandes transferências de dinheiro] coincidiu com o referendo constitucional de 2007 e com as eleições nacionais, estaduais e locais em 2008”, escreveu Duddy.</p>
<p>O foco da investigação venezuelana era a origem dos fundos, os objetivos da DAI no país, seu status fiscal e o destino do dinheiro. Segundo os policiais, a investigação seria “longa e profunda” e envolveria também as autoridades fiscal e imigratória do governo venezuelano.</p>
<p>Fernandez estava em Caracas com um visto oficial cedido a pedido da diplomacia americana, porém vencido desde março de 2009. A embaixada pedira sua renovação, mas o passaporte foi retido sem explicações pelo Ministério de Relações Exteriores até o final de agosto. “Fernandez não tem outra forma de identidade venezuelana. Ele continua com seus passaportes americano e argentino”, escreveu o embaixador, pedindo orientações sobre o caso ao Departamento de Estado americano, então comandado por Hillary Clinton.</p>
<p>E explicava: “Como parte dos seus acordos de financiamento, a DAI se compromete a proteger a identidade de todos os beneficiários. Os arquivos da DAI são estruturados de maneira que a informação financeira pode ser liberada sem comprometer as identidades”, detalhava Duddy. “Dito isso, a DAI tem 50 caixas de arquivos no seu escritório que contêm informações sensíveis e que podem ser apreendidas”, alertava.</p>
<h3>“<strong>As ruas estão quentes”, dizia Fernandez sobre protestos de financiados da DAI</strong></h3>
<p>Fernandez acreditava que o objetivo da investigação era coletar informações sobre as organizações financiadas pela DAI e, ao mesmo tempo, interromper o fluxo de recursos para elas.  “As ruas estão quentes”, disse ele ao pessoal da embaixada, sobre crescentes protestos anti-Chávez. “Todas essas pessoas (organizando os protestos) são nossos financiados”. E afirmava que não queria abandonar o time, deixando o país, avisando que iriam pedir uma extensão de prazo para se apresentar à polícia.</p>
<p>No seu despacho, o embaixador pede orientações bem específicas a Washington, perguntando se Fernandez tinha “alguma imunidade baseada em seu passaporte oficial e em seu visto, ou se ele deveria comparecer ao CICP ou diante de outras autoridades venezuelanas”; e “se o Sr. Fernandez deveria revelar alguma informação, e se sim, qual”.</p>
<p>Duddy também queria saber “o que a DAI deveria fazer com suas 50 caixas de documentos, alguns dos quais contém nomes das pessoas que dirigem as organizações financiadas pela DAI”. E, por fim, pergunta se a embaixada deveria ajudar Fernandez a fugir: “Se o Sr. Fernandez é considerado alguém que trabalha em nome dos EUA, ele deve permanecer no país ou tentar sair da Venezuela antes da entrevista com a polícia em 1 de setembro?”.</p>
<h3><strong>Aonde anda Eduardo?</strong></h3>
<p>Não há registro da resposta de Hillary Clinton nos documentos do WikiLeaks nem no site da DAI. Mas, no processo movido por Rome, a advogada da empresa não poderia ter sido mais clara a respeito da final da missão de Fernandez na Venezuela. No final de agosto do ano passado, em uma audiência em Maryland, nos Estados Unidos, onde o caso se desenrola,  Kathleen M. Williams alegou que por se tratar “de um cliente novo” seria muito difícil levantar documentos relativos a seu período de trabalho na Venezuela: “A DAI abandonou o local muito apressadamente em 2009. Muitos arquivos não estão mais lá.” E volta a insistir no assunto, na conversa com o advogado de acusação: “Não sei se esses documentos existem. Não sei se eles foram abandonados da Venezuela. Eu sei que eles abandonaram um montão de informação na Venezuela”.</p>
<p>No mesmo diálogo, transcrito no processo, o advogado da acusação diz que o maior problema é que “Fernandez desapareceu”. Kathleen interrompe: “Não é verdade. Ele está neste país. Ele vive em Maryland”. A advogada, no entanto, nega estar em contato com ele e recusa uma intimação em seu nome.</p>
<p>É a ultima menção oficial da DAI a Eduardo Fernandez, o homem incomum de nome comum que tinha papel tão relevante nas tentativas dos EUA de desestabilizar o governo venezuelano. Outro Eduardo Fernandez foi contratado pela DAI, em março de 2012, para seu escritório no México. O homônimo, ex-ministro de finanças da Colômbia, herdou o email oficial do argentino-americano Fernandez que atuou na Venezuela até o escritório fechar: deste não há nenhuma notícia no site da DAI que, contatada pela Pública, não se pronunciou até a publicação desta reportagem.</p>
<p>Também não há menção a ele nos sites da USAID ou da OTI. O mesmo nome, Eduardo Fernandez, porém, figurou no site de outra empresa que faz trabalho semelhante à DAI &#8211; a Casals &amp; Associates -, principal contratista da Usaid no Paraguai, encarregada deadministrar mais de US$ 30 milhões em doações antes da destituição de Fernando Lugo. Fundada por uma dissidente cubana, a Casals já havia distribuído mais de US$ 13 milhões para projetos que fortaleciam a oposição a Evo Morales na Bolívia.</p>
<p>No site da Casals o nome Eduardo Fernandez aparece em janeiro de 2012 e some em junho de 2012 – mês em que foi decretado o impeachment de Lugo no Paraguai. Um mês depois foi a vez da própria Casals desaparecer do bonito casarão que ocupava na rua Bernardino Caballero 168, em Assunção, aparentemente com a mesma pressa que a DAI desocupou suas instalações na Venezuela.</p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2013/03/passo-passo-plano-da-usaid-para-acabar-governo-de-chavez" target="_blank"><strong>Leia mais: Passo a passo, o plano da USAID para acabar com o governo Chávez</strong></a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2013/02/paraguai-os-eua-impeachment/" target="_blank"><strong>Leia mais: Paraguai: Os EUA e o impeachment</strong></a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Fernandez_1.png"><img class="alignleft size-full wp-image-3926" title="Cable_Fernandez_1" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Fernandez_1.png" alt="" width="523" height="596" /></a><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Fernandez_2.png"><img class="alignleft size-full wp-image-3927" title="Cable_Fernandez_2" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Fernandez_2.png" alt="" width="530" height="660" /></a><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Fernandez_3.png"><img class="alignleft size-full wp-image-3928" title="Cable_Fernandez_3" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Fernandez_3.png" alt="" width="530" height="604" /></a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Fernandez_4.png"><img class="alignleft size-full wp-image-3929" title="Cable_Fernandez_4" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Fernandez_4.png" alt="" width="525" height="494" /></a></p>
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		<title>Passo a passo, o plano da Usaid para acabar com o governo de Chávez</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Mar 2013 12:00:29 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Documento secreto do WikiLeaks detalha como o embaixador William Brownfield, hoje secretário-assistente do Departamento de Estado, planejava acabar com o chavismo]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Após o fracasso do golpe contra Hugo Chávez em 2002, a embaixada americana em Caracas resolveu tomar para si a tarefa de reorganizar a oposição venezuelana, apostando em uma estratégia de longo prazo que minaria o poder do governo. Em agosto de 2004, mesmo mês do referendo revocatório promovido pela oposição com amplo apoio da missão americana, o texano William Brownfield chegou a Caracas, nomeado por George W. Bush, para assumir o posto de embaixador no país. Pragmático e sucinto, William Brownfield elaborou um plano de 5 pontos para acabar com o chavismo em médio prazo, como revela <a href="http://www.cablegatesearch.net/cable.php?id=06CARACAS3356&amp;version=1314919461" target="_blank">um documento do WikiLeaks</a> analisado pela Agência Pública.</p>
<p>O documento secreto, enviado por Brownfield a Washington em 9 de novembro de 2006, relembra as diretrizes traçadas dois anos antes. “O foco da estratégia é: 1) Fortalecer instituições democráticas, 2) Infiltrar-se na base política de Chávez, 3) Dividir o Chavismo, 4) Proteger negócios vitais para os EUA, e 5) Isolar Chávez internacionalmente”, escreveu Brownfield, hoje secretário anti-narcóticos do Departamento de Estado – órgão que cuida do treinamento de forças policiais estrangeiras pelos EUA, incluindo em dezenas de países latinoamericanos.</p>
<p>Entre 2004 e 2006, a Usaid realizou diversas ações para levar adiante a estratégia divisada por Brownfield, doando nada menos de US$ 15 milhões a mais de 300 organizações da sociedade civil. A Usaid, através do seu Escritório de Iniciativas de Transição (OTI) – criado dois meses depois do fracassado golpe – deu assistência técnica e capacitação às organizações e colocou-as em contato com movimentos internacionais. Além disso, explica o documento, “desde a chegada da OTI foram formadas 39 organizações com foco em <em>advocacy </em>(convencimento); muitas dessas organizações são resultado direto dos programas e financiamentos da OTI”.</p>
<p>Um dos principais objetivos da Usaid era levar casos de violações de direitos humanos para a corte interamericana de Direitos Humanos com o objetivo de obter condenações e minar a credibilidade internacional do governo venezuelano. Foi o que fez, segundo o relato do ex-embaixador, o Observatório das Prisões Venezuelanas, que conseguiu que a Corte emitisse uma decisão requerendo medidas especiais para resolver as violações de direitos humanos na prisão ‘La Pica’, no leste do país. Outra organização, a “Human Rights Lawyers Network in Bolivar State” (rede de advogados de direitos humanos no estado de Bolívar), apresentou à Corte Internacional um caso de massacre de 12 mineiros pelo exército Venezuelano no estado de Bolívar. O grupo foi criado, segundo Brownfield, “a partir do programa da Freedom House, e um financiamento da DAI distribui pequenas bolsas no programa”.</p>
<p>A empresa DAI – Development Alternatives Inc – foi de 2004 a 2009 a principal gerente da verba da Usaid no país, tendo distribuído milhões de dólares a diversas organizações a partir da estratégia do governo norte-americano. (<a href="http://www.apublica.org/2013/03/um-espiao-indiscreto-contra-chavez/" target="_blank">Clique aqui para ler mais sobre a DAI</a>)</p>
<p>Ela desembolsou, por exemplo, US$ 726 mil em 22 bolsas para organizações de direitos humanos, segundo o documento do WikiLeaks. Também ajudou a criar o Centro de Direitos Humanos da Universidade Central da Venezuela. “Eles têm tido sucesso em chamar a atenção para o Direito de Cooperação Internacional e à situação dos direitos humanos na Venezuela, como uma voz nacional e internacional”, explica o texano Brownfield no despacho diplomático.</p>
<p>Outras áreas nas quais financiamento para ONGs ajudaria a concretizar a estratégia americana incluíam tentativas de neutralizar o “mecanismo de controle Chavista”, que utiliza “vocabulário democrático” para apoiar a ideologia revolucionária bolivariana, nas palavras do diplomata. “A OTI tem lutado contra isso através de um programa de educação cívica chamado &#8216;Democracia entre nós&#8217;, cujo princípio era ensinar ao povo venezuelano o que, de fato, significava democracia. Programas educacionais dirigidos, como tolerância política, participação e direitos humanos já atingiram mais de 600 mil pessoas”, diz o documento.</p>
<h3><strong>Dividindo o Chavismo</strong></h3>
<p>Em seguida, o documento detalha as estratégias para “dividir o chavismo”, baseadas na concepção de que Chávez tentava “polarizar a sociedade venezuelana usando uma retórica de ódio e violência”. O remédio, na cabeça de Brownfield, seria dar auxílio a ONGs locais que trabalham em “fortalezas Chavistas” e com os “líderes Chavistas” para “contra-atacar a retórica” e “promover alianças”. Os esforços da Usaid neste sentido custaram US$ 1,1 milhão para atingir 238 mil pessoas em mais de 3 mil fóruns, workshops e sessões de treinamento, “transmitindo valores alternativos e dando oportunidade a ativistas de oposição de interagirem com Chavistas, obtendo o desejado efeito de tirá-los lentamente do Chavismo”.</p>
<p>Exemplos são o grupo “Visor Participativo” composto por 34 ONGs formadas e supervisionadas pela OTI, para trabalhar no fortalecimento das municipalidades. “Enquanto Chávez tenta recentralizar o país, a OTI, através do Visor, está apoiando a descentralização”, escreve Brownfield.</p>
<p>Outra iniciativa, a custo superior a US$ 1,2 milhões, promoveu a criação de 54 projetos sociais em toda a Venezuela “permitindo visitas do Embaixador a áreas pobres do país e demonstrando a preocupação do governo dos EUA com o povo venezuelano”, detalha Brownfield. “Esse programa confunde os bolivarianos e atrasa a tentativa de Chávez usar os EUA como um ‘inimigo unificador’”.</p>
<p>Com o objetivo de “isolar Chávez internacionalmente”, o embaixador gaba-se de que a USAID, através das ONG americana Freedom House, financiou viagens de membros de organizações de direitos humanos da Venezuela ao México, Guatemala, Peru, Chile, Argentina, Costa Rica e Washington. “Além disso, o DAI trouxe dezenas de líderes internacionais à Venezuela e também professores universitários, membros de ONGs e líderes políticos para participarem de workshops e seminários, para que eles voltassem aos seus países de origem entendendo melhor a realidade da Venezuela, tornando-se fortes aliados da oposição venezuelana”.</p>
<p>Brownfield termina o documento, escrito em 2006, com um alerta: “Chávez deve vencer a eleição presidencial de 3 de dezembro e a OTI espera que a atmosfera para o trabalho na Venezuela se torne mais complicada”. De fato, o embaixador saiu do país no ano seguinte, assumindo o mesmo posto na Colômbia antes de ser designado pelo governo Obama para cuidar de cooperação policial com outros países.</p>
<p>Antes de Brownfield assumir a política dos EUA para a Venezuela o escritório de Iniciativas de Transição (OTI) focava sua atuação no fortalecimento dos partidos políticos de oposição – como mostra <a href="http://www.cablegatesearch.net/cable.php?id=04CARACAS2224&amp;version=1314156060" target="_blank">outro documento do WikiLeaks</a>, de 13 de julho de 2004 – incluindo um projeto de US$ 550 mil destinado a promover consultorias de especialistas latinoamericanos em liderança política e estratégia aos partidos, e um projeto de US$ 450 mil com o International Republican Institute (IRI) – do Partido Republicano -  para treinar os partidos de oposição a “delinear, planejar e executar campanhas eleitorais” em “escolas de treinamento de campanha”.</p>
<p>Em 2010, sob crescente pressão do governo venezuelano, o escritório da OTI no país foi fechado, e suas funções foram transferidas para o escritório para América Latina e Caribe da Usaid.</p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2013/03/um-espiao-indiscreto-contra-chavez/"><strong>Leia também: Um espião indiscretocontra Chávez </strong></a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_1.png"><img class="alignleft size-full wp-image-3915" title="Cable_Caracas_1" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_1.png" alt="" width="517" height="634" /></a><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_2.png"><img class="alignleft size-full wp-image-3916" title="Cable_Caracas_2" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_2.png" alt="" width="524" height="608" /></a><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_3.png"><img class="alignleft size-full wp-image-3917" title="Cable_Caracas_3" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_3.png" alt="" width="529" height="608" /></a><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_4.png"><img class="alignleft size-full wp-image-3918" title="Cable_Caracas_4" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_4.png" alt="" width="532" height="620" /></a><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_6.png"><img class="alignleft size-full wp-image-3920" title="Cable_Caracas_6" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_6.png" alt="" width="527" height="638" /></a><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_7.png"><img class="alignleft size-full wp-image-3921" title="Cable_Caracas_7" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_7.png" alt="" width="523" height="618" /></a><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_8.png"><img class="alignleft size-full wp-image-3922" title="Cable_Caracas_8" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Cable_Caracas_8.png" alt="" width="526" height="634" /></a></p>
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		<title>Revolução à americana</title>
		<link>http://www.apublica.org/2012/06/revolucao-a-americana/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 Jun 2012 12:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
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		<description><![CDATA[Documentos vazados pelo WikiLeaks mostram como age uma organização que treina oposicionistas pelo mundo afora – do Egito à Venezuela
]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>No canto superior do documento, um punho cerrado estampa a marca da organização. No corpo do texto lê-se: “Há uma tendência presidencialista forte na Venezuela. Como podemos mudar isso? Como podemos trabalhar isso?”. Mais abaixo, o leitor encontra as seguintes frases: “Economia: o petróleo é da Venezuela, não do governo. É o seu dinheiro, é o seu direito&#8230; A mensagem precisa ser adaptada para os jovens, não só para estudantes universitários&#8230; E as mães, o que querem? Controle da lei, a polícia agindo sob autoridades locais. Nós iremos prover os recursos necessários para isso”.</p>
<p>O texto não está em espanhol nem foi escrito por algum membro da oposição venezuelana; escrito em inglês, foi produzido por um grupo de jovens baseados em outro lado do mundo &#8211; na Sérvia.</p>
<p>O <a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/1116441_insight-venezuela-canvas-ramping-up-.html" target="_blank">documento</a> “Análise da situação na Venezuela, Janeiro de 2010”, produzido pela organização Canvas, cuja sede fica em Belgrado, está entre os documentos da empresa de inteligência Stratfor vazados pelo WikiLeaks.</p>
<p>O último vazamento do WikiLeaks – ao qual a Pública teve acesso – mostra que o fundador desta organização se correspondia sempre com os analistas da Stratfor, empresa que mistura jornalismo, análise política e métodos de espionagem para vender “análise de inteligência” a clientes que incluem corporações como a Lockheed Martin, Raytheon, Coca-Cola e Dow Chemical – para quem monitorava as atividades de ambientalistas que se opunham a elas – além da Marinha americana.</p>
<p>O Canvas (sigla em inglês para “centro para conflito e estratégias não-violentas”) foi fundado por dois líderes estudantis da Sérvia, que participaram da bem-sucedida revolta que derrubou o ditador Slobodan Milosevic em 2000. Durante dois anos, os estudantes organizaram protestos criativos, marchas e atos que acabaram desestabilizando o regime. Depois, juntaram o cabedal de conhecimento em manuais e começaram a dar aulas a grupos oposicionistas de diversos países sobre como se organizar para derrotar o governo. Foi assim que chegaram à Venezuela, onde começaram a treinar líderes da oposição em 2005. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=avsjS0w9MNQ">Em seu programa de TV</a>, Hugo Chávez acusou o grupo de golpista e de estar a serviço dos Estados Unidos. “É o chamado golpe suave”, disse.</p>
<p>Os novos documentos analisados pela Pública mostram que se Chávez não estava totalmente certo – mas também não estava totalmente errado.</p>
<p><strong>O começo, na Sérvia</strong></p>
<p>“Foram dez anos de organização estudantil durante os anos 90”, diz Ivan Marovic, um dos estudantes que participaram dos protestos contra Milosevic, mas que não tem ligação com o grupo Canvas. “No final, o apoio do exterior finalmente veio. Seria bobo eu negar isso. Eles tiveram um papel importante na etapa final. Sim, os Estados Unidos deram dinheiro, mas todo mundo deu dinheiro: alemães, franceses, espanhóis, italianos. Todos estavam colaborando porque ninguém mais apoiava o Milosevic”, disse ele em entrevista à Pública.</p>
<p>“Dependendo do país, eles doavam de um determinado jeito. Os americanos têm um ‘braço’ formado por ONGs muito ativo no apoio a certos grupos, outros países como a Espanha não têm e nos apoiavam através do ministério do exterior”.  Entre as ONGs citadas por Marovic estão o National Endowment for Democracy (NED), uma organização financiada pelo congresso americano, a Freedom  House e o International Republican Institute, ligado ao partido republicano – ambos contam polpudos financiamentos da USAID, a agência de desenvolvimento americana que capitaneou movimentos golpistas na América Latina nos anos 60, inclusive no Brasil.</p>
<p>Todas essas ONGs são velhas conhecidas dos governos latinoamericanos, incluindo os mais recentes.</p>
<p><a href="http://apublica.org/2011/09/haiti-aba-minustah/" target="_blank">Foi o IRI, por exemplo</a>, que ministrou “cursos de treinamento político” para 600 líderes da oposição haitiana na República Dominicana durante os anos de 2002 e 2003. O golpe contra Jean-Baptiste Aristide, presidente democraticamente eleito, aconteceu em 2004. Investigado pelo Congresso dos Estados Unidos, o IRI foi acusado de estar por trás de duas organizações que conspiraram para derrubar Aristide.  Na Venezuela, o NED enviou US$ 877 mil para grupos de oposição nos meses anteriores ao golpe de Estado fracassado em 2002, <a href="http://www.nytimes.com/2002/04/25/international/americas/25VENE.html" target="_blank">segundo revelou o New York Times</a>. Na Bolívia, <a href="http://upsidedownworld.org/main/bolivia-archives-31/1865-usaids-silent-invasion-in-bolivia">segundo documentos</a> do governo americano obtidos pelo jornalista Jeremy Bigwood, parceiro da Pública, a USAID manteve um  “Escritório para Iniciativas de Transição”, que investiu US$ 97 milhões em projetos de “descentralização” e “autonomias regionais” desde 2002, fortalecendo os governos estaduais que se opõem a Evo Morales.</p>
<p>Procurado pela Pública, o líder do Canvas, Srdja Popovic, diz que a organização não recebe fundos governamentais de nenhum país e que seu maior financiador é o empresário sérvio Slobodan Djinovic, que também foi líder estudantil.</p>
<p>Porém, <a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/5514676_canvas-introduction-.html" target="_blank">um PowerPoint de apresentação</a> da organização, vazado pelo WikiLeaks, aponta como parceiros do Canvas o IRI e a Freedom House, que recebem vultosas quantias da USAID.</p>
<p>Para o pesquisador Mark Weisbrot, do instituto Center for Economic and Policy Research, de Washington, organizações como a IRI e Freedom House “não estão promovendo a democracia”. “Na maior parte do tempo, estão promovendo exatamente o oposto. Geralmente promovem as políticas americanas em outros países, e isto significa oposição a governos de esquerda, por exemplo, ou a governos dos quais os Estados Unidos não gostam”.</p>
<p><strong>Fase dois: da Bolívia ao Egito </strong></p>
<p>Vista através <a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/5514676_canvas-introduction-.html" target="_blank">do mesmo PowerPoint</a> de apresentação, a atuação do Canvas impressiona. Entre 2002 e 2009, realizou 106 workshops, alcançando 1800 participantes de 59 países. Nem todos são desafetos americanos – o Canvas treinou ativistas por exemplo na Espanha, no Marrocos e no Azerbaijão – mas a lista inclui muitos deles: Cuba, Venezuela, Bolívia, Zimbabue, Bielorrussia, Coreia do Norte, Siria e Irã.</p>
<p>Segundo o próprio Canvas, sua atuação foi importante em todas as chamadas “revoluções coloridas” que se espalharam por ex-países da União Soviética nos anos 2000.</p>
<p>O documento aponta como “casos bem sucedidos” a transferência de conhecimento para o movimento Kmara em 2003 na Geórgia, grupo que lançou a Revolução Rosas e derrubou o presidente; uma ajudinha para a Revolução Laranja, em 2004, na Ucrânia; treinamento de grupos que fizeram a Revolução dos Cedros em 2005, no Líbano; diversos projetos com ONGs no Zimbabue e a coalizão de oposição a Robert Mugabe; treinamento de ativistas do Vietnã, Tibete e Burma, além de projetos na Síria e no Iraque com “grupos pró-democracia”. E, na Bolívia, “preparação das eleições de 2009 com grupos de Santa Cruz” – conhecidos como o mais ferrenho grupo de adversários de Evo Morales.</p>
<p>Até 2009, o principal manual do grupo, “Luta não violenta – 50 pontos cruciais” já havia sido traduzido para 5 línguas, <a href="http://www.canvasopedia.org/legacy/content/news/index.htm">incluindo o árabe e o farsi</a>.</p>
<p>Um das ações do Canvas que ganhou maior visibilidade foi o treinamento de uma liderança do movimento 6 de Abril, considerado o embrião da primavera egípcia. O movimento começou a ser organizado pelo Facebook para protestar em solidariedade a trabalhadores têxteis da cidade de Mahalla al Kubra, no Delta do Nilo. Foi a primeira vez que a rede social foi usada para este fim no Egito. Em meados de 2009, Mohammed Adel, um dos líderes do 6 de Abril viajou até Belgrado para ser treinado por Popovic.</p>
<p>Nos emails aos analistas da Stratfor, Popovic se gaba de manter relações com os líderes daquele movimento, em especial com Mohammed Adel – que se tornou uma das principais fontes de informação a respeito do levante no Egito em 2011. Na comunicação interna da Stratfor, ele é mencionado sob o codinome RS501.</p>
<p>“Acabamos de falar com alguns dos nossos amigos no Egito e descobrimos algumas coisas”,<a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/1103141_insight-egypt-info-on-april-6-gov-t-tone-on-good-students.html" target="_blank"> informa ele</a> no dia 27 de janeiro de 2011. “Amanhã a irmadade muçulmana irá levar sua força às ruas, então pode ser ainda mais dramático… Nós obtivemos informações melhores sobre estes grupos e como eles têm se organizado nos últimos dias, mas ainda estamos tentando mapeá-los”.</p>
<p><strong>Documentos da Stratfor</strong></p>
<p>Os documentos vazados pelo WikiLeaks mostram que o Canvas age de maneira menos independente do que deseja aparentar. Em pelo menos duas ocasiões, Srdja Popovic contou por email ter participado de reuniões no National Securiy Council, o conselho de segurança do governo americano.</p>
<p><a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/1760536_canvas-stuff-.html" target="_blank">A primeira reunião mencionada</a> aconteceu no dia 18 de dezembro de 2009 e o tema em pauta era Russia e a Geórgia. Na época, integrava o NSC o “grande amigo” de Popovic – nas suas próprias palavras – o conselheiro sênior de Obama para a Rússia, Michael McFaul, que hoje é embaixador americano naquele país.</p>
<p>No mesmo encontro, segundo Popovic relatou mais tarde, tratou-se do financiamento de oposicionistas no Irã através de grupos pró-democracia, tema de especial interesse para ele. “A política para o Irã é feita no NSC por Dennis Ross. Há uma função crescent sobre o Irã no Departamento de Estado sob o Secretário Assistente John Limbert. As verbas para programas pró-democracia no Irã aumentaram de US$ 1,5 milhão em 2004 para US$ 60 milhões em 2008 (&#8230;) Depois de 12 de junho de 2009, o NSC decidiu neutralizar os efeitos dos programas existentes, que começaram com Bush. Aparentemente a lógica era que os EUA não queriam ser vistos tentando interferir na política interna do Irã. Os EUA não querem dar ao regime iraniano uma desculpa para rejeitar as negociações sobre o programa nuclear”, reclama o sérvio, para quem o governo Obama<a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/1129067_insight-iran-us-more-on-pro-democracy-group-funding-.html" target="_blank"> estaria agindo</a> como “um elefante numa loja de louça” com a nova política. “Como resultado, o Iran Human Rights Documentation Center, Freedom House, IFES e IRI tiveram seus pedidos de recursos rejeitados”, <a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/1141030_insight-iran-us-pro-democracy-groups-less-funding-.html" target="_blank">descreve em um email</a> no início de janeiro de 2010.</p>
<p>A outra reunião de Popovic no NSC teria ocorrido às 17 horas do dia 27 de julho de 2011, <a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/96051_re-arrived-.html" target="_blank">conforme Popovic relatou</a> à analista Reva Bhalla.</p>
<p>“Esses caras são impressionantes”, comentou, <a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/1713359_re-insight-venezuela-canvas-analysis-.html" target="_blank">em um email</a> entusiasmado, o analista da Stratfor para o leste europeu, Marko Papic. “Eles abrem usa lojinha em um país e tentam derrubar o governo. Quando bem usados são uma arma mais poderosa que um batalhão de combate da força aérea”.</p>
<p>Marko explica aos seus colegas da Stratfor que o Canvas – nas suas palavras, um grupo tipo “exporte-uma-revolução” –  “ainda depende do financiamento dos EUA e basicamente roda o mundo tentando derrubar ditadores e governos autocráticos (aqueles de quem os Estados Unidos não gostam)”. O primeiro contato com o líder do grupo, que se tornaria sua fonte contumaz, se deu em 2007. “Desde então eles têm passado inteligência sobre a Venezuela, a Georgia, a Sérvia, etc”.</p>
<p>Em todos os emails, Popovic demonstra grande interesse em trocar informações com a Strtafor, a quem chama de “CIA de Austin”. Para isso, vale-se dos seus contatos entre ativistas em diferentes países. Além de manter relação com uma empresa do mesmo filão idológico, se estabelece uma proveitosa troca de informações. Por exemplo, em maio de 2008 Marko diz a ele que soube que a inteligência chinesa estaria considerando atacar a organização pelo seu trabalho com ativistas tibetanos. “Isso já era esperado”, <a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/1784664_josh-informacije-o-kini-.html" target="_blank">responde</a> Srdja. Em 23 de maio de 2011, ele <a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/1526669_insight-question-from-our-canvas-source-.html" target="_blank">pede informações</a> sobre a autonomia regional dos curdos no Iraque.</p>
<p><strong>Venezuela</strong></p>
<p>Um dos temas mais frequentes na conversa com analistas da Stratfor é a Venezuela; Srdja ajuda os analistas a entenderem o que a oposição está pensando. Toda a comunicação, escreve Marko Papic, é feita por um email seguro e criptografado. Além disso, em 2010, o líder do Canvas foi até a sede da Stratfor em Austin para dar um <em>briefing</em> sobre a situação venezuelana.</p>
<p>“Este ano vamos definitivamente aumentar nossas atividades na Venezuela”, explica o sérvio <a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/1116408_re-insight-venezuela-canvas-ramping-up-.html" target="_blank">no email de apresentação</a> da sua “Análise da situação na Venezuela”, em 12 de janeiro de 2010. Para as eleições de setembro daquele ano, relata que “estamos em contato próximo com ativistas e pessoas que estão tentando ajudá-los”, pedindo que o analista não espalhe ou publique esta informação. O documento, enviado por email, seria a “fundação da nossa análise do que planejamos fazer na Venezuela”. No dia seguinte, ele reitera <a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/1116312_insight-venezuela-canvas-fostering-revolutions-.html" target="_blank">em outro email</a>: “Para explicar o plano de ação que enviamos, é um guia de como fazer uma revolução, obviamente”.</p>
<p><a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/1116441_insight-venezuela-canvas-ramping-up-.html" target="_blank">O documento</a>, ao qual a Pública teve acesso, foi escrito no início de 2010 pelo “departamento analítico” da organização e relata, além dos pilares de suporte de Chávez, listando as principais instituições e organizações que servem de respaldo ao governo (entre elas, os militares, polícia, judiciário, setores nacionalizados da economia, professores e o conselho eleitoral), os principais líderes com potencial para formarem uma coalizão eficiente e seus “aliados potenciais” (entre eles, estudantes, a imprensa independente e internacional, sindicatos, a federação venezuelana de professores, o Rotary Club e a igreja católica).</p>
<p>A indicação do Canvas parece, no final, bem acertada. Entre os principais líderes da oposição que teriam capacidade de unificá-la estão Henrique Capriles Radonski, governador do Estado de Miranda e candidato de oposição nas eleições presidenciais de outubro pela coalizão Mesa de Unidade Democrática, além do prefeito do distrito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, e do ex-prefeito do município de Chacao, Leopoldo Lopez Mendoza. Dois líderes estudantis, Alexandra Belandria, do grupo Cambio, e Yon Goicochea, do Movimiento Estudiantil Venezolano, também são listados.</p>
<p>O objetivo da estratégia, relata o documento, é “fornecer a base para um planejamento mais detalhado potencialmente realizado por atores interessados e pelo Canvas”. Esse plano “mais detalhado” seria desenvolvido posteriormente com “partes interessadas”.</p>
<p><a href="http://wikileaks.org/gifiles/docs/1116312_insight-venezuela-canvas-fostering-revolutions-.html" target="_blank">Em outro email</a> Popovic explica:“Quando alguém pede a nossa ajuda, como é o caso da Venezuela, nós normalmente perguntamos ‘como você faria?’ (…) Neste caso nós temos três campanhas: unificação da oposição, campanha para a eleição de setembro (…). Em circunstâncias NORMAIS, os ativistas vêm até nós e trabalham exatamente neste tipo de formato em um workshop. Nós apenas os guiamos, e por isso o plano acaba sendo tão eficiente, pois são os ativistas que os criam, é totalmente deles, ou seja, é autêntico. Nós apenas fornecemos as ferramentas”.</p>
<p>Mas, com a Venezuela, a coisa foi diferente, explica Popovic: “No caso da Venezuela, por causa do completo desastre que o lugar está, por causa da suspeita entre grupos de oposição e da desorganização, nós tivemos que fazer esta análise inicial. Se eles irão realizar os próximos passos depende deles, ou seja, se eles vão entender que por causa da falta de UNIDADE eles podem perder a corrida eleitoral antes mesmo que ela comece”.</p>
<p>Aqueles que receberam a análise (como o pessoal da Strartfor, por exemplo) aprenderam que segunda a lógica do Canvas os principais temas a serem explorados em uma campanha de oposição na Venezuela são:</p>
<p>- Crime e falta de segurança: “A situação deteriorou tremendamente e dramaticamente desde 2006. Motivo para mudança”</p>
<p>- Educação: “O governo está tomando conta do sistema educacional: os professores precisam ser atiçados. Eles vão ter que perder seus empregos ou se submeter! Eles precisam ser encorajados e haverá um risco. Nós temos que convencê-los de que os temos como alta esfera da sociedade; eles detêm uma responsabilidade que valorizamos muito. Os professores vão motivar os estudantes. Quem irá influenciá-los? Como nós vamos tocá-los?”</p>
<p>- Jovens: “A mensagem precisa ser dirigida para os jovens em geral, não só para os estudantes universitários”.</p>
<p>-Economia: “O petróleo é da Venezuela, não do governo, é o seu dinheiro, é o seu direito!  Programas de bem-estar social”.</p>
<p>- Mulheres: “O que as mães querem? Controle da lei, a polícia agindo sob as autoridades locais. Nós iremos prover os recursos necessários para isso. Nós não queremos mais brutamontes”.</p>
<p>- Transporte: “Trabalhadores precisam conseguir chegar aos seus empregos. É o seu dinheiro.  Nós precisamos exigir que o governo preste contas, e da maneira que está não conseguimos fazer isso”.</p>
<p>- Governo: “Redistribuição da riqueza, todos devem ter uma oportunidade”.</p>
<p>- “Há uma forte tendência presidencialista na Venezuela. Como podemos mudar isso? Como podemos trabalhar com isso?”</p>
<p>No final do email, Popovic termina com uma crítica grosseira aos venezuelanos que procura articular: “Aliás, a cultura de segurança na Venezuela não existe. Eles são retardados e falam mais que a própria bunda. É uma piada completa”.</p>
<p>Procurado pela Pública, o líder do Canvas negou que a organização elabore análises e planos de ação revolucionária sob encomenda. E foi bem menos entusiasta com relação ao seu “guia” elaborado para a Venezuela.</p>
<p>“Nós ensinamos as pessoas a analisarem e entenderem conflitos não-violentos – e durante o processo de aprendizagem pedimos a estudantes e participantes que utilizem as ferramentas que apresentam no curso. E nós também aprendemos com eles! Depois usamos o trabalho que eles realizaram e combinamos com informações públicas para criar estudos de caso”, afirmou. “E isso é transformado em análises mais longas por dois estagiários. Usamos estas análises nas nossas pesquisas e compartilhamos com estudantes, ativistas, pesquisadores, professores, organizações e jornalistas com os quais cooperamos – que estão interessados em entender o fenômeno do poder popular”.</p>
<p>Questionado, Popovic também respondeu às criticas feitas por Hugo Chávez no seu programa de TV: “É uma fórmula bem conhecida&#8230; Por décadas os regimes autoritários de todo o mundo fazem acusações do tipo ‘revoluções exportadas’ como sendo a principal causa dos levantes em seus países. O movimento pró-democracia na Sérvia foi, claro, acusado de ser uma ‘ferramenta dos EUA’ pela TV estatal e por Milosevic, antes dos estudantes derrubarem o seu regime. Isso também aconteceu no Zimbabue, Bielorrusia, Irã&#8230;”</p>
<p>O ex-colega de movimento estudantil, Ivan Marovic – que ainda hoje dá palestras sobre como aconteceu a revolta contra Milosevic, mas não faz parte da organização Canvas – concorda com ele: “É impossível  exportar uma revolução. Eu sempre digo em minhas palestras que a coisa mais importante para uma mudança social bem-sucedida é ter a maioria da população ao seu lado. Se o presidente tem a maioria da população ao lado dele, nada vai acontecer”.</p>
<p>Marovic avalia, no entanto, que houve uma mudança de percepção do “braço de ONGs” dos governos ocidentais, em especial dos Estados Unidos, depois da revolução na Sérvia em 2000 e as “revoluções coloridas” que se seguiram no leste europeu. “Um mês depois de derrubarmos o Milosevic, o New York Times publicou um artigo dizendo que quem realmente derrubou o Milosevic foi a assistência financeira americana. Eles estão aumentando o seu papel. E agora acreditam que a grana dos Estados Unidos pode derrubar um governo. Eles tentaram a mesma coisa na Bielorrusia, deram um monte de dinheiro para ONGs, e não funcionou”.</p>
<p>O pesquisador Mark Weisbrot concorda, em termos. É claro que nenhum grupo estrangeiro, ainda mais um grupo pequeno, pode causar uma revolução em um país. Para ele, não é o dinheiro do governo americano – seja através de ONGs pagas pelo National Security Council, pela USAID ou pelo Departamento de Estado – que faz a diferença. “A elite venezuelana, por exemplo, não precisa deste dinheiro. O que estes grupos financiados pelos EUA, antigamente e hoje, agregam são duas coisas: uma é habilidade e o conhecimento necessário em subverter regimes. E a segunda coisa é que esse apoio tem um papel unificador. A oposição pode estar dividida e eles ajudam a oposição a se unificar”. Para ele, muitas vezes o patrocínio americano tem uma “influência perniciosa” em movimentos legítimos. “Sempre tem pessoas grupos lutando pela democracia nestes países, com uma variedade de demandas, reforma agrária, proteções sociais, empregos&#8230; E o que acontece é que eles capitaneiam todo o movimento com muito dinheiro, inspirado pelas políticas que interessam aos EUA. Muitas vezes, os grupos democráticos que recebem o dinheiro acabam caindo em descrédito”.</p>
<p><a href="http://wikileaks.org/gifiles/releasedate/2012-06-18-08-canvas-how-a-us-funded-group-trains-opposition.html" target="_blank">Clique aqui</a> para ver todos os documentos no site do WikiLeaks.</p>
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		<title>Departamento de Estado pediu informe sobre bolivarianismo no Brasil</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/07/semana-wikileaks-departamento-de-estado-pediu-informe-detalhado-sobre-bolivarianismo-no-brasil/</link>
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		<pubDate>Fri, 08 Jul 2011 16:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
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		<category><![CDATA[#Venezuela]]></category>
		<category><![CDATA[#WikiLeaks]]></category>

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		<description><![CDATA[A pedido do governo dos EUA, telegrama secreto de 2005 identifica grupos simpatizantes e propaganda bolivariana ﻿]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apublica.org/2011/07/05brasilia1466/">Um telegrama secreto de 31 de maio de 2005</a> assinado pelo ex-embaixador americano no Brasil, John Danilovich, responde a perguntas feitas pelo Departamento de Estado sobre presença e atividade de grupos bolivarianos no Brasil.</p>
<p>Entre as perguntas enviadas feitas pelo Departamento de Estado para serem respondias pela embaixada estão: &#8220;Quais são os laços do governo com grupos radicais, partidos anti-sistêmicos, organizações esquerdistas extremistas e/ou terroristas, ect?&#8221;, &#8220;Qual a reação do governo à presença de grupos bolivarianos?&#8221;, &#8220;Há procedimentos de segurança da fronteira com a Venezuela?&#8221; e &#8220;Qual é o status da colaboração militar com o govenro venezuelano?&#8221;</p>
<p>Segundo a mensagem, um relatório de 2001 já apontava a organização formal de um grupo composto por oficiais de estado ligados ao PT chamado “Grupo de Ação Símon Bolívar”.  “De acordo com o documento [o relatório de 2001], um dos objetivos do grupo era de unir esforços das massas dentro do Brasil e das iniciativas do PT com outras lutas de classe do continente”, explica  o despacho de 2005, segundo o qual não haviam mais informações sobre o grupo até então.</p>
<p>Outro grupo de tendência bolivariana apontado no telegrama é o “Círculo Bolivariano de São Paulo”. Segundo a mensagem, o movimento marcou presença em um evento na USP patrocinado e coordenado pelo Programa Venezuelano de Divulgação Cultural e Social. “Os objetivos do grupo são desconhecidos. Também é desconhecido o nível, se há algum, de apoio do governo venezuelano ao grupo”, explica a mensagem.</p>
<p>Segundo um outro relatório de mesma natureza, desta vez de 2003, apontava relações entre o MST e o governo chavista. “De acordo com relatório de outubro de 2003, membros da principal organização do movimento sem terra do Brasil, o MST, viajou para a Venezuela, aparentemente sem conhecimento do governo brasileiro, onde declara-se que eles encontraram-se com o presidente venezuelano Hugo Chávez e também com grupos indígenas e fazendeiros”, relata o telegrama secreto.</p>
<p>Os diplomatas fazem um adendo ao relatório, comentando que antes de deixar o Brasil, o ex-embaixador da Venezuela aqui, Vladimir Villegas teria viajado pelo país e pode ter coordenado o contato do governo de Chávez com o MST. A mensagem também relata que Villegas teria mantido encontros fora de Brasília com membros do PT e do MST entre maio e junho de 2003. “Durantes estes encontros, as discussões de Villegas centraram-se na explicação e tentativa de construir apoio para o movimento Bolivariano da Venezuela”, descreve a mensagem.</p>
<p>De acordo com os diplomatas americanos, Villegas tomou o lugar do general Alberto Esqueda Torres como embaixador no Brasil exatamente porque seu antecessor era “passivo” na defesa da revolução bolivariana de Chávez e não se esforçou o suficiente em estabelecer melhores laços com o PT.</p>
<p>O telegrama sublinha a posição oficial do governo brasileiro diante do pensamento pan-sulamericano que já havia declarado que o Brasil não é um país bolivariano. “De fato, a falta de maior conexão histórica do Brasil com o movimento bolivariano e um significante desconhecimento completo e falta de interesse em Bolívar [Símon Bolívar] no público geral do Brasil sugere pouco impulso dentro do Brasil para os esforços de chabes em apropriar a figura histórica ou contorcer seus princípios para encaixarem-se aos fins de Chávez”, analisa o telegrama.</p>
<p>Os documentos são parte de 2.500 relatórios diplomáticos referentes ao Brasil ainda inéditos, que foram analisados por 15 jornalistas independentes e estão sendo publicados nesta semana pela agência Pública. <a href="../2011/07/2011/06/semana-wikileaks/">LEIA MAIS</a></p>
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		<title>Além de Chávez, americanos pediram que Lula “moderasse” Evo Morales</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2011 16:11:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Diplomatas brasileiros em La Paz pediram que Lula ajudasse a “moderar” presidente boliviano]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Diplomatas brasileiros em serviço na Bolívia confidenciaram a seus colegas da Embaixada dos Estados Unidos em La Paz, em 2009, que “compartilham boa parte da frustração” dos norte-americanos com as atitudes de Evo Morales em várias áreas, “desde política econômica até combate ao narcotráfico”.</p>
<p>Membros do serviço diplomático brasileiro também relataram aos norte-americanos conversas privadas entre o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu par boliviano. Os diplomatas americanos sondaram os brasileiros pedindo que eles ajudassem a “moderar” o líder aimará.</p>
<p>As informações constam de <strong><a href="http://www.cablegatesearch.net/cable.php?id=09LAPAZ1233" target="_blank">um telegrama diplomático de agosto de 2009 vazado pelo WikiLeaks</a></strong> – que a agência Pública divulga com exclusividade no Brasil.</p>
<p>Documentos do WikiLeaks já haviam revelado que Lula teria pedido em encontro privado para que o presidente venezuelano Hugo Chávez “moderasse o tom” nas críticas aos EUA.</p>
<p>Em agosto de 2009, as representações diplomáticas de Brasil e Estados Unidos em La Paz mantiveram pelo menos dois encontros para discutir aspectos da visita que Lula faria à Bolívia no dia 22 de agosto.</p>
<p>Os americanos estavam preocupados: uma nova Constituição acabara de ser aprovada no país e haveria novas eleições. Evo Morales, mais que candidato, era favorito para permanecer no cargo – como, de fato, acabou acontecendo.</p>
<p>Os diplomatas dos Estados Unidos revelaram aos brasileiros seu descontentamento com a maneira que o presidente boliviano vinha tratando Washington.</p>
<p>Na época Evo Morales já havia nacionalizado o petróleo e o gás – decreto que, segundo o WikiLeaks revelaria mais tarde, manteve a Embaixada de La Paz em alerta – e expulsado a DEA (Drug Endowment Agency) do país.</p>
<p>O governo boliviano também havia declarado <em>persona non grata</em> a um diplomata dos EUA supostamente ligado à CIA (Central Intelligence Agency) e o embaixador Philip Goldberg, que acabou deixando a Bolívia sob acusações de promover o separatismo no Estado de Santa Cruz.</p>
<p><strong>Antes</strong></p>
<p>Por essas e outras, o <em>staff</em> norte-americano procurou a Embaixada brasileira e sondou os diplomatas sobre a possibilidade de Lula “encorajar algum sinal útil de cautela” em Evo Morales no que diz respeito às suas relações com os Estados Unidos.</p>
<p>E, segundo o telegrama de 26 de agosto, tiveram uma resposta positiva. “As autoridades disseram que é do interesse do Brasil a existência de um melhor relacionamento entre Bolívia e Estados Unidos, e prometeram fazer o possível para incentivar um comportamento mais construtivo por parte do governo boliviano.”</p>
<p>A partir de conversas com diplomatas brasileiros, o documento afirma que o Brasil quer oferecer a Evo Morales uma alternativa aos conselhos radicais que vem recebendo de Cuba e Venezuela. Porém, deixaram claro que Brasília não está em concorrência direta com Caracas.</p>
<p>“Os brasileiros acrescentaram que, ainda que estejam comprometidos com o engajamento dos bolivianos em questões democráticas, eles não consideram que os direitos humanos ou a democracia na Bolívia estejam fora dos padrões hemisféricos.”</p>
<p><strong>Morales não ouviu</strong></p>
<p>Isso tudo aconteceu antes da visita de Lula a Morales. Quando os presidentes finalmente se encontraram, no dia 22 de agosto de 2009, a Embaixada dos Estados Unidos em La Paz interpretou a agenda oficial como ato eleitoral em benefício do boliviano.</p>
<p>O encontro aconteceu em Villa Tunari, pequena localidade encravada na região do Chapare, berço político do presidente boliviano e grande produtora de folha de coca. Milhares de camponeses assistiram à celebração de acordos bilaterais e ouviram Lula comparar Evo a Nelson Mandela.</p>
<p>Acabadas as festividades, os diplomatas norte-americanos procuraram o conselheiro da Embaixada do Brasil para saber como havia sido a conversa entre Lula e Morales. “Julio Bitelli nos confirmou que Lula falou com Morales sobre as relações entre Bolívia e Estados Unidos (durante o percurso que fizeram de carro até o evento público), mas disse que a questão levou ao &#8216;usual&#8217; discurso retórico sobre os supostos crimes cometidos pelos Estados Unidos”, revela o documento.</p>
<p>“Morales recordou sua experiência pessoal nas mãos de agentes da DEA, protestou contra a hegemonia estadunidense na América Latina e não pareceu receptivo a ouvir qualquer conselho, de acordo com Bitelli.”</p>
<p>Escrito apenas quatro dias depois da visita, o telegrama termina com a promessa: “Continuaremos a encorajar o Brasil a seguir em frente com seu manifesto interesse de ajudar a moderar Morales, apesar dos limites evidentes de tais abordagens.”</p>
<p>Os documentos são parte de 2.500 relatórios diplomáticos referentes ao Brasil ainda inéditos, que foram analisados por 15 jornalistas independentes e estão sendo publicados nesta semana pela agência Pública.</p>
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		<title>Hidrelétrica brasileira na Guiana serviria de apoio em disputa com a Venezuela</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jun 2011 19:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Nossas Investigações]]></category>
		<category><![CDATA[#Guiana]]></category>
		<category><![CDATA[#Venezuela]]></category>
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		<description><![CDATA[Segundo embaixador brasileiro, infraestrutura em território fronteiriço iria consolidar a reivindicação da Guiana sobre a área]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: -webkit-auto;"></div>
<div style="text-align: -webkit-auto;"><strong><a href="http://www.cablegatesearch.net/cable.php?id=09BRASILIA1234" target="_blank">Em 5 de outubro de 2009, o embaixador Rubem Barbosa</a></strong>, consultor do ministro de Minas e Energia Edison Lobão, reuniu-se com o assessor econômico da embaixada dos EUA em Brasília para explicar os planos do Brasil construir uma usina hidrelétrica com capacidade de 800 megawatts na região do Alto Mazaruni, fronteira entre a Venezuela e a Guiana.</div>
<p>A ideia para a construção teria sido do presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, durante um encontro com Lula em 14 de setembro de 2009 para inaugurar uma ponte binacional.</p>
<p>Duas semanas depois, Lula enviou uma delegação chefiada por Lobão e pelo o presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes, acompanhada por Barbosa, que incluía representantes do BNDES e da construtora Andrade Gutierrez, uma das empreiteiras que seriam responsáveis pela obra.</p>
<p>“Enquanto saciar as necessidades de suprimento de energia para os dois países seria a razão principal para esse projeto, Barbosa confidenciou que as razões políticas para a obra também são fortes”, diz um telegrama diplomático obtido pelo WikiLeaks.</p>
<p>“Dado que a planta hidrelétrica seria construída em uma parte do território da Guiana que está em disputa com a Venezuela, Jagdeo vê como um esforço importante para consolidar a reivindicação da Guiana sobre a área”, diz Barbosa.</p>
<p>O investimento seria de 2 bilhões de reais para a construção da usina hidrelétrica do Alto Mazaruni e de uma linha de transmissão de 580km, que levaria ¾ da energia para Roraima. Gianfranco Micelli, da Andrade Gutierrez, chegou a anunciar que a obra estaria concluída em 2015.</p>
<p>Perguntado pelo representante americano se a construção não seria incômoda para o Brasil, Barbosa disse que o venezuelano Hugo Chávez não havia se envolvido pessoalmente na disputa de território, o que teria deixado ex-presidente Lula “confortável” em apoiar a obra.</p>
<p>Barbosa disse ainda que Lula queria ver a Guiana e o Suriname na União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) e via o investimento como uma oportunidade nesse sentido.</p>
<p>Segundo a assessoria de imprensa da Eletrobrás, a empresa está realizando o estudo de pré-viabilidade da hidrelétrica, que pode levar cerca de dois anos para ser concluído.</p>
<p>A Eletrobrás também está fazendo um inventário do potencial hidrelétrico do país, a partir de um memorando de entendimento assinado com a Guiana em 2009.</p>
<p><strong>Disputa histórica</strong></p>
<p>O território fronteiriço do Alto Mazaruni, na região de Essequibo, tem sido alvo de disputas entre a Guiana e a Venezuela desde a década de 60.</p>
<p>Os planos guianos para construir a hidrelétrica, a partir de meados de 1975, foram por água abaixo quando, em 1981, o governo da Venezuela rejeitou o projeto por causa da sua demanda pelo território – rico em urânio, ouro e diamantes. Além disso, protestos de comunidades indígenas ajudaram a engavetar o plano.</p>
<p>Em novembro de 2007, o governo de Bharrat Jagdeo acusou a Venezuela de violar seu território, com a incursão de 40 soldados venezuelanos nas águas disputadas.</p>
<p>No ano passado, um relatório da Survival International colocou a futura hidrelétrica como uma ameaça às tribos indígenas Akawaios e Arekunas. Segundo a organização, com a inundação de parte do território, milhares de indígenas perderiam suas terras, tornando-se refugiados.</p>
<p>Os documentos são parte de 2.500 relatórios diplomáticos referentes ao Brasil ainda inéditos, que foram analisados por 15 jornalistas independentes e estão sendo publicados nesta semana pela agência Pública.</p>
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