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	<title>Pública &#187; Tag: #RemoçõesForçadas</title>
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	<description>AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO</description>
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		<title>Comunidade prova que é possível fazer diferente. E manter a Paz</title>
		<link>http://www.apublica.org/2013/03/comunidade-prova-e-possivel-fazer-diferente-manter-paz-copa-do-mundo-megaeventos-itaquera-copa-2014/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Mar 2013 12:00:25 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Moradores e movimentos sociais lançam plano alternativo a remoções em Itaquera às vésperas da visita do GT de Moradia Adequada da Presidência da República]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O tempo nublado, o vento e a chuva não afastaram os moradores da Comunidade da Paz de seu compromisso de luta. Foi lançado no domingo, dia 24, o Plano Popular Alternativo para a Comunidade da Paz (<a href="http://vuzit.com/view/6mz96/?oid=3&amp;key=Vuzit" target="_blank">veja aqui o documento em PDF</a>), ameaçada de remoção por conta das obras do Parque Linear do Rio Verde. Esta intervenção urbana, prevista desde 2004, foi incluída no pacote de obras do Polo Institucional de Itaquera, obra esta que vem sendo vendida como um dos grandes legados da Copa do Mundo para São Paulo.</p>
<p>Com o esforço do poder público em entregar o Polo Institucional até 2014, as obras vêm sendo aceleradas, mas a comunidade continua sem saber qual será o seu destino quando o Parque Linear estiver pronto. A primeira parte das obras já foi entregue; é na segunda etapa, que se inicia agora, que está prevista a remoção das cerca de 300 famílias da comunidade da Paz.</p>
<p>O terreno que a comunidade da Paz ocupa desde 1991 pertence à COHAB (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo), cuja finalidade definida por estatuto é “estudar os problemas de habitação, principalmente habitação popular, notadamente na área metropolitana de São Paulo, planejar e executar suas soluções, em coordenação com os diferentes órgãos públicos e privados, municipais ou não, visando tornar acessível às classes de menor renda a aquisição ou construção de casa própria”.  O Estatuto da COHAB também determina que as suas propriedades só possam ser alienadas, permutadas, cedidas em comodato, oneradas ou alugadas, desde que os atos representem atividades condizentes com as finalidades da empresa.</p>
<p>Sem receber nenhum tipo de comunicação da Cohab e nenhuma informação de órgãos públicos (<a href="http://www.apublica.org/2012/08/copa-do-mundo-2014-remocoes-em-itaquera-comunidade-da-paz-vive-escuro/" target="_blank">veja aqui outra matéria da Pública sobre o assunto</a>), os moradores da Comunidade da Paz buscaram apoio externo e criaram o Plano Popular Alternativo, para resistir à remoção total dos domicílios e demonstrar que há soluções que preservam a maioria das casas sem interferir nas obras em curso.</p>
<h3><strong>Elaboração do plano</strong></h3>
<p>O Plano Popular Alternativo foi coordenado pelo movimento Comunidades Unidas de Itaquera, com assessoria técnica do Instituto Pólis e da ONG Peabiru Trabalhos Comunitários e Ambientais, e apoio do Comitê Popular da Copa de São Paulo.</p>
<p>As atividades de construção do Plano Popular se iniciaram em outubro de 2012, com um levantamento socioeconômico amostral com 72 famílias da Paz feito por assistentes sociais do Comunidades Unidas de Itaquera durante dois meses. Neste período também foi produzido um diagnóstico urbanístico da comunidade (reconhecimento do território da comunidade, com mapeamento das casas dos moradores, estabelecimentos comerciais, igrejas, espaços de encontros, etc.), e colhidas as diretrizes dos moradores para a elaboração do plano.</p>
<p>Os dados produzidos por esses estudos – apresentados e aprovados pelos moradores no início de 2013 – não deixam dúvidas sobre a situação dramática da comunidade: 47% dos moradores não contribuem com a renda familiar por estarem desempregados – apenas 27% possuem emprego formal; 61% dos moradores têm renda inferior a R$ 339,00 e 34%, inferior a um salário mínimo. Entre os adolescentes e jovens o quadro é ainda mais grave: 46% deles não frequentam a escola por falta de vagas e pela inserção precoce no mercado de trabalho.</p>
<p>Nessas condições, a proximidade de equipamentos públicos &#8211; em um raio de 2,5 km – torna-se ainda mais importante para a comunidade. Ali estão oito escolas municipais de ensino infantil, duas escolas municipais de ensino fundamental, sete escolas estaduais de ensino fundamental e médio, 12 creches, uma biblioteca, duas MOVAs (Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos), quatro AMAs e uma UBS. A 300 metros da comunidade fica a estação Corinthians-Itaquera do Metrô e da CPTM, que também conta com um terminal de ônibus, uma infraestrutura essencial para quem mora lá.</p>
<p>Por isso, o principal objetivo do plano foi manter o máximo de famílias no local onde vivem em condições mais dignas – trocando os barracos de madeira por habitações de melhor qualidade, instalando uma infraestrutura de qualidade (luz, água, esgoto, drenagem) e fazendo a regularização fundiária do terreno. Para os moradores que realmente têm de deixar as casas por estarem em situação de risco ou em áreas de segurança do metrô, a proposta prevê o reassentamento definitivo em habitações dignas, sem soluções precárias do tipo bolsa-aluguel, albergues, ou “cheques despejo”, e em áreas próximas da atual localização da comunidade.</p>
<p>De acordo com o Plano, 145 famílias continuariam no mesmo local, e 155 seriam reassentadas.</p>
<h3><strong>Moradores encontraram oito terrenos vazios para reassentamento</strong></h3>
<p>Os moradores e a asssessoria técnica pesquisaram – e encontraram &#8211; oito terrenos vazios nas cercanias da comunidade da Paz, sendo três públicos, três privados (alguns com dívidas de IPTU com o município) e dois sem informação sobre a propriedade. Segundo a estimativa da assessoria técnica (Peabiru e Polis), esses terrenos podem abrigar de 1965 a 3070 novas unidades habitacionais.</p>
<p>“Há espaço para abrigar não só a Comunidade da Paz, como todas as comunidades em assentamentos precários situados ao longo do córrego do Rio Verde, sem promover um impacto na vida das pessoas que lhe imponha perdas drásticas, no que se refere à qualidade urbana”, destaca o Plano.</p>
<p>Sem impedir a construção do Parque Linear: “Essa proposta não inviabiliza nenhum dos projetos que o Estado vêm tocando e ainda garante a manutenção dessas famílias, de maneira digna, no mesmo local ou próximo dele”, conclui o plano.</p>
<h3><strong>Em boa hora</strong></h3>
<p>O plano ficou pronto às vésperas de uma visita importante à Comunidade da Paz. Às nove horas da manhã do próximo dia 2 de abril, o Grupo de Trabalho sobre Moradia Adequada, ligada à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República visitará a comunidade. No lançamento oficial do Plano, no último domingo, os militantes do movimento Comunidades Unidas de Itaquera começaram a formar uma comissão de moradores da Paz para dialogar não só com o GT, mas com todas as instâncias do poder público sempre que necessário. “A idéia é que os moradores tenham o plano na ponta da língua para conversar com quem quer que seja”, resume o motorista Pedro Fortunato, um dos líderes da comunidade.</p>
<p>Por enquanto, o silêncio do poder público inquieta os moradores. Um deles, o encarregado geral Washington Silva, que mora ali há 20 anos, descobriu que havia um mandado de reintegração de posse previsto para o próximo dia 26 de abril, que desalojaria todos os moradores da comunidade.</p>
<p>“Desde 1996, nós sabemos que tem uma ordem de reintegração de posse para a comunidade. Todo fim de semana, o tempo que eu tenho na internet eu fico pesquisando a situação desse processo, fuçando mesmo para saber o que vai acontecer com a nossa população”, conta Washington. “No último domingo, em uma reunião, eu informei ao pessoal que tinha já uma ordem de despejo. Aí me pediram para eu checar na internet, eu puxei e estava lá”, conclui.</p>
<h3><strong>COHAB x Moradores</strong></h3>
<p>O processo número 04166616-09.1996.8.26.0007 está sendo movido pela própria COHAB, o que gerou ainda mais revolta entre os moradores. E uma grande mobilização, que trouxe consequências.</p>
<p>Na última sexta-feira, dia 22 de março, a vereadora Juliana Cardoso (PT) conseguiu uma audiência dos moradores com a Secretaria de Habitação. Nessa reunião, o secretário José Floriano de Azevedo Marques ordenou a suspensão do pedido de reintegração de posse, comprometeu-se a iniciar o cadastramento das famílias da Comunidade da Paz, e levantou a possibilidade de que essas fossem reassentadas em um projeto habitacional, no Iguape B, localizado na Avenida Itaquera. As famílias da comunidade teriam prioridade para serem realocadas para este terreno.</p>
<p>A suspensão da reintegração não interrompe o processo, que continua correndo na Justiça, deixando os moradores em suspense. “A gente se sente excluído da população, do poder público. Vamos nos unir para colher as informações necessárias. É complicado, sou pai de família, tenho um casal de filhos, saio para trabalhar e fico com a preocupação de sair de casa e não ter mais casa. Quando eu soube que a Copa vinha para cá, fiquei muito feliz. Eu só quero crer que o governo não vai deixar a gente de mãos atadas na rua”, conclui Washington Silva.</p>
<blockquote><p><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>O Rio que os cariocas querem</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Mar 2013 11:00:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Movimentos populares cariocas fazem caminhada contra alterações causadas por obras da Copa; veja as matérias do Copa Pública sobre remoções e violações ao patrimônio do Rio]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>“A Cidade é Nossa!” É sob esse lema que o Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas convoca uma caminhada em protesto contra o modelo de cidade que vem se desenhando no Rio de Janeiro.  O ato está previsto para amanhã, dia 16, às 10h. A ideia é sair da Praça Saens Peña, na Tijuca, e caminhar até o estádio do Maracanã.</p>
<p>O estádio emblemático do Rio de Janeiro – destino da caminhada – simboliza agora também o novo modelo de cidade que vem se desenhando nas terras cariocas à revelia de seus habitantes. Desde 1999, os governos investiram cerca de R$ 1,5 bilhão no Maraca, em vias de ser privatizado.</p>
<p>O projeto da SUDERJ (Superintendência de Desportos do Rio de Janeiro) que pretende transferir o estádio à iniciativa privada prevê que o vencedor da concorrência pague R$ 153 milhões em 35 anos pelo direito de administrá-lo. Ou seja, somente ao término do tempo de concessão, cerca de 10% do valor investido no estádio desde 1999 voltará aos cofres públicos.</p>
<p>E esse não é o único motivo <a href="https://www.facebook.com/events/165554883596737">para o texto convocatório no Facebook</a>, que fala em “sucateamento dos serviços públicos, venda de nosso patrimônio” e aponta para os prejuízos para as comunidades e equipamentos públicos dos cariocas nas áreas afetadas pelas obras da Copa, como o fechamento de escolas, hospitais e teatros, as remoções forçadas, o recolhimento compulsório e indiscriminado de moradores de rua, a degradação de áreas de proteção ambiental e “a relação suspeita entre governantes e empresários”, afirma o texto.</p>
<p>Desde o início de suas atividades, o blog Copa Pública vem acompanhando de perto a situação do Rio de Janeiro, a capital mundial de megaeventos e uma das cidades que mais vem sofrendo com as transformações provocadas pelas obras. Até o bondinho de Santa Teresa mudou – para pior segundo os moradores.</p>
<p>Desde dezembro de 2011, foram 18 matérias relacionadas à realização dos megaeventos no Rio, entre entrevistas, reportagens, minidocs, publicações de dossiês, etc.</p>
<p>A informação publicada, que ajuda a entender a mobilização no Rio de Janeiro, você encontra nesses links:</p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/01/denuncias-rimadas-ouca-rap-megaeventos/">Rappers cariocas denunciam violações nos megaeventos</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/01/nao-vamos-sair-diz-moradora-morro-da-providencia-veja-minidoc/">Luta dos moradores do Morro da Providência contra a remoção por conta do projeto do Porto Maravilha</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/02/uma-outra-historia-sobre-os-bondes-de-santa-teresa/">O caso dos bondes de Santa Teresa</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/03/copa-de-2014/ ">A visão do artista Antônio Máximo sobre as violações trazidas pelos megaeventos</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/04/dossie/">Dossiê publicado pelo Comitê Popular mostra mais violações de direitos</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/05/manhattan-brasileira/">Rappers retratam e comparam a especulação imobiliária do Rio à de Manhattan</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/05/doc-mostra-despejos-ocupacoes-rio/">Documentário sobre despejos e desocupações no Rio</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/06/maracanosso-ou-maracadeles/">Especialistas, jogadores e torcedores conhecidos do público dão sua visão sobre o projeto do Maracanã</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/06/post-vila-autodromo/">O protesto da Vila Autódromo na Rio+20</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/06/elisangela-chegou-tempo-de-ver-sua-casa-cair-veja-minidoc/">A história de Elisângela, que chegou a tempo de ver sua casa cair</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/08/rj-prefeitura-manda-46-intimacoes-de-despejo-ao-inves-de-4/">Prefeitura do Rio manda 46 intimações de despejo ao invés de 3 no pontal do Recreio</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/11/foi-um-teatro-montado-para-entregar-maracana-diz-manifestante/">A versão dos movimentos populares sobre a audiência pública do Maracanã</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/11/depois-casa-caiu/">Elisângela conta sua situação após o drama de ver sua casa literalmente cair</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2013/01/oucam-alerta-da-aldeia-maracana/">Reportagem sobre o caso da Aldeia Maracanã</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2013/01/aldeia-maracana-e-dos-indios-diz-antropologo/">Antropólogo contextualiza a visão dos índios com relação à Aldeia Maracanã</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2013/01/para-onde-vai-bonde/ ">Entrevista com o advogado Abaeté Mesquita, sobre o Bonde de Santa Teresa</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2013/03/vamos-retroceder-15-anos-sem-celio-de-barros-diz-ex-atleta-maracana-copa-2014-copa-do-mundo-atletismo/">Ex-velocista Nelsinho expõe seu descontentamento com a provável demolição do Célio de Barros em entrevista</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2013/03/vila-autodromo-nao-se-compram-historias-de-vida-condominios-chiques/ ">As impressões de um fotógrafo que documentou a luta da Vila Autódromo</a></p>
<blockquote><p><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>Vila Autódromo: Não se compram vidas com condomínios chiques</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Mar 2013 15:00:37 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Enquanto a prefeitura do Rio  tenta convencer moradores a deixar suas casas por outras com piscina com tobogã, fotógrafo retrata histórias de amor e superação na comunidade]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada, o prefeito do Rio de Janeiro <a href="http://www.rio.rj.gov.br/web/smh/exibeconteudo?article-id=3641680" target="_blank">Eduardo Paes visitou o estande decorado</a> do conjunto habitacional “Parque Carioca” em Jacarepaguá, para onde pretende mandar os moradores da Vila Autódromo, antiga comunidade do centro do Rio de Janeiro que deve ser removida para dar lugar ao Parque Olímpico Rio 2016.</p>
<p>Ignorando <a href="http://comitepopulario.wordpress.com/2012/08/16/vila-autodromo-apresenta-projeto-inedito-de-urbanizacao-e-exige-permanencia-como-legado-olimpico-de-2016/" target="_blank">o Plano Popular da Vila Autódromo</a>, elaborado pela associação de moradores em conjunto com especialistas da Universidade Federal Fluminense – <a href="http://www.apublica.org/2012/06/post-vila-autodromo/" target="_blank">Falamos dele aqui</a> – a prefeitura tenta, com um apelo totalmente diferente do resto das remoções feitas de forma violenta e arbitrária na cidade, convencer os moradores a conhecer o apartamento modelo do novo &#8220;condomínio&#8221;, que tem no projeto piscina com tobogã, quadras e espaços de lazer.</p>
<p>“Os agentes estão chegando na comunidade com panfletos, deixaram um ônibus à disposição dos moradores para que conheçam o lugar, mas a Vila Autódromo segue unida, a maioria não quer sair” diz Renato Cosentino, do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro. “O que está acontecendo lá é exceção, essa tentativa de convencimento, esse reassentamento chique. Estão fazendo isso para passar uma boa imagem para a mídia, mas a gente sabe que as remoções não seguem este modelo. Mesmo assim, os moradores têm medo do alto custo de manutenção, que será reateado entre eles, como em qualquer outro condomínio. Muitos também &#8220;não querem trocar suas casas por apartamentos de 50 metros quadrados”explica.</p>
<h3><strong>História para contar</strong></h3>
<p><strong></strong>Além da questão prática, há também o amor dos moradores pela comunidade e muitas histórias de vida que têm a Vila Autódromo como pano de fundo.</p>
<p>Uma destas histórias é contada no ensaio fotográfico “Vila Autódromo, Marcas da Vida”, feito por João Vitor dos Santos, formado pela <a href="http://www.imagensdopovo.org.br/apresentacao/" target="_blank">Escola De Fotógrafos Populares</a>, em parceria com o coletivo <a href="http://entresembater.org.br/" target="_blank">#entresembater.</a> Andando pela comunidade, JV conheceu a família Santos Rocha, que mora há quase 20 anos ali. Resolveu mostrar seu cotidiano. Na vídeo-montagem feita com as imagens, JV coloca trechos dessa história contada pelos catadores Carlos e Evanilde, que já passaram por outras remoções e não pretendem deixar o local onde vivem com os seis filhos e uma neta há tantos anos.</p>
<p>Leia a entrevista que o fotógrafo deu ao Copa Pública e conheça a história dessa família na vídeo-montagem:<span style="font-size: 2em;"> </span></p>
<p><strong>Por que você escolheu a Vila Autódromo como tema do ensaio?</strong></p>
<p>Conheci a Vila Autódromo em 2011. É uma comunidade reconhecida até internacionalmente por seu exemplo de resistência na luta pela moradia há pelo menos 20 anos. A escolha vem dessa luta, e por eu não enxergar justificativa para a remoção dos moradores daquela área, a não ser a especulação imobiliária e uma questão pessoal do atual prefeito, que já demonstra interesse por aquelas terras desde a época que era subprefeito da Barra da Tijuca. Acho que a história da Vila Autódromo mostra perfeitamente a luta dos moradores de favela para manterem suas casas.</p>
<p><strong>E a familia que você fotografou? Como conheceu?</strong></p>
<p>Conheci pelas minha andanças dentro da comunidade. A maioria dos moradores sempre me abordava quando me via com câmera fotográfica. É impressionante a necessidade das pessoas de lá terem suas histórias de vida serem conhecidas. A Família Santos Rocha me recebeu muito bem, e tem uma história de vida incrível.</p>
<p><strong>Sua abordagem é mais humana, focada na história da familia. Por quê?</strong></p>
<p>Percebi que os veículos de comunicação só tratavam as áreas ameaçadas de remoção por questões técnicas. Sempre se discutia se era invasão ou não, se os moradores seriam reassentados dentro da comunidade ou não, se receberiam indenização ou aluguel social, quanto mediam suas casas e as casas que lhes seriam entregues&#8230; <span style="font-size: 13px;">A ideia do ensaio é tirar o concreto e as cifras e trazer o lado humano das histórias das pessoas que enfrentam essa luta pela moradia. Creio que seja um legado que o mestre João Roberto Ripper [criador da Escola De Fotógrafos Populares] costuma deixar para  seus alunos.</span></p>
<p><strong>Você pretende continuar a série sobre essas familias?</strong></p>
<p>Sim. Já continuo o ensaio na Vila Autódromo com outros moradores.</p>
<p><strong>A família viu o resultado? O que achou?</strong></p>
<p>A família participou do processo de construção do ensaio. Tive a oportunidade de pedir a opinião deles sobre as imagens, retornar com algumas fotos impressas para eles. O mais gratificante foi que no dia em que mostrei o ensaio pela primeira vez a outras pessoas, eles estavam presentes. E olha que foi na Maré, bem longe da Vila Autódromo! Foi realmente mágico poder ver a resposta positiva deles e contar com o apoio para dar continuidade no trabalho.</p>
<p><strong>O que você acha da chegada dos megaeventos ao Rio?</strong></p>
<p>Os grandes eventos que virão, na minha opinião, da forma e por quem estão sendo conduzidos, serão um capítulo muito triste na história da cidade, assim como outras reformas urbanas que devastaram as camadas populares ao longo dos anos.</p>
<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/60478467" frameborder="0" width="400" height="225"></iframe></p>
<p><a href="http://vimeo.com/60478467">Vila Autódromo, Marcas da Vida &#8211; Família Santos Rocha</a> from <a href="http://vimeo.com/user16693663">JV Santos</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<blockquote><p><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>Comitês populares denunciam remoções forçadas na ONU</title>
		<link>http://www.apublica.org/2013/03/comites-populares-denunciam-remocoes-forcadas-na-onu/</link>
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		<pubDate>Tue, 05 Mar 2013 11:00:40 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Violações de direitos, remoções forçadas, pressão por parte da Fifa e COI foram algumas das denúncias feitas pela ANCOP na 22ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Na manhã desta segunda-feira (4), a ONU recebeu uma visita inédita: a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP), que reúne os comitês populares de todas as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, foi até Genebra denunciar as remoções forçadas e violações de direitos que estão ocorrendo no Brasil por conta dos megaeventos de 2014 e 2016.</p>
<p>A representante da ANCOP, Giselle Tanaka, falou depois da apresentação do novo relatório da Relatoria Especial da ONU sobre Direito à Moradia Adequada pela urbanista Raquel Rolnik durante a 22ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.</p>
<p>Giselle destacou que “a realização destes eventos esportivos [Copa e Olimpíadas] no Brasil poderia ter criado a possibilidade de viabilizar significativos investimentos sociais e na infraestrutura”. Na opinião da ANCOP, porém, os altos investimentos dispendidos para sediar os megaeventos vêm a aprofundando a desigualdade social e as violações de direitos no país. “Isto parece ser um tema comum relacionado aos megaeventos e megaprojetos: servir ao lucro de uns e causar prejuízo a milhões”, disse.</p>
<p>A falta de políticas públicas para a prevenção de exploração sexual de mulheres e adolescentes, o aumento de restrição ao trabalho informal e do pequeno comércio, a construção de estádios caros e sem utilidade futura (o que implica em redução de outros investimentos públicos), além da ameaça de remoção de aproximadamente 170 mil pessoas foram algumas das denúncias feitas pela ANCOP.</p>
<p>Três reportagens da Pública foram usadas como referência na argumentação de Giselle na ONU:</p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/04/copa-nao-e-para-pobre-os-ambulantes-zonas-de-exclusao-da-fifa/" target="_blank">Os ambulantes e as zonas de exclusão da Fifa</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2013/02/francisca-perdeu-tudo-por-estar-caminho-da-transoeste-veja-minidoc/" target="_blank">Francisca perdeu tudo por estar no caminho da Transoeste</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/06/elisangela-chegou-tempo-de-ver-sua-casa-cair-veja-minidoc/" target="_blank">Elisângela viu sua casa cair</a></p>
<p>Leia abaixo, em português, o discurso na íntegra e veja o vídeo da intervenção na Comissão de Direitos Humanos da ONU:</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/lEAheBRIAzg" frameborder="0" width="640" height="360"></iframe></p>
<p><em>Violações ao direito a moradia no contexto dos Mega Eventos no Brasil</em></p>
<p><em>Apresentação oral feita na ocasião da apresentação do relatoria do Relatoria Especial pelo direito à</em><br />
<em> Moradia Adequada.</em></p>
<p><em>Conselho de Direitos Humanos da ONU – 04/03/2013</em></p>
<p><em>Obrigado Senhor Presidente</em></p>
<p><em>Conectas, em parceria com a Articulação Nacional dos Comitês Populares</em><br />
<em> da Copa e Olimpíadas, a Rede Jubileu Sul e a Wittnes gostariam, respeitosamente</em><br />
<em> de chamar vossa apresentação para os graves problemas sociais, abusos aos direitos</em><br />
<em> humanos e remoções forçadas de milhares de famílias que ocorrendo no Brasil em</em><br />
<em> virtude da preparação para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.</em></p>
<p><em>A realização destes eventos esportivos no Brasil poderia ter criado a</em><br />
<em> possibilidade de viabilizar significativos investimentos sociais e na infraestrutura</em><br />
<em> do Brasil. Infelizmente, estes investimentos têm sido mal planejados, extremamente</em><br />
<em> custosos <a href="] http://clickeaprenda.uol.com.br/portal/mostrarConteudo.php?idPagina=26909">[1]</a> e, em virtude das pressões da FIFA e do COI, resultado em enormes</em><br />
<em> problemas para as comunidades locais. Na verdade, isto parece ser um tema comum</em><br />
<em> relacionado aos mega eventos e mega projetos: servir ao lucro de uns e causar prejuízo a</em><br />
<em> milhões.</em></p>
<p><em>Dentre outros problemas, não existe política pública para prevenir a exploração</em><br />
<em> sexual de mulheres e adolescentes, <a href="http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2012/12/15/as-vesperas-da-inauguracao-do-estadio-jovens-se-prostituem-ao-redor-do-castelao-por-r-10.htm">[2]</a>, há aumento da restrição ao direito ao trabalho</em><br />
<em> informal e de pequenos comerciantes <a href="http://www.apublica.org/2012/04/copa-nao-e-para-pobre-os-ambulantes-zonas-de-exclusao-da-_fa/">[3]</a>, a criação de leis especiais que destroem</em><br />
<em> direitos historicamente adquiridos pela população <a href="http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/60339/com+leis+proprias+megaeventos+criam+%27estado+de+excecao%27+dizem+especialistas.shtml">[4]</a>, a construção extremamente</em><br />
<em> cara de estádios sem utilidade futura resultando em redução de investimento em áreas</em><br />
<em> cruciais como saúde e educação.</em></p>
<p><em>Tem sido noticiado que <a href="http://www.portalpopulardacopa.org.br/index.php?option=com_k2&amp;view=item&amp;id=198:dossi%C3%AA-nacional-de-viola%C3%A7%C3%B5es-de-direitos-humanos">[6]</a> os dois eventos são responsáveis diretos pelas</em><br />
<em> remoções forçadas ou ameaça de remoções de mais de 170 mil pessoas. Isto</em><br />
<em> corresponde a quase 1 em cada 1.000 brasileiros estão ameaçados de perder suas</em><br />
<em> moradias por conta de jogos que não durarão sequer um mês cada. <a href="http://www.apublica.org/2013/02/francisca-perdeu-tudo-por-estar-caminho-da-transoeste-veja-minidoc/">[7]</a>. Trata-se de</em><br />
<em> um êxodo forçado, de interesse da especulação imobiliária, que alcança proporções</em><br />
<em> alarmantes em uma das cinco maiores populações do mundo.</em></p>
<p><em>Delegados</em></p>
<p><em>Isto não é novo para este Conselho. A Articulação Nacional dos Comitês</em><br />
<em> Populares da Copa, já submeteu denúncias para a Relatoria especial e o UPR. Estas</em><br />
<em> denúncias serviram de bases para:</em></p>
<p><em>a) Resolução 13/2010 sobre Megaeventos e direito a Moradia;</em><br />
<em> b) Duas cartas sobre o tema (em 2011 e 2012) da Relatoria Especial para o Governo do</em><br />
<em> Brasileiro, sem que este respondesse satisfatoriamente;</em><br />
<em> c) Recomendações específicas deste conselho ao governo do Brasil durante seu</em><br />
<em> encontro de maio de 2012.</em></p>
<p><em>Dado o silêncio do Governo Brasileiro, com a iminência da Copa das</em><br />
<em> Confederações e a quase um ano da Copa do Mundo, tememos que os abusos aos</em><br />
<em> direitos humanos possam se agravar no Brasil, enquanto aumenta a violência das</em><br />
<em> remoções forçadas.</em></p>
<p><em>Excelências,</em></p>
<p><em>Nós imploramos a este conselho que diga ao Governo Brasileiro que PARE</em><br />
<em> IMEDIATAMENTE as remoções forçadas e, em parceria com as comunidades afetas,</em><br />
<em> crie um Plano Nacional de Reparações às remoções forçadas e um protocolo que</em><br />
<em> garante os direitos humanos em caso de remoções causadas por projetos ligados a Mega</em><br />
<em> Projetos, e à Copa do Mundo e Olimpíadas.</em></p>
<p><em>Obrigado.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>Carnaval e Copa, será que dá samba?</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Feb 2013 11:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em Belo Horizonte, marchinha “Imagina na Copa” vence concurso e mostra o que
população está pensando sobre o evento]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Copa do Mundo segue em ritmo de samba em Belo Horizonte. E a melodia parece não<br />
estar agradando à população, que já tem até uma marchinha para lembrar quem realmente<br />
sai ganhando com o mundial. No último dia 28 de janeiro, a música “Imagina na Copa”,<br />
dos compositores Daniel Iglesias, Matheus Rocha e Guto Borges venceu o segundo<br />
Concurso de Marchinhas Mestre Jonas, realizado na cidade.</p>
<p>Criado no ano passado pela agência cultural Cria Cultura, o Concurso de Marchinhas<br />
Mestre Jonas surgiu para resgatar os antigos bailes carnavalescos, com concurso de<br />
fantasias e de marchinhas criadas pela população. A premiação é realizada em um baile<br />
onde as 12 marchinhas selecionadas pela curadoria do Concurso se apresentam e são<br />
avaliadas por um júri, que indica as três finalistas.</p>
<p>As campeãs são então escolhidas pelos participantes do baile, sendo que o primeiro lugar<br />
leva a premiação de R$ 5 mil, o segundo de R$ 3 mil e o terceiro de R$ 1 mil. No ano<br />
passado, a marchinha vencedora foi “Na Coxinha da Madrasta”, que fazia referência à<br />
polêmica envolvendo o presidente da Câmara Municipal, Leo Burguês e seus milhares de<br />
reais gastos em um buffet de sua madrasta.</p>
<p>Neste ano foi a vez da Copa: “O público começou a gritar o nome da marchinha antes<br />
mesmo de ir a votação do júri”, conta a jornalista Brisa Marques, uma das curadoras do<br />
Concurso.</p>
<h3><strong>Imagina na Copa</strong></h3>
<p>Com referências aos despejos realizados para as obras da Copa e aos interesses dos<br />
políticos locais no mundial, a letra começou com uma brincadeira entre amigos:<br />
“Estávamos de bobeira em casa e o Matheus disse que queria fazer uma marchinha sobre<br />
a Copa, aí já falei ‘imagina na copa’ e fomos escrevendo a letra”, conta Daniel Iglesias,<br />
um dos compositores. Perto da casa onde moram Daniel e Matheus, há um campo de<br />
futebol de várzea que eles costumam frequentar e deve dar lugar a um hotel para o<br />
mundial. “É bizarro pensar que por causa da Copa vão destruir um campinho para fazer<br />
hotel”, comenta Matheus.</p>
<p>A vitória da marchinha surpreendeu os membros do Comitê Local dos Atingidos pela<br />
Copa. “Foi uma surpresa muito marcante, inclusive porque no começo do Comitê<br />
[em 2010] as pessoas achavam que era exagero nosso, e hoje já vemos a população<br />
entendendo melhor os impactos da Copa”, comemora o membro do Comitê, Fidelis<br />
Alcântara.</p>
<p><a href="https://soundcloud.com/bandamole/imagina-na-copa" target="_blank"><strong>Ouça a música</strong></a></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F76123821&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=500&#038;maxheight=750"></iframe></p>
<p>#imaginanacopa</p>
<p>Daniel Iglesias, Matheus Rocha, Guto Borges</p>
<p>Derrubaram minha casa<br />
Por um erro de arbitragem<br />
Ai meu deus, essa copa do mundo<br />
É uma puta falta de sacanagem!</p>
<p>Beagá não sai ganhando<br />
Nem se for pra repescagem</p>
<p>Se o filho da babá é dono da bola<br />
Vou levar minha pelada pra Contagem</p>
<p>Se na praça não pode vender pipoca<br />
#imaginanacopa<br />
Se o Laécio tá fechado com a Coca<br />
#imaginanacopa<br />
Se na Guaicurus só ta dando poliglota<br />
#imaginanacopa<br />
Se o burguês pira nas mina de pi&#8230; Ôpa!<br />
#imaginanacopa<br />
Se no rádio essa música não toca<br />
#imaginanacopa</p>
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		<title>Minidoc: Francisca perdeu tudo por estar no caminho da Transoeste</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Feb 2013 10:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vídeo mostra o momento em que, sem aviso prévio, tratores e agentes da prefeitura do Rio chegaram para demolir as casas e comércios de 153 famílias que viviam na comunidade Restinga]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>“Vi a máquina arrebentando o portão. Eu tentei entrar na frente e um rapaz que estava lá trabalhando com eles me segurou. Foi espontâneo eu ficar segurando na corrente, achando que eles iriam parar para conversar comigo e com os outros moradores. Mas minha irmã e minha filha ficaram gritando, pedindo para eu sair. Fui na minha casa, peguei um saco de documentos e fui para a casa de um irmão. Fiquei em estado de choque, chorando sem parar. Por que aquilo? Por que tirar a moradia de tantas pessoas necessitadas?” É impossível assistir ao video que traz a história de Francisca de Pinho Melo sem que um nó se forme na garganta.</p>
<p>Lançado no começo de janeiro, o minidoc é o segundo da série “O Legado Somos Nós”, produzida pela organização de direitos humanos Witness em parceria com o Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas. Lá está a cena em que, sem aviso prévio, tratores e agentes da prefeitura do Rio chegam para demolir as casas e comércios de 153 famílias que viviam na comunidade Restinga, na zona oeste do Rio de Janeiro. As remoções foram feitas em 2010 para ceder espaço às obras de alargamento da Av. das Américas, no bairro do Recreio dos Bandeirantes, necessárias para a instalação do BRT Transoeste (corredores de ônibus).</p>
<p>Até agora, os moradores receberam um valor irrisório como indenização e os comerciantes nenhuma indenização, apesar do Decreto Municipal <a href="http://raquelrolnik.files.wordpress.com/2011/11/decreto-nc2ba-34522-de-3-de-outubro-de-2011-pref-rio-de-janeiro.pdf" target="_blank">20.454 de 2001</a> determinar que, no caso de remoção de estabelecimento comercial, “será ofertada uma nova unidade comercial, indenização ou compra de outra benfeitoria sujeitas aos mesmos critérios definidos para as edificações de uso residencial, previstos em projetos da SMH”.</p>
<p>Segundo o documentário, oito mil pessoas já perderam suas casas no Rio de Janeiro desde o início dos preparativos para os megaeventos e o dossiê do Comitê Popular Rio da Copa e Olimpíadas fala que cerca de 30 mil pessoas sofrerão remoções forçadas na cidade por causa da Copa e das Olimpíadas.</p>
<p><strong>O fim da marcenaria, o ganha-pão da família</strong></p>
<p>No vídeo, Francisca conta que perdeu a marcenaria na qual trabalhava com o marido, a filha e dois parentes e que teve que recomeçar a vida em outra comunidade, vendendo refeições. “Eu estava na marcenaria há uns seis, sete anos. Tinhamos uma renda até boa, que estava dando para a gente suprir nossas necessidades. Quando aconteceu isso a gente ficou uns três meses sem ganhar nada, só gastando. Aí viemos morar de aluguel. O mais difícil são os filhos, é difícil ver um filho pedir. Meus amigos, parentes, vizinhos foram doando uma porta, um balcão e agora eu estou vendendo refeição, lanche, refrigerante. Chego a trabalhar 18 horas por dia”.</p>
<p>Francisca que perdeu, além da casa, o trabalho e a fonte de renda, disse ao Copa Pública que continua lutando junto à defensoria pública para obter uma indenização justa pela perda da marcenaria &#8211; pela casa teve que aceitar o valor simbólico de 3.800 reais oferecido pela prefeitura: &#8220;Eu perdi tudo, minha casa, meu trabalho, a fonte de renda da minha família. Pior ficou quem morava e trabalhava no mesmo lugar, que não recebeu nada&#8221;.</p>
<p>Veja o vídeo:</p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/02aM4yWyRB4?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/06/elisangela-chegou-tempo-de-ver-sua-casa-cair-veja-minidoc/" target="_blank">Conheça a história de Elisângela no primeiro doc da série</a></p>
<p>Para entrar em contato com a Comissão de Moradores Atingidos pela Transoeste escreva para: atingidos@gmail.com</p>
<blockquote><p><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>Fifa tremei! Andrew Jennings encontra o movimento popular brasileiro</title>
		<link>http://www.apublica.org/2013/01/fifa-tremei-andrew-jennings-encontra-movimento-popular-brasileiro/</link>
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		<pubDate>Fri, 11 Jan 2013 14:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Vaiem os empresários, os políticos, a prefeitura, filmem e disponibilizem na internet! Eu quero ouvir o som das vaias brasileiras aqui na Europa” diz o jornalista]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O que pode ser mais perigoso do que um jornalista investigativo que vai fundo em suas descobertas e não tem medo de anunciá-las em alto e bom som?</p>
<p>Juntar esse jornalista com os movimentos populares.</p>
<p>Há pouco mais de um mês o Copa Pública, em parceria com a <a href="http://foradoeixo.org.br/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">Rede Fora do Eixo</span></a>, promoveu um dia de palestras e bate-papo sobre os preparativos para a Copa de 2014 no país. O encontro, na Casa Fora do Eixo, em São Paulo, abriu o <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.facebook.com/Preliminares2013?fref=ts">Preliminares</a>,</span> festival-encontro-troca de ideias que envolveu coletivos em vários pontos da cidade de 8 a 16 de dezembro de 2012.</p>
<p>Especialistas de diversas áreas, militantes de movimentos populares, moradores que foram ou serão removidos de suas casas, comunicadores e estudantes se reuniram para discutir a Copa e sua promotora: a Fifa. O jornalista britânico, Andrew Jennings, fechou a noite falando sobre a entidade &#8211; exaustivamente investigada por ele há anos.</p>
<p>Jennings deu detalhes e nomes dos envolvidos &#8220;no jogo sujo da Fifa&#8221; -  &#8221;envergonhando cada um dos bandidos &#8211; o que é ainda mais importante&#8221;, frisou.</p>
<p>O jornalista aproveitou para se informar também, conversando com representantes de movimentos populares como a ANCOP (Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa), que tem feito um importante trabalho de resistência aos abusos cometidos nos preparativos do megaevento; e com pessoas que estão sendo vítimas de remoções forçadas.</p>
<p>“Fiquei muito satisfeito com a mistura de ativistas e vítimas que se uniram para lutar contra empresários, especuladores, políticos e bandidos. Eu gostaria de trabalhar com eles no futuro” diz Jennings. “Para mim não foi apenas uma reunião, foi uma chance de começar um trabalho conjunto contra esses bandidos para os próximos 18 meses”.</p>
<p>Sobre as palestras a respeito das remoções, Maracanã e Lei Geral da Copa, Jennings explica que não ficou surpreso que “trabalhadores comuns sejam vitimizados pelo &#8220;big money&#8221; (dinheiro grosso), algo que acontece em todos os países que sediam megaeventos ”. Mas acha que o Brasil tem a oportunidade de virar o jogo: “Com a qualidade das pessoas que estavam naquela reunião,  vocês podem lutar contra eles. Vi boas pessoas, determinadas, inteligentes, criativas”.</p>
<p>A melhor arma contra os chefões da Fifa, diz, é a vaia: “Acho que vocês têm que praticar para vaiar o Blatter: Buuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu. Vaiem os empresários, os políticos, a prefeitura, filmem e disponibilizem na internet! Eu quero ouvir o som das vaias brasileiras aqui na Europa! É uma arma maravilhosa e de graça!”.</p>
<p><strong>Veja algumas entrevistas que Andrew Jennings fez durante o evento:</strong></p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/wl-rqFW4mwc?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/xOedWeWoVIg?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/jIRa3qcLCl8?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/rc8eudFKjow?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><em>Edição de vídeo: Rede Fora do Eixo / Legendas: Jessica Mota</em></p>
<blockquote><p> <strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>Um rio em fúria</title>
		<link>http://www.apublica.org/2012/12/amazonia-publica-um-rio-em-furia/</link>
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		<pubDate>Tue, 04 Dec 2012 18:41:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ondas engolem casas, e peixes aparecem mortos, enquanto pescadores passam fome. A usina de Santo Antônio mudou o rio e a vida em Rondônia]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Dois dias antes do início dos testes na primeira turbina da hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, o telefone tocou na casa da pescadora Maria Iêsa Reis Lima. “Vai começar”, avisou o amigo que trabalhava na construção da usina. Iêsa sentou na varanda e se pôs a observar as águas, esperando o que sabia ser uma mudança sem volta. “O rio Madeira tem um jeito perigoso, exige respeito. Os engenheiros dizem que têm toda a tecnologia, mas nada controla a reação desse rio.”</p>
<p>Semanas depois, no início de 2012, as águas que banham a capital Porto Velho começaram a ficar agitadas. As ondas cresciam a cada dia, cavando a margem e arrancando árvores. O deque do porto municipal se rompeu. O rio alcançou as casas, até que a primeira delas ruiu junto com o barranco para dentro das águas.</p>
<p>O prognóstico de Iêsa estava certo. O que ela não podia imaginar era a rapidez com que a resposta do rio à abertura das comportas alteraria o curso da sua vida, do seu bairro e da história de Porto Velho. As ondas atacaram o bairro Triângulo, primeiro a se formar na capital. O bairro leva esse nome por ser o local onde o trem da estrada de ferro Madeira-Mamoré fazia a curva para desabastecer. A casa de Iêsa ficava entre a margem do Madeira e os trilhos abandonados. Cerca de sete quilômetros abaixo da usina.</p>
<p>O rio engoliu ainda o marco Rondon, obelisco histórico mais antigo que o próprio estado. Construído em 1911 pela equipe do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, sertanista que rasgou a floresta para ligar a primeira linha telegráfica a conectar a Amazônia. Quando as ondas alcançaram o marco, alertas circularam em abundância por todos os meios de comunicação a que o mundo têm acesso. Mas a empresa Santo Antônio Energia, responsável pela usina, negava relação com o problema. Em duas semanas, as águas cavaram a base do obelisco e o arrastaram para o fundo do rio. Depois que ficou comprovada a responsabilidade da usina, a empresa tentou resgatar o obelisco, mas apenas dois blocos foram recuperados.</p>
<p>Banzeiro foi a palavra adotada pelos rondonienses para se referir ao fenômeno. Segundo o dicionário Houaiss: “série de ondas provocadas pela passagem da pororoca ou embarcação, e que vai quebrar violentamente na praia ou nas margens do rio”. Ou ainda: “cambaleante, pouco firme”, “que se sente banzo, melancólico, triste”.</p>
<p>Na sala do apartamento alugado pela usina, sentada numa cadeira de varanda entre caixas de mudança, Iêsa vive as diversas definições da palavra. “Minha história se perdeu, foi tudo pra baixo da água”, diz.  Filha de soldado da borracha, ela aprendeu a pescar com o pai e os irmãos e era disso que vivia até o início do ano. Sente falta dos peixes frescos e da comida que colhia no quintal: mandioca, feijão, açaí, carambola e manga.</p>
<p>Por enquanto, quem ainda aproveita a sombra de suas árvores é o vizinho Francisco Batista Souza. Ele morava na beira do rio, no bairro Triângulo, e também mudou para apartamento. Mas passa o dia no quintal de Iêsa, construindo pequenos barcos. O terreno onde ele trabalhava foi levado pelas águas. Souza se agarra às fotos do antigo estaleiro e briga na justiça para que a usina lhe indenize pelo local de trabalho. “Tenho 59 anos, faço barco desde os 15, o que vou fazer da vida agora?”, questiona.</p>
<p>Com o valor da indenização (entre R$ 90 mil e R$ 150 mil), as 120 famílias provisoriamente instaladas em hotéis e apartamentos não poderão voltar para os terrenos à beira do rio, que são áreas muito valorizadas em Porto Velho. E nem poderão voltar ao bairro Triângulo, que vai ser todo removido para a construção de um complexo turístico e paisagístico na beira do rio.</p>
<p>Os moradores mais antigos se recusam a sair. Como José Oliveira, que trabalhou na estrada de ferro desde 1950, quando tinha 16 anos, até sua desativação em 1972. “Era guarda fio, cortava o mato quando enrolava na linha. Andava sozinho pela estrada, pedalando num velocípede que encaixava no trilho. Levei até flechada de índio”, lembra. Quando chegou a Porto Velho, a vida da cidade girava em torno do trem. Depois que desativaram a linha férrea, os dormentes foram usados para reforçar a base de sua casa. “Estou satisfeito aqui perto do trilho e do rio. Ninguém vai me jogar pra dentro da cidade como foi com essas famílias que saíram correndo, chorando, como se não valessem nada”.</p>
<p>É difícil entender o impacto da mudança para quem cresceu na beira do rio. Iêsa se preocupa com o neto de 12 anos, que já passou mais de mês fechado no quarto do apartamento. Quando perguntei o que mudou desde que a família teve de deixar a casa, o menino fez um longo silêncio e disse: “Mexe com o cérebro”.</p>
<p>As famílias não esquecem a noite em que, enquanto as ondas quebravam, a Santo Antônio Energia, empresa que comanda a usina, negava responsabilidades sobre os banzeiros na TV. Iêsa dormia com a mala pronta ao lado da porta de casa. “À noite as ondas ficavam mais fortes”, lembra. “A gente ouvia um barulho alto que vinha da usina.”</p>
<p>Por duas semanas, ninguém sabia o que fazer. As famílias não recebiam orientação das instâncias responsáveis por controlar as ações de impacto social e ambiental da obra: prefeitura, governo do estado e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Foi preciso a intervenção do Ministério Público do estado, que chamou a empresa a assinar um <a href="http://issuu.com/contato.publica/docs/tac_ressarcir_moradores_desbarranca/1">Termo de Ajustamento de Conduta</a>, onde se fixaram o auxílio às famílias e a contenção das margens.</p>
<h3><strong>Alertas ignorados</strong></h3>
<p>Isso aconteceu porque o fenômeno não estava previsto pelo <a href="http://issuu.com/contato.publica/docs/rima_jirau_sto_antonio/1">Estudo de Impacto Ambiental </a>(EIA) da obra – elaborado por Furnas e Odebrecht, empresas responsáveis por Santo Antônio, e certificado pelo Ibama antes do licenciamento. É esse estudo que aponta os danos possivelmente gerados pela construção e as ações para conter o prejuízo.</p>
<p>“Foi uma falha”, admite Thomaz Miazaki de Toledo, coordenador de Infra-Estrutura de Energia Elétrica no Ibama. “Se esses impactos tivessem sido previstos, as medidas preventivas teriam sido adotadas. Mas a gente não tem bola de cristal”, completa. A Santo Antônio Energia não atendeu aos pedidos de entrevista da reportagem, que se estenderam por mais de um mês.</p>
<p>Pelo menos dois especialistas pagos por Santo Antônio apontaram a alta probabilidade de erosão. Esses alertas estão em laudos complementares ao <a href="http://issuu.com/contato.publica/docs/rima_jirau_sto_antonio/1">Estudo de Impacto Ambiental</a>. “Foram análises aprofundadas, feitas por exigência do Ministério Público de Rondônia, mas depois foram esquecidas durante o licenciamento”, diz Roberto Smeraldi, diretor da ONG Amigos da Terra.</p>
<p>A erosão é apontada nesses <a href="http://issuu.com/contato.publica/docs/laudo_30_falhas_eia_rima/1">estudos</a> pelo biólogo José Galizia Tundisi, professor aposentado da Universidade de São Paulo e consultor na área ambiental. Ele escreve que o fenômeno poderia acontecer em diversos pontos do curso do Madeira, devido ao desequilíbrio na movimentação de sedimentos.</p>
<p>Para entender esse processo, é preciso saber que o Madeira é um dos três rios com maior concentração de sedimentos do mundo. Perde só para os que nascem no Himalaia. Ele leva esse nome porque, depois de descer a Cordilheira dos Andes, suas águas arrancam as árvores e margens de alguns trechos. Todo dia, essas madeiras e mais de 500 mil toneladas de sedimentos deslizam na frente de Porto Velho.</p>
<p>O modo como esse material vai se acomodando ao longo do rio é o que dá equilíbrio ao curso. Há trechos onde naturalmente ocorre erosão, e as margens caem. Em outros, há sedimentação, e aparecem formações como bancos de areia. O trecho de Porto Velho era uma área de sedimentação. Mas Tundisi já alertava no estudo divulgado em 2007:  quando construídas as usinas, as reservas passariam a reter os sedimentos, e essa mudança de equilíbrio poderia criar novas zonas de erosão, em especial no trecho abaixo da usina.</p>
<p>Essa é uma das teses para explicar o problema com que trabalha o Ministério Público do Estado de Rondônia (MPE-RO). Ao Ibama, a empresa atribui o fenômeno à fase específica da obra. Como as turbinas não estão todas em funcionamento (serão 44, há 6 em operação), a água sai com mais velocidade, gerando ondas.</p>
<p>“Acatamos a explicação, mas entendemos que não é só isso, temos técnicos trabalhando para fazer um laudo independente”, afirma Aluildo de Oliveira Leite, do MPE-RO. A explicação da usina ajuda a entender a violência das ondas em Porto Velho. Mas o Ministério Público já registrou a ocorrência do fenômeno em ao menos mais duas comunidades, que ficam a 150 e 200 quilômetros abaixo da capital.</p>
<p>Um precedente preocupante é o caso da usina hidrelétrica de Aswam, no Egito. Embora menos caudaloso que o Madeira, o rio Nilo também é rico em sedimentos. A concentração de nutrientes em suas águas abastecia o Delta do Nilo, célebre pela fartura em meio ao deserto. Com a represa, concluída em 1970, erosões engoliram vilas inteiras rio abaixo e alteraram a morfologia do Delta, onde hoje a lavoura depende de fertilizantes.</p>
<p>Só com um diagnóstico completo será possível fixar ações de prevenção no rio Madeira. O que também depende da boa-fé da empresa. Depois dos acidentes no bairro Triângulo, a Santo Antônio foi obrigada a construir um paredão de sete quilômetros de pedras para conter as ondas. “Agora estão começando a desbarrancar outros trechos logo depois dessa faixa. E a empresa não reconhece, diz que não há nexo causal”, afirma a procuradora Renata Ribeiro Baptista, que acompanha o caso pelo Ministério Público Federal.</p>
<h3><strong>“Água preta como café”</strong></h3>
<p>Enquanto as ondas revoltam o curso do Madeira abaixo da usina, quem mora acima da barragem teve a vida transformada por outro desequilíbrio: a morte dos peixes.</p>
<p>Já era previsto que a quantidade de peixes diminuísse. Mas é ponto pacífico entre os pescadores que a quantidade caiu drasticamente. Nos pontos mais próximos da usina, os relatos são de que só é possível pegar quantidade suficiente para comer, não mais para vender.</p>
<p>Prevendo os problemas que surgiriam com o fechamento da barragem, um grupo de 30 pescadores de Jaci Paraná, vila a 90 quilômetros de Porto Velho, se organizou e montou um projeto para criação de tambaquis, antes mesmo que a escassez se consumasse. Fizeram tudo direito: ganharam edital da Petrobras e montaram uma estrutura com 26 tanques dentro do lago Madalena, que fica no rio Jaci Paraná, onde passaram a criar mais de 35 mil peixes.</p>
<p>Depois de dois anos, quando os tambaquis estavam quase prontos para a venda, a usina Santo Antônio começou a alagar as margens do rio para a criação da reserva. Em outubro de 2011, os pescadores acompanharam a subida do nível do lago com preocupação, dobrando o monitoramento da criação. Em dezembro, José dos Santos, pescador e coordenador de campo do projeto, recebeu uma ligação do pescador que estava no plantão: alguns peixes estavam morrendo. “Corri pra cá e vi que a água estava diferente, preta que nem café”, lembra. “Não deu tempo de nada, na mesma noite ele ligou que estava tudo morto, boiando. Foi um desespero”.</p>
<p>O grupo procurou a Santo Antônio Energia, empresa responsável pela usina. “E eles não disseram que os peixes morreram de fome?”, diz José, com um sorriso nervoso. “Nós lutando há cinco anos, cheios de ração guardada, ia deixar os bichos com fome?”</p>
<p>Na frente da sede do projeto, José aponta as centenas de árvores secas dentro do lago. Elas eram parte da vegetação de várzea, que sobrevive dentro da água alguns meses por ano, na cheia, mas não resistiu ao alagamento definitivo. Na volta para Jaci, cruzamos ainda com centenas de toras de madeira abandonadas na beira do rio, todas com o selo da Fox – empresa que faz o desmatamento para as usinas. Segundo os pescadores, grande parte da vegetação derrubada pela usina não foi retirada do local em tempo do alagamento e ficou dentro da água. Eles desconfiam que essa seja a causa da morte dos peixes: a decomposição da vegetação alagada.</p>
<p>A hipótese faz sentido para o biólogo Philip Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “Nos relatórios ambientais, as usinas indicam a vegetação de várzea como parte do leito do rio. Mas, se você enche essas áreas e deixa alagado o ano todo, as árvores vão se decompor, as folhas vão apodrecer e liberar CO²”, afirma.</p>
<p>O mesmo erro teria sido cometido no cálculo da área total a ser alagada para fazer os reservatórios de Santo Antônio e Jirau, a outra usina hidrelétrica que está sendo construída na região, rio acima. Para as usinas, seriam 230 km² de terras alagadas. Segundo Fearnside, a extensão real do alagamento, incluindo-se a floresta de várzea, pode ser o dobro disso: 529 km².</p>
<p>Auxiliados pela ONG Instituto Madeira Vivo, que ajudou a coordenar o projeto de piscicultura, o grupo colheu amostras da água e dos peixes mortos e enviou para análise da Universidade Federal de Rondônia. Segundo Iremar Antônio Ferreira, diretor do Instituto, a análise apontou ausência de oxigênio na água. “Entramos na justiça”, diz. “Queremos negociar com a empresa, retomar logo o projeto. Mas a Santo Antônio Energia diz que não tem acordo.”</p>
<p>Enquanto o processo corre, José ficou sem renda. A solução foi virar segurança na usina de Jirau.</p>
<p>A falta de controle da qualidade da água pela usina Santo Antônio já havia sido detectada no final de 2008, quando o cheiro de peixe morto chegou à capital. O Ibama estimou 11 toneladas, mas membros da equipe de fiscalização desconfiam que havia mais. As mortes aconteciam em trecho próximo à obra havia cinco dias e, quando os fiscais chegaram, funcionários da usina já estavam enterrando os peixes.</p>
<p>A usina foi multada em R$ 7,7 milhões. O <a href="http://issuu.com/contato.publica/docs/relt_ibama_mortes_peixes/1">relatório do Ibama</a> aponta que a empresa agiu com negligência e imprudência, porque não monitorava a qualidade da água todos os dias e não havia equipe qualificada no local. A empresa foi repreendida por não ter avisado sobre o acidente, não ter feito a perícia da causa da morte dos peixes e por ter usado baldes inadequados para transportar os peixes ainda vivos, que chegaram mortos ao local de soltura.</p>
<h3><strong>Tirar a vara e o peixe</strong></h3>
<p>Considerando o melhor cenário, no qual as usinas seguiriam com rigor as normas de controle ambiental, a estimativa era que os peixes do rio Madeira diminuíssem em até 50% nos primeiros anos. Mas os pescadores garantem que hoje é quase impossível achar as espécies maiores e mais valiosas – como a dourada (<em>Brachyplatystoma rousseauxii</em>), bagre que foi objeto de piada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.</p>
<p>Em 2007, Lula teria ironizado o fato de “um bagre” impedir a liberação para construção de uma usina. A dourada, o bagre mais comum na região, é um peixe que pode chegar a 1,8 metro de comprimento e que viaja 5 mil quilômetros da Ilha de Marajó até o pé da cordilheira dos Andes para reproduzir. Na época da piracema, era possível vê-las, às centenas, pulando para subir as cachoeiras que hoje foram alagadas.</p>
<p>O desaparecimento do bagre desestruturou a vida de milhares de pescadores que dependiam da pesca como fonte de renda. Segundo levantamento feito pela Universidade Federal de Rondônia, em estudo pago pelas usinas, ao longo de um mês em 2004, 219 pescadores pegaram 40 toneladas de dourada em localidades próximas à usina. Incluindo todas as espécies pescadas naquele mês, o levantamento soma quase 460 toneladas pescadas. O estudo ainda não repetiu o levantamento para verificar como esses números diminuíram. O mesmo grupo descobriu que o Madeira é o rio mais diverso de todo o mundo, com 957 espécies de peixes.</p>
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<figure id="attachment_133" aria-labelledby="figcaption_attachment_133"></figure>
<p>A principal ação da empresa para amenizar o impacto sobre o ciclo reprodutivo dos peixes foi construir dois canais por onde eles, teoricamente, podem passar. Mas é difícil reproduzir as condições exatas de uma cachoeira.  “Os grandes bagres não estão encontrando a entrada da passagem, não foram observados subindo o canal”, afirma Fearnside, que acompanhou a construção do canal e verificou seu funcionamento este ano. “No caso de Santo Antônio, os funcionários estavam pegando o bagre com rede e soltando dentro do canal para eles subirem.”</p>
<p>O pescador Mário Ferreira dos Santos nunca mais viu uma dourada. Com a chegada da usina, ele perdeu a fonte de sustento e o local onde morava. A casa de Mário foi uma das alagadas pela represa. Ficava a 60 metros da cachoeira Teotônio, onde se ouvem histórias de um passado abundante. “A gente fica meio assim de falar porque o povo não acredita”, diz Mário. “Lá tinha pesca de pé firme: era só ficar na beira da pedra, jogar a rede e puxar. Se o sujeito saia de barco na boca da noite, voltava com 600 quilos de manhã.”</p>
<p>Hoje, ele vive de uma bolsa dada pela Santo Antônio Energia, assim como toda a comunidade de pescadores: 45 famílias foram removidas do local para um assentamento construído pela usina. Eles conseguiram a ajuda de custos depois de fazer um protesto na frente da usina. “Na reunião antes do alagamento, eles só falavam coisa boa”, lembra Marcelo Gonçalves da Silva, 32 anos, uma das lideranças da comunidade. “A gente podia escolher entre pegar uma casa, ou dinheiro. O povo perguntou se iam poder pescar, eles disseram que sim. Só faltou avisar que não ia ter peixe.”</p>
<p>No primeiro ano depois da mudança, sem acesso à sua fonte de renda, Marcelo conta que as famílias entraram em desespero. “Fiquemos sem chão”, lembra. “Tinha família com fome, casa com luz cortada porque não pagou a conta.”</p>
<p>Ela procurou o Movimento dos Atingidos por Barragens, que ajudou a marcar reuniões com a empresa. Assim, a comunidade conseguiu a ajuda de custos mensal e a promessa de que a usina vai investir em um projeto de piscicultura. Uma das orientações da empresa é que o grupo crie os peixes em um tanque escavado na terra, fora do rio. “É pra não colocar os peixes em risco, por causa da qualidade da água”, explica Marcelo.</p>
<p>Ironicamente, uma das pendências a serem resolvidas antes do projeto é o abastecimento de energia elétrica da comunidade. Para manter um tanque fora do rio, eles precisam bombear oxigênio para dentro da água – e, para isso, de energia. Mas, na comunidade construída pela usina Santo Antônio, falta energia quase toda semana. Enquanto a reportagem estava lá, por exemplo, a luz acabou. “Ih, pode esperar sentado, que aqui fica um ou dois dias pra voltar”, disse Marcelo. “Agora imagina se tem condição, depois de tudo que passamos, construir um tanque pra criar peixe, e eles morrerem sem ar por falta de energia?”</p>
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		<title>Atropelados pela Copa em Natal continuam sem respostas</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Nov 2012 11:00:44 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA["Estamos tão confusos quanto antes" diz morador que passou por ameaça de remoção e depois foi tranquilizado por projeto alternativo, ainda não foi oficializado]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Marcos Reynaldo estava na calçada da vizinha, Antonieta, por volta das 10h, quando um professor do Comitê Popular da Copa ligou dizendo ter visto, em um portal de noticiais local, que o projeto de mobilidade tinha sido mudado e sua casa estava fora da linha de desapropriações. “Pode abrir o champagne”, afirmou o professor.</p>
<p>Mas a felicidade do morador da Avenida Capitão Mor Gouveia, zona sul da capital potiguar, durou pouco. Até o momento, o novo projeto ainda não foi apresentado e os moradores continuam sem resposta sobre o verdadeiro legado que terão da Copa.</p>
<p>A série Retrospectiva Copa Pública retoma a história dos <a href="http://apublica.org/2012/06/os-atropelados-pela-copa/" target="_blank">Atropelados pela Copa em Natal,</a> que foram ameaçados de desapropriação, tranquilizados por um novo projeto que desviava o curso da maioria das casas e hoje vivem na incerteza.</p>
<p>Desde 2011, Marcos é um dos moradores que participam de movimentos populares por um diálogo do governo municipal com a população, na tentativa de reduzir o número de famílias desapropriadas (449) e apresentar medidas alternativas para viabilizar o trânsito da cidade. Mas a 18 meses da Copa do Mundo, nenhuma obra de mobilidade urbana para a copa foi iniciada em Natal - a exceção é o prolongamento da Avenida Prudente de Moraes até o aeroporto Augusto Severo,</p>
<p>A reavaliação do plano de mobilidade urbana, que aliviou alguns moradores, foi a solução encontrada pela Secretaria de Obras Públicas e Infra-Estrutura (Semopi) para diminuir o número de desapropriações do projeto do Corredor Estruturante e aumentar o tempo hábil para a execução do novo projeto, que ainda não tem data para se concretizar.</p>
<p>O corredor seria o responsável por ligar o aeroporto de São Gonçalo do Amarante ao estádio Arena das Dunas, ambos ainda em construção, através do Complexo Viário da Urbana e das Avenidas Felizardo Moura, Industrial João Francisco da Motta e Capitão Mor Gouveia. “Após dois anos de luta por uma reavaliação, a gente foi surpreendido com aquele anúncio no jornal. Foi marcada uma reunião com a Semopi, mas a secretária pediu um prazo de 15 dias para apresentar o projeto. Na data, 17 de setembro, a secretária adjunta disse que ele ainda não estava pronto, e continua assim até hoje”, conta o coordenador da Associação Potiguar dos Atingidos Pela Copa (APAC), Marcos Reynaldo.</p>
<p>Natal deve receber oito intervenções em infraestrutura, com previsão de conclusão para dezembro de 2013, mas já se sabe que nem tudo ficará pronto a tempo. Segundo a titular da Semopi, Teresa Cristina, que assumiu a pasta em maio, o projeto original do Corredor Estruturante, que tiraria Marcos e Antonieta de suas casas &#8211; único sob responsabilidade da prefeitura &#8211; orçado em R$338,8 milhões (<span style="text-decoration: underline;"><a href="http://apublica.org/2012/07/audiencia-publica-em-natal-nao-resolve-problema-dos-atropelados-pela-copa/" target="_blank">falamos dele aqui</a>),</span> tem um prazo de 24 meses para ficar pronto. Ou seja: se iniciadas hoje, as obras seriam concluídas em dezembro de 2014, seis meses após o evento.</p>
<p>O projeto original do Corredor Estruturante foi feito em parceria com a empresa EBEI MWH Brasil, que teve seu contrato estendido até junho deste ano. Ainda segundo a secretária, a intenção era de que a mesma empresa realizasse a reavaliação do plano, mas a proposta financeira feita pela EBEI superava o valor disponível, e os próprios engenheiros do município ficaram responsáveis pelas alterações.  Até o momento, estima-se que 160 imóveis podem ser poupados de desapropriações, na avenida Capitão Mor Gouveia, mas não foi encontrada uma solução em outros locais.</p>
<h3>Dois lotes</h3>
<p>As obras que ligam o aeroporto de São Gonçalo do Amarante ao <a href="http://apublica.org/2012/07/audiencia-publica-em-natal-nao-resolve-problema-dos-atropelados-pela-copa/" target="_blank">novo estádio Arena das Dunas</a>, ambos ainda em construção, foram divididas em dois lotes.</p>
<p>O Lote 1, que ocupa a maior parte do projeto, foi licitado em 2010 e contava com 449 desapropriações, mas teve as obras suspensas pelo Ministério Público Estadual (MPE/RN) para uma reavaliação e nenhuma desapropriação aconteceu.</p>
<p>Já o projeto do Lote 2, que corresponde a obras nos entroncamentos ao redor do estádio, foi encaminhado para a Caixa Econômica na segunda semana de novembro. “Não há ainda uma data prevista para a apresentação desse novo estudo no Lote 1, porque é um projeto muito complexo. Estávamos esperando o apoio da empresa (EBEI MWH) e, em função do custo elevado pedido para a execução de um novo projeto, estamos nós mesmos trabalhando um estudo em cima disso. Tudo isso está justificado com a Caixa Econômica e o Ministério das Cidades”, afirmou a titular da Semopi.</p>
<p>Outras obras de mobilidade que se incluem no programa da Copa correm o risco de não ficar prontas a tempo.</p>
<p>Trata-se, segundo dados do Ministério do Esporte, da implantação da Via Prudente de Morais (R$ 28,2 milhões, 10,6% financiados pela Caixa), do acesso ao aeroporto de São Gonçalo do Amarante (R$ 73,1 milhões, R$ 17% financiado pela Caixa) e da duplicação da avenida Engenheiro Roberto Freire (R$ 221,7 milhões, 20,5% financiados pela Caixa). A última, com previsão de conclusão em 20 meses, ainda não foi contratada junto à Caixa. Além disso, a obra apresenta problemas com licenças ambientais por invadir uma área de 35.048,43 metros quadrados, o chamado Parque das Dunas, área de proteção ambiental.</p>
<p>A incerteza sobre legado da copa do Mundo em Natal também passa pela questão administrativa. Há dois meses, a prefeita da cidade, Micarla de Sousa (PV), que vivia uma administração avaliada negativamente por mais de 90% dos potiguares, foi afastada do cargo por suspeita de usar dinheiro público para despesas pessoais.</p>
<p>Segundo o Ministério Público Estadual, despesa mensal chegou a R$ 190 mil. Com a mudança de gestão em 2013, a Semopi e outras secretarias ligadas diretamente as obras da Copa podem passar por novas mudanças, o que pode resultar em mais demora.</p>
<p>“Por um lado, estamos felizes porque estamos encerrando 2012 sem nenhuma desapropriação. Mas a gente não classifica isso como uma vitória, acho que foi mais uma falha da prefeitura do que uma vitória da sociedade. Estamos tão confusos quanto antes, porque ainda não sabemos o que vai acontecer”, diz o morador Marcos Reynaldo, que ainda espera uma solução para sua casa, sem saber ela existirá até a Copa.</p>
<p><strong><em>O Copa Pública entrará em férias mas voltará recheado em janeiro </em></strong></p>
<blockquote><p>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</p></blockquote>
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		<title>Depois que a casa caiu</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Nov 2012 11:00:37 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Elisângela, que viu seu barraco desmoronar, conta o que aconteceu depois da demolição de sua casa ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>“Eles não derrubam só a casa da pessoa. Derrubam a vida toda, os planos, os projetos.” A frase é de Elisângela Sena, de 38 anos, que viveu o drama de estar no caminho do “progresso” trazido pelos megaeventos no Rio de Janeiro. Moradora da comunidade Pavão-Pavãozinho, que fica na zona sul carioca entre bairros nobres como Copacabana e Ipanema, <a href="http://apublica.org/2012/06/elisangela-chegou-tempo-de-ver-sua-casa-cair-veja-minidoc/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">ela viu, em 2010, sua casa literalmente cair</span></a>. Dois anos depois do fato que virou um documentário, ela ainda espera por uma casa nova, por indenizações, pela ligação de um assessor do secretário de Habitação Jorge Bittar e pelo noivo, que foi estudar direito fora do país para tentar resolver a situação e ainda não voltou.</p>
<p>O Copa Pública estreia hoje retrospectiva de um ano de blog, com uma entrevista com a Elisângela, para saber o que aconteceu depois que a sua casa caiu.</p>
<p><strong>O que aconteceu na sua vida após a derrubada da sua casa?</strong><br />
Foi algo que me abalou. Primeiro porque nós moravamos todos juntos, eu, o meu noivo e a minha filha. Nós iríamos nos casar mas tivemos de cancelar. Ele teve que ir embora do Rio trabalhar com outra coisa para conseguir mais dinheiro e depois foi estudar fora do país. A minha filha foi morar com a minha mãe até a gente conseguir arrumar outro lugar e perdeu seis meses de escola, porque ficou tudo desorganizado. Ela tinha que vir do Méier para estudar lá perto da comunidade e acabou perdendo o período. Eu perdi o meu trabalho na época. Para mim também foi difícil, porque eu tinha começado a fazer faculdade de Turismo e Hotelaria mas precisei largar. Agora a gente está tentando reorganizar as nossas vidas. Eu até consegui alugar uma nova casa, mas é praticamente do lado da minha casa antiga, que foi derrubada, e a minha filha está traumatizada e não quer ficar lá. A gente vê os destroços da casa a toda hora e isso é horrível. Você acordar de manhã e ver os destroços lá é uma coisa que não é fácil mesmo, né? Nem eu gosto de ficar vendo. Tanto que agora arrumei um trabalho em um hostel lá na favela [do Pavão-Pavãozinho] e durmo lá. Porque para mim é muito desagradável depois de dois anos ver a casa lá derrubada.  Mas isso me motivou a fazer trabalho voluntário ajudando as pessoas de várias comunidades como Pavão-Pavãozinho, Rocinha, Chapéu Mangueira e Ladeira dos Tabajaras, que estavam passando pela mesma situação.</p>
<p><strong>Vamos por partes, então. Como foi para você adiar os planos de se casar?</strong><br />
Em primeiro lugar, eu queria dizer que ele [o noivo] me ajudou muito na construção da casa que foi derrubada. Quando a gente comprou o imóvel, era todo de madeira.  Depois a gente fez toda a estrutura de alvenaria, tirou a de madeira e nisso tudo ele trabalhou junto. A gente meteu a mão na massa mesmo. Pagamos para carregar o material até o alto do morro, que é muito mais caro. A gente gastou muito, doamos o nosso tempo todo para acompanhar isso. E quando a gente estava com tudo organizado, se programando pra ficar mais tranquilo, mudar de emprego, fazer outra faculdade, casar, veio tudo isso.</p>
<p>Tem um ano e meio que a gente não se vê, porque ele resolveu estudar direito por causa de tudo o que vivemos e conseguiu uma bolsa de estudos na Suíça. Nem sei mais se a gente vai continuar juntos. É muito triste para mim. De qualquer jeito, a Defensoria Pública conseguiu que eu fosse registrada em um programa da Prefeitura do Rio para receber uma nova casa, que é dele também. E ainda estou esperando a indenização pela antiga.</p>
<p><strong>E a sua filha? Conseguiu se formar?</strong><br />
Ela está com 18 anos, no segundo ano do segundo grau. Perdeu seis meses de aula e acabou perdendo o ano. Quero que minha filha faça supletivo para terminar logo e fazer faculdade de gastronomia. Vou correr atrás disso. Tenho muita esperança de conseguir concretizar esses planos.</p>
<p><strong>E em que pé que está a ação da Justiça que você protocolou junto com a Defensoria Pública?<br />
</strong>Na última vez que eu fui à Defensoria Pública, recebi a notícia de que o processo estava preso com o juiz havia cinco meses. Então eu pedi para a Defensoria fazer um documento pedindo a liberação do processo. Porque a cláusula que precisa ser julgada é a da indenização por danos morais e materiais. Eu pedi porque as minhas coisas, que ficaram no meio da rua naquele episódio, foram furtadas. Isso que estamos esperando. A inclusão do nome no reassentamento dentro da comunidade a gente já ganhou. Estão sendo construídos quatro imóveis dentro da comunidade, três prédios, um deles já em acabamento, e a não sabemos para qual deles iremos.</p>
<p><strong>No vídeo você também diz que conseguiu “pegar pelo braço” o então secretário de Habitação, Jorge Bittar, durante o horário de almoço dele. E que Bittar teria dito que destinaria um assessor dele para conversar com você. Você chegou a conversar com essa pessoa?</strong><br />
Cheguei sim. Mas esse assessor dele nunca me dava uma informação correta, sempre me dizia: “ah, você volta aqui na semana que vem” ou “eu vou telefonar para você”, “estamos vendo”. E até hoje, dois anos depois do ocorrido, ele nunca me telefonou.  Aí eu coloquei o caso na Defensoria Pública e parei de ir à Prefeitura. Não adianta.</p>
<p><strong>Você também saiu como vereadora nessa última eleição? O episódio da sua casa te motivou a isso?<br />
</strong>Nos primeiros dois anos, não me motivou não. Primeiro porque eu tinha muita raiva, muito ódio da política, muita revolta. Só que eu comecei a ver que os políticos se alimentam desse ódio da gente, porque a gente não se informa, não exige, não busca nada deles. Também não temos aulas nas escolas sobre política. Então a gente fica com esse ódio e não entra para esse mundo, para tentar mudar a situação da comunidade, do bairro, da cidade, do país. Isso é péssimo, principalmente para os mais pobres. Depois de um tempo que eu já estava nessa luta, resolvi tentar a vida pública para ajudar outras pessoas.</p>
<p><strong>Por qual partido que você saiu?</strong><br />
Foi pelo PDT. É um partido que não está coligado com nenhum outro, mas que nessa eleição deu um apoio para o PMDB, em troca de material, de propaganda.</p>
<p><strong>E como você se sentiu quando se viu sendo candidata por um partido que estava apoiando o Eduardo Paes, que era prefeito quando a sua casa veio abaixo?</strong><br />
Foi muito difícil para mim. Eu me filiei ao partido só por causa do Brizola. Eu busquei, estudei e vi que o Brizola fez coisas boas para as comunidades, que dão frutos até hoje. No primeiro momento, eles não tinham coligação e nem estavam dando apoio a ninguém. Achei perfeito. Era o meu interesse. Eu participei só de uma reunião do partido, que foi para apresentar a minha candidatura. Aliás, eu fui chamada para ser candidata um mês antes das eleições, porque alguns candidatos foram barrados pela Lei da Ficha Limpa. Não sei das articulações deles, não sei com quem eles estão, o que eles fazem. E eles também não me conhecem. Aí eu estava em campanha rodando as comunidades e o pessoal do partido me chamou para fazer fotos para o material de campanha. Quando soube que iria ter que posar para uma foto com o prefeito quase morri. Eu falei: “Não vou tirar foto com esse homem. Se vocês forem tirar foto, vai ser comigo esganando ele. Ele derrubou a minha casa.” Nem eles sabiam da minha história. Ficaram assustados comigo. E disseram que eu ia ter que ganhar um material que vinha com a cara dele, ou pagar o meu material todo. Aí eu resolvi fazer o meu material por minha conta mesmo. Consegui 50.000 panfletos e fiquei como suplente.</p>
<p>*Quer saber a continuação de alguma outra história? Mande sugestões nos comentários!</p>
<blockquote><p><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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