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	<title>Pública &#187; Tag: #México</title>
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	<description>AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO</description>
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		<title>Pública</title>
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		<title>O retorno das bicicletas melhora a vida de todo mundo na Cidade do México</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Mar 2012 20:57:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#bicicleta]]></category>
		<category><![CDATA[#México]]></category>
		<category><![CDATA[#MobilidadeUrbana]]></category>

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		<description><![CDATA[A volta da bicicleta nas cidades mexicanas tem gerado uma mudança social e cultural. Sua marca é a integração com o transporte motorizado ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A bicicleta começa a cumprir uma função que em poucos anos será indispensável: ajudar os moradores das cidades a irem de suas casas até o metrô, terminais urbanos ou trens, e dali para o trabalho ou escola. E desta forma reduzir o uso de mais de 3 milhões de automóveis que circulam diariamente na Cidade do México.</p>
<p>Estima-se que, em média, cada cidadão gasta duas horas de viagem por dia, considerando ida e volta. Isto soma milhões de horas de atividade não produtiva, já que número de viagens na zona metropolitana é de 22 milhões a cada dia.</p>
<p>A reaparição da bicicleta na cidade propicia, também, a utilização dos espaços públicos, pois nos lugares onde ela está presente o ambiente melhora – independente da região.</p>
<p>Foi o que aconteceu em 2010 com o Monumento à Revolução, uma região esquecida que se regenerou e incluiu infraestrutura ciclista, travessias seguras e cicloestacionamentos; logo abriram novos comércios, restaurantes e cafés. De um lugar considerado de risco, se converteu em um espaço público que hoje é convidativo aos cidadãos.</p>
<p>Em nível global, a bicicleta se tornou o símbolo do bem estar urbano. Hoje já as vemos estabelecidas nos centros econômicos, políticos e sociais mais importantes dos países que a adotaram como meio de transporte seguro, ecológico e saudável.</p>
<p>Paris, por exemplo, tomou a iniciativa em julho de 2007, com sistema público Velib (20 mil bicicletas). Assim a prefeitura de Paris deu um novo rosto à bela cidade e a tornou ainda mais turística e atrativa. Da mesma forma em Barcelona, Montreal e Londres, a bicicleta propiciou uma nova fisionomia urbana; diminuiu o uso do automóvel; e a poluição. A bicicleta torna os parques, a cultura, a educação e o comércio mais acessíveis. Quando adequadamente planejado, seu uso permite uma mobilidade sustentável baseada na interconexão com os sistemas públicos de transporte, reduzindo a dependência do transporte particular.</p>
<p>A volta da bicicleta é um fenômeno global cujo epicentro são as megalópolis – sempre é bom lembrar que mais de 50% da população do planeta vive em centros urbanos. Alguns especialistas classificam o século XXI como aquele em que vigora o triunfo das cidades, e ao qual se apresenta o desafio de fazê-las viáveis.</p>
<p><strong>A Cidade do México, ponto de partida da bicicleta</strong></p>
<p>No começo do século passado, 80% da população mexicana vivia em zonas rurais. Atualmente, 70% reside nas áreas urbanas. Nesse contexto, as prefeituras se perguntam como incrementar a mobilidade.</p>
<p>Um exemplo que temos é a Cidade do México e cidades periféricas, cuja extensão ocupa 500 mil quilômetros quadrados. Estima-se que 70% desta gigantesca área seja propícia para o uso da bicicleta. Além disso, a temperatura média é de 16 graus, ideal para passeios de bicicleta.</p>
<p>Por outro lado, sabemos que 40% das viagens na cidade duram menos de 15 minutos e menos de oito quilômetros, o que significa um enorme potencial para a interconexão do ciclismo ao transporte público, que responde por 70% das viagens. Além disso, a maioria dos usuários precisa de dois ou mais meios de transporte para chegar ao seu destino final. Isso aumenta o tempos de viagem e reduz a qualidade de vida.</p>
<p>De acordo com um censo da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) realizado em 2010, a despesa diária com transporte público, por pessoa, é de 17 pesos, ou cerca de 2,50 reais. Isso significa que as pessoas de baixa renda gastam 35% do que ganham com transporte. Ou seja: aumentando o uso de bicicletas, o custo fica reduzido (além do trânsito e da poluição). Na década de 80, o uso das bicicletas para mountain bike se tornou ferramenta para a conservação de parques e reservas florestais em torno das cidades.</p>
<p>Agora, as bicicletas vão para o asfalto.</p>
<p><strong>Mexico, um “povinho de ciclistas”</strong></p>
<p>Hoje em dia, diferentemente do século passado, o uso das bicicletas não se restringe às camadas sociais com renda mais baixa. Usar a bicicleta era uma marca de inferioridade. A alta sociedade torcia o nariz, dizendo que o México era um &#8220;povinho de ciclistas”.</p>
<p>Agora, pessoas de diferentes classes sociais vêem a bicicleta como uma opção de transporte vantajosa e versátil. Hoje a bicicleta compete com os carros particulares e o sistema de transporte público: ocupa menos espaço, é fácil de estacionar e barata de manter. Também chega a ser mais veloz na megalópolis do que um veículo motorizado: na hora do rush na Cidade do México, a velocidade de um veículo motorizado é de cerca de 14 km/h; a da bicicleta supera 16 km/h.</p>
<p>A vantagem é mais evidente em viagens curtas. De acordo com a estratégia de mobilidade de bicicletas traçada pela UNAM, dá para substituir entre 2,5 e 3,5 milhões de viagens diárias feitas em outro meios de transporte, já que 40% delas não é superior a 11 quilômetros</p>
<p><strong>A ideia do bem estar está mudando</strong></p>
<p>O uso urbano da bicicleta é um sintoma de uma mudança social, que favorece a flexibilidade e a liberdade no deslocamento dos cidadãos, afirmou Connie Hedegaard, comissária europeia do Ambiente, durante a Conferência Mundial de Velocidade, em 2010. “As cidades que têm as bicicletas são modernas, e uma cidade moderna é muito mais equitativa, uma vez que promove o bem-estar de todos os membros do núcleo social. Uma cidade com bicicletas tem mais benefícios sociais, ambientais e éticos”.</p>
<p>A idéia de bem-estar também está mudando. Assim como casais jovens vivem em locais muito menores do que antes, há uma mudança cultural no que diz respeito à idéia de bem-estar. Se antes o sonho era ter uma casa e jardim, agora muitos optam por viver em um apartamento para não terem quem enfrentar o transtorno de dirigir, explica Edward Glaeser  no seu livro O Triunfo das Cidades.</p>
<p>Diferentemente dos seus pais ou avôs, os jovens de hoje já não vêem a posse de um carro como sinônimo de bem estar, diz Glaeser. Para o economista graduado em Harvard, isso já se reflete na redução das viagens de carro, que começam a ser substituídas pela bicicleta e pelo transporte público.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a bicicleta contribui para a transformação da cidade, tornando habitáveis novamente áreas decadentes. Isso fica claro em determinadas regiões, como o sul da Cidade do México, que experimentam um &#8220;boom&#8221; imobiliário porque os habitantes preferem viver perto do transporte público para não ter que dirigir longas distâncias.</p>
<p>A mudança das moradias para áreas mistas, onde estão localizados lojas, serviços, recreação e estações de metro, está mudando a paisagem urbana da Cidade do México – e um dos vetores dessa mudança é o ciclismo. “É o local de habitação que determina o tipo de meio de transporte”, disse o Dr. Manuel Suarez, do Instituto de Geografia da UNAM, que estuda o fenômeno da habitação, mobilidade e bicicleta na cidade. “A ausência de espaço entre as pessoas reduz os custos de transporte de bens e idéias, o que conta mais na cidade do futuro é o fluxo de idéias, o conhecimento é mais valorizado do que o espaço. Isso que é a cidade moderna”.</p>
<p>Glaeser diz que “estamos testemunhando uma nova forma de moradia e uso da terra que, em meados do século passado se consolidou em algumas cidades que hoje são ícones do ciclismo urbano” –como Amsterdã, Copenhague e algumas capitais da Ásia.</p>
<p>O automóvel continua a predominar no México – bem como os recursos alocados para a construção de novas estradas e manutenção das antigas. O investimento para a chamada Supervia, atualmente em construção, é estimado em 18 bilhões de pesos (cerca de 2,5 bilhões de reais) enquanto na cidade de 70% das viagens são feitas por transportes públicos.</p>
<p><strong>O Sistema ECOBICI</strong></p>
<p>Em fevereiro de 2010, as autoridades da Cidade do México começaram a estabelecer medidas para incrementar o uso da bicicleta, com o sistema ECOBICI. Como resultado, mais de mil bicicletas foram adicionadas ao sistema de transporte público.</p>
<p>Foi um marco importante para a promoção e investimento governamental na infraestrutura ciclista. Não apenas pelo investimento –100 milhões de pesos, cerca de 14 mihões de reais –mas pela contundência da mensagem, pois a experiência mundial confirma que uma vez que se instala um sistema desse tipo, a tendência é crescer.</p>
<p>O programa visa substituir o primeiro e o terceiro modo de transporte: a pessoa sai de casa para o trabalho ou escola com a própria bicicleta para chegar ao metrô ou metrobus. Ao sair destes meios de transporte, toma uma bicicleta pública para chegar ao destino final.</p>
<p>O resultado tem sido satisfatório. No começo, o registro era feito através do cartão de crédito. Mas descobriu-se que um sistema simples de registro não representam uma grande despesa e traz muito menos uma complicação. Hoje, há uma lista de espera de 15.000 usuários.</p>
<p>O sistema ECOBICI oferece, como em outras cidades do mundo, meia hora de uso gratuito – o que costuma ser suficiente para ir de um ponto para outro.</p>
<p>Antes da implementação do novo sistema, 99,4% das viagens de bicicleta não eram combinadas com nenhum outro meio de transporte – as outras100.250 viagens diárias se articulavam com ônibus ou metrô. Com o estabelecimento do ECOBICI, o último número aumentou entre 8 e 9 mil viagens diárias.</p>
<p>Segundo a Estratégia de Mobilidade em Bicicleta realizada pela UNAMA, entre 2008 e 2009, para que a população jovem utilize a bicicleta para chegar à escola e para se deslocar no interior dos bairros é preciso criar zonas de trânsito calmas, seguras para os pedestres e ciclistas, com cruzamentos adequados e programas de médio e longo prazo para incidir na mudança de hábitos e aquisição de confiança e segurança.</p>
<p><strong>Espaço público X risco</strong></p>
<p>O uso da bicicleta também vem sendo aproveitado por administrações públicas municipais para melhorar o espaço público de forma a propiciar encontros casuais e harmoniosos entre os cidadãos.</p>
<p>Por exemplo, em um domingo de manhã, no Paseo de La Reforma, não somente pode-se andar de bicicleta como também ter uma aula de dança ou ioga a céu aberto e conviver com patinadores e skatistas. Nesse dia, essa importante via pela qual transitam uma infinidade de automóveis muda sua fisionomia para integrar a bicicleta.</p>
<p>A estratégia do governo na Cidade do México para integrar bicicletas às avenidas tem um impacto positivo porque envia uma mensagem ao público, mostrando que o ambiente social e urbano pode ser diferente. Pelo menos em uma avenida da cidade. E se nesse espaço a atmosfera é diferente, então você pode ter em outros.</p>
<p>Segundo o plano de mobilidade desenvolvido por especialistas na UNAM, a infra-estrutura de ciclismo, além de estar no Paseo de la Reforma e em bairros como La Condesa, Chapultepec, Polanco, deve chegar aos arredores da cidade. O ponto essencial da bicicleta não é apenas a mobilidade na capital, mas que os espaços dignos gerados cheguem a todas as classes sociais.</p>
<p>Vários especialistas na área, como o arquiteto paisagista Pedro Camarena, acreditam que o investimento público deva ser ampliado em áreas distintas para atingir o conjunto da população. Se os governos instalarem infraestrutura para o ciclismo em diferentes áreas, os cidadãos começam a acreditar na mudança e, portanto, a participar dela.</p>
<p>O relatório do uso de bicicletas públicas indica que, depois de 3 milhões de viagens no sistema ECOBICI, houve apenas acidentes menores –  e nenhuma morte. O sistema mexicano de bicileta pública é que sofre menos vandalismo no mundo.</p>
<p><strong>A Estratégia de Mobilidade em Bicicleta da UNAM</strong></p>
<p>A mesma pesquisa da UNAM investigou os principais obstáculos e preocupações dos cidadãos em relação ao uso da bicicleta. 39% por cento dos entrevistados citaram a segurança como o principal fator contrário ao ciclismo. Outro é a longa distância entre origem e destino das viagens.</p>
<p>Os pesquisadores da UNAM perguntaram se as pessoas usariam bicicletas para ir ao trabalho. A aceitação foi relativamente alta: 22% das pessoas se mostrou disposta a sempre usar o programa de bicicletas públicas; 26% respondeu que sempre utilizariam uma bicicleta se existisse uma ciclovia; e 27% substituiria o primeiro modo de transporte se existisse um lugar seguro para guardar a sua bicicleta.</p>
<p>Com base nestes dados anteriores se pode traçar um detalhado mapa sobre os locais ideais para a instalação de infraestrutura ciclista na Cidade do México.</p>
<p>Em casos como a Cidade do México, onde a média de viagem diária por trabalhador que vai ao centro da cidade é de duas horas, o uso da bicicleta poderia ajudar a reduzir esse tempo.</p>
<p>Segundo pesquisadores da UNAM, se as 15 estações de metrô nas quais se detecta mais bicicletas contassem com cicloestacionamentos seguros, se poderiam substituir 128.740 viagens que atualmente se fazem por outros meios.</p>
<p>Os bairros devem articular múltiplas ciclovias, cicloestacionamientos e zonas de trânsito tranquilo unindo estações de metrô, centros de trabalho e residências.</p>
<p>O estudo mostra que o ciclismo urbano na capital mexicana tem grandes possibilidades de crescer. Se as políticas públicas conseguirem consolidar a bicicleta como articuladora entre mobilidade motorizada e não motorizada, em poucos anos a capital mexicana poderia ser exemplo mundial de mobilidade limpa.</p>
<p>O ciclismo urbano também mantém presença em outras metrópoles do país, com atores muito engajados. É o caso de Guadalajara, Querétaro, Torreón e Monterrey, onde organizações, coletivos, órgãos governamentais, academia, corporações e, sobretudo, cidadãos interessados na construção de uma nova paisagem urbana, participam ativamente. É notória, também, a recente onda de livros, manuais técnicos, estratégias locais e, inclusive, a oferta de capacitação acadêmica que promove a instauração de uma cultura e infraestructura ciclista nas cidades do México.</p>
<blockquote><p><strong>Bicicletas públicas são se expandem no mundo todo</strong></p>
<p>As bicicletas públicas são um sistema de mobilidade individualizada, diferente do metrô, que é de mobilidade coletiva. Mesmo assim, é hoje um dos sistemas de transporte de maior crescimento no mundo &#8211; não em termos de pessoas transportadas, mas de planos de   expansão.</p>
<p>“Hoje, existem as cidades que têm sistemas de bicicletas públicas, e aquelas que estão a caminho de ter”, opina Paul DeMaio, um dos principais especialistas mundiais no assunto.</p>
<p>Mais de 440 cidades do mundo contam com diferentes sistemas de bicicletas públicas, de Teerã a Estocolmo. A cada semana surgem sistemas diferentes.</p>
<p>Segundo especialistas, a disponibilidade de bicicletas é o fator mais importante para a implantação do ciclismo urbano.</p>
<p>Isso foi comprovado nas grandes cidades mundiais onde há maior presença de bicicletas públicas. Em Londres, começou com 6 mil bicicletas; Paris tem mais de 20 mil; Nova York começa este ano com 10 mil bicicletas e projeta ter até 50 mil. A Cidade do México começou com mil e contará com 4 mil até o final de 2012.</p>
<p>Um dos mitos que prejudicam a bicicleta pública é que para promover o uso deste meio de transporte primeiro se requer ciclovias. Na realidade o que importa é que existam bicicletas disponíveis e próximas às origens e destinos mais frequentados.</p>
<p>Hoje, os maiores sistemas de ciclismo do mundo se encontram na China. A cidade de Wu Han conta com 70 mil bicicletas e Hang Zhou com mais de 60 mil. Ambas planejam chegar a 150 mil.</p>
<p>No continente europeu, Paris continua tendo o maior sistema, com 20 mil bicicletas e 209 mil usuários; depois vem Londres, com 6 mil bicicletas e 146 mil usuários. Barcelona figura em terceiro com 6 mil bicicletas e 126 mil usuários inscritos. Montreal conta com 6 mil bicicletas de uma frota que só funciona no verão. A Cidade do México planeja contar este ano com 80 mil usuários de bicicletas públicas. Hoje são 30 mil.</p>
<p>A experiência comprova que os usuários, depois de alguns anos, não somente compram suas próprias bicicletas como se convertem em ciclistas convictos.</p>
<p>Em boa medida, isso se deve ao fato que as bicicletas públicas têm como regra a gratuidade apenas na primeira meia hora de uso, o que é suficiente para chegar de um destino a outro. Quando um usuário quer rodar por mais tempo, costuma decidir comprar sua própria bicicleta em vez de usar a pública. Na Cidade do México, gasta-se, para usar uma bicicleta pública, menos de 15 centavos de real por dia.</p>
<p>Também evoluíram os meios de financiar esse meio de transporte. Hoje, muitos sistemas massivos de transporte (metros, trens ou ônibus) integraram as bicicletas às suas tarifas, e os governos destinaram a verba de estacionamento em vias públicas – como em Barcelona. Em outros países europeus são as empresas ferroviárias que custeiam as bicicletas públicas, já que eles fornecem usuários para os trens.</p>
<p>Especialistas acreditam que empresas imobiliárias também devem ajudar. Por exemplo: se vai construir certo número de apartamentos, a imobiliária deveria financiar o número de bicicletas adequadas para aqueles que vão viver ali.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Reporagem publicada originalmente pelo jornal mexicano La Jornada. <a href="http://www.jornada.unam.mx/2012/01/30/eco-c.html" target="_blank">Clique aqui</a> para ler o original, em espanhol.</strong></em></p>
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		<title>Traficante mexicano afirma que tinha acordo com EUA para dedurar inimigos – e seguir traficando</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/12/traficante-mexicano-afirma-tinha-acordo-eua-para-dedurar-inimigos-seguir-traficando/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 07:52:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
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		<description><![CDATA[Defesa do traficante mexicano Jesus Vicente Zambada Niebla acusa promotores de tentar esconder provas alegando ameaça à seguranla nacional]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Os advogados do narcotraficante Jesus Vicente Zambada Niebla, filho de um dos cabeças do poderoso Cartel de Sinaloa, alegam que a justiça americana está alegando ameaça à segurança nacional para esconder provas.</p>
<p>Zambada Niebla foi preso no México em março de 2009, extraditado para os EUA em fevereiro de 2010, e agora enfrenta acusações de tráfico de drogas na corte federal em Chicago, onde está detido na prisão Metropolitan Correctional Center.</p>
<p>Ele alega que o governo americano firmou um pacto com a liderança do Cartel de Sinaloa garantindo imunidade aos chefes em troca de informações contra outras organizações narcotraficantes.</p>
<p>No começo de novembro, os advogados de Zambada Niebla entraram com uma ação pedindo para não serem excluídos de conversas entre os promotores e o juiz do sobre provas qualificadas como material confidencial.</p>
<p>Os promotores querem que a defesa não tenha acesso a essas provas.</p>
<p>Os advogados acreditam que essas provas dizem respeito a uma testemunha-chave no caso. Trata-se do advogado mexicano Humberto Loya Castro, que teria servido de intermediário entre a liderança do Cartel de Sinaloa e agentes do governo americano.</p>
<p><strong>O caso</strong></p>
<p>Zambada Niebla é filho de Ismael “El Mayo” Zambada Garcia, um dos líderes do Cartel de Sinaloa – um grande importador de armas e exportador de drogas sediado no México. O grande chefão do cartel é Joaquin Guzman Loera, conhecido como “El Chapo”, que escapou “milagrosamente” de uma prisão de segurança máxima no México em 200,  dias antes da decisão que poderia extraditá-lo para os Estados Unidos.</p>
<p>Desde então, <em>el Chapo</em> construiu um dos mais poderosos cartéis de droga no México.</p>
<p>O governo americano nega ter oferecido qualquer acordo com garantia de imunidade a Zambada Niebla. Mas os promotores confirmaram que outro membro graduado do Cartel de Sinaloa, o advogado mexicano Loya Castro, cooperou como fonte do DEA por cerca de 10 anos, enquanto trabalhava para a organização.</p>
<p>Documentos legais do governo americano confirmam também que Loya Castro ajudou a construir uma relação direta de cooperação entre agentes do DEA e Zambada Niebla – antes de sua prisão em 2009.</p>
<p>Loya Castro é descrito nas apelações de Zambada como “um confidente íntimo de Joaquin Guzman Loera (Chapo)”.</p>
<p><strong>Querendo manter o segredo</strong></p>
<p>Em setembro, o governo americano apresentou uma ação evocando a Lei de Procedimentos de Informações Classificadas, cujo objetivo é manter longe do publico informações que colocariam em risco a segurança nacional.</p>
<p>A lei, decretada há 30 anos, funciona na prática como uma cortina de fumaça nos casos criminais de conteúdo sigiloso, encobrindo detalhes associados a operações clandestinas do FBI ou da CIA.</p>
<p>O ato requer que a inclusão de qualquer prova sigilosa em um caso seja avisada antes à corte para que esta determine se as provas serão admitidas.</p>
<p>Assim, afirmam os advogados de Zambada Niebla, os promotores estariam assegurando que a exclusão da defesa das discussões sobre evidências que supostamente poderiam ameaçar a segurança nacional. A defesa não teria chance de argumentar e não ficaria sabendo quais são as provas apresentadas para o juiz – mesmo aquelas com “intermédio” de Loya Castro.</p>
<p><strong>O intermediário</strong></p>
<p>A defesa acredita que há evidências consistentes do acordo entre o Cartel de Sinaloa e o governo americano – a maioria delas partindo da relação de Loya Castro com a polícia e os agentes de inteligência americanos.</p>
<p>Uma delas é a descrição de Fernando Gaxiola, advogado de defesa de Zambada Niebla, que manteve reuniões com Loya Castro no início do processo. Desde conta, por exemplo, o seguinte trecho:</p>
<p>“O senhor Loya Castro disse que agentes americanos afirmaram que em troca de informações sobre organizações de tráfico de drogas rivais, o governo americano concordou em extinguir o processo contra ele e a não interferir nas atividades relacionadas ao tráfico de drogas do Cartel de Sinaloa, nem processar (…) a liderança do cartel. Os agentes teriam dito que isso teria sido aprovado por altos oficiais e promotores federais”.</p>
<p>Castro teria, segundo a defesa, informado a Zambada Niebla sobre o acordo, que colaborou em prover as informações requeridas a Castro, que as repassaria aos agentes.</p>
<p>“Os agentes disseram a Loya Castro que deveriam ser notificados antes de qualquer encontro com<em>el Chapo</em>. Eles garantiram que não o seguiriam e não interfeririam nas reuniões para que ele se mantivesse calmo e obtivesse o máximo de informações possíveis. O Sr Loya Castro informou <em>el Chapo</em> que os agents sabiam dos encontros”, diz o testemunho no processo.</p>
<p>“O senhor Loya Castro disse ter entregue aos agents informações importantes provenientes de Chapo Mayo e Zambada Niebla, que levaram à prisão de grandes chefões das organizações rivais”</p>
<p>Mas os promotores afirmam que a versão de Loya Castro dos acontecimentos não bate com o quadro pintado pelos advogados de Zambada Niebla.</p>
<p>O caso judicial tem chamado a atenção pela ousadia da estratégia pela defesa. Afinal, o traficante mexicano está alegando ser protegido do governo americano para justificar uma ação criminal.</p>
<p><strong><span style="color: #0000ff;"><a href="http://narcosphere.narconews.com/notebook/bill-conroy/2011/11/us-prosecutors-seeking-prevent-dirty-secrets-drug-war-surfacing-cartel-"><span style="color: #0000ff;">Clique aqui</span></a> para ler a reportagem original, em inglês.</span></strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>CIA treina assassinos para agirem no mundo subterrâneo da guerra às drogas</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/09/cia-treina-assassinos-para-agirem-no-subterraneo-da-guerra-as-drogas/</link>
		<comments>http://www.apublica.org/2011/09/cia-treina-assassinos-para-agirem-no-subterraneo-da-guerra-as-drogas/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 Sep 2011 14:45:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#CIA]]></category>
		<category><![CDATA[#GuerraContraAsDrogas]]></category>
		<category><![CDATA[#México]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo uma fonte da CIA ouvida pelo repórter do Narconews, esses grupos de extermínio estão agindo contra facções de narcotraficantes no México]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma pequena – mas crescente – guerra subterrânea acontecendo no México. No embate, soldados de operações especiais mexicanos são treinados pelos EUA para agirem contra um crescente grupo de organizações de tráfico de drogas que são bem mais violentas do que os velhos cartéis mexicanos.</p>
<p>Esses grupos de assassinos estão atuando há cerca de seis meses, segundo fontes ouvidas pelo site Narco News, parceiro da Pública,<br />
com o apoio de uma rede sofisticada de inteligência composta por operativos da CIA, civis contratados pelas forças militares americana, e também soldados dos EUA sob o comando do Pentágono. Esse “apoio” consiste em identificar os alvos certos para os matadores mexicanos.</p>
<p>Evidências dessa rede de inteligência têm surgido em jornais americanos e mexicanos, como no New York Times e no El Universal. O NYT publicou que operativos da CIA e contratistas americanos foram alocados em uma base militar americana e o jornal mexicano relatou que tropas de elite dos EUA e do México estavam realizando treinamento conjunto em Colorado no início deste ano.</p>
<p>O Narco News<a href="http://narcosphere.narconews.com/notebook/bill-conroy/2010/06/us-military-has-special-ops-boots-ground-mexico"> já havia revelado em junho do ano</a> passado que uma força-tarefa de soldados de forças especiais dos EUA estava agindo em território mexicano, auxiliando os militares locais a encontrar os “capos” dos principais cartéis de tráfico de drogas – como as organizações <em>Juarez</em>,<em> Beltran Leyva</em>, <em>Zetas</em> e <em>La Familia</em>.</p>
<p>(É claro que os comandantes do cartel de <em>Sinaloa</em> permaneceram ilesos; se forem verdadeiras<a href="http://apublica.org/2011/06/mais-veloz-e-mais-furioso-%E2%80%93-a-protecao-americana-a-um-cartel-mexicano/"> as alegações judiciais do líder Vicente Zimbada Niebla</a>, que está preso nos Estados Unidos, houve na verdade um acordo fechado com o governo americano).</p>
<p><strong>Procura-se supervisores para a guerra contra as drogas</strong></p>
<p><a href="http://narcosphere.narconews.com/notebook/bill-conroy/2011/04/us-private-sector-providing-drug-war-mercenaries-mexico" target="_blank">Em abril deste ano</a>, o Narco News descobriu um anúncio de uma empresa militar privada contratando pessoas para supervisionar seus contratistas (civis que prestam serviços militares) que atuam no México e coordenar “com oficiais do exército mexicano” em uma dúzia de locais de treinamento no país.</p>
<p>O anúncio revelava mais: que a rede de treinamento de contratistas americanos fazia parte do chamado “Projeto Sparta”, que tem o objetivo de treinar soldados mexicanos em operações de guerra urbana avançada com o objetivo de formar uma “força de elite”.</p>
<p>E concluía: a “nova força de reação especializada” vai apoiar “agências de segurança locais, estaduais e federal” na “guerra contra o crime organizado e os cartéis de drogas”.</p>
<p>A empresa negou, logo depois, ter contratos deste tipo no México e o anúncio foi retirado do site.</p>
<p><strong>Estratégias militares, e não de segurança pública</strong></p>
<p>Uma fonte que conhece bem a situação no México diz que treinamento em táticas de guerra urbana seria essencial para qualquer força interessada em iniciar uma campanha de assalto nos narcogrupos independentes no país.</p>
<p>Só que essas operações em solo mexicano, que contam com a colaboração dos EUA, parecem todas se basear em estratégias militares, e não em preceitos da segurança pública. E aí está a chave da questão: ao contrário da segurança pública, o objetivo militar por excelência é neutralizar o inimigo no campo de batalha – e não levá-lo à justiça.</p>
<p>Segundo o ex-agente da CIA <a href="http://narcosphere.narconews.com/userfiles/70/Plumlee.Testimony.PDF">Tosh Plumlee</a>, há pelo menos três times de matadores mexicanos operando no México, nas regiões norte, central e sul do país.</p>
<p>Plumplee, que já foi era piloto contratado pela CIA na América Latina e mantém conexão com a comunidade de inteligência, diz que esses grupos militares de extermínio foram treinados pelos Estados Unidos.</p>
<p><strong>Por trás da nova tática, a multiplicação de mini-cartéis </strong></p>
<p><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/09/CarteldelPacifico.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-946" title="CarteldelPacifico" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/09/CarteldelPacifico.jpg" alt="" width="261" height="203" /></a>A estratégia dos governos americano e mexicano de atacar os chefões dos cartéis mexicanos não reduziu o fluxo de drogas entrando nos EUA, nem reduziu o número de atores no tráfico de drogas.</p>
<p>Em vez disso, levou ao surgimento de diversos pequenos grupos independentes que assumiram o vácuo de poder deixado pelos chefões do tráfico quando os policias e militares mexicanos conseguem acabar com um deles.</p>
<p>Isso ocorreu, por exemplo, com o assassinato de <a href="http://www.huffingtonpost.com/2009/12/17/arturo-beltran-leyva-top-_n_395431.html">Arturo Beltran Leyva </a>, da organização <em>Beltran Leyva</em>, com a captura de <a href="http://articles.cnn.com/2011-06-22/world/mexico.cartel.capture_1_la-familia-michoacana-cartel-alejandro-poire?_s=PM:WORLD">Jose de Jesus Mendez Vargas </a>da <em>La Familia</em>, e mais recentemente com a prisão de <a href="http://www.elpasotimes.com/news/ci_18628239?source=most_viewed">Jose Antonio Acosta Hernandez </a>da <em>La Linea</em>.</p>
<p>Entre os grupos independentes que emergiram, muitos deles no último ano, estão nomes ainda desconhecidos do grande público como <em>Mano con Ojos</em>,<em> Mata Zetas</em>, <em>Caballeros Templarios</em>, <em>Cartel de Pacifico Sur</em>, <em>Cartel de Jalisco Nueva Generacion</em> e <em>Cartel del Centro</em>.</p>
<p>Esses grupos são extremamente violentos, já que competem mais intensamente e contra mais organizações por sua parte no negócio de tráfico de drogas e armas, assassinatos de aluguéis, sequestros e extorsões, agindo como organizações criminosas que seguem o “cada um por si”.</p>
<p>Quase sempre são os antigos “braços armados” ou gangues de ruas que prestavam serviços para o chefões dos cartéis.</p>
<p>Esse “efeito Hydra” – o fenômeno da mutiplicação de mini-organizações cada vez que se elimina um chefão do tráfico – se tornou um grande problema tanto para o governo mexicano quanto para os EUA, e também para sua campanha de marketing, que insiste que esses grupos não têm relevância.</p>
<p>Mas a crescente onda de violência causada por esses grupos tem gerado um aumento brusco na taxa de homicídios no México, onde desde 2006 cerca de 50.000 pessoas, incluindo muitos civis inocentes e até crianças, foram atingidas pela selvageria da guerra contra às drogas.</p>
<p><a href="http://online.wsj.com/article/SB10001424053111904787404576528413479614524.html">Cerca de metade  dessas mortes</a> ocorreram nos últimos 18 meses, marcando o crescimento das mini-organizações criminosas.</p>
<p><strong>Tosh Plumplee</strong></p>
<p>E a resposta a essa nova ameaça, de acordo com uma fonte ouvida pelo Narco News, o ex-agente da CIA <a href="http://narcosphere.narconews.com/userfiles/70/Plumlee.Testimony.PDF">Tosh Plumlee</a>, tem sido pegar <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/09/ToshonMexicoUSborderFenceMXbehi.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-947" title="Tosh Plumlee" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/09/ToshonMexicoUSborderFenceMXbehi.jpg" alt="" width="425" height="318" /></a>uma página da “Solução El Salvador”, adaptá-la aos dias de hoje, e ir atrás destes grupos de maneira encoberta — utilizando unidades de extermínio altamente treinadas cuja missão é “neutralizar” os seus líderes antes que eles possam consolidar seu poder.</p>
<p>Em El Salvador, nos anos 80, os militares americanos treinaram grupos de extermínio para acabar com a guerra contra o grupo guerrilheiro Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional &#8211; FMLN. Em 2005, a revista americana Newsweek revelou planos do Pentágono de utilizar a mesma estratégia contra grupos insurgentes que estavam surgindo no Iraque e no Afeganistão.</p>
<p>Em junho do ano passado o Narco News revelou que uma força-tarefa de forças especiais americanas, sob o comando do Pentágono, estava operando no México.</p>
<p>A reportagem era baseada em informações dadas por Plumlee.</p>
<p>Pouco depois, um relatório diplomático vazado pelo WikiLeaks comprovou que a unidade da marinha mexicana que conduziu a operação contra o chefão Arturo Beltran Leyva “recebeu treinamento extensivo dos EUA” — o que ajudou a comprovar a história do envolvimento americano na guerra aos chefões mexicanos.</p>
<p>De acordo com Plumlee, membros da mesma força-tarefa de forças especiais dos EUA estão agora fornecendo apoio de inteligência e treinamento para os times de assassinos mexicanos que foram montados para alvejar as novas mini-organiações criminosas.</p>
<p>A missão dessas unidades de ataque é, segundo Plumlee, “neutralizar” os alvos, ou seja: assassinar os traficantes.</p>
<p>Esse parece ser um novo foco, já que antes os militares mexicanos estavam caçando os cabeças dos cartéis para prendê-los, se possível.</p>
<p>De acordo com Plumlee, os antigos “cartéis” também vêem esses mini-grupos como inimigos que ameaçam seu modelo de negócios. “Parte da inteligência sendo obtida sobre esses novos grupos está vindo na verdade de membros dos Zetas”, diz ele.</p>
<p>Os grupos de extermínio das forças militares mexicanas teriam sido treinados pelos EUA, mas Plumlee afirma não saber exatamente onde. Plumlee também afirma que os membros da força-tarefa militar americana estão ajudando os mexicanos a identificar e verificar quais seriam os principais alvos.</p>
<p><em><a href="http://narcosphere.narconews.com/notebook/bill-conroy/2011/08/us-trained-assassin-teams-now-deployed-drug-war">Clique aqui</a> para ler a reportagem original, em inglês.</em></p>
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		<title>Traficante mexicano é mantido em isolamento nos EUA</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/07/traficante-mexicano-e-mantido-em-isolamento-nos-estados-unido/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 10:36:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vicente Zambada Niebla, filho do chefe do cartel de Sinaloa, vai defender diante de tribunal americano que houve proteção norte-americana a narcotraficantes mexicanos. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A defesa de Vicente Zambada Niebla acusou a promotoria de ter “isolado” por mais de um ano o seu cliente no Centro Metropolitano de Detenção de Chicago (MMC, siglas em inglês).</p>
<p>Também ressaltou que ele recebe tratamento desumano.</p>
<p>Com exclusividade, Repórter Índigo revela uma carta enviada no dia 14 de abril passado ao juiz Rubén Castillo, responsável pelo caso. Nela, os advogados do filho do narcotraficante Ismael “El Mayo” Zambada asseguram que seu cliente é o único preso da Unidade de Alojamento Especial (SHU, em inglês).<br />
Segundo a carta, ele não pode falar com seus familiares, com os presos de outras unidades ou com os agentes penitenciários.</p>
<p>Vicente também foi proibido de enviar e receber cartas e tem enfrentado dificuldades em fazer chamadas telefônicas &#8211; diferentemente dos outros presos, que, como ele, são considerados de alta periculosidade.</p>
<p>“Em todo seu período de detenção (um ano e quatro meses), ele não viu a luz do sol nem respirou ar fresco”, afirmam seus advogados na carta.</p>
<p><strong>Tratamento “sem precedentes”</strong></p>
<p>Segundo os advogados escreveram ao juiz, a promotoria não dei explicações sobre qual é o propósito de mantê-lo nessas condições “extraordinárias” de reclusão.</p>
<p>“Somos advogados que temos representado homens que foram acusados de ser membros do alto escalão de famílias do crime organizado e traficantes de drogas. Em nossa experiência, o tratamento dado a Vicente não tem precedentes”, assinalam os advogados da missiva.</p>
<p>Fontes próximas ao caso afirmam que, suspostamente, o objetivo é impedir que Zambada Niebla revele as informações que tem sobre a suposta proteção que as autoridades dos Estados Unidos dão ao cartel de Sinaloa.</p>
<p>Em meados de junho, publicamos o conteúdo de um documento apresentado pela defesa do filho de “El Mayo”.<br />
Nele, os advogados afirmam que as atividades do narcotráfico do Cartel de Sinaloa foram apoiadas pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a DEA (drug enforcement Agency) e o ICE (Immigration and Customs Enforcement) do governo americano durante os últimos seis anos, pelo menos.</p>
<p>Este é mais um capítulo do histórico processo cujo desenlace poderá ocorrer durante a campanha presidencial do México.</p>
<p><strong>Na corte</strong></p>
<p>Na chuvosa tarde de 15 de junho passado, na sala 1419 do edifício do Distrito Norte da Corte de Illinois, o juiz Rubén Castillo, vestido de toga negra, presidia a audiência do caso 9cr-383.</p>
<p>De repente ingressa no elegante recinto um sujeito que mais parecia uma sombra do que um homem.</p>
<p>Com as mãos e pés algemados, presos, vestido com o uniforme laranja de prisioneiro sobre seu corpo magérrimo apareceu Vicente Zambada Niebla, filho de um dos capos do Cártel de Sinaloa.</p>
<p>Ele é acusado de traficar drogas do México aos Estados Unidos de maio de 2005 a novembro de 2008, no valor de cerca de 500 milhões de dólares.</p>
<p>Mas nem a sua aparência nem a atitude correspondiam com a imagem do narco júnior apresentada há pouco mais de dois anos pelo Exército Mexicano, após sua captura na Cidade do México.</p>
<p>Com 10 quilos a menos, “Vicentillo” apenas esboçou um sorriso quando um dos guardas tirou suas algemas e ele percebeu a presença de uma prima sua na sala.</p>
<p>A jovem de não mais de 25 anos, de pele branca, olhos cor de mel e cabelo castanho claro, e vestia um casaco preto e sapatos Chanel &#8211; no seu dedo reluzia um anel com uma serpente que parecia ser de brilhantes.</p>
<p>“Te amo”, ela murmurou de longe.</p>
<p>Vicente Zambada Niebla se seus advogados ficaram no lado esquerdo da sala. Do lado direito estavam os dois promotores do governo dos Estados Unidos. Ao centro, o juiz Castillo.</p>
<p>Depois de meses de adiamentos, o juiz Castillo fixou como data de início 13 de fevereiro 2012. E dada a complexidade do caso, prevê que ele durará pelo menos quatro meses.</p>
<p>O procedimento da corte parecia rotineiro, mas conforme a audiência foi avançando, a sessão tomou outro rumo.</p>
<p>A defesa de Vicente Zambada acusou a promotoria de dar um tratamento desumano a seu cliente na prisão, o que viola a Consituição dos Estados Unidos.</p>
<p>Para a surpresa de muitos, o juiz Castillo manifestou publicamente sua preocupação à promotoria e assinalou que seria muito delicado que a situação de reclusão particular de Vicente Zambada fosse mal interpretada “para além das nossas fronteiras”.</p>
<p><strong>Assim vive ‘Vicentillo’ na prisão</strong></p>
<p>Na sessão pública, o juiz Castillo referiu-se a uma carta de queixa apresentada pela defesa de Zambada Niebla.<a href="http://apublica.org/2011/07/carta-da-defesa-de-vicente-zambada-niebla/"><img class="alignright size-medium wp-image-789" title="hoja 1 carta dh vicente" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/07/hoja-1-carta-dh-vicente3-212x300.jpg" alt="" width="212" height="300" /></a></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2011/07/carta-da-defesa-de-vicente-zambada-niebla/">Anabel Hernandez obteve a carta</a></strong>, que detalha com minúcias como vive Zambada Niebla na prisão.</p>
<p>Ele está recluso em uma seção do Centro Metropolitano de Detenção, chamado Unidade de Alojamento Especial, em uma área de quatro celas que o mantém distante do resto dos presos.</p>
<p>Sue cela tem três metros de comprimento por pouco mais de um metro e meio de largura. Nela há um um colchão fino, um travesseiro, uma mesa com um banquinho, um vaso sanitário e uma pia.</p>
<p>Não lhe permitem falar com ninguém, exceto com funcionários da prisão que tenham pelo menos o cargo de tenente. Se ele tenta interagir com os carcereiros, estes não lhe respondem.</p>
<p>Durante todo esse tempo, não teve direito a visita conjugal, tampouco lhe permitiram ver seus familiares. Sua única companhia é um pequeno rádio que escuta com fones de ouvido.</p>
<p>Os demais presos do SHU recebem seus alimentos pontualmente, mas o filho de ‘El Mayo” não; dua comida é entregue entre uma e quatro horas depois dos horários habituais, já fria.</p>
<p>Todos os internos têm permissão de fazer o equivalente a 300 minutos por mês em chamadas telefônicas. Mas Vicente Zambada não. Está limitado a falar uma vez por semana sob supervisão de seu conselheiro ou um oficial. Se não consegue comunicar-se tem que esperar até a semana seguinte.</p>
<p>O único exercício que pode fazer é caminhar em uma cela ainda menor, que usa para dormir.<br />
A defesa afirma que ele não viu o sol e nem respirou ar fresco durante todo o período de um ano e quatro meses em que está preso.</p>
<p>Ao ouvir isso, o juiz Castillo comentou que tal situação era muito peculiar, já que havia presos com a mesma periculosidade que não estavam sujeitos a essas condições.</p>
<p>A defesa de Vicente Zambada Niebla assegura que seu cliente cumpriu com todas as regras da instituição.</p>
<p>Dentro da prisão há uma loja de convivência onde os presos de todas as áreas podem comprar uma lista grande de coisas. Mas isto não se aplica para o filho de um dos chefes do “Cartel de Sinaloa”.</p>
<p>“Coisas simples como refrigerantes ou lápis de cor, por exemplo, estão proibidos para ele”, afirmam na carta enviada ao juiz</p>
<p>No documento, os advogados advertem que o tratamento de castigo “sem precedentes” que se aplica ao seu cliente começou a ter efeitos em sua pessoa.</p>
<p>“Ele parece mais ansioso e depressivo cada vez que o vemos. Solicitamos muitas vezes,sem êxito, que essas condições mudem. Oficiais do MMC se negaram a nos dizer as razões de tais imposições”.</p>
<p><strong>A defesa: crime com “anuência” do governo americano</strong></p>
<p>Desde 15 de março passado, o caso de Vicente Zambada Niebla virou um barril de pólvora por causa da sua estratégia de defesa.</p>
<p>Os advogados apresentaram à Corte uma notificação na qual anunciaram que a defesa se basearia no argumento jurídico de “autoridade pública”.</p>
<p>Eles afirmam que os delitos de que são acusados Vicente Zambada Niebla, seu pai e o próprio Joaquim “El Chapo” Guzmán Loera haviam sido cometidos com a anuência de autoridades federais dos Estados Unidos pelo menos durante os últimos seis anos.</p>
<p>Sem especificar nomes, o documento afirma que os funcionários que supostamente incorreram nessas ações são o assistente regional da DEA para a América do Sul, o diretor geral da DEA para o México, assim como os agentes da DEA baseados em Monterrey, Hermosillo e Cidade do México.</p>
<p>“(&#8230;.) incluido mas não limitando os chamados Eduardo Martínez, ‘Manny’, LNU, ‘David’, LNU e Esteban Monk e ou Steven Monk e outros, incluindo agentes do FBI cujos nomes são desconhecidos pelo acusado mas são conhecidos pelas agências”, diz a peça da defesa.</p>
<p>“A  autoridade pública para os atos do acusado (Vicente Zambada Niebla) começa desde o dia primeiro de janeiro de 2004 até dia 19 de março de 2009”, assinala o documento.</p>
<p>Até a data, o governo dos Estados Unidos não emitiu nenhuma resposta sobre a acusação.</p>
<p>Nos próximos 15 dias, as autoridades federais deverão informar a Corte se os apontamentos da defesa são falsos ou não, pelo que se espera muito movimento em torno do caso.</p>
<p>Ao final da audiência, em uma breve declaração, o advogado de defesa, Edward Sam Panzer assinalou que esperava que houvesse uma mudança nas condições de reclusão de seu cliente sem necessidade de intervenção da Corte.</p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/06/mais-veloz-e-mais-furioso-%E2%80%93-a-protecao-americana-a-um-cartel-mexicano/"><span style="color: #0000ff;">Leia mais: Mais veloz e mais furioso – a proteção americana a um cartel mexicano</span></a></strong></span></p>
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		<title>GUERRA CONTRA AS DROGAS. Defesa do traficante mexicano Vicente Zambada Niebla</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 10:30:05 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Leia, na íntegra, a Carta da Defesa de Vicente Zambada Niebla]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/07/Vicente-Zambada-defensa-1.jpg"><br />
</a><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/07/hoja-1-carta-dh-vicente.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-783" title="hoja 1 carta dh vicente" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/07/hoja-1-carta-dh-vicente.jpg" alt="" width="526" height="745" /></a><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/07/hoja2carta-dh-vicente.jpg"><img class="alignright size-large wp-image-786" title="hoja2carta dh vicente" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/07/hoja2carta-dh-vicente-724x1024.jpg" alt="" width="797" height="1127" /></a><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/07/hoja3cata-dh-vicente.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-787" title="hoja3cata dh vicente" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/07/hoja3cata-dh-vicente.jpg" alt="" width="892" height="1260" /></a></p>
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		<title>Mais veloz e mais furioso – a proteção americana a um cartel mexicano</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jun 2011 22:06:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O traficante mexicano Vicente Zambada Niebla promete revelar diante de uma corte federal em Chicago que operava sob a proteção das autoridades norteamericanas.
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				<content:encoded><![CDATA[<p>O processo judicial contra Vicente Zambada Niebla, filho de “El Mayo” Zambada, na Corte Federal de Distrito para o Distrito Norte de Illinois, abrirá a caixa de Pandora sobre a história dos últimos seis anos do tráfico de drogas do México para os Estados Unidos.</p>
<p>O julgamento que ocorrerá em Chicago, outrora território do capo Al Capone, promete ser explosivo.</p>
<p>O processo judicial iria se iniciar em 30 de março. Porém, após uma moção apresentada pelos advogados de Vicente Zambada Niebla, o juiz responsável pelo caso, Rubén Castillo propôs a próxima audiência para dia 15, quando será fixada a data para o início do julgamento.  No entanto ainda não se sabe a data será marcada ou se o processo será novamente adiado. De acordo com fontes próximas ao caso, haveria negociações entre o governo dos Estados Unidos e os advogados de Niebla.</p>
<p>Esta reportagem traz à luz parte do polêmico expediente, trabalho que é resultado de uma investigação realizada em conjunto com o jornalista Vicente Serrano, do programa radiofônico “De 10 a 12”, que é transmitido em Chicago.</p>
<p>Em 15 de março, os advogados de Vicente Zambada Niebla, “El Vicentillo”, que se encontra preso em uma prisão federal de Chicago, ingressaram na Corte com uma moção na qual se anuncia que a defesa irá basear-se no argumento jurídico de “autoridade pública”, segundo o qual supostamente há um “impedimento de autoridade” para acusar ou julgar seu cliente por delitos de narcotráfico.</p>
<p>O argumento é demolidor e, de acordo com especialistas consultados, se traduz da seguinte maneira: se hoje forem presos quem traficou mais de dois mil armas amparadas pelo plano “Veloz e Furioso”, nem o governo dos Estados Unidos nem nenhum juiz desse país poderia atribuir-lhes acusação nenhuma e teriam que liberá-los, já que mesmo que tenham violado a lei, o fizeram com permissão das autoridades.</p>
<p>Se confirmar-se o argumento jurídico de “autoridade pública” que a defesa de Zambada Niebla apresentou, significaria que durante os últimos seis anos, nas gestões de Vicente Fox y Felipe Calderón, o Cartel de Sinaloa havia contado com a proteção ou anuência de autoridades do governo dos Estados Unidos para traficar drogas.</p>
<p>Esta é a história:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Estratégia de defesa</strong></p>
<p><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/06/Vicente31.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-362" title="Vicente3" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/06/Vicente31-300x244.jpg" alt="" width="300" height="244" /></a>O juiz Rubén Castillo, da Corte Federal do Distrito para o Distrito Norte de Illinois, de 56 anos de idade, de pai mexicano e mãe portorriquenha, ainda não sabe, mas um de seus casos fará história.</p>
<p>Esse homem, que em 1994 se converteu no primeiro juiz latino de Illinois, fixará no próximo dia 15 de junho a data do início de um dos julgamentos mais importantes de sua carreira, mas também da história do tráfico de drogas.</p>
<p>É o caso 1:09-CR-00383, correspondente a Vicente Zambada Niebla, de 32 anos de idade, filho do legendário narcotraficante Ismael “El Mayo” Zambada, uma das cabeças do Cartel de Sinaloa.</p>
<p>Vicente Zambada Niebla foi detido pelo Exército Mexicano há dois anos, em 17 de março de 2009.</p>
<p>De acordo com a informação oferecida pelo governo federal, a prisão se deu em frente a uma residência da colônia Fuentes del Pedregal, quando o filho de “El Mayo” e sua escolta supostamente portavam armas de uso exclusivo do Exército.</p>
<p>No dia 18 de fevereiro de 2010, “El Vicentillo” foi extraditado pelo governo do México aos Estados Unidos devido ao processo que se abriu contra ele em Chicago após sua detenção. Atualmente, está preso em uma prisão federal nessa cidade.</p>
<p>Vicente Zambada Niebla é acusado pelo governo dos Estados Unidos de conspirar com outras pessoas, entre maio de 2005 e novembro de 2008, para introduzir no território estadunidense grandes quantidades de cocaína e heroína, o que haveria rendido a ele cerca de 500 milhões de dólares.</p>
<p>No processo, ele também é acusado de tentar obter armas com o objetivo de usar a força e a violência para defender sua organização criminosa.</p>
<p>No final de fevereiro do ano passado, quando Vicente Zambada Niebla compareceu ante o juiz Rubén Castillo a través de Edward Panzer, um de seus advogados, ele se declarou “inocente”.</p>
<p>Agora, durante seu processo judicial, os quatro despachos de advogados que integram a defesa, dois de Nova Iorque, um de Arizona e outro da Califórnia, tentarão demonstrar a suposta relação que existe entre o Cartel de Sinaloa e as principais agências de inteligência e antidrogas dos Estados Unidos, como a DEA, o FBI, o serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, em inglês) e o Departamento de Segurança Nacional.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O Cartel dos Flores</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/06/vicente-zambada-2009-3-19-10-1-42.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-359" title="vicente-zambada-2009-3-19-10-1-42" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/06/vicente-zambada-2009-3-19-10-1-42-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a>O caso contra Vicente Zambada começou no dia em que os irmãos gêmeos Pedro e Margarito Flores foram presos, no final de 2009.</p>
<p>Quase idênticos – o bigode era a única coisa que os diferenciava –, aos 28 anos de idade Pedro e Margarito já conformavam uma das organizações de distribuição de droga mais importantes da união americana.</p>
<p>De nacionalidade estadunidense, mas descendentes de pais mexicanos, Pedro e Margarito se dedicaram durante anos a comprar droga dos principais integrantes do Cartel de Sinaloa ou da chamada Federação, no México, para distribuí-la nos Estados Unidos.</p>
<p>Na terra onde o legendário capo da máfia italiana Al Capone ficou sem império, os gêmeos Flores construíram seu próprio reino, e com a mesma impunidade.</p>
<p>Os Flores dominavam a distribuição de drogas em Chicago, Illinois; Detroit, Michigan; Cincinnati, Ohio; Filadelfia, Pensilvania; Washington, D.C.; e Nova Iorque, N.Y. No Canadá, operavam em Vancouver, Colúmbia Britânica.</p>
<p>De acordo com a acusação formal contra eles, cujo processo também se leva a cabo na corte do Distrito Norte de Illionois, os irmãos Flores chegaram a traficar, mensalmente, de 1,5 a 2 toneladas de cocaína e “multiquilogramas” de heroína.</p>
<p>Quando os Flores foram presos, a suposta negociação com as autoridades era para que recebessem uma condenação menor se revelassem os nomes de seus principais cúmplices no tráfico de drogas.</p>
<p>Pedro e Margarito não demoraram a proporcionar uma lista de nomes de seus principais sócios no México, para quem faziam chegar periodicamente toneladas de droga da Colômbia, Panamá e México. Tratavam-se de integrantes do Cartel de Sinaloa e do Cartel dos Beltrán Levya.</p>
<p>Deram os nomes de Joaquin “El Chapo” Guzmán, Arturo Beltrán Levya, Ismael “El Mayo” Zambada, Ignacio “Nacho” Coronel, Héctor Beltrán Levya, Alfredo Guzmán Salazar e Vicente Zambada Niebla. Os dois são filhos de “El Chapo” e “El Mayo”, respectivamente.</p>
<p>De acordo com o processo aberto contra os Flores, os envios de drogas eram feitos em aviões comerciais Boeing 747, aviões privados, submarinos, navios, semisubmergiveis, lanchas rápidas, barcos de pesca, trens, tratores, trailers e automóveis.</p>
<p>Em 20 de agosto de 2009, em uma coletiva de imprensa conjunta, o procurador geral dos Estados Unidos, Eric Holder, e o então procurador geral do México, Eduardo Medina Mora, anunciaram a abertura de 15 processos judiciais contra 43 acusados mexicanos e estadunidenses. Um deles era Vicente Zambada Niebla, o filho de “El Mayo”.</p>
<p>“É o caso de conspiração para a importação de drogas mais importante que houve em Chicago”, assinalou em 20 de agosto Patrick J. Fitzgerald, procurador dos Estados Unidos para o Distrito Norte de Illinois.</p>
<p>Gary G. Olenkiewicz, agente especial da DEA a cargo da Divisão de Chicago, afirmou nesse mesmo anúncio que “desde as ruas de Chicago até o Cartel de Sinaloa, esta investigação cobriu todos os aspectos do tráfico ilegal de drogas”. Certamente, os Flores nunca pensaram que algum de seus sócios seria capturado.</p>
<p>Em dezembro de 2009, Arturo Beltrán Leyva foi assassinado em uma operação liderada pela Secretaria da Marinha em Cuernavaca, Morelos. Graças ao Wikileaks, hoje se sabe que esse operativo foi orquestrado pela agência Antidrogas dos Estados Unidos, a DEA, que obteve informação sobre o paradeiro do líder dos irmãos Beltrán Levya sem que se saiba até o momento onde e como a conseguiu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O documento chave</strong></p>
<p><a href="http://apublica.org/2011/06/documento-de-defesa-jesus-vicente-zambada/"><img class="alignleft size-medium wp-image-350" title="Vicente Zambada defensa 1" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/06/Vicente-Zambada-defensa-12-218x300.jpg" alt="" width="218" height="300" /></a>Em várias ocasiões, o juiz Rubén Castillo adiou a audiência para determinar a data de início do julgamento contra Vicente Zambada Niebla.</p>
<p>Quando isso ocorrer, as partes, tanto a acusação quanto a defesa, deverão preparar sua melhor artilharia para ganhar o caso.</p>
<p>De acordo com o conteúdo da moção apresentada em 15 de março, a defesa conta com informação que gerará um grande escândalo no México e nos Estados Unidos.</p>
<p>O documento enviado à Corte Federal, do qual se obteve cópia nos escritórios da corte citada, revela que Vicente Zambada Niebla havia realizado as atividades das quais é acusado com a anuência do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a DEA, o FBI, o Departamento de Segurança Nacional e o ICE. <a href="http://apublica.org/2011/06/documento-de-defesa-jesus-vicente-zambada/">Veja o documento original, em inglês</a>.</p>
<p>A moção específica que os funcionários que supostamente incorreram nessa ação são o assistente regional da DEA para a América do Sul, o diretor geral da DEA para o México, assim como os agentes da DEA de Monterrey, Hermosillo e Cidade do México.</p>
<p><em>“(…..) incluindo, mas não limitando, aos chamados Eduardo Martínez, ‘Manny’ LNU, ‘David’ LNU e Esteban Monk e/ou Steven Monk e outros, incluindo agentes do FBI cujos nomes são desconhecidos pelo acusado, mas são conhecidos pelas agências”.</em></p>
<p><em>“A autoridade pública para os atos do defendido (Vicente Zambada Niebla) começa desde primeiro de janeiro de 2004 até 19 de março de 2009”,</em> assinala o documento.</p>
<p>Essa última é a data da detenção do filho de “El Mayo” Zambada. Nesse assinalamento, há uma clara insinuação de que, até esse dia, o filho do narcotraficante atuava com a suposta permissão ou beneplácito das autoridades dos Estados Unidos.</p>
<p>Segundo a informação, o dia em que foi preso em Fontes de Pedregal, Vicente Zambada Niebla teria uma reunião com funcionários de alguma ou várias das dependências que hoje são apontadas na moção. E sabe-se que não havia sido o primeiro desses encontros.</p>
<p>Uma vez fixada a data do início do julgamento, o governo dos Estados Unidos poderia oferecer um acordo ao filho de “El Mayo” Zambada para cancelar o julgamento. Ou, se for levado a cabo, poderia fazer comparecer como testemunhas ante a Corte Federal alguns ou todos os funcionários assinalados na moção de defesa.</p>
<p>Se a acusação da defesa se confirmar, isso significa que no transcurso dos últimos seis anos, nos governos de Vicente Fox e Felipe Calderón, o Cartel de Sinaloa não havia contado apenas com a proteção das autoridades do México, mas também dos Estados Unidos.</p>
<p><em>Por Anabel Hernández, do <a href="http://www.reporteindigo.com/">Reporte Indigo </a></em></p>
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		<title>Documento de defesa &#8211; Vicente Zambada</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jun 2011 21:52:21 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Documento descreve como traficante mexicano pretende acusar EUA de acobertar tráfico]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/06/Vicente-Zambada-defensa-12.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-350" title="Vicente Zambada defensa 1" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/06/Vicente-Zambada-defensa-12-744x1024.jpg" alt="" width="744" height="1024" /></a><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/06/vicente-zambada-defensa-21.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-352" title="vicente zambada defensa 2" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/06/vicente-zambada-defensa-21-744x1024.jpg" alt="" width="744" height="1024" /></a></p>
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		<title>Setor privado dos EUA fornece mercenários da guerra às drogas ao México</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Apr 2011 21:32:51 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Empregadores procuram ex-soldados para oferecer táticas de  guerra urbana e treinamento contrainsurgente
]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A L-3 MPRI, uma divisão de uma das maiores contratistas de defesa (empresas de segurança privada que prestam serviço a governos) dos Estados Unidos, está buscando contratar na comunidade mercenária “posições de comando” que possam ajudar a supervisionar os funcionários da companhia no México e, também, trabalhar em conjunto com “funcionários militares mexicanos” em uma dezena de locais de treinamento no México, chamados de “VMTC”.</p>
<p>Tais Centros Virtuais de Treinamento Militar (VMTCs) oferecem “treinamento de alta qualidade e apoio de simulação”, e os funcionários para posições de comando se reportarão diretamente ao administrador do projeto L-3 MPRI na Cidade do México, afirma um anúncio de emprego publicado na página da internet do <a href="https://app.mpri.com/iif/jobs/positions.html"><span style="color: #3366ff;"><strong>L3-MPRI</strong></span>.</a></p>
<p>Por muito tempo, críticos da política de guerra às drogas vêm afirmando que o militarismo fomentado por ela está, em grande parte, motivado pelo lucro, com uma Iniciativa Mérida de 1,5 bilhão de dólares oferecida como prova do caráter mercenário de tal política. Por trás da iniciativa, os EUA concordaram em oferecer ao governo mexicano sofisticados equipamentos militares e treinamento para ajudar na “guerra contra o crime organizado e a violência associada a ele”, de acordo com o <a href="https://app.mpri.com/iif/jobs/positions.html"><span style="color: #3366ff;"><strong>Departamento de Estado dos EUA</strong></span>.</a></p>
<p>Mesmo que não esteja claro quem financia os centros de treinamento L-3 MPRI no México – se são apoiados pelo dinheiro da Iniciativa Mérida, pelo governo mexicano ou outro programa –, o que fica claro é que o anúncio de emprego representa uma evidência importante que as companhias do setor privado estadunidense têm operações mercenárias dentro do México, as quais parecem proporcionar treinamento de alto nível ao Exército mexicano, em apoio, ao menos em parte, à guerra contra as drogas no país.</p>
<p>Desde que Felipe Calderón assumiu a presidência em 2006 e lançou sua chamada guerra aos “cartéis de drogas”, 35 mil pessoas foram assassinadas.</p>
<p>A L-3 MPRI foi fundada em 1987 por um grupo de militares estadunidenses de alta patente. Seu presidente, nomeado em janeiro de 2010, é John Craddock, que, antes de se aposentar do Exército estadunidense em 2009, foi comandante em chefe do Comando Europeu dos Estados Unidos e como comandante Supremo Aliado na Europa, supervisionando os exércitos de 28 países membros da Otan.</p>
<p>A L-3 MPRI foi adquirida em 2000 e, agora, opera como uma divisão da <a href="http://www.corpwatch.org/article.php?id=13993"><span style="color: #3366ff;"><strong><span style="color: #3366ff;">L-3 Comunicações</span></strong></span>,</a> corporação que tem 62 mil empregados e rendimento anual de 16 milhões de dólares. Serve como a principal contratista no mercado de defesa e segurança, oferecendo serviços e produtos de “comando, controle, comunicações, inteligência, vigilância e reconhecimento” aos Estados Unidos e a governos estrangeiros aliados, de acordo com sua página na internet. Entre os serviços prestados pela divisão MPRI do L-2 que emprega cerca de  5 mil pessoas, está o treinamento militar que usa “simuladores e simulações”, de acordo com seu <a href="http://www.mpri.com/web/index.php/content/what_we_do/military_education"><span style="color: #3366ff;"><strong><span style="color: #3366ff;">sítio na internet</span></strong></span>.</a></p>
<p>O folheto de marketing de L-3 MPRI a seguir oferece uma melhor visão sobre a oferta da empresa, como neste vídeo:</p>
<p><em>Treinamento em defesa internacional e equipamento &#8211; Proporcionamos a nossos clientes internacionais em defesa e militares programas de treinamento e educação relativos à modernização e desenvolvimento da força, estabilização  militar, simulações  e exercícios de treinamento com disparos de armas de fogo, segurança marítima e de fronteira, e tudo isso sob a licença do governo dos Estados Unidos. </em></p>
<p><em>.. Produtos de simulação, treinamento e tecnologia. Proporcionamos treinamento com tecnologia de simulação  de última geração  para a condução (de patrulhas, caminhões, veículos de emergência), pontaria com laser (com todo tipo de armas) e marítimo (navegação, manobras com barcos, motores e manejo de carga). </em></p>
<p>Mais uma vez, o anúncio da L-3 MPRI nao esclarece quais sao os serviços específicos que oferece ao governo mexicano através de suas 12 VMTC no México, tampouco indica no anúncio quanto tempo esses centros de treinamento estiveram em operação.</p>
<p>No entanto, o anúncio de emprego deixa claro o que a companhia busca nas “posições de comando”.</p>
<p>Do anúncio:</p>
<p><em>Requisitos: Grau mínimo: oficial de companhia ou suboficial aposentado (E7-E9) com quinze anos de serviço, que já seja do Exército dos Estados Unidos ou da Infantaria de Marinha. Mínimo de três anos de combate ou experiência contratista como líder de equipe em treinamento de guerra com exércitos estrangeiros ensinando combate de guerra urbana, contrainsurgência, táticas de defesa ou infantaria. Prefere-se que fale espanhol. </em></p>
<p><em>Localização: México (vários locais)…</em></p>
<p>A <em>Narco News</em> contatou um porta-voz da L-3 MPRI, o vice-presidente em comunicações estratégicas Rick Kiernan, através de telefone e correio eletrônico, pedindo respostas às seguintes perguntas:</p>
<p>1. Qual é a natureza do treinamento oferecido ao Exército mexicano através dos Centros Virtuais de Treinamento Militar no México?</p>
<p>2. Onde se localizam os VMTCs no México, ou, ao menos, em quais regiões do país?</p>
<p>3. Poderiam indicar o nome da entidade (ou seja, o governo mexicano ou organismo dos EUA) que contrata a L-3 MPRI para os serviços de treinamento VMTC?</p>
<p>4. Quantos empregados, contratistas? Trabalham para a L-3 MPRI nos VMTCs no México?</p>
<p>5. Poderiam descrever como um VMTC está desenhado para oferecer em termos de serviço e treinamento? (Por exemplo, os VMTCs utilizam inteligência da vida real sobre o terreno ao criarem cenários virtuais de treinamento?)</p>
<p>6. Além do Exército mexicano, há VMTC de L.3 MPRI oferecendo treinamento e serviços a outros grupos do Exército mexicano ou agências da lei? Em caso afirmativo, poderia nomeá-los?</p>
<p>Kiernan, ao ser contatado por telefone, respondeu às perguntas da seguinte maneira: Não temos um contato (no México) para fazer esse tipo de trabalho. Que eu saiba, não houve nenhum contrato assinado.</p>
<p>No entanto, fontes de <em>Narco News </em>sustentam que o anúncio de L-3 MPRI está circulando na comunidade mercenária e, até o momento da publicação desta reportagem, o anúncio de emprego estava na lista de trabalhos dessa empresa. Neste <span style="color: #3366ff;"><strong><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/04/L3MPRI.Image.SS2.jpg"><span style="color: #3366ff;">link </span></a></strong></span> é possível ver uma captura do quadro de anúncio.</p>
<p>As declarações do porta-voz da L-3 MPRI negando que a companhia tenha um contrato ativo no México é desconcertante, apesar de que Kiernan tenha dito que a L-3 é uma grande companhia e contrata de o tempo todo, assim, é possível que esse acordo particular simplesmente não seja de seu conhecimento por alguma razão.</p>
<p>Antes da cobertura de <em>Narco News</em>, também estava claro que o Departamento de Defesa está envolvido em proporcionar serviços de treinamento ao Exército mexicano, não muito diferentes dos descritos no anúncio para mercenários de “posições de comando” da L-3 MPRI.</p>
<p>Em fevereiro, a repórter Erin Rosa, de <em>Narco News</em>, escreveu o seguinte no artigo<span style="color: #3366ff;"><a href="http://www.narconews.com/Issue67/articulo4316.html"><span style="color: #3366ff;"><strong><span style="color: #3366ff;"> “Os Estados Unidos dão cursos de ‘contrainsurgência’ a militares mexicanos na guerra contra as drogas”</span></strong>:</span></a></span></p>
<p><em>Em agosto de 2009, uma equipe móvel de treinamento, juntamente com a Universidade de Operações Especiais Conjuntas (JSOU, na sigla em inglês), uma escola militar que ensina táticas de forças especiais, treinou o Exército e a Marinha mexicanas. Diferentemente dos informes dos anos anteriores, o documento não  detalha a localização exata onde aconteceram esses treinamentos. </em></p>
<p><em>Em outubro passado, quando uma <span style="color: #3366ff;"><strong><a href="http://www.narconews.com/Issue67/articulo4226.html"><span style="color: #3366ff;">investigação </span></a></strong></span>de Narco News descobriu que tanto a JSOU como a WHINSEC estavam operando no México, o Departamento de Estado e o Departamento de Defesa não informaram onde estavam sendo realizados e onde estavam localizados. Na ocasião,  Alex Featherstone, porta-voz da embaixada dos EUA no México, disse que o Departamento de Defesa, por meio do Escritório de Coordenação  da Defesa na embaixada, levam a cabo “seminários, conferências e reuniões”, incluindo eventos que tem como foco “esforços antidrogas”. </em></p>
<p>E, agora, parece que o Exército dos Estados Unidos, como em muitas zonas de conflito em todo o mundo, possa estar trabalhando juntamente com as forças mercenárias na guerra contras as drogas no México.</p>
<p><span style="color: #3366ff;"><strong><a href="http://www.narconews.com/Issue65/articulo4139.html"><span style="color: #3366ff;">Tosh Plumlee</span></a></strong></span>, ex-piloto contratista da CIA, não parece surpreso com a revelação: “Há alguns meses alguém… me enviou uma cópia (de um anúncio) parecido com esse”, disse à <em>Narco News</em>. “Não estou seguro se era a mesma companhia ou outra… Atualmente, há muitos recrutas de mercenários”.</p>
<p><strong>Atualização de 4 de abril</strong></p>
<p>Revelou-se um pouco mais sobre a natureza dos Centros Virtuais de Treinamento. Outro anúncio de emprego publicado no site da L-3 Comunicações chamou a atenção da <em>Narco News</em>.</p>
<p>O anúncio de emprego descreve a rede de VTMC no México como parte de um esforço chamado “Projeto Esparta”, que está desenhado para “treinar soldados do Exército mexicano em operações de combate urbano básicas e avançadas”, com a meta de criar uma “Força de Elite de Combate Urbano”.</p>
<p>A “nova força de reação especializada” apoiará “agências da lei federal, estatal e municipal na guerra contra o crime organizado e os cartéis de droga”, afirma o anúncio da L-3 MPRI.</p>
<p>Mais do anúncio:</p>
<p><em>O Programa de Combate Urbano treinará soldados de nível básico nas habilidades necessárias para apoiar as campanhas contra o crime organizado, para entender e apoiar as funções e processos das agências de aplicação  da lei, para operar dentro do marco jurídico civil e atuar com eficácia com a sociedade mexicana.</em></p>
<p><em> </em><em>Requisitos (para o especialista em treinamento) – Ex-oficial de combate ou suboficial com cinco anos de serviço no Exército dos Estados Unidos ou Infantaria da Marinha. Mínimo de dois anos de experiência de combate ou de contratista de combate em um cenário de treinamento de guerra com exércitos estrangeiros ensinando combate urbano, contrainsurgência, técnicas de defesa ou infantaria. De preferência, que fale espanhol. </em></p>
<p>Vale a pena assinalar que os dois anúncios de L-3 MPRI que apareceram nesta história estão buscando ex-soldados, essencialmente mercenários, que, de outra maneira, não tiveram treinamento em “processos e funções de aplicação da lei”. No entanto, dada a limitada informação disponível nos anúncios da L-3 MPRI, é possível que “O Programa de Combate Urbano” possa estar recrutando treinamento com um contexto de aplicação da lei.</p>
<p>O anúncio pode ser visto neste <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/04/L-3.JobDescrip.2.jpg"><strong><span style="color: #0000ff;">link</span></strong>.</a></p>
<p>Publicado originalmente em Narconews.com, em <strong><span style="color: #0000ff;"><a href="http://www.narconews.com/Issue67/articulo4344.html"><span style="color: #0000ff;">espanhol </span></a></span></strong>e <a href="http://narcosphere.narconews.com/notebook/bill-conroy/2011/04/us-private-sector-providing-drug-war-mercenaries-mexico"><span style="color: #0000ff;"><strong>inglês</strong></span>.</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Processo de extradição de narcotraficante colombiano irritou EUA</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/04/processo-de-extradicao-de-narcotraficante-colombiano-irritou-eua/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 10:56:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ EUA criticaram processo de extradição do megatraficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia do Brasil.
]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Segundo a visão dos diplomatas americanos, houve uma série de enganos por parte do Ministério da Justiça e do STF, que limitou a pena do colombiano em 30 anos. “O ministro da Defesa Jobim, um antes deputado federal, ministro da Justiça e presidente do STF insistiu ao embaixador que não há razões constitucionais na decisão do STF”, relata uma das mensagens a Washington.</p>
<p>O Supremo Tribunal Federal deferiu a extradição de Ramirez Abadia em 13 de março<br />
de 2008. A resolução foi de que a entrega do criminoso estaria “condicionada ao juízo<br />
de conveniência e oportunidade do Presidente da República”. O relator do processo foi<br />
o ministro Eros Grau e todos os ministros presentes na seção seguiram o seu voto. No<br />
entanto, o STF limitou o poder de pena dos EUA sobre o traficante.</p>
<p>“Extradição deferida, com a condição de que o Estado requerente assuma o<br />
compromisso formal de comutar eventual pena de prisão perpétua ou de morte em pena<br />
privativa de liberdade não superior a 30 (trinta) anos, por força do que estabelece o<br />
artigo 75 do Código Penal, bem assim de descontar o tempo de prisão que, no Brasil,<br />
foi cumprido em razão da extradição”, diz a ementa do processo na suprema corte<br />
brasileira.</p>
<p>A medida estava fundamentada em uma decisão da mesma natureza acertada em 2004<br />
no caso de uma extradição para o Chile. No entanto, segundo os contatos da embaixada, o Tratado Bilateral de Extradição entre Brasil e EUA determina no Artigo XI que a lei a ser aplicada sobre o extraditado deve ser a do país requerente. O documento foi celebrado em 1962 e ratificado pela última vez em 1965.</p>
<p><strong>Enganos do MJ</strong></p>
<p>Um telegrama da embaixada americana de 23 de julho de 2008 descreve a reunião entre Tarso Genro e Clifford Sobel ocorrida dois dias antes. Genro disse já ter conversado com Lula sobre a extradição de Ramirez Abadia. “Ambos concordaram que seria do interesse de ambos os países que Abadia fosse mandado para os Estados Unidos”, relata a mensagem. Sobel levantou as condições estabelecidas pelo tratado bilateral de extradição entre EUA e Brasil. “Nessa situação, Abadia iria<br />
ser expulso e ele poderia ser entregue aos Estados Unidos e não haveria problemas”, o<br />
telegrama cita a fala de Genro.</p>
<p>Um dia depois do encontro entre Sobel e Genro, o enviado político da embaixada, o<br />
adido jurídico e um oficial do DEA encontraram Roberto Rubem Ribeiro, identificado<br />
como chefe da divisão de expulsão e deportação do MJ, a Divisão de Medidas Compulsórias. Descrito como um contato próximo da embaixada, Rubem Ribeiro disse aos americanos que o ministro não teria poderes para sobrepujar uma decisão da suprema corte. “Logo, o Ministro Genro fez aquele compromisso sem estar completamente ciente do que ele prometia e do que era legalmente intrínseco a ele aprovar”, descreve o telegrama.</p>
<p>Após encontrarem Rubem Ribeiro, o adido foi ao encontro do assessor para assuntos internacionais do MJ, o embaixador Oswaldo Portella. O diplomata brasileiro também<br />
estava na reunião entre Genro e Sobel e disse que logo após o encontro o ministro<br />
brasileiro teria dito a seu colega que ele havia se expressado mal ao dizer que Abadia<br />
poderia ser extraditado sem as condições impostas pelo STF. Portella então indicou o<br />
secretário executivo do Ministério da Justiça, Rafael Favetti, para mais informações.</p>
<p>Favetti foi contatado no dia 23 de julho e disse que o ministro estava incorreto quando<br />
usou o termo extraditar na reunião com Sobel. “Mas, Favetti indicou, é do próprio<br />
poder do presidente Lula expulsar alguém sem nenhuma consideração ao processo de<br />
extradição ou qualquer demanda por comprometimentos”, explica o telegrama que<br />
ainda relata a preocupação de Favetti com alguma oposição à medida dentro do próprio<br />
ministério em expulsar Abadia, mas que seria algo a se lidar.</p>
<p>Tanto Favetti quanto Portella alertaram os americanos que a expulsão de Abadia poderia prejudicar ainda mais a já frágil relação entre o Executivo e o judiciário. “Se o STF protestar a expulsão do Ministério da Justiça depois do fato, isso poderia potencialmente  impactar sobre os interesses dos EUA no futuro”, descreve a mensagem. Mesmo assim, segundo consta no telegrama, Favetti iniciou o processo de expulsão de Abadia do Brasil.</p>
<p>“Nós podemos planejar e arquitetar a transferência antecipada e nós só acionariamos<br />
a retirada da extradição depois de estarmos certos que o Brasil assinou a ordem de<br />
expulsão.”, planejou Sobel no telegrama descrevendo a segunda opção para solucionar<br />
como sendo a extradição (caracterizada como “a que Washington rejeita”) além da<br />
ordem de expulsão e pede orientações do Departamento de Estado.</p>
<p>Favetti voltou a ter contato com os americanos no dia seguinte com um prognóstico<br />
problemático. O oficial brasileiro encontrou mais resistência à expulsão de Abadia<br />
que esperava. Além disso, esta medida não seria satisfatória para os EUA uma vez que<br />
Abadia só sofreria a ação do processo depois de cumprir 30 anos de prisão no Brasil<br />
para então ser mandado ao seu país de origem, Colômbia.</p>
<p>Além disso, quando Favetti discutiu a questão com Genro que se os EUA optassem pela<br />
expulsão, qualquer conseqüência seria problema dos americanos. “Em outras palavras,<br />
se a expulsão causar problemas para a administração de Lula, seja do judiciário ou da<br />
imprensa, os Estados Unidos iriam levar a culpa assim como o ministro da Justiça irá<br />
desviar qualquer repercussão negativa para a porta da América”, explica o ex-embaxador Clifford Sobel.</p>
<p>Mais problemas &#8211; Para o embaixador americano já era claro que continuar insistindo<br />
na expulsão do narcotraficante iria deixar os EUA numa posição política vulnerável e<br />
atrapalhar futuras extradições e cooperação de inteligência entre as forças policiais de<br />
ambos os países. “Neste ponto, nós não vemos outro curso de ação a não ser assegurar<br />
a remoção de Abadia do território brasileiro que não seja prover as condições que a<br />
Suprema Corte brasileira demandou”, equaciona Sobel.</p>
<p>Poucos meses depois, Sobel temia que a extradição de Abadia seja suspensa em vista das investigações sobre suas atividades no Brasil que ainda se desenvolviam. O telegrama confidencial não possui data de emissão, mas sua desclassificação estava já marcada para o dia 8 de julho de 2018 (talvez o mesmo dia e mês da emissão da mensagem). Segundo o embaixador, as investigações poderiam levar a novas acusações que estariam nos tribunais em alguns dias, tornando a extradição politicamente e burocraticamente mais difícil.</p>
<p>Segundo este telegrama, os americanos levavam ao conhecimento dos brasileiros do<br />
desconforto causado aos EUA por conta das condições da extradição de Abadia. “Além<br />
do mais, nós tomamos nota de que se os Estados unidos decidir por prover as condições<br />
no caso Abadia, o Brasl deveria considerar isto uma circunstância excepcional e que<br />
não deveria esperar que os Estados Unidos iria ter como rotina prover estas condições”,<br />
pontua Sobel.</p>
<p><em><br />
</em><em> </em></p>
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