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	<title>Pública &#187; Tag: #FIFA</title>
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	<description>AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO</description>
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		<title>&#8220;Vou bombar para cobrar mais na Copa&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 10 May 2013 12:00:54 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[De olho no mundial, travestis vão de Fortaleza para São Paulo colocar próteses de silicone através de uma rede de tráfico de pessoas que cresce com a chegada do megaevento]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Muito antes de Fortaleza ser confirmada como cidade sede da Copa do Mundo de 2014, as travestis Carla e Luana*  já trabalhavam nas imediações da imponente Arena Castelão, área histórica de prostituição na cidade. Nas avenidas que rodeiam o estádio e em algumas ruas que adentram os bairros pobres da região, elas, as colegas e prostitutas dividem as calçadas e os clientes em busca de programas que custam de 5 a 50 reais.</p>
<p>Durante a tarde de uma segunda-feira quente e seca, típica de abril nordestino, quando acompanhei o trabalho do pessoal da <a href="http://www.barracadaamizade.com.br/" target="_blank">Associação Barraca da Amizade</a> (ONG que há 26 anos atende e acolhe crianças e adolescentes em situação de rua e desde 2009, a pedido das meninas e meninos, também desenvolve um trabalho de combate a exploração sexual) o movimento não era tão grande – duas prostitutas e três travestis se esgueiravam pelas poucas sombras oferecidas pelos muros altos de uma grande empresa, perto de uma rotatória, fugindo do calor. Carla e Luana descansavam em casa de uma noitada de diversão. Sem cafetinas a quem prestar contas, as duas podem fazer seu horário de trabalho. As que estavam na pista, eram abordadas pelos educadores da Barraca, que distribuem preservativos e gel lubrificante como forma de redução de danos e de aproximação.</p>
<p>“Hoje, além das mulheres e adolescentes, trabalhamos com 30 travestis aqui da área, levando insumos, marcando exames nos postos de saúde, oferecendo cursos profissionalizantes e atendendo a algumas demandas delas. Há pouco tempo nós conseguimos, após articulação com orgãos oficiais, a transferência de um médico que fazia piadas homofóbicas com as travestis de um posto de saúde da região. Esses resultados ajudam a fortalecer essa confiança no nosso trabalho” explica Paulinha, como a assistente é carinhosamente conhecida entre as travestis. Por confiarem em Paulinha, Carla e Luana abriram as portas de sua casa próxima à Arena e me receberam para falar sobre suas expectativas e medos com a chegada da Copa e também sobre um fenômeno que têm crescido com a aproximação do megaevento na cidade:</p>
<h3><strong>A viagem do silicone</strong></h3>
<p>“Eu vou agora em julho para São Paulo botar silicone no peito, 450, 500 ml em cada. Também vou bombar de novo [por mais silicone industrial no corpo]: bunda, quadril, perna e joelho. Aí na Copa eu vou cobrar mais” diz Carla, 25 anos, que há 10 se prostitui no entorno do Castelão, apontando para as partes do corpo que pretende aumentar. “O silicone industrial dói demais, você fica pra morrer! A mulher injeta e vai fazendo uma massagem para ele espalhar. Mas é a dor da beleza, né?” Ela afirma que foi para a “pista” com 15 anos porque quis, assim como a amiga Luana, de 22 anos, que diz ter começado a fazer programas aos 17 também por opção. “Eu fui uma das primeiras a chegar aqui no Castelão. Hoje a coisa está feia, tem muita postituta fumando pedra e isso queima nosso filme. Ao mesmo tempo que a gente espera que a Copa aumente o movimento, tem medo que a polícia queira limpar a área. Você acha que o prefeito vai querer mostrar isso para os gringos?” pergunta. “Mas a gente é atrevida, se me tirarem daqui vou para ali!” Sua deficiência visual parece não atrapalhar o trabalho ou seus planos e nunca é mencionada. “Peitão e bundão chamam a atenção aqui. Em São Paulo não, porque as mariconas sabem que trava que é muito bombada, é mais rodada, preferem as com carinha de menino. Mas aqui no Ceará quem tem peitão é mais procurada” diz entre um comentário e outro sobre a reprise da novela que está passando na televisão.</p>
<p>Luana, que já foi para São Paulo colocar as próteses, explica como funciona: “Tem as cafetinas que levam a gente, pagam a passagem e a operação em uma clínica clandestina. Deve sair uns dois mil reais para elas. Aí ela cobram o dobro ou o triplo e mais uma diária de 30 a 50 reais para a gente morar na casa delas e a gente vai trabalhando para pagar. Trabalha muito, muito mesmo”.</p>
<p>Carla acrescenta: “Eu já fui fazer programa em São Paulo. É bom porque você ganha mais, mas por outro lado você tem que trabalhar de qualquer jeito, mesmo se estiver doente, não importa. Ninguém vai te dar um remédio. Eu já vi umas travestis apanharem de pau de uma cafetina”.</p>
<p>Segundo as duas, o movimento entre as cidades aumenta a cada dia: “Só essa semana, fiquei sabendo de quatro que foram. Mês que vem sei de mais cinco. É muita travesti botando peito” diz Luana. Ela conta que pagou três mil reais por suas próteses de cerca de 400 ml porque era conhecida da cafetina e que ficou oito meses trabalhando em São Paulo para pagar a dívida. Muitas acabam não voltando porque viram dependentes químicas da cocaína &#8211; que ajuda a aguentar o trabalho intenso e é mais acessível na cidade &#8211; e não conseguirem pagar suas dívidas. Uma delas fugiu da casa onde estava e neste momento está desaparecida, como me contaria depois Marcela, que conheci já em São Paulo.</p>
<p>Lídia Rodrigues, outra educadora da Barraca da Amizade, conta que algumas travestis chegam a fazer de 30 a 40 programas por dia em São Paulo e que os educadores têm percebido que este trânsito para a capital paulista está se intensificando: “Não dá para afirmar que é somente por causa da Copa, mas elas sabem que virão muitos turistas e muitos homens para a área. Ao mesmo tempo a gente tem medo de uma higienização massiva. Provavelmente o termômetro disso vai ser a Copa das Confederações”.</p>
<h3><strong>Tráfico de Pessoas</strong></h3>
<p>Lívia Xerez, coordenadora Estadual do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado do Ceará diz que, apesar do discurso das travestis de que fazem a viagem por vontade própria, a situação pode ser considerada sim como tráfico de pessoas.“Por mais que elas não denunciem ou achem que estão indo porque querem, o protocolo de Palermo define o tráfico de pessoas como ‘o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração’. Neste caso, elas seriam as vítimas e os aliciadores os criminosos” explica, referindo-se ao <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5015.htm" target="_blank"><b><span>protocolo da ONU contra o Crime Organizado Transnacional</span></b></a>, que foi ratificado pelo governo brasileiro em 2004.</p>
<p>Ainda há muito preconceito e medo por parte das próprias vítimas em denunciar os aliciadores, diz Livia: “Elas são ludibriadas com promessas de uma vida nova, por vezes luxuosa, de ganhar mais dinheiro e por isso não conseguimos chegar. Muitas também têm medo, talvez por sermos um aparelho oficial, de que serão criminalizadas, quando na verdade elas são as vítimas. Por isso ainda não conseguimos provas de que isso têm aumentado por conta da Copa, apesar de termos fortes suspeitas”.</p>
<p>Outro fator que impulsiona o tráfico é a falta de alternativas profissionais para as travestis, explica Lídia: “Nós temos uma parceria com o programa Vira Vida do SESI, que dá cursos profissionalizantes para elas mas, no fim das contas, quantas empresas contratam travestis? Nós trabalhamos com muitos garotos que nem eram travestis, eram apenas homossexuais, mas foram colocados para fora de casa e apareceu uma cafetina que ofereceu dinheiro caso eles se montassem. Para a juventude não existem políticas públicas em Fortaleza como existem para crianças e adolescentes – que ainda assim são escassas. As travestis têm o discurso da emancipação, como se a prostituição fizesse parte da própria identidade de ser travesti. Mas nem todas estariam ali se tivessem outras opções”.</p>
<h3><strong>&#8220;Me senti como a presidente Dilma&#8221;</strong></h3>
<p>Marcela*, 22 anos, cabe no exemplo dado por Lídia. Após cursos profissionalizantes e várias tentativas de arrumar um emprego, ela acabou indo para a rua. Quando nos encontramos de manhã em um shopping do centro de São Paulo para conversar, a cearense arrastou todos os olhares masculinos para seu belo corpo, comprado através do esquema citado por Carla e Luana. “Vim para São Paulo em abril do ano passado. Paguei o silicone do corpo em três meses, coloquei mais, paguei em um mês e a prótese do peito quitei em 20 dias” orgulha-se a travesti, que trabalha das dez da manhã às nove da noite com pausa para o almoço, em um cinema pornô do centro da cidade. “Chego a tirar oito mil reais por mês mas trabalho muito e não saio nem uso drogas. Todo o meu dinheiro vai para a minha mãe e para o banco porque quero comprar uma casa”.</p>
<p>Marcela conta que descobriu sua homossexualidade aos 13 anos e que por algum tempo escondeu a opção da mãe e das quatro irmãs. “Eu sentia muito medo de como elas e a sociedade iriam reagir. Mas não tinha outro jeito, era quem eu era. Então contei e elas até que aceitaram bem”. Já o processo de travestilidade foi mais difícil: “ Minha mãe ameaçou me botar para fora de casa, dizia que eu nunca iria arrumar emprego, não aceitou”.</p>
<p>Ela conta que chegou a se prostituir aos 17 anos mas que preferia trabalhar. Conseguiu uma bolsa de estudos através do programa Vira Vida e passou um ano e meio estudando de manhã e fazendo o curso a tarde. “Eu sempre gostei de fazer cursos, estudar, queria trabalhar com carteira assinada, nunca quis fazer programa” lembra. Marcela diz que chegou a arrumar um emprego em uma firma de lingerie, mas que foi mandada embora quatro meses depois porque adoeceu “e o patrão não aceitou os atestados médicos”. Daí em diante, aceitou trabalhar recebendo metade do salário de outros funcionarios de uma empresa mas em determinado momento não pôde mais se sustentar com o pouco que ganhava e não achou mais trabalho: “Todas as portas se fecharam para mim. Não tive outra opção a não ser ir para a rua. Se eu pudesse, escolheria outra vida. Como não posso, me concentro e trabalho muito para poder juntar algum dinheiro para um dia abrir um negócio. Vou ficar velha e ninguém mais vai me querer”.</p>
<p>Vaidosa, maquiada e bem vestida, Marcela conta que hoje paga 30 reais a diária para a cafetina dona da casa onde mora e mais 30 reais a diária do cinema, de onde a cafetina é sócia, mas que pretende sair da casa da aliciadora e alugar um quarto com mais três colegas de Fortaleza para poder atender aos clientes durante a Copa.</p>
<p>“Eu tenho anúncios em sites e também quero ir para a rua na época da Copa. São Paulo estará cheia de gringos e mesmo brasileiros de outros estados, quero aproveitar”. Para ter lucros mais altos, Marcela assume que já fez sexo sem preservativo: “Tem gente que paga o dobro e até o triplo do valor para transar sem camisinha, aí eu acabo fazendo. Estou com medo de fazer o exame [de HIV], mas sei que a saúde vem em primeiro lugar” se contradiz.</p>
<p>Após a Copa, Marcela pretende ir para a Europa, ganhar em euro. “Já falei com uma pessoa que leva travestis para lá. Ela cobra 10 mil reais para passar a gente”. Pergunto se ela não tem medo. “Que nada, é a mesma coisa daqui, só que ganhando em euro”. Voltar para Fortaleza, só mesmo de férias, como foi há poucos meses: “Nossa, me senti uma celebridade lá, me senti como a presidente Dilma! Todo mundo vinha falar comigo, ver como eu mudei, até as pessoas que falavam mal de mim viram que eu conquistei”. Com o dinheiro arrecadado na Copa mais o que pretende conseguir na Europa, Marcela pretende aproveitar o sucesso para aí sim voltar para o Ceará e abrir seu negócio. Um salão de beleza ou uma loja de roupas, porque adora moda. Olhando para o relógio, ela se despede. É hora de voltar para o cinema.</p>
<p>*Os nomes foram trocados para segurança das personagens</p>
<blockquote><p> <strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>O que as mulheres têm a ver com a Copa?</title>
		<link>http://www.apublica.org/2013/04/mulheres-tem-ver-copa/</link>
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		<pubDate>Tue, 30 Apr 2013 12:00:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Advogada diz que o tráfico interno de mulheres para a Copa já ocorre em Fortaleza e apresenta documentário inédito, que discute o papel das mulheres no megaevento]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A advogada Magnólia Said conhece a realidade cearense profundamente.  Técnica do Esplar &#8211; Centro de Pesquisa e Assessoria, uma ONG que trabalha nos municipios do semi-árido com atividades voltadas para a agricultura familiar &#8211; desde 1989 trabalha com grupos de mulheres do Estado. Por isso, foi uma das primeiras integrantes da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP), a questionar os impactos do megaevento sobre a vida das mulheres cearenses.</p>
<p>Fortaleza é uma das cidades-sede da Copa e, além de colecionar altos índices de violência doméstica e abuso sexual contra crianças e adolescentes (as denúncias subiram 23% entre 2011 e 2012), é um conhecido alvo de turismo sexual, combatido por programas governamentais que, segundo ela, não se prepararam para a tendência de aumento de casos durante a Copa do mundo.</p>
<p>Em fevereiro deste ano o Esplar lançou, em parceria com a Fundação Heinrich Böll, um <a href="http://www.br.boell.org/downloads/informativoESPLAR.pdf" target="_blank"><b><span style="text-decoration: underline;">folheto informativo</span></b></a> para distribuição e um dvd inédito “Copa 2014 – “O que as mulheres têm a ver com isso?”, que a Pública disponibiliza aqui.</p>
<p>O folheto e o filme chamam a atenção para os efeitos negativos que a Copa pode trazer para a população, destacando o aumento do turismo sexual.“Uma pesquisa do jornal ‘O Povo’ de Fortaleza refere-se ao Brasil como um país à mercê do turismo predatório, destacando que algumas cidades sede, como Natal, Salvador e Fortaleza, têm recebido um grande número de homens solteiros e de maior idade que buscam as cidades para usufruir do que se transformou em um grande comércio do corpo e da vida das mulheres”, alerta o material produzido pela advogada.</p>
<p>Em entrevista,  Magnólia diz que o tráfico de mulheres já é algo real e planejado para a Copa e afirma que as mulheres têm sido vendidas no exterior como um atrativo turístico a mais &#8211; o que os governos federal, estadual e municipal se recusam a admitir. E que a tendência é de aumento da violência contra a mulher durante o megaevento  – inclusive assédio, estupro e violência doméstica.  Leia:</p>
<p><b>O que as mulheres têm a ver com a Copa afinal?</b></p>
<p>Tudo! Se falamos de remoções para a Copa, da mudança no espaço urbano ou de obras de desenvolvimento, as mulhere acabam sendo as mais impactadas. No caso das remoções, por exemplo, quem estabelece  um convívio social com a comunidade é a mulher.  Ela tem as amigas que se encontram nas casas, as vizinhas que revezam os cuidados com as crianças para uma e outra poder trabalhar,  vende paninhos, cosméticos ou vai fazer uma faxina aqui, lavar uma roupa ali, tudo no entorno de casa. Também é ela que gerencia a rotina do lar e fornece a estrutura para o homem trabalhar. Então quando as famílias são removidas, a mulher é mais penalizada.</p>
<p>Além disso, em todas as cidades sede a maioria das ambulantes é mulher. Novamente  elas serão mais impactadas pelas áreas de exclusão da Fifa. E em especial a mulher será a mais impactada  pelos vários tipos de violência. A exploração sexual é um dos tipos.</p>
<p><b>Como isso acontece?</b></p>
<p>A nossa imagem [do Ceará] é vendida lá fora como a de um lugar com belas praias e de um povo acolhedor. Um jornal daqui entrevistou um turista que disse que gostava do Ceará porque era mais fácil de lidar com as mulheres, elas eram mais receptivas. Em um estado como o nosso, que está atravessando uma das piores secas dos ultimos 50 anos, que é extremamente pobre e desigual, com a Copa, as mulheres vão pensar: vou sair da miséria e posso conseguir um dinheiro para manter minha familia, então vou para Fortaleza. Isso já está acontecendo em algumas cidades onde o Esplar trabalha. Nós estamos ouvindo isso de algumas mulheres. Para arrumar um emprego com a Copa ou arrumar um estrangeiro. Estou muito preocupada porque a gente já observou alguns tipos de exploração e de tráfico. O tráfico interno que acontece  dos municipios pequenos para os maiores municipios é muito forte.</p>
<p><b>De que forma?</b></p>
<p>As cafetinas, que têm casas que fazem os programas aqui em Fortaleza,  fazem o aliciamento dessas mulheres do interior. No jornal mesmo existem anúncios propagandeando a alta rotatividade  de mulheres, falando que você já tem sempre a mesma mulher em casa, então o melhor é variar.</p>
<p>Esse tipo de tráfico hoje é mais forte para os municípios praieiros, como Canoa Quebrada. É acintoso. Porque lá é o lugar dos gringos. E essas são mulheres mais jovens, muitas vezes menores de idade, todas muito pobres.</p>
<p><b>E esse tráfico interno pode crescer com a Copa?</b></p>
<p>Pode crescer muito, ainda mais pela situação que nós estamos vivendo de seca e falta de trabalho. As mulheres mais velhas, que precisam sustentar suas famílias, já estão vendo aí uma oportunidade. As mais jovens, querem “arrumar um estrangeiro” e sair da miséria.</p>
<p>É preciso entender o cenário : as políticas  do governo quando chegam, vêm com tanta politicagem que não chegam para quem mais precisa. Ou já tem prioridades mais definidas. Nós temos aqui pertinho de Fortaleza por exemplo, o Complexo Portuário do Pecém. Lá tem siderúrgicas, refinarias, duas termelétricas , então tem que ter água. A água do São Francisco, que aquele ex-presidente disse que serviria para matar a sede de 12 milhões de pessoas, naquela época a gente já alertava que não era para isso. Era para fruticultura, para prover Pecém e Fortaleza. São Gonçalo do Amarante é a cidade do Pecém. Tem 100 comunidades onde chegam somente três carros pipas e em algumas comunidades a água nem chega. A que chega é contaminada. Só agora o governo teve o descaramento de dizer que a água do São Francisco vem para Fortaleza e para Pecém.</p>
<p><b>Então esse é um cenário para que essas mulheres vejam  a Copa como uma oportunidade de mudança de vida e isso é propício para as cafetinas atuarem. Isso já pode ser sentido?</b></p>
<p>Com certeza. Já foram criados até cursos de idiomas para as mulheres atenderem melhor aos turistas! Imagina o que elas estão aprendendo. Uma amiga estava na França com outro amigo estrangeiro, ele iria ligar para o país dele e ela para o Brasil. Eles compraram cartões telefonicos. O dele era comum. No dela tinha uma mulher seminua.</p>
<p><b>E as leis protegem mais os turistas do que os cidadãos, não?</b></p>
<p>Sim, porque existe um complexo de inferioridade. Nós, o estado do Ceará, somos uma cidade de muro baixo. Qualquer pessoa que tenha poder e dinheiro sufoca a gente. Então um homem alto, loiro, bonito e branco, impõe muito mais poder a uma delegada de uma delegacia da mulher, do que uma cidadã que fala português e muitas vezes nem fala o português correto. Ele veio de fora está trazendo dinheiro para o Estado. Existe também esse incentivo fortíssimo no discurso oficial. Toda hora o responsável pela Copa daqui diz que a Copa vai trazer dinheiro para o nosso Estado, e que nosso Estado não pode parar de crescer. E que vai ficar conhecido internacionalmente. Então eu, delegada, vou intimidar um turista que vai trazer dinheiro e contribuir para o crescimento do meu Estado? Não vou. “Deixe por menos”.</p>
<p>E não existe uma estrategia  pensada e efetivada de proteção à mulher [nos megaeventos] não existe hoje nem por parte da prefeitura nem por parte do governo do estado. A Livia Xerez, que é coordenadora do Núcleo Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, disse que chama os órgãos oficiais e eles simplesmente não acreditam que isso possa acontecer. Eu acho que eles fazem de conta que não sabem porque o empresário que vem de fora não pode ser lesado, a proteção maior é para eles.</p>
<p><b>De onde surgiu a ideia de fazer o video?</b></p>
<p>Eu já trabalho com mulheres do campo desde 1989 dando assessoria e formando grupos de mulheres através do Esplar. Quando a gente fez o comitê de Fortaleza,  começou a me incomodar [o fato] de que ninguém falava sobre a questão da exploração sexual ou mesmo dos impactos mais gerais da Copa na vida das mulheres. Falava-se de remoções, mobilidade, mas não se fazia esse recorte nem o recorte racial. Aí a Fundação Boll me procurou um dia, disse que vinha notando minha fala e queria saber se eu queria produzir um material.Fiz o informativo e pensei que a gente comunicaria mais se pudesse conversar com as pessoas sobre isso. No Nordeste, onde atuamos, a coisa é mais complexa. Queremos que isso seja um primeiro passo para uma campanha, pegar alguns jogadores que tenham perfil ético dizendo que eles vêm para a Copa mas são contra a exploração de mulheres.</p>
<p><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/04/esquema_11.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4193" alt="esquema_1" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/04/esquema_11.jpg" width="770" height="1131" /></a></p>
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<p><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/2QJKy0vmxUI?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<blockquote><p><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>Andrew Jennings: Como eu ajudei o FBI a investigar a FIFA</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Apr 2013 12:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sepp Blatter]]></category>

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		<description><![CDATA[Jornalista britânico revela como auxiliou a polícia americana a apertar o cerco contra a corrupção na organização que comandará a Copa do Mundo de 2014 ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A revelação recente de que o FBI está investigando a FIFA deve dar um basta a três décadas de corrupção institucional, personificada nos últimos tempos pelo seu presidente, Joseph Blatter.</p>
<p>Tenho conversado com agentes especiais da Seção de Crime Organizado e Negócios Ilícitos do Departamento de Justiça em Washington e com o Esquadrão de Crime Organizado de Nova York desde que eles me contataram, procurando provas, há cerca de três anos.</p>
<p>Agora, tornou-se público que a polícia americana está investigando “um grande caso” envolvendo corrupção na FIFA. A investigação inclui denúncias de fraude e suborno, e teve início nas confederações de futebol da América Central, América do Norte e do Caribe.</p>
<p>Mas o rastro de dinheiro leva ao quartel-general da FIFA em Zurique, na Suíça. Fontes não oficiais confirmaram que Daryan Warner, filho mais velho do famigerado ex-vice-presidente da FIFA, Jack Warner – que hoje é Ministro da Segurança Nacional em Trinidad e Tobago, no Caribe – tornou-se uma testemunha em cooperação com a investigação do FBI. Warner Jr. está morando na Flórida nos últimos tempos, e claramente não está livre para deixar os Estados Unidos. O FBI ainda não divulgou que indícios tem contra ele, mas é provável que seja algo substancial o bastante para que ele quebre a confiança do seu pai em troca de redução de tempo de prisão.</p>
<p>Daryan Warner, o filho, sempre foi o “administrador” do dinheiro, organizando a lavagem e ocultação de subornos e de todo tipo de atividade ilícita de seu pai no futebol – desviando verbas, negociando ingressos da Copa do Mundo e embolsando subornos vultosos de países que sonham sediar uma Copa do Mundo. Warner trabalhava de maneira orquestrada em Nova York com seu parceiro e membro do comitê executivo da FIFA, Chuck Blazer.</p>
<p>A carreira de Jack Warner, o pai, na FIFA, começou a estremecer em maio de 2011, quando ele foi pego com um milhão de dólares para suborno, distribuídos em envelopes de 40 mil dólares em dinheiro vivo para entregar a associações de futebol caribenhas. O objetivo era persuadi-las a votar em Mohamed Bin Hammam, que concorria à presidência da FIFA contra o atual presidente Joseph Blatter. Na época Chuck Blazer “dedurou” Warner para a FIFA – mas logo ele mesmo se envolveu em alegações de corrupção muito bem documentadas.</p>
<h3><strong>Para onde vai a investigação do FBI? </strong></h3>
<p>Para começar, eles não estão sozinhos. Há 18 meses corre uma investigação paralela feita por autoridades tributárias americanas, o Serviço Interno de Receita (IRS, em inglês). A investigação secreta vai de Port of Spain, em Trinidad e Tobago, ao luxuoso prédio comercial Trump Tower, na Quinta Avenida em Nova York, até as Ilhas Cayman, Miami, Zurique na Suíça, seguindo até o Golfo Pérsico. As autoridades americanas tiveram cooperação com polícias de Londres e da Suíça.</p>
<p>O roubo em escala industrial cometido por Warner e Blazer está entremeado à estrutura da FIFA. A dupla abominável foi repetidamente encorajada a pilhar garantias e ingressos da Copa do Mundo. Em troca, conseguiam votos para manter Blatter no poder.</p>
<p>Amantes do futebol sonham que o FBI acabe achando razões para estender sua investigação ao império africano de Issa Hayatou e ao resto da FIFA.</p>
<p>Enquanto o FBI espalha suas teias, membros da FIFA em Zurique devem procurar seus advogados para saber o que dizer quando os policiais baterem às suas portas. Se eles lidaram com pagamentos corruptos autorizados por Blatter ou pelo secretário-geral Jerôme Valcke, seria sensato seguir o exemplo de Daryan Warner e se tornar também testemunhas colaboradoras em vez de se arriscar à extradição ou prisão.</p>
<p>Funcionários honestos dentro da FIFA poderiam denunciar outros nomes. Afinal, seria injusto que apenas Warner e Blazer fossem presos por conta da pilhagem da FIFA. Nos últimos anos, mais da metade comissão executiva da FIFA estava envolvida com atividades duvidosas.</p>
<p>O FBI tem mostrado interesse em investigar, por exemplo, a escolha do Qatar como sede da Copa do Mundo de 2022. Os agentes obtiveram informações muito específicas a esse respeito. Outro grupo de investigadores trabalhando em conjunto com o FBI está de olho em uma outra grande decisão da FIFA – desta vez sobre ingressos.</p>
<p>Após as revelações em 2010 feitas por jornalistas britânicos do Sunday Times e da BBC sobre corrupção no alto escalão da FIFA, Blatter deveria ter sido despejado do poder e ter seus negócios financeiros devassados. Em vez disso, ele conseguiu escapar com o anúncio de investigações “independentes” dentro da FIFA – sempre controladas por ele.</p>
<p>Agora, desde dezembro do último ano, blogueiros de Trinidad têm gritado ao mundo que Daryan Warner, filho de Jack, foi preso no aeroporto de Miami carregando uma sacola de dinheiro. O valor relatado varia de US$ 100 mil a US$ 750 mil, dependendo do blog. Alguns dizem que o outro filho de Jack, Daryl Warner, também foi preso. No início de março, apesar de ameaças de Jack Warner, até mesmo a cautelosa grande imprensa de Trinidad começou a publicar matérias sobre “o filho de um membro de gabinete” preso em Miami por acusação de lavagem de dinheiro.</p>
<p>Um efeito colateral deste escândalo pode ser o fim da administração cada vez mais absurda da primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar, de Trinidad e Tobago, que indicou Warner para tomar conta da polícia (sim, é sério) e do exército (sério!) – apesar dele ter rapidamente saído da FIFA antes das investigações progredirem.</p>
<p>Por conta dos milhões de dólares que Warner gastou comprando vitórias nas urnas para o seu partido (UNC), Kamla lhe deu carta branca para perseguir oponentes e indicar aliados incompetentes para altos cargos no governo. As últimas revelações de corrupção em Trinidad mostram que Warner criou secretamente, com verba do governo, sua própria milícia privada, similar aos <em>Ton Ton Macoutes</em> do Haiti.</p>
<h3><strong>Com a bênção da imprensa britânica</strong></h3>
<p>Mas o próximo alvo da investigação do FBI talvez seja o prestigioso jornal britânico Financial Times, que promove conferências de negócios e acabou de anunciar um “Encontro de Negócios de Futebol” a ser realizado no Rio de Janeiro, em junho.</p>
<p>A grande atração será o presidente da FIFA, Joseph Blatter.</p>
<p>O evento do Financial Times no luxuoso hotel Copacabana Palace será organizado pela empresa International Football Arena, sediada em Zurique, responsável por encontros de futebol onde repórteres passivos, donos de clubes e potenciais patrocinadores pagam para se enturmarem com Blatter.</p>
<p>O homem responsável pelas relações públicas, Peter Hargitay, apresenta todos os presentes enquanto seu filho, Stevie, ocupa-se dos apertos de mão na entrada.</p>
<p>No site do encontro do Financial Times, Stevie está listado como “Contato de patrocínio”. Em sua conta de twitter, ele se descreve como um “linguista da astúcia” e produtor de cinema. Um de seus filmes, o épico “Minas curtem caras gays”, ensina como fingir ser homossexual para que as “minas” fiquem afim de você.</p>
<p>O correspondente de esportes do Financial Times, Roger Blitz, vai comandar a conferência.</p>
<p>Como jornalista, ele tem oportunidades de ouro!</p>
<p>Podia pedir para o palestrante principal, Blatter, esclarecer sobre a investigação do FBI e como US$ 100 milhões em subornos envolvendo uma empresa de marketing foram lavados em Liechtenstein para líderes da FIFA.</p>
<p>Ou então Blitz poderia perguntar se o coração de Blatter alterou-se quando ele descobriu um suborno de um milhão de francos suíços para o ex-presidente da FIFA, João Havelange, sendo lavado por meio de uma conta da organização, em 3 de março de 1997.</p>
<p>Blitz também poderia sugerir ao evasivo Peter Hargitay que revele à plateia o nome dos membros da FIFA que ele planejou subornar com 4 milhões de libras da Associação Inglesa de Futebol, em troca da Inglaterra sediar a Copa do Mundo. Ou que entretenha a platéia com histórias de seus sete meses  de prisão em Miami por tráfico de cocaína.</p>
<p>Entre seus muitos negócios, Hargitay também mantém uma agência de detetives particulares, a AB Investigation, que promete a seus clientes “vigilância em nível governamental” e até mesmo “intervenção física de acordo com os interesses de clientes corporativos”. Um negócio anterior de Hargitay garantia poder hackear contas de bancos.</p>
<p>Quando os escândalos envolvendo subornos começaram a aparecer em 2002, Blatter contratou Peter Hargitay para corromper o jornalismo inglês. Hartigay se gaba de desviar os repórteres dos problemas de seus clientes. E fez um grande trabalho em Londres. A maioria dos repórteres de esportes ignoraram o escândalo da empresa de marketing esportivo ISL.</p>
<h3><strong>O que eu informei aos agentes do FBI </strong></h3>
<p>Tem sido uma longa espera até o FBI tomar uma atitude. Nos anos em que mantivemos contato, eu entreguei documentos provando que dirigentes da FIFA receberam subornos e lhes apresentei fontes com informações de primeira mão. Mantivemos longas ligações telefônicas e trocamos cerca de 100 emails.</p>
<p>Depois que eu contei sobre informações confidenciais disponíveis na Suíça, eles estabeleceram contato com autoridades criminais suíças sob o Tratado de Assistência Mútua.</p>
<p>Durante uma conferência em Miami em 2010, onde contei sobre a corrupção na FIFA e as evidências de que a organização operava como uma família do crime organizado, tive ainda uma longa conversa com um conselheiro sênior do Serviço Interno de Receita do governo americano. Tanto os organizadores do evento quanto eu fomos ameaçados por advogados da FIFA antes da conferência.</p>
<p>A última vez em que encontrei com o FBI cara a cara foi em um escritório particular perto da embaixada americana em Londres, na semana anterior às Olimpíadas de 2012. Mais uma vez, pude lhes entregar documentos cruciais. Eles me disseram que um dos documentos era “particularmente útil para seus objetivos”. Tratava-se de uma lista de subornos envolvendo muitos dos membros principais da FIFA. E disseram que, “enquanto o processo judicial parece glacial, as coisas estão progredindo”.</p>
<p>Nos últimos dois anos, enquanto Blatter tem persuadido jornalistas ingênuos a publicar matérias redentoras sobre seu programa de “reformas” da FIFA, investigadores de agências federais em Washington e Nova York têm juntado provas de corrupção relacionadas às votações para sedes da Copa do Mundo.</p>
<p>A possibilidade de novas votações para as Copas de 2018 e 2022 não pode ser descartada. Se for comprovado suborno, isso pode manchar a próxima.</p>
<p>Parece que o Congresso da FIFA coreografado por Joseph Blatter nas ilhas Maurício, no fim de maio, será dos mais agitados. O presidente da FIFA está montando o evento num local muito caro para a maioria da imprensa esportiva e estrangeira. Se os agentes do FBI estiverem trabalhando bem nos bastidores, será difícil levar a sério essa festança.</p>
<p>Afinal, se Blatter ainda estiver livre para comparecer, terá que fingir que tudo está bem e que o FBI é apenas um “inconveniente”.</p>
<p><strong><em>* Pesquisa adicional: Karrie Kehoe</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Blatter, Grondona e Teixeira: malas e depósitos suspeitos</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Mar 2013 12:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jornalista britânico Andrew Jennings, parceiro da Pública, conta o caso do dinheiro enviado pela FIFA à Arábia Saudita e a história da mala de 400 mil dólares de Ricardo Teixeira]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das primeiras coisas que Sepp Blatter fez ao assumir a presidência da FIFA, em 1998, foi abrir os cofres para um país que apoiou financeiramente sua campanha.</p>
<p>Ele não tinha dinheiro suficiente para pagar a dívida com esse país, mas a FIFA tinha. Então Blatter bateu um papinho com seu fiel escudeiro e cabeça do Comitê de Finanças da entidade, o malandro Julio Grondona (também presidente da Associación de Fútbol Argentino, a AFA,  a CBF argentina), e sem contar nada a ninguém eles repassaram 470.000,00 francos suíços (cerca de US$ 680.000,00) para alguém na Arábia Saudita, um dos países mais ricos do mundo.</p>
<p>Blatter afirmou que o dinheiro foi repassado para cobrir um “excesso de gastos” do ano anterior, quando a Arábia Saudita sediou a Copa das Confederações. Mas acontece que esta competição, conhecida como Copa do Rei Fahd, havia sido inteiramente bancada pelos sauditas sem custos para a FIFA.</p>
<h3><strong>Desonestos</strong></h3>
<p>Poucos na FIFA tem reputações financeiras mais duvidosas do que Blatter e Grondona. Eles contaram à empresa de auditoria KPMG, em 1999, a historinha – difícil de acreditar &#8211; de que o dinheiro tinha ido para a Arábia Saudita. Nesse caso, quem teria recebido o dinheiro? Ninguém sabia de nada porque os demais membros do Comitê de Finanças não haviam sido consultados sobre o pagamento.</p>
<p>No Relatório de Gestão confidencial feito pela KPMG, o ingênuo auditor Fredy Luthiger – sempre bem cuidado e cortejado por Blatter em Copas do Mundo – murmurou que, no futuro, o Comitê de Finanças deveria consultado para aprovar “pagamentos como aquele”.</p>
<p>Blatter, sem dúvida sorrindo, aparentemente concordou . Mas na prática ignorou aquela recomendação, mantendo até os dias atuais o direito de ser o único que assina os cheques da FIFA.</p>
<p>As contas bancárias offshores e secretas de Grondona &#8211; reveladas em um vídeo gravado por uma associação comercial, depois tirado de circulação -, estão sendo investigadas agora pela polícia argentina. O repórter alemão Jens Weinreich fez os cálculos: o dinheiro depositado nas várias contas bancárias, a maioria delas situada na Suíça, alcança a assombrosa quantia de US$ 121 milhões. Grondona se recusa a dizer de onde veio esse dinheiro.</p>
<h3><strong>Lavanderia de dinheiro</strong></h3>
<p>Era um dia normal no escritório do Departamento de Finanças da FIFA. De repente entrou o membro do Comitê Executivo, Ricardo Teixeira, carregando uma mala grande e pesada. “O que podemos fazer pelo senhor?”, lhe perguntaram.</p>
<p>Teixeira abriu a mala e despejou espantosos US$ 400.000,00 em dinheiro vivo! Ele disse que era um pagamento adiantado à CBF para cobrir os custos da participação na Copa do Mundo de 1998, na França. Ninguém no Departamento de Finanças ousou perguntar por que Teixeira estava carregando tal volume em dinheiro vivo, nem onde ele tinha conseguido aquilo – ou o que estava fazendo com aquela mala em 2000, 18 meses depois do fim da Copa de 1998.</p>
<p>Se aquilo já era muito esquisito, logo ficaria ainda mais. Teixeira disse aos membros do Departamento de Finanças que queria que eles pegassem o dinheiro e o transferissem para a conta da CBF. Os funcionários ficaram confusos – eles responderam que aquele valor já havia sido pago à confederação. Mas quando  checaram, não havia registro de entrada do dinheiro na CBF.</p>
<p>Os funcionários então concordaram em depositar o dinheiro para a CBF – mas insistiram que o valor fosse para a conta da confederação e registrado como um pagamento. “Ah não”, disse Teixeira, “não é isso que eu quero.”<span style="font-size: 13px;">Em vez disso, ele pediu para que lhe devolvesse o valor, mas desta vez em um cheque. Surpreendentemente, foi atendido. </span></p>
<p><span style="font-size: 13px;">Naquele momento, a sede da FIFA passou de casa oficial do futebol à lavanderia de dinheiro ilegal.</span></p>
<p>Alguns dias depois Teixeira mudou de ideia, voltou ao escritório da FIFA, devolveu o cheque e pediu o seu dinheiro de volta. Surpreendentemente, o Departamento de Finanças da FIFA concordou e deu a ele US$ 400.000,00 de volta em uma mala.</p>
<h3><strong>Polidamente escandalizada</strong></h3>
<p>O que aconteceu depois? O dinheiro era realmente ligado à Copa do Mundo? Para onde foi o dinheiro? Teixeira e o Departamento de Mídia da FIFA se recusam a dizer.</p>
<p>A história está enterrada na página 19 do Relatório de Gestão Anual – secreto &#8211; enviado ao presidente Joseph Blatter em 2000 pelos auditores da FIFA, o braço de Zurique da empresa KPMG.</p>
<p>A KPMG ficou polidamente escandalizada e recomendou que pagamentos em dinheiro só fossem feitos por “pessoas autorizadas”. Blatter fez cara de paisagem e concordou com a recomendação.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 490px"><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Relatório_KPMG_2000.jpg"><img class="size-full wp-image-3882 " title="Relatório KPMG" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/03/Relatório_KPMG_2000.jpg" alt="" width="480" height="522" /></a><p class="wp-caption-text">Relatório de gestão prévio da revisão de 2000<br />Pagamentos a terceiros<br />Identificação e impactos<br />O presidente da Federação Nacional brasileira filiada à FIFA [CBF] deixou uma quantia de 400.000 dólares com a solicitação de que ela fosse transferida para a própria Federação. De acordo com as informações dele, este valor era um pagamento adiantado referente à Copa do Mundo de 1998, valor o qual era destinado a todas as seleções participantes. Segundo a FIFA, o montante já havia sido pago à época da Copa e também havia sido devidamente transferido à conta final em Azbug. O pagamento não fora, contudo, registrado pela Federação Nacional brasileira. O presidente da federação brasileira retornou, então, com um pedido para que o valor fosse encaminhado para a entidade.<br />A FIFA declarou estar disposta a fazer o pagamento, mas apenas sob a condição de que a transação para a conta corrente da associação fosse reconhecida como pagamento para o presidente da Federação Nacional brasileira e, em seguida, a remessa poderia ser feita. Contudo, isto não foi aceito pelo presidente. Ele requisitou então um cheque assinado pela FIFA com a quantia, o que lhe foi concedido. A intenção era que o crédito do valor em cheque fosse posteriormente pago em dinheiro com a quantia do primeiro depósito feito à CBF. Depois de alguns dias, no entanto, o presidente da federação pediu para cancelar toda a transação e solicitou o montante em dinheiro vivo. O pedido dele foi aceito.<br />Sugestão<br />Recomendamos que os pagamentos em dinheiro só sejam feitos por pessoas autorizadas. Temos consciência de que, por várias razões diferentes, nem sempre isso é possível. Geralmente é recomendável pagar em cheque &#8211; pagamentos em dinheiro devem ser feitos ao menor número de pessoas possível.<br />Comentários sobre a recomendação<br />Combinado.</p></div>
<div></div>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>A conta secreta 1663</strong></h3>
<p>Imagine ter uma conta bancária <em>offshore</em> livre de qualquer fiscalização tributária para depositar todo o dinheiro que conseguiu com todo o tipo de atividades questionáveis.</p>
<p>Quer gastar o dinheiro? É fácil: você exige pacotes de dinheiro vivo dos contadores subservientes. Eles nunca serão um problema porque você é o patrão deles! Soa esquisito, mas vá por mim: fica ainda melhor!</p>
<p>Você gasta parte do dinheiro no país onde o banco está situado, (sim, na Suíça, muito bem, leitores!) comprando para si mesmo alguns presentes extravagantes – talvez um Mercedes antigo que o banco gentilmente registra no nome dele para protegê-lo de fiscais da alfândega na sua volta para casa.</p>
<p>Aí você pega um voo para a sua casa com o dinheiro guardado na roupa de baixo – ou na calcinha da sua namorada. Isso acontece.</p>
<p>Você viaja de primeira classe, é recebido por limusines com chofer e pode ter um passaporte diplomático. Dificilmente você será parado por oficiais da alfândega em busca de narco-dólares ou dinheiro suspeito proveniente de lavagem de dinheiro.</p>
<h3><strong>O mundo isento de impostos da FIFA</strong></h3>
<p>Seja bem-vindo ao mundo louco e isento de impostos dos 23 homens do Comitê Executivo da FIFA e ao modo como eles ficam ricos através do futebol. Hoje nós apresentamos o estranho mundo do brasileiro “Vigarista” Ricardo Teixeira&#8230; e a sua conta secreta na FIFA, número 1663.</p>
<p>Vamos voltar ao verão de 1998. Ricky Vigarista vinha dando duro no trabalho de explorar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ele merecia umas férias e onde seria melhor do que a Cidade do Amor?</p>
<p>Mas como ele conseguiria alguém para pagar a conta e ir para Paris? Em um armário na sala dos fundos de sua casa, no Rio, ele achou a taça da Copa do Mundo ganha por Romário (ugh, o Vigarista odeia aquele homem) e pela Seleção Brasileira em 1994.  A taça teria de ser devolvida à FIFA e o Vigarista estava planejando mandá-la por FedEx ou DHL.</p>
<p>Mas&#8230; se ele pusesse a taça na sua bagagem, ele poderia arranjar um voo de primeira classe pago pela FIFA &#8211; um dos luxos que os membros do Comitê Executivo consideram direito deles. E como chefe da CBF, ele poderia cobrar o valor da viagem da confederação também, duplicando o seu dinheiro. Boa!</p>
<p>Teixeira cobrou US$ 5.700 da CBF pelo voo. E não foi fácil devolver o troféu: de acordo com o que registrou nos pedidos de reembolso, ele levou dez dias para achar alguém, qualquer um, que aceitasse recebê-lo. As diárias dos membros do Comitê Executivo em 1998 eram de US$ 200 – e ele embolsou mais US$ 2.000!</p>
<p>Com suas férias encerradas, Teixeira começou de novo a marcar reuniões com a FIFA , depois um congresso, e aí começou o mês dos jogos da Copa do Mundo.</p>
<p>Tudo que embolsou foi para a conta de número 1663, onde já havia dinheiro proveniente de fontes duvidosas – do comércio ilícito de ingressos para a Copa do Mundo, por exemplo. Há muito mais recursos requisitados para despesas de viagem e hospedagem – a FIFA não pede recibos – e dinheiro desviado das doações destinadas às federações nacionais.  Outros membros do Comitê Executivo, que estavam na Suíça para outros negócios, incluíam Zurique na rota para que a FIFA fosse induzida a pagar a conta.</p>
<h3><strong>Casa segura para dinheiro sujo</strong></h3>
<p>O ex-presidente da FIFA, João Havelange, embolsando milhões em propina da companhia de marketing ISL sozinho, não ia causar problema algum. Em todo o caso, naquela época ele era o sogro do Vigarista e tinha mostrado ao seu garoto como sugar o leite da ISL. Para manter a sua gangue do Comitê Executivo feliz, o novo presidente Blatter (cuja conta é a de número 469), logo elevou as ajudas de custo diárias a US$ 500 e criou um novo subsídio de US$ 200 ao dia para parceiros.</p>
<p>Onde Teixeira iniciou sua jornada rumo a Paris? De acordo com a sua conta número 1663, parece que ele estava em Pago, na Samoa Americana. Uma rápida passagem em um local como a Samoa, onde há tempos o dinheiro sujo tem uma casa segura.</p>
<blockquote><p><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
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		<title>Comitês populares denunciam remoções forçadas na ONU</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Mar 2013 11:00:40 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Violações de direitos, remoções forçadas, pressão por parte da Fifa e COI foram algumas das denúncias feitas pela ANCOP na 22ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Na manhã desta segunda-feira (4), a ONU recebeu uma visita inédita: a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP), que reúne os comitês populares de todas as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, foi até Genebra denunciar as remoções forçadas e violações de direitos que estão ocorrendo no Brasil por conta dos megaeventos de 2014 e 2016.</p>
<p>A representante da ANCOP, Giselle Tanaka, falou depois da apresentação do novo relatório da Relatoria Especial da ONU sobre Direito à Moradia Adequada pela urbanista Raquel Rolnik durante a 22ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.</p>
<p>Giselle destacou que “a realização destes eventos esportivos [Copa e Olimpíadas] no Brasil poderia ter criado a possibilidade de viabilizar significativos investimentos sociais e na infraestrutura”. Na opinião da ANCOP, porém, os altos investimentos dispendidos para sediar os megaeventos vêm a aprofundando a desigualdade social e as violações de direitos no país. “Isto parece ser um tema comum relacionado aos megaeventos e megaprojetos: servir ao lucro de uns e causar prejuízo a milhões”, disse.</p>
<p>A falta de políticas públicas para a prevenção de exploração sexual de mulheres e adolescentes, o aumento de restrição ao trabalho informal e do pequeno comércio, a construção de estádios caros e sem utilidade futura (o que implica em redução de outros investimentos públicos), além da ameaça de remoção de aproximadamente 170 mil pessoas foram algumas das denúncias feitas pela ANCOP.</p>
<p>Três reportagens da Pública foram usadas como referência na argumentação de Giselle na ONU:</p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/04/copa-nao-e-para-pobre-os-ambulantes-zonas-de-exclusao-da-fifa/" target="_blank">Os ambulantes e as zonas de exclusão da Fifa</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2013/02/francisca-perdeu-tudo-por-estar-caminho-da-transoeste-veja-minidoc/" target="_blank">Francisca perdeu tudo por estar no caminho da Transoeste</a></p>
<p><a href="http://www.apublica.org/2012/06/elisangela-chegou-tempo-de-ver-sua-casa-cair-veja-minidoc/" target="_blank">Elisângela viu sua casa cair</a></p>
<p>Leia abaixo, em português, o discurso na íntegra e veja o vídeo da intervenção na Comissão de Direitos Humanos da ONU:</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/lEAheBRIAzg" frameborder="0" width="640" height="360"></iframe></p>
<p><em>Violações ao direito a moradia no contexto dos Mega Eventos no Brasil</em></p>
<p><em>Apresentação oral feita na ocasião da apresentação do relatoria do Relatoria Especial pelo direito à</em><br />
<em> Moradia Adequada.</em></p>
<p><em>Conselho de Direitos Humanos da ONU – 04/03/2013</em></p>
<p><em>Obrigado Senhor Presidente</em></p>
<p><em>Conectas, em parceria com a Articulação Nacional dos Comitês Populares</em><br />
<em> da Copa e Olimpíadas, a Rede Jubileu Sul e a Wittnes gostariam, respeitosamente</em><br />
<em> de chamar vossa apresentação para os graves problemas sociais, abusos aos direitos</em><br />
<em> humanos e remoções forçadas de milhares de famílias que ocorrendo no Brasil em</em><br />
<em> virtude da preparação para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.</em></p>
<p><em>A realização destes eventos esportivos no Brasil poderia ter criado a</em><br />
<em> possibilidade de viabilizar significativos investimentos sociais e na infraestrutura</em><br />
<em> do Brasil. Infelizmente, estes investimentos têm sido mal planejados, extremamente</em><br />
<em> custosos <a href="] http://clickeaprenda.uol.com.br/portal/mostrarConteudo.php?idPagina=26909">[1]</a> e, em virtude das pressões da FIFA e do COI, resultado em enormes</em><br />
<em> problemas para as comunidades locais. Na verdade, isto parece ser um tema comum</em><br />
<em> relacionado aos mega eventos e mega projetos: servir ao lucro de uns e causar prejuízo a</em><br />
<em> milhões.</em></p>
<p><em>Dentre outros problemas, não existe política pública para prevenir a exploração</em><br />
<em> sexual de mulheres e adolescentes, <a href="http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2012/12/15/as-vesperas-da-inauguracao-do-estadio-jovens-se-prostituem-ao-redor-do-castelao-por-r-10.htm">[2]</a>, há aumento da restrição ao direito ao trabalho</em><br />
<em> informal e de pequenos comerciantes <a href="http://www.apublica.org/2012/04/copa-nao-e-para-pobre-os-ambulantes-zonas-de-exclusao-da-_fa/">[3]</a>, a criação de leis especiais que destroem</em><br />
<em> direitos historicamente adquiridos pela população <a href="http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/60339/com+leis+proprias+megaeventos+criam+%27estado+de+excecao%27+dizem+especialistas.shtml">[4]</a>, a construção extremamente</em><br />
<em> cara de estádios sem utilidade futura resultando em redução de investimento em áreas</em><br />
<em> cruciais como saúde e educação.</em></p>
<p><em>Tem sido noticiado que <a href="http://www.portalpopulardacopa.org.br/index.php?option=com_k2&amp;view=item&amp;id=198:dossi%C3%AA-nacional-de-viola%C3%A7%C3%B5es-de-direitos-humanos">[6]</a> os dois eventos são responsáveis diretos pelas</em><br />
<em> remoções forçadas ou ameaça de remoções de mais de 170 mil pessoas. Isto</em><br />
<em> corresponde a quase 1 em cada 1.000 brasileiros estão ameaçados de perder suas</em><br />
<em> moradias por conta de jogos que não durarão sequer um mês cada. <a href="http://www.apublica.org/2013/02/francisca-perdeu-tudo-por-estar-caminho-da-transoeste-veja-minidoc/">[7]</a>. Trata-se de</em><br />
<em> um êxodo forçado, de interesse da especulação imobiliária, que alcança proporções</em><br />
<em> alarmantes em uma das cinco maiores populações do mundo.</em></p>
<p><em>Delegados</em></p>
<p><em>Isto não é novo para este Conselho. A Articulação Nacional dos Comitês</em><br />
<em> Populares da Copa, já submeteu denúncias para a Relatoria especial e o UPR. Estas</em><br />
<em> denúncias serviram de bases para:</em></p>
<p><em>a) Resolução 13/2010 sobre Megaeventos e direito a Moradia;</em><br />
<em> b) Duas cartas sobre o tema (em 2011 e 2012) da Relatoria Especial para o Governo do</em><br />
<em> Brasileiro, sem que este respondesse satisfatoriamente;</em><br />
<em> c) Recomendações específicas deste conselho ao governo do Brasil durante seu</em><br />
<em> encontro de maio de 2012.</em></p>
<p><em>Dado o silêncio do Governo Brasileiro, com a iminência da Copa das</em><br />
<em> Confederações e a quase um ano da Copa do Mundo, tememos que os abusos aos</em><br />
<em> direitos humanos possam se agravar no Brasil, enquanto aumenta a violência das</em><br />
<em> remoções forçadas.</em></p>
<p><em>Excelências,</em></p>
<p><em>Nós imploramos a este conselho que diga ao Governo Brasileiro que PARE</em><br />
<em> IMEDIATAMENTE as remoções forçadas e, em parceria com as comunidades afetas,</em><br />
<em> crie um Plano Nacional de Reparações às remoções forçadas e um protocolo que</em><br />
<em> garante os direitos humanos em caso de remoções causadas por projetos ligados a Mega</em><br />
<em> Projetos, e à Copa do Mundo e Olimpíadas.</em></p>
<p><em>Obrigado.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>“Vamos retroceder 15 anos sem o Célio de Barros”</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Mar 2013 12:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O velocista Nelsinho conta a luta para impedir a derrubada do estádio de atletismo vizinho ao Maracanã, num país que menospreza "esporte de negros" ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>De Célio de Barros ele entende. Ex-velocista de 100, 200 metros e de revezamento 4&#215;100 metros, Nelson Rocha dos Santos tem sua história pessoal vinculada ao estádio de atletismo colado ao Maracanã. Ali treinou durante anos antes de ser campeão estadual, brasileiro, sul-americano e mundial. Depois, como diretor técnico da FARJ (Federação de Atletismo do Estado do Rio de Janeiro), preocupava-se em manter o estádio em boas condições para os atletas. Hoje, Nelsinho, como é conhecido, divide suas atividades como professor de educação física entre a rede municipal de ensino e a academia da Polícia Militar. No Célio de Barros, continuava dando aulas para crianças de um projeto social.</p>
<p>Com essa história, não admira a indignação de Nelsinho diante da anunciada demolição do Célio de Barros como parte das obras de reforma do Maracanã. “Estamos retrocedendo 15 anos no mínimo. Em pleno ciclo olímpico”, diz referindo às próximas Olímpiadas no Rio de Janeiro. Resistindo ao desastre iminente, Nelsinho trabalha em uma articulação entre a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), a IAAF (International Association of Athletics Federations) e a FARJ para defender a permanência do estádio.</p>
<p><strong>Vamos começar pelo básico: qual é a importância do estádio Célio de Barros para o atletismo do Rio de Janeiro e do Brasil?</strong></p>
<p>O estádio Célio de Barros foi concebido para fazer parte do complexo do Maracanã. E foi assim porque técnicos e atletas das gerações anteriores fizeram por onde com seus rendimentos. Gente como José Telles da Conceição, a nossa primeira medalha olímpica no atletismo; Aída do Santos, a primeira mulher a ficar em quarto lugar na Olimpíada e a única mulher da delegação em Tóquio (1964); além de outros que lutaram para que o esporte se elevasse à categoria atual. O Célio de Barros foi um reconhecimento. E foi feito de maneira simples, com pista de terra e arquibancada de madeira. Depois, ele foi reconstruído e fizeram o que é hoje &#8211; puseram as pistas de material sintético, por exemplo. Isso já com a minha geração presente: João Carlos Oliveira, Rui da Silva, Silvina das Graças, José Eusébio, pessoas de um talento imenso. Quando foi erguido era disparado o melhor da América Latina. Ainda hoje ele é importantíssimo e um dos mais modernos. A geração atual, que está prestes a fazer história, vai perder esse equipamento. É a minha filha, a Evelyn (dos Santos, velocista), a Rosângela (Santos, velocista), o Aldemir (da Silva Júnior, velocista)&#8230; Há atletas que estão se preparando para as Olimpíadas e atletas que treinam lá saindo de uma opressão social muito grande; aquele estádio é cercado de comunidades ocupadas pelas UPPs, e as crianças dessas comunidades vão lá treinar. O atletismo é praticado em sua grande maioria por pessoas humildes. Nós aqui estamos perdendo esse equipamento que é o único no estado. O único. E o cara vai derrubar, vai demolir para fazer um estacionamento. Não tem sentido! Tenho vídeos e sei de projetos que foram feitos, inclusive com a participação do governo do Estado, da Emop (Empresa de Obras Públicas, órgão do estado do Rio), mostrando como ficaria o Maracanã em 2014 com o entorno todo preservado: com o Célio de Barros, o Júlio Delamare&#8230; Então é mentira quando o nosso secretário da Casa Civil (Régis Fitchner) diz que o projeto do Maracanã sempre foi esse. E a demolição será uma perda irreparável para o atletismo do Rio de Janeiro e do Brasil. (<a href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&amp;v=uOt3NnuqBwU">Veja aqui o vídeo</a> que mostra o projeto da Prefeitura do Rio para o Maracanã. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Au2_pgOoJPU&amp;feature=youtu.be">E aqui o vídeo do projeto do governo do estado do Rio</a> para o estádio)</p>
<p><strong>Há muitos atletas de ponta que treinam, ou treinavam, lá no Célio de Barros regularmente?</strong></p>
<p>A Evelyn, que é a minha filha, vai lá duas vezes na semana. A Rosângela treina em outra pista, mas de vez em quando ela também está lá porque o piso do Célio de Barros é mais suave. E o Aldemir, outro com índice olimpíco do Rio de Janeiro, treina lá todos os dias, assim como outros meninos que em 2016 poderão estar disputando uma vaga. É um equipamento fundamental não só para os atletas que estão lá como para a geração que está por vir. Nem todo atleta treina no Engenhão. [O Célio de Barros] é o único estádio em condição de realizar competições com conforto e segurança aqui no Rio. Desafio alguém a mostrar outro equipamento desse nível no estado.</p>
<p><strong>Houve algum diálogo anterior do governo do Estado com as federações de atletismo para apresentar o projeto previsto para o Célio de Barros? Como foi o diálogo?</strong></p>
<p>Não houve nada. Diálogo nenhum. Foi uma coisa surpreendente. Nós tivemos acesso posterior a dois projetos. Um deles é da Prefeitura e é até assinado pelo Burle Marx. E o outro é da Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro), que é do estado do Rio, falando que os estacionamentos iriam ficar de 1 a 4 km de distância [do estádio]. Fomos enganados. Houve uma audiência pública em que o pessoal do Comitê Popular do Rio nos avisou que o edital de licitação que estava para ser discutido nesta audiência pública. Ali eles nos alertaram que o Célio de Barros seria demolido, junto com a Escola Municipal Friedenreich, o Júlio Delamare, o Museu do Índio&#8230; Tudo ia para baixo. Aí é que nós fomos informados. Se o governo disser que houve diálogo, é mais uma mentira. E, aliás, não teve audiência pública nenhuma: o que aconteceu ali foi o secretário da Casa Civil falando e quando alguém questionava, ele não respondia nada, apenas continuava de onde parou. Foi algo feito para validar o que já estava assinado.</p>
<p><strong>Recentemente, a pista do Célio de Barros foi interditada. Como foi que isso aconteceu? Simplesmente um belo dia ela apareceu desse jeito?</strong></p>
<p>Exatamente isso. Já estavam rolando boatos que o local ia ser demolido. Um belo dia, os atletas chegaram e o guarda da porta do Célio de Barros disse: &#8220;Olha, vocês não vão entrar mais&#8221;. E o portão estava lacrado na semana seguinte. Foi assim que aconteceu. Ainda tem material de atletas lá dentro junto com o entulho da obra do Maracanã. [O portão do Célio de Barros foi lacrado no dia 9 de janeiro deste ano]</p>
<p><strong>E como você vê a posição do governo de construir outro estádio de atletismo nas proximidades do Célio de Barros?</strong></p>
<p>Eles falaram isso quando foram pressionados pela IAAF (International Association of Athletics Federation). Mas eu te pergunto: cadê a maquete? Em quanto tempo isso será feito? Como é que eu vou acreditar numa pessoa que me mostra o vídeo de uma reforma com o meu estádio lá e depois diz que vai virar estacionamento? Essa mesma pessoa está me dizendo de boca que vai fazer outro estádio e eu vou acreditar?</p>
<p><strong>Até então não havia nenhuma posição oficial do governo do Rio sobre construir outro estádio?</strong></p>
<p>Um governo sério teria sentado e dito: &#8220;Olha, está aqui o projeto, vamos discutir, formem uma comissão para discutirmos isso junto com vocês&#8221;. Para construir um estádio de atletismo, não vão gastar menos do que R$ 300 milhões. E eu te pergunto: como é que se derruba um bem público de R$ 300 milhões? Não existe isso de maquete, de qualquer outra coisa&#8230; Eu ainda não vi sequer uma maquete virtual. Não sei o local onde ficará esse estádio. Aliás, ninguém sabe.</p>
<p><strong>O Célio de Barros ainda era, antes de sua interdição, um estádio capaz de abrigar competições internacionais de atletismo?</strong></p>
<p>Com certeza absoluta. O Célio de Barros recebeu o <em>meeting</em> internacional até 2007, mas depois da inauguração do Engenhão passou a ser lá . Mas o estádio pode abrigar tranquilamente um Troféu Brasil de Atletismo. Com reforma, poderia abrigar as Olimpíadas! Eles foram deixando o estádio se deteriorar: a pista já não estava em boas condições, quando você buscava material, não tinha mais, para mim já era intencional. Algo para usar como um argumento a mais e dizer: &#8220;Já está se deteriorando mesmo, vamos derrubar&#8221;. Só que a gente é persistente, não sai dali. Eu estive agora em Manaus conversando com o presidente da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), o doutor Roberto Gesta, que é o presidente da Sul-Americana e também o representante da IAAF em toda a América do Sul. E eu fui lá conversar com ele, pedindo que a IAAF fosse efetiva nesse processo. Ele afirmou que a IAAF vai entrar forte no questionamento ao governo em relação ao estádio. Vamos fazer uma comissão, o doutor Gesta me deixou encarregado disso. Vamos ver se assim nós conseguimos fazer uma interlocução com o estado, com o COB, já que o doutor Nuzman deu uma declaração completamente infeliz&#8230;</p>
<p><strong>Que declaração foi essa?</strong></p>
<p>Está na Agência Brasil. Se você abrir lá o site, você vai ver que ele disse o seguinte, que a demolição do Célio de Barros não implica em prejuízo nenhum. <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-02-20/demolicao-do-estadio-celio-de-barros-nao-trara-prejuizos-para-os-atletas-diz-nuzman">O Nuzman falou isso</a>. Eu fiquei tão decepcionado que imediatamente fiquei com dor de cabeça. Não entendo como um dirigente como ele não tenha pelo menos chamado algum órgão responsável pelo atletismo, alguns atletas, para saber o que está acontecendo. Ele [Nuzman] justificou a afirmação dizendo que os treinos de atletismo estão no Engenhão. É verdade, o Botafogo cedeu uma área, mas lá ainda é precário. Aquele campo de fora, que era uma pista de atletismo, hoje é uma área que é um campo de treinamento de futebol do Botafogo.</p>
<p><strong>Há programas de fomento e desenvolvimento do atletismo nas pistas do entorno do Engenhão?</strong></p>
<p>Até tem um projeto lá, que é da Vale, mas também é um projeto meio &#8220;emprestado&#8221;, na hora que tem treino de futebol, todo mundo tem que parar. Aquilo ali, infelizmente, não era para ser, mas é do Botafogo. Acho até que o campo lá de dentro eles poderiam arrendar mas as pistas de fora tinham que ser do atletismo, como projetado, e foi tudo pago com dinheiro público. Então olha, o atletismo do Rio deu um retrocesso sem o Célio de Barros de, no mínimo, uns 15 anos. Em pleno ciclo olímpico.<br />
<strong> E como você avalia esse retrocesso à luz da declaração de Nuzman em meio ao ciclo olímpico em que o Brasil se encontra?</strong><br />
As pessoas estão vendo muito o lado econômico e o lado de marketing dos megaeventos esportivos, como as Olimpíadas. E eu te pergunto: qual foi o legado que o Pan deixou para o esporte? Nenhum. E com a Olimpíada estou vendo que vai ser pior, ainda mais com atitudes e declarações como essa. Eles já tiraram a máscara e disseram: &#8220;Olha, o nosso interesse é nos negócios e não o interesse esportivo. Vocês fizeram tudo para que isso viesse para nós, mas nós não vamos dar nada em troca&#8221;.</p>
<p><strong>Você acha que o projeto do Maracanã denota um favorecimento do futebol profissional em detrimento de esportes olímpicos como o atletismo?</strong></p>
<p>Penso que o futebol está sendo usado como pretexto para outros interesses. O futebol é uma paixão mundial. Tudo o que você fizer que venha a favorecer ao futebol logicamente que o grande público, sem o esclarecimento devido, apoia. Eles fazem um trabalho de marketing maravilhoso e ainda vendem isso junto com a paixão que o futebol já traz. Estão usando o futebol para jogar uma cortina de fumaça nas vistas das pessoas. Não culpo o futebol, mas esse uso indireto que os dirigentes fazem. Dava muito bem para ter lá o Célio de Barros, o Júlio Delamare e uma belíssima praça de futebol. Eu tenho certeza que todo mundo ficaria feliz.</p>
<p><strong>Você falou em um atraso de 15 anos para o atletismo do Rio de Janeiro com a demolição do Célio de Barros. Dá pra medir o tamanho do prejuízo para as pessoas que moram nas comunidades do entorno do Maracanã e se beneficiam dos programas de atletismo?</strong></p>
<p>Vou lhe falar uma coisa. Ali existem seis UPPs. Você vê que realmente melhorou muito a segurança aqui no Rio, mas não dá para entender pacificação, pelo menos eu não entendo, só com polícia. O secretário de Segurança Pública do Rio, pelo menos no discurso, também não entende. Eu entendo que, atrelados à pacificação, tenham que vir projetos que atendam àquelas comunidades. E o Maracanã tem uma importância fundamental em receber parte da população dessas comunidades para fazer natação, atletismo, ou mesmo tentar usar o Maracanãzinho para handebol, basquete, vôlei. O complexo esportivo era para isso. Para mim não é possível uma pacificação sem o pilar do esporte. Aquela comunidade ali e a própria Secretaria de Segurança Pública perdem um excepcional aliado na luta contra a marginalidade. Os jovens perderam um instrumento importantíssimo da formação deles. Só para você ter uma ideia. Tem uma menina que participa de um dos projetos, o nome dela é Yasmin Muniz, ela é da comunidade do morro do Salgueiro, do Borel. Ela ganhou uma bolsa de estudos integral, já está no segundo ano do ensino médio em um bom colégio. E ela veio de onde? De um projeto social do Célio de Barros. Se não houvesse aquele projeto, essa menina estaria aonde? Existe um elo muito grande com projetos sociais. Ali treina gente de todo tipo: desde os que estão iniciando até os que já têm duas Olimpíadas.</p>
<p><strong>Diante disso tudo que conversamos, eu gostaria que você me dissesse: como é a tarefa de militar pelo atletismo no Brasil?</strong></p>
<p>Como atleta, você tem muito pouco apoio institucional. Para você ter uma ideia, atletas e técnicos perderam o Time Rio, que apoiou financeiramente atletas de diversos esportes, inclusive de atletismo, que estavam no Rio de Janeiro. Esse programa dava várias condições, como uma equipe multidisciplinar, nutricionistas, tudo pago pela prefeitura do Rio de Janeiro. E esse projeto acabou. Quer dizer, o nosso prefeito Eduardo Paes assinou o destombamento do Célio de Barros. Quando ele fez isso, deu chances ao Sérgio Cabral de fazer o que quisesse. E logo depois o projeto, Time Rio acabou. Isso mostra que militar hoje pelo atletismo no Rio e no Brasil é tirar forças não se sabe de onde. É você estar sempre solitário. Deixado de lado pelo governo, pela imprensa&#8230; Sofremos uma pressão muito grande. E você sabe também que o atletismo é um esporte muito discriminado. Até em função dele ser praticado por muitos negros, não tenha dúvida disso. Falo isso com muita tristeza, mas é verdade. Você não vê vontade política ou cidadã de nenhuma parte. Somos nós e nós mesmos.</p>
<blockquote><p><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>Qual o papel do chefão da CBF no assassinato de Vladimir Herzog?</title>
		<link>http://www.apublica.org/2013/02/qual-papel-chefao-futebol-brasileiro-assassinato-de-herzog/</link>
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		<pubDate>Fri, 15 Feb 2013 11:30:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O repórter investigativo britânico Andrew Jennings relembra os pecados do atual presidente da CBF, José Maria Marin, durante a ditadura brasileira.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Brasília, 11 de dezembro de 2012</em>: O deputado Romário chega de mansinho na sala da Comissão. Uma centena de pares de olhos seguem o icônico Baixinho que se dirige primeiro à imprensa. “Andrew Jennings, meu amigo, como vai”, diz, enquanto aperta minha mão entre as suas.</p>
<p>Ele parece estar em grande forma, leve, relaxado, sorridente, e um brilho no olhar que promete: um dos maiores goleadores do mundo está prestes a marcar mais um tento. Sem fazer alarde, como sempre. Romario simplesmente marca: Gol!</p>
<p>“Melhor agora que encontrei você, companheiro”, respondo. Ele dá risada e vai embora, driblando as mesas para tomar assento na Comissão de Esporte e Turismo da Câmara, da qual faz parte.</p>
<p>Romario aguarda pacientemente por alguns minutos.  Então, o presidente da mesa lhe passa a bola: é sua vez de falar. Ele não sorri agora.</p>
<p>“As pessoas me param na rua para dizer: &#8216;Traga o Teixeira de volta, o novo presidente da CBF é pior&#8217;”.</p>
<p>Pronto. Com apenas uma frase ele agarrou a bola e: gol!</p>
<p>Durante 23 anos Ricardo Teixeira desviou dinheiro da FIFA e da CBF. O peso da corrupção finalmente o forçou a renunciar nove meses atrás e os torcedores puderam recolher as faixas “Fora Teixeira” que estendiam nos estádios.</p>
<p>Como o cara que assumiu a CBF, o octogenário José Maria Marin, poderia ser pior que o antecessor? Certamente ele vai fundo saqueando o futebol brasileiro, mas Marin não tem como superar as décadas de roubo de Ricky Vigarista.</p>
<p>A resposta está fora do campo do futebol, em uma história sórdida que vem do tempo da ditadura militar. Por isso a indignação em São Paulo &#8211; onde manifestantes protestaram diante de sua casa-  nas colunas dos jornais, no Congresso, onde foi acusado de ter “as mãos sujas de sangue”</p>
<p>* * * * * * * *</p>
<p><em>Brasília, 13 de dezembro de 1968:</em> Quatro anos depois do golpe militar que implantou a ditadura no Brasil veio uma lei – o famigerado AI-5 – que dava ao milico que estivesse na cadeira da presidência o poder de fazer o que lhe desse na telha. O Congresso estava amordaçado, os partidos políticos, banidos e os direitos humanos, extintos. A censura corria solta nos jornais, na música, no teatro, no cinema.</p>
<p>Sabendo-se ilegítimos e odiados pelo povo, os generais declararam a guerra suja contra os opositores. Torturava-se e matava-se na Operação Bandeirantes – a OBAN – executada por policiais civis e militares e secretamente financiada por empresários brasileiros e corporações americanas &#8211; que pagavam bônus para tirar os sindicalistas de suas fábricas.</p>
<p>Em 1970, entre os milhares de presos estava uma jovem estudante, Dilma Rousseff, que se juntara a um grupo clandestino de guerrilha urbana. Ela descreveu, em uma entrevista de 2011, as pancadas que recebia nua e amarrada, entremeadas por choque elétricos nos pontos mais sensíveis do corpo, que chegaram a provocar hemorragia uterina.</p>
<p><em>São Paulo, 15 de março de 1971:</em> Enquanto os torturadores da OBAN davam choques em Dilma, José Maria Marin – que muito depois se tornaria o chefão do futebol – assumia o mandato de deputado estadual. Se quisesse, Marin teria ouvido os gritos dela. Ele tinha conhecimento da tortura mas isso não o incomodava. Os militares não faziam segredo da sua brutalidade; eles precisavam de uma população acuada, intimidada para se impor.</p>
<p>O senhor Marin aderira à ARENA, o partido criado para os políticos da ditadura. Ele gostava dos militares porque eles o deixavam pertinho do caixa-forte; e os militares o apreciavam porque era a caixinha de música deles. Bastava apertar o botão, e lá ia Marin discursar na Assembléia, denunciando os comunistas ou qualquer um que a OBAN quisesse, dando o pretexto para prender e torturar.</p>
<p>De vez em quando Marin se encontrava com Sérgio Fleury nos bastidores políticos ou nos restaurantes da moda em São Paulo. Fleury era um sádico de primeira, um artista da tortura. O Príncipe da Dor supervisionava inquéritos e operava uma rede de cativeiros privados – em casas, chácaras – onde clandestinamente os presos políticos eram torturados dias a fio. Muitos morreram – ou simplesmente desapareceram.</p>
<p>Seus gângsters em trajes civis invadiam qualquer casa a qualquer hora e quando queriam se divertir, espancavam o suspeito. As crianças assistiam, aterrorizadas. Os revólveres disparavam. Marin tinha Fleury em alta conta.</p>
<p><em>São Paulo, janeiro de 2013</em>: “Depois que a ditadura se instalou, ser jornalista se tornou uma ocupação prejudicial à saúde. Eu tinha saído do país seis meses antes e estava em Londres, trabalhando para o serviço brasileiro da BBC”, lembra o jornalista Nemércio Nogueira.</p>
<p>“Eu e um colega fizemos um lobby para que a BBC oferecesse  um emprego ao amigo e jornalista Vladimir Herzog. Em 1965 eles contrataram o Vlado, que veio com a mulher, Clarice; eles tiveram os dois filhos em Londres, Ivo e André”.</p>
<p>Depois de três anos na BBC, em agosto de 1975, ele voltou com a família para o Brasil, e foi nomeado editor-chefe da TV Cultura, uma emissora do governo do Estado. Agora ele estava na esfera de influência do deputado José Maria Marin, porta-voz de Fleury e dos generais.</p>
<p>A ditadura começava a rachar. A luta armada tinha sido sufocada, os guerrilheiros eliminados. Alguns generais pregavam um retorno gradual e cauteloso à democracia. Mas os linha-dura não queriam ouvir falar nisso; para continuar nos negócios precisavam da “ameaça vermelha”. Os soldados da tortura concordavam do fundo do coração.</p>
<p>Eles conseguiram ajuda externa. Os serviços de segurança da Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai lançaram a Operação Condor, sincronizada através de uma base da CIA no Panamá, prendendo e assassinando lideranças de esquerda e opositores da ditadura em toda a América Latina.</p>
<p>Vlado era mais do que um respeitado ex-repórter e produtor da BBC. Graduado em Filosofia, era um documentarista bem sucedido e professor de jornalismo na Universidade de São Paulo.</p>
<p>Outros colegas jornalistas recordam: “Vlado tinha um estilo direto e despojado de falar e escrever, e não era dado à retórica. Uma frase que usava com frequência, que resume o pensamento dele – e está gravada em sua lápide – era: “Quando perdemos a capacidade de nos indignarmos com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerarmos seres humanos civilizados”.</p>
<p>Sua família conhecia o medo, o medo das atrocidades. Judeus, eles fugiram da Croácia quando ele era menino por causa dos nazistas.</p>
<p>Ivo Herzog me disse: “Sim, meu pai era membro do Partido Comunista Brasileiro. Mas não era um grupo armado. Era mais como um grupo de debates.”</p>
<p>As denúncias serviam ao que Fleury e seus sádicos queriam.  Eles começaram a prender os suspeitos de serem comunistas e torturá-los para obter mais nomes.</p>
<p>* * * * * * *</p>
<p><em>São Paulo, Setembro de 1975:</em> Claudio Marques era um provocador barato, um porta-voz dos torturadores que entrava nos lares da cidade pela TV.</p>
<p>“Conheci o Claudio pessoalmente, como jornalista, e ele me parecia um canalha. Acho que ele não era mais do que um oportunista que viu na ditadura uma forma de obter favores, patrocínio para sua coluna, seu programa de TV, um emprego, qualquer coisa”, lembra o jornalista Nemércio Nogueira, amigo e colega de Vlado na BBC.</p>
<p>Claudio fazia tudo que podia para conseguir a gratidão dos generais. Fleury queria vermelhos? Claudio proveria. Ele começou a escrever sua “Coluna Um”.</p>
<p>“Viram o noticiário de ontem na TV Cultura? Falando do esquerdista vietnamita Ho Chi Min?”</p>
<p>Não interessava que a materia tivesse vindo da BBC Visnews, ali estava a prova de que o canal estatal tinha sido tomado pelos vermelhos! E o governo vai ficar parado assistindo a isso?</p>
<p>Isso foi na primeira semana de setembro. Dois dias depois, a coluna de Claudio espalharia o veneno pela segunda vez.</p>
<p>As prisões dos comunistas suspeitos começou na última semana de setembro. Amarrados na Cadeira de Dragão, com eletrodos no nariz e no pênis, e afogados em baldes de água, eles estavam gritando nomes.</p>
<p>A campanha se mudou para o Congresso.</p>
<p>* * * * * * *</p>
<p><em>São Paulo, 9 de outubro, 1975:</em> O fantoche escolhido para fazer o aquecimento era o deputado Wadih Helu, outra criatura da ditadura. Ele tomou assento nas fileiras da Arena enquanto providenciava lugares discretos para os interrogatórios dos torturadores de Fleury.</p>
<p>Helu trazia “denúncias graves” a seus colegas na Assembléia.</p>
<p>Veja só: o governo tinha acabado de inaugurar um novo sistema de esgoto e quem assiste à TV Cultura não ficou sabendo disso. Eles não mandaram equipe! (<em>controle sua vontade de rir, o fim da história é funesto</em>).</p>
<p>Fingindo tremer de raiva, o deputado Helu prosseguiu: “A ausência da equipe da TV Cultura nas inaugurações do governo não é novidade para quem tem acompanhado a coluna de Cláudio Marques, denunciando a infiltração de elementos comunistas na TV do estado”.</p>
<p>Helu subiu o tom: “Eles só mostram notícias negativas, nada de positivo. Estão fazendo proselitismo do comunismo subserviente, tornando-se, como diz Claudio Marques, &#8216;a TV Cultura vietnamita de São Paulo&#8217;, usando  dinheiro do povo para prestar um desserviço ao governo e à Pátria”.</p>
<p>Helu sentou. Era a vez do deputado arenista José Maria Marin.</p>
<p>“Acho estranho que apesar da imprensa estar levantando o problema há tempos, pedindo providências aos órgãos competentes em relação ao que está acontecendo no canal 2, não tenha acontecido nada até agora”.</p>
<p>“Não é só uma questão daquilo que eles publicam mas o desconforto que provocam não apenas aqui, nem apenas nos círculos políticos, mas que se comenta em quase todos os lares paulistas”.</p>
<p>Alguma coisa <em>tinha </em>que ser feita.</p>
<p>“Gostaria de chamar a atenção da Secretaria de Cultura de São Paulo, do governador do Estado que devem definitivamente apurar as denúncias publicadas na imprensa de São Paulo, em especial, pelo corajoso jornalista Claudio Marques”.</p>
<p>“Faço um apelo ao governador do Estado: ou jornalista está errado ou está certo. Essa omissão por parte da Secretaria do Estado e do governador não pode persistir. Mais do que nunca  é necessário agir para que a tranquilidade reine novamente nesta Casa e, principalmente, nos lares de São Paulo”.</p>
<p>Sérgio Fleury e seus gorilas agora tinham carta branca para trabalhar. Essa era a mensagem do discurso de Marin. O relógio estava correndo depressa no sentido de abreviar a vida de Herzog.</p>
<p>“Naquele tempo a gente vivia no olho do furacão”, lembra o amigo e colega de Vlado, Paulo Markun. Oito dias depois, Markun foi preso. “Fui torturado e confessei que era membro do Partido Comunista”, disse.</p>
<p>Na noite de 24 de outubro, 15 dias depois dos discursos raivosos de Helu e Marin na Assembléia, os policiais chegaram na TV Cultura querendo levar Vlado. Os colegas de redação argumentaram que ele estava fechando o jornal da noite e que, se o levassem naquele momento, o programa não iria ao ar. Vlado se ofereceu para ir voluntariamente à polícia no dia seguinte.</p>
<p>Vlado foi incauto? Era ingênuo? Um colega e amigo dele me disse: “Minha interpretação é que, morando em endereço bem conhecido, sendo um jornalista renomado, com um cargo alto na TV estatal, e sem envolvimento na luta armada, ele não tinha muito o que temer”.</p>
<p>* * * * * * * * *</p>
<p><em>São Paulo, 25 de Outubro de 1975</em>: Vladimir Herzog, 38 anos, acordou mais cedo do que de costume na manhã de sábado. Fez a barba, tomou banho e deu um beijo de despedida em Clarice, que ainda estava na cama.</p>
<p>Ela queria levantar e fazer o café da manhã, mas ele lhe disse que não se preocupasse, que no caminho pararia em uma padaria para tomar um café com leite.</p>
<p>No fundo, no fundo, todos os que não eram aliados do regime tinham medo de “desaparecer”. Afinal, naquela época isso acontecia mesmo. Vlado combinou de encontrar um colega que o acompanhou até o número 921 da rua Tutóia, no bairro do Paraíso, hoje o 36o distrito policial. Eles chegaram por volta das 8 horas da manhã.</p>
<p>Por trás dos muros altos guardados por sentinelas funcionava a OBAN. Vlado cruzou o portão de entrada e disse ao recepcionista seu nome completo, profissão, número de RG.</p>
<p>E esperou sentado em um dos bancos de madeira no amplo hall que conduzia a um vidro e uma porta de ferro. Minutos depois, foi levado para interrogatório.</p>
<p>Vlado recebeu a ordem de tirar as roupas e colocar os trajes de prisioneiro. Na sala de interrogatório já estavam dois prisioneiros com os rostos cobertos por capuzes pretos.</p>
<p>Um deles, Rodolfo Konder, reconheceu o amigo: “Consegui erguer um pouco o capuz e reconheci seus sapatos, os mocassins pretos do Vlado”.</p>
<p>Vlado negou ser membro do Partido Comunista. Konder e o outro prisioneiro foram levados. Pouco tempo depois, eles ouviram os gritos de Vlado quando os choques elétricos começaram.</p>
<p>Os gritos duraram boa parte da manhã. “Os choques eram tão violentos, que Vlado uivava de dor”, diz Konder. “Eles ligaram um rádio para abafar o som”.</p>
<p>“Cerca de uma hora depois, eles me levaram para outra sala onde pude tirar o capuz e eu vi o Vlado. O homem que fazia o interrogatório, aparentava uns 35 anos, era magro, musculoso, com uma tatuagem de âncora no braço, disse-me para falar para ele que era inútil resistir”, lembra Konder.</p>
<p>“Vlado estava com o capuz enfiado na cabeça, tremendo, desfigurado. Tive que ajudá-lo a escrever uma confissão dizendo que ele tinha sido convencido por mim a entrar no PCB e listar outros membros do partido”.</p>
<p>Sobre isso, Ivo Herzog me disse: “Eles interromperam os choques e ditaram uma nota para ele escrever. Ele obedeceu, escreveu, então refletiu e rasgou a nota. Eles aumentaram a voltagem, os gritos dele voltaram a ser ouvidos e os choques o mataram”.</p>
<p>Ele hesita um pouco e para de falar. “Minha família não gosta de recordar a tortura. Eles não tinha necessidade de matar meu pai – foi sem intenção”.</p>
<p>Fleury estava na sala? &#8211; perguntei.</p>
<p>“Não sabemos”, diz Ivo. “Mas  sei que o Marin estava bem preparado para colocar a vida do meu pai em perigo e assim ficar bem com os militares”.</p>
<p>Tarde da noite, Clarice Herzog recebeu as notícias da morte do marido.</p>
<p>* * * * * * * *</p>
<p><em>25 de outubro de 1975, horas mais tarde</em>:  Os torturadores vestiram Vlado apressadamente com as suas roupas, passaram o cinto da calça em volta do pescoço, penduraram o corpo na cela e o fotografaram de novo, dessa vez alegando que ele havia se matado. A foto não era nada convincente: os pés dele tocavam o chão e seus joelhos estavam dobrados.</p>
<p>Seu corpo foi entregue às autoridades religiosas esperando que  fosse enterrado – e as evidências do crime também. A tradição judaica não permite que os suicidas sejam interrados em seus cemitérios. Mas quando o <em>Shevra Kaddish</em> – o comitê  fúnebre judaico – estava preparando o corpo para o funeral, o rabino Henry Sobel reparou nas marcas de tortura. Ele ordenou que Vlado fosse enterrado no centro do cemitério. A versão do suicídio tinha sido desmentida.</p>
<p>As notícias da morte de Vlado se espalharam à medida que os jornalistas e opositores gradualmente ocupavam as ruas. A tragédia havia levado para a classe média os fatos que ocorriam em todo o país. Lentamente – foi preciso outra década para restabelecer algo que parecesse mais com a democracia –, o golpe militar arrefecia. Sobel diria depois: “O assassinato de Herzog foi o catalisador da volta da democracia”.</p>
<p>* * * * * * * *</p>
<p><em>São Paulo, 7 de outubro de 1976</em>: Um ano e dois dias depois de “salvar” a TV Cultura – e incitado a prisão que terminou com o assassinato de Herzog – Marin mais uma vez discursava na Assembléia Legislativa de São Paulo.</p>
<p>E novamente, o deputado reclamava. Não sobre os vermelhos. Dessa vez, estava aborrecido com a falta de reconhecimento público a Sérgio Fleury, o delegado. Um homem que recentemente tinha emboscado e matado os guerrilheiros corajosos o bastante para enfrentar a ditadura.</p>
<p>Isso foi tirado da gravação oficial do discurso de Marin: “Aqueles que o conhecem de perto, sabem que ele é um chefe de família exemplar, mas, mais do que tudo, ele cumpre seus deveres como policial da maneira mais louvável possível”.</p>
<p>“Não conseguimos entender como um policial desse calibre, um homem que dedicou sua vida inteiramente ao combate do crime, um homem que muitas vezes pôs em risco não apenas a sua vida mas a de seus familiares não está recebendo o reconhecimento que merece”.</p>
<p>“Conhecendo seu caráter como eu conheço, não há dúvida de que Sérgio Fleury ama sua profissão; de que Sergio Fleury se dedica ao máximo, sem medir esforços nem sacrifícios para honrar não apenas a polícia de São Paulo, mas acima de tudo seu título de delegado de polícia. Ele deveria ser uma fonte de orgulho para a população de nossa cidade”.</p>
<p>“Por isso, senhor relator, na certeza de refletir o pensamento dos moradores de São Paulo, queremos expressar o orgulho que sentimos por ter em nossa polícia o delegado Sérgio Fleury”.</p>
<p>* * * * * * *</p>
<p><em>St Helier, Jersey,17 de novembro de 2012</em>: Antigo amigo dos militares, ainda amigo de José Maria Marin e ainda procurado pela Interpol por lavagem de dinheiro, Paulo Maluf dá risada diante da decisão judicial de que ele é um ladrão que desviou 10,5 milhões de dólares da obra de uma estrada em São Paulo.</p>
<p>Por que ele deveria se importar? Tem 81 anos agora, o governo nunca conseguirá o dinheiro de volta enquanto ele estiver vivo nem conseguirá obter provas suficientes para recuperar os estimados 1,7 bilhões de dólares desviados por ele no decorrer de anos.</p>
<p>Maluf se aproximou dos cofres públicos pela primeira vez quando os generais o nomearam prefeito de São Paulo em 1969. Três anos depois ascendeu ao governo do estado de São Paulo, fez de José Maria Marin seu deputado, e lhe passou as chaves do tesouro estadual em 1982.</p>
<p>O acontecimento mais memorável durante os dez meses de governo de Marin em São Paulo foi ser vaiado na Assembléia Legislativa depois que veio à tona empréstimos suspeitos feitos por um banco federal. Os amigos o indicaram para dirigir a seção São Paulo da CBF.</p>
<p>O desempenho de Marin foi suficiente para impressionar Ricardo Teixeira que o nomeou vice-presidente da CBF em 2008. Quando as revelações que fiz a respeito das propinas de Teixeira o forçaram a sair da FIFA e da CBF, Marin era o substituto conveniente. Ele havia provado que compartilhava dos pontos de vista de Teixeira sobre o futebol; se pode ser roubado, roube. Marin foi flagrado na TV afanando uma medalha do campeonato juvenil.</p>
<p>Três meses depois, o brilhante jornalista esportivo Juca Kfouri desenterrou o discurso de Marin na Assembléia em outubro de 1975, denegrindo Vlado Herzog. Juca culpou Marin pela prisão e morte do journalista. Juca também apresentou aos leitores o discurso inacreditáve de Marin elogiando o torturador Sérgio Fleury.</p>
<p>Um jornalista de São Paulo, que acompanha a carreira de Marin, diz, “Marin não é nem um rato, é um camondongo”.</p>
<p>* * * * * * * * * *</p>
<p><em>São Paulo, domingo, 11 de Novembro de 2012</em>: Um grupo de manifestantes está na frente da casa de José Maria Marin, nos Jardins. Carregando faixas, tambores, tamborins, microfones e um carro de som, os que protestam cantam músicas compostas especialmente compostas para a ocasião. Uma delas pergunta: “Olha a ficha suja do Marin, será que ele é? Será que ele é? Será que ele é dedo-duro?”</p>
<p>Entre eles está Adriano Diogo, do PT, 63 anos que também foi preso e torturado pela OBAN em 1971 e ficou na cadeia alguns anos.</p>
<p>* * * * * * * * *</p>
<p><em>São Paulo, Quinta-feira, 27 de Novembro de 2012</em>: Adriano Diogo está discursando novamente mas agora como parte de seu trabalho cotidiano. Ele é deputado da Assembléia Legislativa de São Paulo como era José Maria Marin 37 anos antes quando ele atacou a <em>TV Cultura</em>.</p>
<p>“Senhores e senhoras, primeiro eu quero congratular-me com essa nova geração que faz escrachos (nomeando e envergonhando) na porta dos torturadores pela ideia brilhante de ir à casa de José Maria Marin”.</p>
<p>“O senhor José Maria Marin, o delator da ditadura, é responsável pela prisão e assassinato de Vladimir Herzog.” said Diogo. “Ele tem as mãos sujas de sangue, não pode ser o  president da CBF.”</p>
<p>* * * * * * * * * *</p>
<p><em>Quarta-feira, 23 de janeiro de 2013</em>: Mensagem oficial. “A Comissão da Organização dos Estados Americanos (OEA) vai investigar a responsabilidade do Estado pela morte do jornalista Vladimir Herzog em 1975, durante a ditadura militar (1964-1985).</p>
<p>“De acordo com a petição, o Brasil não cumpriu ainda sua obrigação de investigar, perseguir e punir os responsáveis pela morte de Vladimir Herzog.</p>
<p>&#8220;O caso Herzog ilustra o fracasso do judiciário durante a ditadura militar brasileira e na democracia”, diz Viviana Krsticevic, diretora executiva do Center for Justice and International Law, sediado em Washington, que veio ao Brasil anunciar a aceitação da petição.</p>
<p>“Queremos saber quem é responsável pelo que aconteceu com o meu pai”, diz Ivo Herzog.</p>
<p>Ninguém vai chamar José Maria Marin para testemunhar? Ele ignorou o convite para comparecer ao encontro do Comitê de Esporte e Turismo em Brasília, deixando o gol livre para Romario.</p>
<p><em>Port Louis, Maurício, 30 de maio de 2013</em>: Será o início do 63o Congresso da FIFA&#8217;s; espera-se dos delegados que endossem as “reformas” do  presidente Sepp Blatter. Será que José Maria Marin do Brasil será o único acusado de cumplicidade em um crime de assassinato?</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>Com leis próprias, megaeventos criam estado de exceção</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jan 2013 13:00:38 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Especialistas destrincham as principais leis e decretos criados especialmente para a Copa do Mundo e as Olimpíadas]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>“Quando o Brasil entregou os cadernos de obrigação à Fifa na Suíça, comprometeu-se a realizar a Copa do Mundo sem nenhum centavo do dinheiro público e disse que o investimento viria de capitais privados, colocando o Brasil no 1<sup>o</sup> mundo” disse Martim de Almeida Sampaio, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, na abertura de sua palestra no evento “Copa Pública: Quem ganha e quem perde com o evento em 2014?” promovido pela Pública em parceria com a Casa Fora do Eixo de São Paulo e com a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP)  em dezembro. Martim e Carlos Vainer, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da UFRJ, foram convidados a falar sobre o estado de exceção que as novas leis, criadas especialmente para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, instauram no país.</p>
<p><a href="http://veja.abril.com.br/141107/entrevista.shtml" target="_blank">Em entrevista à revista Veja em 2007,  ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira promete que os cofres públicos não colocarão um centavo na Copa do Mundo </a></p>
<p>Martim lembrou que, além de descumprir essa promessa, já que a maior parte dos investimentos em obras de mobilidade e estádios está vindo dos cofres públicos, o governo também editou a <a href="(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/Lei/L12350.htm)" target="_blank">lei 12.350/2010</a>  que diz respeito à desoneração tributária da Fifa, empresas parceiras, prestadores de serviços (contratadas direta e indiretamente pela organização) e emissora autorizada a transmitir os eventos no país e exterior. “Isso significa que a Fifa não entra com nenhum tostão e tudo que ela [e seus parceiros] ganharem é isento de qualquer tributo. As obras públicas terceirizadas também serão isentas de qualquer tributo”. resumiu. O advogado também falou sobre a <a href="http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?data=08/08/2012&amp;jornal=1&amp;pagina=49&amp;totalArquivos=136" target="_blank">Lei Geral da Copa</a>, que prevê proteção à marca Fifa: “Ela introduz várias inovações à nossa legislação, não para proteger o consumidor e sim a marca Fifa e seus símbolos e cria, inclusive, tipos criminais desconhecidos no país. Por exemplo: O artigo 121 do nosso Código Penal diz que matar é crime. Todos nós sabemos disso. Alguém conhece um crime chamado ‘marketing de emboscada’? Não. Mas ele vai existir de dois meses antes a dois meses depois da Copa. Pessoas poderão ser presas se forem todas com a mesma camisa para assistir a um jogo”. Ainda sobre a Lei Geral, Martim colocou: “A Fifa também poderá dizer quem entra e sai do país.Isso é muito sério, porque fere a soberania nacional. Nós entregamos parte da soberania a uma entidade privada, com fins lucrativos e sede em Genebra”.</p>
<p><a href="(http://www.apublica.org/2012/02/fifa-manda/)" target="_blank">Veja o documentário: A Fifa manda</a></p>
<h3><strong>Leis de pânico</strong></h3>
<p>Outro projeto de lei assustador que corre no Senado, lembrou o advogado, é o  <a href="(http://www6.senado.gov.br/mate-pdf/100792.pdf" target="_blank">728/2011</a> de autoria dos senadores Marcelo Crivella (PRB-RJ), Ana Amélia (PP-RS) e Walter Pinheiro (PT-BA). Como o Copa Pública mostrou <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.apublica.org/2012/02/pl-quer-punir-terroristas-grevistas-na-copa/" target="_blank">aqui</a> </span>, o PL é conhecido pelos movimentos sociais como “AI-5 da Copa” por, dentre outras coisas, proibir greves durante o período dos jogos e incluir o “terrorismo” no rol de crimes com punições duras e penas altas para quem “provocar terror ou pânico generalizado”. Martim apontou: “A ditadura militar tinha uma lei de segurança nacional muito vaga, como essa e como toda a lei de exceção, que punia seus opositores. Na Alemanha nazista também aconteceu assim. Isso se faz para poder punir mais gente. Estamos vivendo um período muito ruim e violento e boa parte da sociedade pressiona para que se criem leis de pânico. Ouvimos  as pessoas dizerem‘tem que ter pena de morte’, ou ‘tem que diminuir a maioridade penal’, como se a solução fosse mais punição. Nós não precisamos de novos tipos penais, estamos cheios de leis que criminalizam condutas de forma opressora. Por isso criar leis de exceção como essa 728/11 e mesmo a Lei Geral da Copa é tão perigoso”.</p>
<h3><strong>Decreto e Ato Olímpico</strong></h3>
<p>Para o professor Carlos Vainer, o <a href="(http://www.radaroficial.com.br/d/6228405)" target="_blank">Decreto municipal n° 30379 de 01 de Janeiro de 2009</a> mostra claramente como o Rio de Janeiro incorporou este estado de exceção para receber as Olimpíadas. No artigo 2<sup>o</sup>, por exemplo, está escrito: “O Poder Executivo envidará todos os esforços necessários no sentido de possibilitar a utilização de bens pertencentes à administração pública municipal, ainda que ocupados por terceiros, indispensáveis à realização dos Jogos Rio 2016. Parágrafo único – Eventuais atos de concessão, permissão ou autorização de uso dos bens mencionados no caput deste artigo deverão conter cláusula que preveja sua entrega ao Município do Rio de Janeiro em tempo hábil ao implemento das adaptações necessárias à realização dos Jogos Rio 2016”. E no artigo 9<sup>o</sup> : “Fica vedada a realização de grandes eventos abertos ao público entre os dias 29 (vinte e nove) de julho e 25 (vinte e cinco) de setembro de 2016”. E por último, o artigo 12<sup>o</sup> diz que a prefeitura deve: “I – promover desapropriações e demais medidas indispensáveis à construção de instalações esportivas e nãoesportivas; II – reservar, a cada exercício, os recursos orçamentários para atender as despesas decorrentes das atividades previstas”. Vainer explicou: “O COI ganha concessões de espaços urbanos, ganha o direito de comprar qualquer imóvel de seu interesse e pode remover rapidamente as pessoas que ocupam espaços públicos. Além disso, esse decreto proíbe grandes eventos públicos! Quer dizer que uma manifestação política também poderá ser vedada e isso é um direito constitucional”.</p>
<p>No <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12035.htm" target="_blank">Ato Olímpico</a>, lei federal, o professor destacou o artigo 2<sup>o</sup>: “Ficam dispensadas a concessão e a aposição de visto aos estrangeiros vinculados à realização dos Jogos Rio 2016, considerando-se o passaporte válido, em conjunto com o cartão de identidade e credenciamento olímpicos, documentação suficiente para ingresso no território nacional” e o artigo 5<sup>o</sup> “Fica instituída, no âmbito do Ministério da Justiça, a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos” e explicou: “Nesta lei o Estado Nacional delega ao COI poder consular, assim como a Lei Geral da Copa delega esse poder à Fifa. Essa lei também determina que seja criada uma secretaria extraordinária para cuidar da segurança dos megaeventos. E os Estados têm contratado empresas israelenses para cuidar disso. É o poder público privatizando a segurança nacional”. As duas leis determinam estado de exceção, segundo o professor, porque também colocam isenções tributárias, elevação do limite de individamento municipal e regime diferenciado de contratação. “Existe uma lei que rege as contratações para obras públicas. Para se fazer obras para os megaeventos não é preciso cumprir essa lei. Para construir um hospital sim. Para construir um estádio não. Também há leis que determinam um limite para o endividamento dos municípios. Esse limite pode ser ultrapassado para custear obras associadas aos megaeventos. Para fazer rede de esgoto não, para fazer estádio sim” explicou o professor. Para ele, este fenômeno não começou com os megaeventos mas com um pensamento que apareceu por volta dos anos 1980 no Brasil, de que a cidade é um grande negócio. “Os megaeventos tornam isso mais visível porque intensificam os grandes projetos mas o que torna isso possível é a visão da cidade como empresa. Se a cidade é um grande negócio, é necessário aproveitar as janelas de oportunidade. Eu não posso estar rigidamente preso a uma lei. É necessário flexibilizar a lei, criar brechas e mecanismos que permitam introduzir a exceção, o bom negócio”. Como exemplo dessa flexibilização, o professor aponta as parcerias público-privadas (PPP). “A concessão do Maracanã é uma PPP”.</p>
<h3><strong>Nada de novo para os pobres</strong></h3>
<p>“Existiu um filósofo alemão que analisou o nazismo e disse: ‘a tradição dos oprimidos nos ensina que o estado de exceção em que vivemos – o nazismo – é na verdade a regra. Quer dizer, para os oprimidos, sempre foi pau! Aquilo que nós estamos vivendo agora com o nazismo [dos megaeventos] é a realidade permanente. Eles nunca puderam recorrer ao Estado, aos tribunais, às leis. A violência, a criminalização dos pobres, é a dimensão permanente deste estado de exceção”. Sendo assim, na visão do professor, a cidade-negócio empurra os pobres, que não são consumidores ou empreendedores para fora dos centros das cidades. “Os projetos do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ do Rio de Janeiro mostram que as famílias pobres ficam fora do centro e da zona sul da cidade. Lá estão 60% dos empregos, mas os pobres são mandados para 50, 60 km de distância. E o projeto parece com um campo de concentração. Os projetos de habitação da época da ditadura militar eram exatamente iguais”. Para finalizar, Vainer mostrou um anúncio da Petrobrás que dá uma visão panorâmica do Rio de Janeiro sem as favelas.</p>
<p><strong>Veja os vídeos das palestras:</strong></p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/Cai8u05KcN8?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/-hM-W3rHqsU?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<blockquote><p><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>Fifa tremei! Andrew Jennings encontra o movimento popular brasileiro</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jan 2013 14:00:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[“Vaiem os empresários, os políticos, a prefeitura, filmem e disponibilizem na internet! Eu quero ouvir o som das vaias brasileiras aqui na Europa” diz o jornalista]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O que pode ser mais perigoso do que um jornalista investigativo que vai fundo em suas descobertas e não tem medo de anunciá-las em alto e bom som?</p>
<p>Juntar esse jornalista com os movimentos populares.</p>
<p>Há pouco mais de um mês o Copa Pública, em parceria com a <a href="http://foradoeixo.org.br/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">Rede Fora do Eixo</span></a>, promoveu um dia de palestras e bate-papo sobre os preparativos para a Copa de 2014 no país. O encontro, na Casa Fora do Eixo, em São Paulo, abriu o <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.facebook.com/Preliminares2013?fref=ts">Preliminares</a>,</span> festival-encontro-troca de ideias que envolveu coletivos em vários pontos da cidade de 8 a 16 de dezembro de 2012.</p>
<p>Especialistas de diversas áreas, militantes de movimentos populares, moradores que foram ou serão removidos de suas casas, comunicadores e estudantes se reuniram para discutir a Copa e sua promotora: a Fifa. O jornalista britânico, Andrew Jennings, fechou a noite falando sobre a entidade &#8211; exaustivamente investigada por ele há anos.</p>
<p>Jennings deu detalhes e nomes dos envolvidos &#8220;no jogo sujo da Fifa&#8221; -  &#8221;envergonhando cada um dos bandidos &#8211; o que é ainda mais importante&#8221;, frisou.</p>
<p>O jornalista aproveitou para se informar também, conversando com representantes de movimentos populares como a ANCOP (Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa), que tem feito um importante trabalho de resistência aos abusos cometidos nos preparativos do megaevento; e com pessoas que estão sendo vítimas de remoções forçadas.</p>
<p>“Fiquei muito satisfeito com a mistura de ativistas e vítimas que se uniram para lutar contra empresários, especuladores, políticos e bandidos. Eu gostaria de trabalhar com eles no futuro” diz Jennings. “Para mim não foi apenas uma reunião, foi uma chance de começar um trabalho conjunto contra esses bandidos para os próximos 18 meses”.</p>
<p>Sobre as palestras a respeito das remoções, Maracanã e Lei Geral da Copa, Jennings explica que não ficou surpreso que “trabalhadores comuns sejam vitimizados pelo &#8220;big money&#8221; (dinheiro grosso), algo que acontece em todos os países que sediam megaeventos ”. Mas acha que o Brasil tem a oportunidade de virar o jogo: “Com a qualidade das pessoas que estavam naquela reunião,  vocês podem lutar contra eles. Vi boas pessoas, determinadas, inteligentes, criativas”.</p>
<p>A melhor arma contra os chefões da Fifa, diz, é a vaia: “Acho que vocês têm que praticar para vaiar o Blatter: Buuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu. Vaiem os empresários, os políticos, a prefeitura, filmem e disponibilizem na internet! Eu quero ouvir o som das vaias brasileiras aqui na Europa! É uma arma maravilhosa e de graça!”.</p>
<p><strong>Veja algumas entrevistas que Andrew Jennings fez durante o evento:</strong></p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/wl-rqFW4mwc?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/xOedWeWoVIg?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/jIRa3qcLCl8?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/rc8eudFKjow?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><em>Edição de vídeo: Rede Fora do Eixo / Legendas: Jessica Mota</em></p>
<blockquote><p> <strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></p></blockquote>
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		<title>Conheça os chefões da máfia da FIFA</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jan 2013 20:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
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		<description><![CDATA[O guia de Andrew Jennings para ativistas: nunca diga “Fifa”, nomeie e envergonhe cada um dos bandidos, ensina o jornalista britânico]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Em todos os bares do mundo torcedores de futebol, irritados pela contínua corrupção da Fifa, gritam “A Fifa é uma máfia!”</p>
<p>Mas máfia? Agora eles foram longe demais, não?</p>
<p>Não. Confie nos torcedores. Eles fazem um bom julgamento. Quando a presidente Dilma recebe os líderes do futebol mundial ela está acolhendo uma gangue que preenche todos os requisitos na definição acadêmica do que vem a ser um Sindicato do Crime Organizado.</p>
<h3><strong>1.  </strong><strong>A máfia</strong></h3>
<p>Olhe para o mundo do presidente Blatter: um chefe poderoso, compromissado com o próprio enriquecimento através de atividades criminosas que envolvem corrupção e propinas no fechamento de contratos. E ainda há a manipulação de resultados das partidas e a extorsão de bilhões de dólares de governos ingênuos – como o do Brasil.</p>
<p>Essa família criminosa tem até mesmo tribunais privados da Fifa e um sistema de disciplina que não pode ser contestado nos tribunais civis. E tem a cultura <em>omertà</em>, um código de honra e silêncio – você já ouviu algum funcionário da Fifa denunciado seus chefes?</p>
<p>Você já ouviu falar das Cinco Famílias de Nova Iorque, que dominavam a máfia italiana nos EUA sob um poderoso chefão? Pois a Fifa tem seis “famílias”. São as confederações que dominam cada continente: a Conmebol na América Latina, a Concacaf no Caribe, América do Norte e Central, a Uefa na Europa, a AFC na Ásia, A CAF na África e a OFC na Oceania.</p>
<p>Como os mafiosos de Nova Iorque, cada grupo é semi-autônomo e comanda seu próprio crime organizado, mas todos devem uma fidelidade suprema ao <em>Capo di tutti i capi</em> em Zurique.</p>
<p><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/3-Blatter-hails-taxi.png"><img class="size-full wp-image-3538 alignleft" title="Joseph Sepp Blatter, presidente da Fifa. Foto: Site Transparency in Sport" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/3-Blatter-hails-taxi.png" alt="" width="372" height="465" /></a></p>
<p>Sempre me perguntam: “Depois de você ter exposto tanta corrupção na Fifa, como o Blatter ainda está no poder?”</p>
<p>Aqui vai a resposta. Não importa o que os torcedores, a mídia ou os políticos pensem ou digam sobre esses impostores, Blatter é intocável.</p>
<p>A Fifa é o conjunto de 209 associações nacionais. Elas, e ninguém mais, têm o poder de voto nos congressos da Fifa. A máquina de Blatter é lubrificada por doações para “desenvolvimento” de milhões de dólares para essas associações, que não são auditados, e pelo enorme comércio clandestino dos preciosos ingressos da Copa do Mundo, que vão parar debaixo do tapete.</p>
<p>O presidente Blatter se refere à sua “família do futebol”. Vamos corrigir isso: é a Família do Futebol do Crime Organizado.</p>
<p>Mas o que sabemos sobre Don Blatter e seus gângsteres que eles não querem que seja publicado?</p>
<p>Dois anos atrás uma fonte na Europa me deu uma lista de 170 propinas pagas para os funcionários do alto escalão da Fifa, totalizando o incrível valor de US$ 100 milhões.</p>
<p>Os nomes de João Havelange e Ricardo Teixeira estavam naquela lista e eu tenho orgulho de ter ajudado a forçar a saída do velho do COI e de seu ex-genro da CBF.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/20120718-sepp-blatter-es-joao-havelange3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3539" title="Joseph Blatter e João Havelange. Foto: Site Transparency in Sport" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/20120718-sepp-blatter-es-joao-havelange3.jpg" alt="" width="645" height="430" /></a></p>
<p>Curiosamente, a lista de propinas revela que mais de US$10 milhões foram pagos em dinheiro vivo para uma pessoa anônima. Anos atrás me contaram que Blatter era esperto o suficiente para não deixar rastro de documentos sobre as suas propinas. Então será essa sua lista de propinas nos contratos de marketing? Claro que ele nunca responde às  minhas perguntas.</p>
<p>E tem outra coisa que eu descobri sobre Don Blatter. Ele é um predador sexual, e costuma se aproveitar das funcionárias do seu império na Fifa. Elas são convocadas para uma suíte nos melhores hotéis do mundo e na porta do quarto são confrontadas com a visão do Líder Máximo abrindo seu robe de seda – e revelando seu equipamento de pontuação.</p>
<h3><strong>2.  </strong><strong>Os membros da organização criminosa</strong></h3>
<p>Agora, vamos nomear e envergonhar o assessor pessoal de Blatter, Walter Gagg. Walter trabalha para Blatter na Fifa desde os anos 70 e como seu chefe, vê as mulheres no futebol como oportunidades sexuais. Uma vez Walter compartilhou uma amante com Havelange. Quando o presidente descobriu, a mulher foi demitida.</p>
<p>Walter toma mais cuidado agora e fica longe das vítimas de Blatter. Seus alvos são mulheres bem jovens. Um amigo em Zurique me deu alguns e-mails de Walter. Ele havia deixado os e-mails no seu computador e eles acabaram sendo fonte de diversão para todo mundo no prédio da Fifa.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/Gagg-severe.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3540" title="Walter Gagg. Foto: Site Transparency in Sport" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/Gagg-severe.jpg" alt="" width="608" height="630" /></a></p>
<p>Mas cuidado! Walter tem um novo título – chefe da segurança dos estádios – e ele usa isso como uma desculpa para visitar o Brasil e dar uma olhada nas garotas.</p>
<p>Uma foto pode valer mil palavras. Olhe para o caso amoroso entre Ricardo Teixeira e o secretário geral da Fifa, Jerome Valcke. Se o brasileiro é, como vocês sabem, um ladrão, fraudador e mentiroso certificado que voou para a Flórida para escapar da Justiça, o que isso diz sobre o secretário-geral do futebol?</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/fifa-jerome-valcke-e-ricardo-teixeira.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3541" title="Jerome Valcke e Ricardo Teixeira. Foto: André Mello/Agência O Dia" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/fifa-jerome-valcke-e-ricardo-teixeira.jpg" alt="" width="590" height="368" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/jerome-valcke-beija-ricardo-teixeira-em-encontro-dos-dois-no-rio-de-janeiro-em-2010-1309990957574_1920x1080.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3543" title="Valcke beija Teixeira em encontro no Rio de Janeiro em 2010. Foto: André Mello/Agência O Dia" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/jerome-valcke-beija-ricardo-teixeira-em-encontro-dos-dois-no-rio-de-janeiro-em-2010-1309990957574_1920x1080.jpg" alt="" width="640" height="360" /></a></p>
<p>Isso mesmo! Você acertou! Valcke é um mentiroso profissional. A reputação dele foi jogada no lixo em um tribunal de Manhattan em 2006 quando o MasterCard processou a Fifa por mentir para eles sobre um contrato de patrocínio. Em segredo, Jerome Valcke, então Diretor de Marketing da Fifa, estava fazendo acordos sujos com o rival Visa.</p>
<p>O advogado Martin Hyman, do MasterCard, disse ao juiz “Nós aprendemos com o Grupo de Marketing da Fifa sobre os seis graus de prevaricação: mentiras brancas, mentiras comerciais, blefes, mentiras puras, mentiras diretas e perjúrio. O senhor Valcke mentiu até quando testemunhou sobre suas mentiras. Mas no mundo da Fifa, isso é perfeitamente normal.”</p>
<p>O juiz concordou e condenou Valcke como mentiroso. O presidente Blatter não teve escolha e demitiu Valcke. Isso foi em dezembro de 2006.</p>
<p>Mas seis meses depois um novo Chefe Executivo da Fifa foi nomeado. Adivinhe? Era Jerome Valcke.</p>
<p>Por que Blatter mudaria de ideia? Estaria Valcke o chantageando?</p>
<p>Pode ser. Em abril de 2001, Valcke fazia parte de um grupo de empresários tentando fazer negócios com a Fifa. Durante as negociações – que acabaram fracassando – Blatter enviou uma carta a Valcke (e nós temos essa carta) com um surpreendente comentário: “A posição da Fifa de nenhuma maneira será alterada por ameaças ou tentativas de chantagem”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/17-BLACKMAIL-JSB_JV-1-copy.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3545" title="Carta de Blatter a Valcke indicando chantagem e ameaças " src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/17-BLACKMAIL-JSB_JV-1-copy.jpg" alt="" width="744" height="1024" /></a><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/17-BLACKMAIL-JSB_JV-1-copy.jpg"><br />
</a> Chantagem é crime, não é? É isso o que os mafiosos fazem. Então Valcke deve ser da Máfia.</p>
<h3><strong>3.  </strong><strong>De tio para sobrinho</strong></h3>
<p>A Família Fifa do Crime Organizado <strong><em>realmente</em></strong> quer dizer família. Sepp Blatter tem o poder de ganhar os lucrativos direitos televisivos para a Copa de qualquer canal do mundo. Ele deu 50% destes direitos para a Infront, uma empresa suíça de marketing de esportes. O chefe da empresa é seu sobrinho, Philippe Blatter.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/96-Philippe-Blatter.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3547" title="Philippe Blatter. Foto: Site Transparency in Sport" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/96-Philippe-Blatter.jpg" alt="" width="640" height="428" /></a></p>
<p>Mas o sobrinho Philippe ganha ainda mais. O tio Sepp tem o ajudado a adquirir um investimento na empresa Byrom que – comercializando sob o nome MATCH – tem o monopólio do negócio lucrativo das acomodações para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.</p>
<p>São aqueles camarotes exclusivos que estão sendo construídos no Maracanã e em outros estádios para os homens de negócios mais ricos do mundo.</p>
<p>Atenção, amigo brasileiro: não pense nem por um segundo que você poderia comprar um lugar ali e provar a experiência <em>gourmet</em> que eles oferecem. Contente-se com um hambúrguer medíocre do McDonald’s e com um lugar, se você tiver sorte, atrás do gol.</p>
<p>A empresa Byrom é dos irmãos mexicanos Jaime e Enrique. Sua família tem tradição no futebol mexicano, e eles são melhores amigos do recebedor-de-propinas Havelange.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/38-Jaime-Byrom.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-3549" title="Jaime Byrom. Foto: Site Transparency in Sport" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/38-Jaime-Byrom.png" alt="" width="480" height="497" /></a></p>
<p>Aqui um pouco sobre a Big One. Ela é a agência de ingressos oficial da Fifa. Incrivelmente, controla a venda de todos os ingressos para 2014.</p>
<p>Ainda nesse ano eu vou escrever a história (eu tenho os documentos!) sobre o que exatamente eles, da Big One, fizeram para persuadir os líderes da Fifa a dar essas maravilhosas e lucrativas concessões.</p>
<p>Então o sobrinho presidencial está indo muito bem com o evento que está sendo pago pela população que paga impostos no Brasil. Eu tenho que perguntar, será que ele está pagando propina para o tio Sepp?</p>
<p>A verdade é que o Brasil está sendo seriamente ferrado.</p>
<p>Os Byrom fracassaram em 2010 na Copa da África do Sul, porque cobraram muito caro por pacotes de acomodação. Eles admitem que a perda foi de pelo menos US$ 50 milhões. Agora, planejam recuperar o que perderam em 2014 e ainda<strong> </strong>lucrar mais. O tio e seu companheiro Ric Trapaceiro convenceram Lula a garantir para a Byrom e outros parasitas da Fifa isenção nos impostos brasileiros sobre seus lucros. Talvez os torcedores devessem protestar na frente do escritório de Jaime e Enrique no Rio.</p>
<p>Tem mais. Você sabia que existe um clube maçônico secreto para empresários conhecido como Corporação McKinsey? Eles falam uma língua com barulhos incompreensíveis, que chamam de “jargão da administração”. E também parecem se assemelhar à máfia.</p>
<p>A McKinsey foi contratada por Sepp Blatter no final dos anos 90 para “reorganizar” a Fifa. Ele assinou cheques gordos para a McKinsey.</p>
<p>Adivinhe de novo! O sobrinho Philippe era então sócio da McKinsey. Além dele, tinha um camarada chamado Markus Kattner. Depois de alguns anos, o sobrinho Philippe passou a ser chefe na Infront. O Sr. Kattner também deixou a McKinsey – para se tornar o Diretor de Finanças na Fifa. Pense no quanto ele deve saber sobre os acordos de dinheiro sujo feitos no <em>bunker</em> de Blatter em Zurique.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/34-Markus-Kattner.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3552" title="Markus Kattner. Foto: Site Transparency in Sport" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/34-Markus-Kattner.jpg" alt="" width="652" height="366" /></a></p>
<p>Esperamos que jornalistas brasileiros – e torcedores – façam algumas perguntas a ele.</p>
<h3><strong>4.  </strong><strong>O Bullying da Fifa</strong><strong></strong></h3>
<p>Homens minúsculos se envaidecem e se tornam arrogantes quando vão trabalhar para a Fifa. Um típico exemplo é o Sr. Jörg Vollmüller, que detém o grande título de Chefe do Departamento de Comércio Legal da Fifa.</p>
<p>E o que ele faz? Ameaça governos que não se curvam à Fifa e a seus patrocinadores, como a Coca-Cola. “Beije a bunda de Blatter”, ele diz, “ou vocês não vão ter a Copa do Mundo”.</p>
<p><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/Elza-Fiúza-ABr-Jörg-Vollmüller-da-Fifa-durante-reunião-para-rever-pontos-da-Lei-Geral-da-Copa-que-divergem-com-a-legislação-da-Fifa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3554" title="Jörg Vollmüller, da Fifa, durante reunião para rever pontos da Lei Geral da Copa que divergiam da legislação da Fifa, em 2011. Foto: Elza Fiúza/ABr" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/Elza-Fiúza-ABr-Jörg-Vollmüller-da-Fifa-durante-reunião-para-rever-pontos-da-Lei-Geral-da-Copa-que-divergem-com-a-legislação-da-Fifa.jpg" alt="" width="640" height="426" /></a><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/Elza-Fiúza-ABr-Jörg-Vollmüller-da-Fifa-durante-reunião-para-rever-pontos-da-Lei-Geral-da-Copa-que-divergem-com-a-legislação-da-Fifa.jpg"><br />
</a> O governo Lula então se viu forçado a beijar a bunda de Blatter, de Ricardo Teixeira, de José Maria Marin e Marco del Nero – e de sua namorada, Carolina Galan – além de Joanna Havelange e João Havelange.</p>
<p>No meu site tem um <a href="http://www.transparencyinsport.org/The_documents_that_FIFA_does_not_want_fans_to_read/PDF-documents/(10)FIFA-aan-NL.pdf" target="_blank">exemplo</a> das cartas de <em>bullying </em>que o sr. Vollmüller gosta de escrever. Essa é para a associação de futebol da Holanda, dizendo que o governo holandês não está beijando bundas o suficiente, já que não dá abonos tributários o suficiente e, portanto, não vai levar a Copa do Mundo.</p>
<p>De fato, não levou.</p>
<p>Eu gostaria de ver o Sr. Vollmüller andando por uma favela e instruindo os moradores a se mudarem porque Sepp Blatter quer construir uma estrada ou um hotel. Aí nós veríamos o quão valentão ele é.</p>
<p>Atenção: tenham cuidado também com Franz Beckenbauer. A partir de agora ele vai entrar e sair do Brasil, procurando boas oportunidades de negócio. Olhe atentamente e você vai ver que um passo atrás de Franz está um cavalheiro volumoso com cabelo branco à escovinha. <em>Voilá. </em>Conheçam Fedor Radmann. Fedor é da “Máfia de Munique”, uma subdivisão da Família Fifa do Crime Organizado.</p>
<p>Fedor é famoso por entregar malas com grandes quantias de dinheiro, com o propósito de ajudar os funcionários do esporte a votar da maneira que ele quer.</p>
<p>Foi ele quem entregou as malas de propina para os líderes da Fifa em 2000, definindo a decisão de dar a Copa do Mundo de 2006 para a Alemanha. Eu sei disso porque tenho os documentos.</p>
<p>O dinheiro veio do magnata da TV alemã, Leo Kirch, que também pagou US$1 milhão para um amigo de Havelange no Rio, Elias Zaccour. O dinheiro foi para uma conta de Zaccour em um banco em Luxemburgo. E depois de lá, para onde? Ricardo? Sepp? João?</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3561" title="Havelange, Weber e Blatter. Foto: Site Transparency in Sport" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/20-Blatter-Weber-Havelange.jpg" alt="" width="640" height="454" /></p>
<p>Outro mafioso da Fifa é o homem-da-mala, Jean-Marie Weber. Ele trabalhou como cobrador júnior para o lendário empresário alemão Horst Dassler &#8211; da família Adidas &#8211; que fundou a empresa de marketing ISL, que parecia subornar quase todo líder esportivo do mundo para fechar um negócio. Quando Dassler morreu, apenas Weber tinha a lista de funcionários gananciosos.</p>
<p>Ao longo dos anos, Jean-Marie Weber levou em malas US$100 milhões para Havelange, Teixeira e Blatter – e até entregou um pagamento que foi parar na sede da Fifa por engano. Blatter sabia das propinas e ao permitir que seus colegas as recebessem, garantiu seus longos anos no poder.</p>
<p>Quem mais levou dinheiro do homem-da-mala Weber?</p>
<p>O diretor do Comitê de Organização para 2014 da Fifa é um verdadeiro buraco negro para dinheiro sujo. É ninguém menos que o presidente do Conmebol desde 1986, o paraguaio Nicolas Leoz. Ele recebeu, comprovadamente, cinco propinas que totalizam US$ 730 mil de Weber. Eu acho que havia muito mais, mas Leoz conseguiu esconder as contas nas quais o dinheiro foi parar.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/8-JSB-Leoz.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-3562" title="Blatter e Leoz. Foto: Site Transparency in Sport" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/8-JSB-Leoz.png" alt="" width="466" height="313" /></a></p>
<p>O vice de Leoz no comitê para a Copa do Mundo de 2014 é outra esponja de propinas. Issa Hayatou comanda o futebol na África quando não está tirando dinheiro de ninguém. Eu denunciei ambos em um programa da TV BBC em 2010, mas não houve até agora nenhuma atitude da família da máfia Fifa para expulsá-los.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/3A-Weber-Hayatou.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-3564" title="Weber e Hayatou. Foto: Site Transparency in Sport" src="http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2013/01/3A-Weber-Hayatou.png" alt="" width="640" height="446" /></a></p>
<p>Então, amigo brasileiro, proteja também suas economias, chaves de carro, laptops, celulares e sapatos.</p>
<h3><strong>5.  </strong><strong>Vaias em nome da Copa</strong></h3>
<p>Nós podemos estar excluídos do poder do futebol mas ainda temos nossas vozes nas ruas e estádios. As campanhas e o slogan “Fora Teixeira” ajudaram a perseguir aquele bandido para fora de sua casa no Rio até o seu esconderijo em Boca Ratón, na Flórida – um nome muito apropriado.</p>
<p>Blatter odeia ser tratado desrespeitosamente. E vocês, torcedores, têm muito poder em seus pulmões. Blatter foi vaiado durante a Copa do Mundo na Coréia. Com medo de um repeteco, ele não ousou aparecer para entregar o troféu na final da Copa da Alemanha em 2006. Também tem sido vaiado na Inglaterra.</p>
<p>Seria ótimo ler o slogan “Vaie Blatter” pintado em todos os muros no Brasil. Ao lado, poderia estar rabiscada a verdadeira equação: “FIFA = Máfia”.</p>
<p>Então vamos começar já, praticando, respirando fundo, e: BUUUUUUUUUUUUUU!</p>
<p><strong>andrew-jennings@btconnect.com</strong></p>
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