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	<title>Pública &#187; Tag: #Etiópia</title>
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	<description>AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO</description>
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		<title>Ajuda internacional financia brutalidades na Etiópia</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/11/ajuda-internacional-financia-brutalidades-na-etiopia/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 11:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
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		<description><![CDATA[Como na Tunísia e no Egito, cujos governos caíram na primavera árabe, a Etiópia recebe assistência financeira internacional apesar de violações de direitos humanos]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O Reino Unido e a comunidade internacional estão sendo acusados ​​de fazer vista grossa aos abusos cometidos contra os direitos humanos na Etiópia, fornecendo ao país bilhões de dólares de ajuda apesar de evidências do uso do dinheiro como ferramenta de opressão política.</p>
<p>Uma investigação secreta feita em conjunto pelo Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública, e a BBC revela que em diversas áreas da Etiópia, comunidades assoladas pela seca e pela fome estão sem alimentos básicos,  sementes e fertilizantes porque não apoiaram o primeiro-ministro Meles Zenawi, que está no poder desde 1991.</p>
<p>A investigação também trouxe evidências de que as forças do governo se utilizam de práticas de limpeza étnica, com detenções em massa, uso generalizado de tortura e de execuções extrajudiciais.</p>
<p>E revela que altos funcionários, tanto no parlamento da União Eeuropeia como no Reino Unido, têm agido com incompetência diante de relatórios recorrentes que denunciam terríveis abusos dos direitos humanos.</p>
<p>Além disso, em pelo menos uma vez a Comissão Européia tentou atenuar as informações de um relatório oficial que detalhava as principais acusações contra o governo etíope.</p>
<p><strong>Doações generosas</strong></p>
<p>A Etiópia recebe a cada ano US$ 3 bilhões de ajuda para o desenvolvimento, tendo como principais doadores os EUA e o Reino Unido, que este ano contribuirá com 290 milhões de libras, além dos 48 milhões de libras emergenciais anunciados em julho. Isso representa um aumento de mais de 24 vezes em relação à década passada.</p>
<p>A União Europeia também contribuiu com uma doação de 152 milhões de libras no ano passado.</p>
<p>Desde 2005, porém, quando Zenawi foi acusado de fraudar as eleições vencidas pela oposição na capital, provas abundantes de violações de direitos humanos são conhecidas pela comunidade internacional.</p>
<p>A portuguesa Ana Gomes, membro do parlamento europeu e chefe dos observadores da União Europeia (UE) durante a eleição de 2005 na Etiópia, cita inúmeros casos de violações aos direitos humanos. Em conversa com o Bureau, ela acusou a comunidade internacional de “imoralidade” por ignorar deliberadamente o assunto.</p>
<p>Segundo ela, “a indústria da ajuda não acontece somente na Comissão Européia, mas também nos países-membros que, individualmente estão entre os maiores doadores à Etiópia, como a Inglaterra e a Alemanha”. E acusa: “Eles querem que o negócio continue como de costume porque têm seus próprios interesses&#8221;.</p>
<p>Gomes afirma que os funcionários da Comissão Européia tentaram relativizar os fatos narrados nos relatórios escritos em 2005, que tratavam de problemas ocorridos durante as eleições. Os relatórios são vistos e editados por diversas pessoas.</p>
<p>&#8220;O que realmente me surpreendeu foi que o Departamento para o Desenvolvimento da Comissão Européia reescreveu completamente o meu relatório e o deixou ameno, fraco, alterando todas as passagens em que foram detalhadas a situação e a repressão sofrida pela oposição. Eu fiquei realmente chocada”.</p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/reinado-de-terror-no-centro-de-detencao-de-maikelawi/"><span style="color: #0000ff;">Parte 2: Reinado de terror no centro de detenção de Maikelawi</span></a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/ajuda-financeira-e-usada-como-arma-politica-no-sul-da-etiopia/"><span style="color: #0000ff;">Parte 3: Ajuda financeira é usada como arma política no sul da Etiópia</span></a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-4-as-vozes-dos-torturados/"><span style="color: #0000ff;">Parte 4: As vozes dos torturados</span></a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-5-midia-e-amordacada-por-leis-antiterror/"><span style="color: #0000ff;">Parte 5: Mídia é amordaçada por leis antiterror</span></a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/leia-mais-resposta-da-embaixada-da-etiopia/"><span style="color: #0000ff;">Leia mais: A resposta da embaixada da Etiópia</span></a></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Fingindo de cego</strong></p>
<p>O problema é que a Etiópia está em uma posição geográfica estrategicamente importante.</p>
<p>&#8220;Os líderes ocidentais não atacam o regime repressivo de Zenawi, alegando interesse em manter a estabilidade. Além de tentar retratar o caso da Etiópia como um sucesso de assistência ao desenvolvimento, a UE e os EUA buscam qualificar a ajuda como crucial na luta contra o terrorismo e na conquista da estabilidade política no Chifre da África &#8220;, disse Gomes.</p>
<p>O Bureau tem enviado relatórios confidenciais diariamente para o Embaixador da UE na Etiópia mostrando abusos rotineiros relatados aos altos funcionários da Comissão Européia desde 2005.</p>
<p>A repressão violenta contra os partidários da oposição por tropas de Zenawi foi descrita detalhadamente em 61 e-mails enviados pelo Embaixador Timothy Clarke a 27 funcionários que ocupavam os mais altos cargos da União Europeia.</p>
<p>Os e-mails foram enviados durante mais de três meses depois da eleição de 2005 e relatavam a preocupação crescente com assassinatos e prisões de milhares de civis por forças do governo.</p>
<p>Todos os membros do Conselho da Europa e de relações exteriores, desenvolvimento e ajuda da Comissão Européia foram contatados.</p>
<p>Em 12 de junho, Clarke exigiu uma ação imediata: “Violações aos direitos humanos essenciais estão sendo cometidas pelo governo diariamente e a UE deve responder com firmeza e determinação”.</p>
<p>No entanto, no dia seguinte, a presidência da UE elogiou as eleições.</p>
<p>E em 6 de julho de 2005, Zenawi, a convite de Tony Blair, participou da cúpula do G8 em Gleneagles, onde eles discutiram a pobreza na África.</p>
<p>Após a eleição de 2005, a UE deu 134 milhões de euros para a Etiópia e passou a doar 244 milhões de euros em 2007.</p>
<p><strong>Zenawi no poder</strong></p>
<p>Meles Zenawi chegou ao poder após a expulsão do regime militar de Derg em 1991 e ganhou apoio do Ocidente com a bandeira da “democracia revolucionária”.</p>
<p>Mas nas eleições de 2005, a oposição obteve uma vitória esmagadora na capital Addis Abeba.</p>
<p>O governo reagiu rapidamente e declarou vitória em todo o país. O povo tomou as ruas e em seguida houve uma violenta repressão. Dezenas de milhares foram detidos e 193 morreram.</p>
<p>Desde 2005, Meles Zenawi vem trabalhando por sua permanência no poder. Nas eleições de 2010, o governo garantiu 99,6% dos votos.</p>
<p>No entanto as alegações de detenções em massa, opressão, tortura e estupro continuaram emergindo.</p>
<p><strong>Funcionários britânicos estão cientes das denúncias</strong></p>
<p>As autoridades britânicas têm sido repetidamente avisadas das violações aos direitos humanos.</p>
<p>O professor Merera Gudina, fundador e líder de um dos partidos da oposição da Etiópia, diz ter lidado bastante com diplomatas britânicos nos últimos 15 anos. &#8220;Convidamos o embaixador e os diplomatas várias vezes a verificar o que está acontecendo, especialmente quando eles dizem que estão apenas protegendo os serviços essenciais”.</p>
<p>“Grande parte da ajuda ao desenvolvimento que vem para a Etiópia é mal utilizada pelo governo etíope. Nós os desafiamos a monitorar para onde está indo o dinheiro. Como o governo está usando [o montante]. Nós lhes demos as provas que tínhamos e os desafiamos a descobrir a verdade”, diz ele.</p>
<p>Relatórios da ONU, dos EUA e de organizações de direitos humanos também mostram abusos por parte do governo etíope.</p>
<p>“Não há como a comunidade internacional alegar que eles não tinha conhecimento dos relatórios. O que os impede de reconhecer o que está acontecendo de fato na Etiópia?”, pergunta Gomes.</p>
<p>Agora, a investigação do Bureau revela que o fato da ajuda internacional estar sendo utilizada como uma ferramenta política também está sendo ignorado.</p>
<p>Ben Rawlence, pesquisador sênior da ONG Human Rights Watch, que publicou vários relatórios contundentes sobre a situação na Etiópia, diz que “o desenvolvimento só está ao alcance das pessoas que apóiam o regime ou votam para manter o partido no poder.&#8221;</p>
<p>Isso levou comunidades inteiras a viver em uma situação de desespero, sem a ajuda mínima necessária.</p>
<p>Rawlence acrescenta que a comunidade internacional precisa “pensar melhor sobre como se deve se comportar em relação a um país que desrespeita os direitos humanos e se certificar de que a ajuda econômica realmente será usada onde deveria”. E adverte: “É muito, muito difícil”.</p>
<p>Nossa investigação também trouxe denúncias de que o combate à fome tem sido usado como instrumento de repressão, forçando milhares de pessoas a deixar o país.</p>
<p>Muitos estão fugindo para Dadaab, campo de refugiados no norte do Quênia, que está no centro das atenções internacionais porque recebe milhares de vítimas da fome da Somália.</p>
<p>Mas, ao contrário dos refugiados somalis, os etíopes que fogem da fome e do terror não estão sendo ouvidos.</p>
<p>Entre eles estão uma mulher de 35 anos que alegou ter perdido seu bebê após ser estuprada por membros do exército; uma avó de quatro netos, presa junto com outras 100 pessoas da sua aldeia, que diz ter presenciado o assassinato do filho; e um homem que contou ter sido brutalmente espancado e obrigado a lutar com cães para se alimentar.</p>
<p>“Fechando os olhos para as brutais violações dos direitos humanos, as eleições fraudulentas, o empobrecimento e expropriação na Etiópia, bem como o impacto das políticas da Etiópia com seus os vizinhos, a UE não só está fazendo mau uso do dinheiro dos contribuintes europeus, mas apoiando um estado ilegítimo, deixando em maus lençóis todos aqueles que lutam por justiça e democracia, além de aumentar o potencial de conflito na Etiópia e na África”, afirma Ana Gomes.</p>
<p>O embaixador da Etiópia na Grã-Bretanha Abdirashid Dulane disse à BBC que “faltou objetividade e imparcialidade” no programa. A Etiópia “condenou firmemente a tortura e as violações” e afirmou que a constituição do país prevê proteção para quem têm os direitos violados.</p>
<p>Já o ministro de Desenvolvimento Internacional britânico, Stephen O&#8217;Brien, declarou que “todas as alegações de violações dos direitos humanos são tratadas com extrema seriedade, inclusive pelo Governo da Etiópia, com quem temos um relacionamento honesto. Sempre que há provas, reagimos com firmeza e decisão”.</p>
<p>Segundo ele, o programa de ajuda britânica ao povo da Etiópia  beneficia 30 milhões de pessoas que vivem em extrema pobreza.</p>
<p><strong><span style="color: #0000ff;"><a href="http://apublica.org/2011/11/reinado-de-terror-no-centro-de-detencao-de-maikelawi/"><span style="color: #0000ff;">Parte 2: Reinado de terror no centro de detenção de Maikelawi</span></a></span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #0000ff;"><a href="http://apublica.org/2011/11/ajuda-financeira-e-usada-como-arma-politica-no-sul-da-etiopia/"><span style="color: #0000ff;">Parte 3: Ajuda financeira é usada como arma política no sul da Etiópia</span></a></span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #0000ff;"><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-4-as-vozes-dos-torturados/"><span style="color: #0000ff;">Parte 4: As vozes dos torturados</span></a></span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #0000ff;"><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-5-midia-e-amordacada-por-leis-antiterror/"><span style="color: #0000ff;">Parte 5: Mídia é amordaçada por leis antiterror</span></a></span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #0000ff;"><a href="http://apublica.org/2011/11/leia-mais-resposta-da-embaixada-da-etiopia/"><span style="color: #0000ff;">Leia mais: A resposta da embaixada da Etiópia</span></a></span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Terror no centro de detenção de Maikelawi</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 10:59:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[#DireitosHumanos]]></category>
		<category><![CDATA[#Etiópia]]></category>

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		<description><![CDATA[Maikelawi é um centro de detençãofamoso pelos abusos de direitos.  Para os etíopes, é a “Guantánamo africana”.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Maikelawi é um centro de detenção localizado no centro da capital da Etiópia, Adis Abeba, que é sempre citado em qualquer conversa sobre abusos de direitos humanos no país.  Para os etíopes, é a “Guantánamo africana”.</p>
<p style="text-align: left;">De acordo com membros da oposição, a maioria dos detentos é de adversários políticos.</p>
<p style="text-align: left;">A reportagem entrevistou ‘Daniel’ – o nome é fictício – que anteriormente era capitão do exército etíope e foi recentemente detido no Maikelawi.</p>
<p style="text-align: left;">“Quando meu caso estava sendo julgado no tribunal, os promotores inventaram testemunhas dentre os prisioneiros. Eles foram pagos. Na verdade o governo não tinha testemunha nenhuma”, disse ele.</p>
<p style="text-align: left;">“O interrogatório ocorria sempre de noite. Eles começavam batendo, depois amarravam os pés e mãos com um ferro e penduravam o preso de cabeça para baixo. Eles nos mergulhavam na água, davam choques elétricos e enchiam a nosa boca com um pano para que ninguém pudesse ouvir os gritos. Sofremos ferimentos horríveis devido à tortura. Alguns perderam a mobilidade nas mãos, ou as unhas. Um homem foi pendurado pela mão por mais de 19 horas”.</p>
<p style="text-align: left;">As denúncias de Daniel, assim como a de muitos outros ouvidos pela reportagem, são compatíveis com os relatórios publicados por organizações de direitos humanos. A ONG Human Rights Watch, por exemplo, publicou um documento em 2010 segundo o qual os detentos de <em> </em>Maikelawi<em> “</em>afirmaram ter sofrido longas noites de maus-tratos físicos, tais como serem obrigados a deitar no chão, algemados, vendados, e em alguns casos nus, enquanto os interrogadores calçados com botas militares subiam sobre seus peitos.</p>
<p style="text-align: left;">Também disseram ter sido chicoteados e espancados na cabeça e nos pés, amordaçados, pendurados de cabeça para baixo e espancados com cabos elétricos. Foram ameaçados com injeção de sangue infectado pelo HIV e submetidos a insultos étnicos”.<em></em></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #3366ff;"><em><a href="http://apublica.org/2011/11/ajuda-financeira-e-usada-como-arma-politica-no-sul-da-etiopia/"><span style="color: #3366ff;"><strong>Ajuda financeira é usada como arma política no sul da Etiópia</strong></span></a></em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #3366ff;"><em><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-4-as-vozes-dos-torturados/"><span style="color: #3366ff;"> As vozes dos torturados</span></a></strong></em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #3366ff;"><em><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-5-midia-e-amordacada-por-leis-antiterror/"><span style="color: #3366ff;"><strong>Mídia é amordaçada por leis antiterror</strong></span></a></em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #3366ff;"><em><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/leia-mais-resposta-da-embaixada-da-etiopia/"><span style="color: #3366ff;">A resposta da embaixada da Etiópia</span></a></strong></em></span></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Abuso sistemático</strong></p>
<p style="text-align: left;">A Etiópia aderiu à Convenção da ONU contra a Tortura em 1994 e incorporou leis anti-tortura em sua Constituição, mas o país segue violando essas leis.</p>
<p style="text-align: left;">Cabe à Comissão de Direitos Humanos etíope relatar os abusos ocorridos nos centros de detenção para o governo. Para esse fim a organização recebeu 6 milhões de dólares através do programa da ONU para o desenvolvimento. Mas até o momento a Comissão não relatou nenhum abuso em Maikelawi.</p>
<p style="text-align: left;">Organizações de direitos humanos insistem em que o abuso é sistemático, permeando todos os níveis da segurança e até mesmo as forças judiciais.</p>
<p style="text-align: left;">Outra vítima, Amerar Bayabel, disse depois de 14 dias consecutivos de tortura foi convidado para ser testemunha contra outros presos. “Quando me recusei a fazer isso, eles me acusaram de um crime”.</p>
<p style="text-align: left;">Além dele, o sargento Yibeltal Birhanu contou que em maio de 2009 estava com os olhos vendados e algemados na sala de interrogatório. “Disseram-me que queriam que eu fosse testemunha. Perguntei conta quem eles queriam que eu testemunhasse. Então instruíram que eu dissesse ao tribunal que [os réus] tinham prometido me dar dinheiro se eu matasse funcionários do governo. Eu disse que não conhecia essas pessoas e nunca seria testemunha. Então eles começaram a me bater”.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ajuda financeira é usada como arma política</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 10:58:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[#Etiópia]]></category>

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		<description><![CDATA[Investigação descobre que governo Etíope nega ajuda em distritos que fizeram oposição nas últimas eleições.  ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Localizados no árido sudeste da Etiópia, os chamados distritos das Nações do Sul, Nacionalidades e Região Popular são uma área conhecida pela precariedade da colheita agrícola.</p>
<p>Ali se espalha a fome verde, ou “<em>green famine”</em>, termo usado para descrever a dramática situação em que a produção agrícola está verde mas as pessoas estão famintas. Em agosto deste ano, por exemplo, embora estivesse chovendo os campos verdejantes escondiam uma fome terrível.  As chuvas chegaram tarde demais e por isso as culturas ainda não estavam prontas para a colheita.</p>
<p>A região é fortemente dependente da ajuda externa, mas de acordo com várias pessoas ouvidas pelo Bureau  of Investigative Journalism, parceiro da Pública, esta ajuda tem sido precária. “A situação é desesperadora. Se a família não pode receber [ajuda] não temos nada. Tudo depende do que as crianças recebem. Não há nada que possamos fazer.  Estamos  abandonados. É uma questão de sorte se vivemos ou morremos”, diz uma uma viúva com sete filhos entrevistada em uma aldeia remota daquela região, que depende exclusivamente dos donativos da ajuda internacional.</p>
<p><strong>Abandono calculado</strong></p>
<p>Nesta pequena aldeia, todos afirmam que a falta de assistência básica se dá porque a região apoiou a oposição ao governo do primeiro-ministro Meles Zenawi durante as eleições de 2005. Zenawi está no poder desde 1991.</p>
<p>Na época dizia-se que os partidos de oposição tinham feito grandes progressos no que os observadores consideraram ser eleições legítimas, abertas e democráticas. Mas os resultados nunca se tornaram públicos.</p>
<p>Os partidos de oposição da região negaram os resultados em 31 distritos eleitorais. As cédulas foram refeitas, mas de novo os resultados foram mantidos em segredo – nunca foram anunciados.</p>
<p>Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que os eleitores continuam a pagar o preço de sua “deslealdade” à Frente Democrática Revolucionaria do Povo Etíope; a Frente se nega a ajudar a região.</p>
<p><strong><span style="color: #0000ff;"><a href="http://apublica.org/2011/11/ajuda-internacional-financia-brutalidades-na-etiopia/"><span style="color: #0000ff;">Parte 1: Ajuda internacional financia brutalidades na Etiópia </span></a></span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #0000ff;"><a href="http://apublica.org/2011/11/reinado-de-terror-no-centro-de-detencao-de-maikelawi/"><span style="color: #0000ff;">Parte 2: Reinado de terror no centro de detenção de Maikelawi</span></a></span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #0000ff;"><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-4-as-vozes-dos-torturados/"><span style="color: #0000ff;">Parte 4: As vozes dos torturados</span></a></span></strong></p>
<div><strong><span style="color: #0000ff;"><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-5-midia-e-amordacada-por-leis-antiterror/"><span style="color: #0000ff;">Parte 5: Mídia é amordaçada por leis antiterror</span></a></span></strong></div>
<p><strong><span style="color: #0000ff;"><a href="http://apublica.org/2011/11/leia-mais-resposta-da-embaixada-da-etiopia/"><span style="color: #0000ff;">Leia mais: A resposta da embaixada da Etiópia</span></a></span></strong></p>
<p>Segundo Beyene Pretros, professor de Ciências Naturais na Universidade de Adis Abeba e vice-presidente do grupo de oposição Fórum da Etiópia, os oposicionistas são impedidos de se registrar para receber ajuda alimentar, sementes ou fertilizantes. Alguns ouvem que devem procurar ajuda do partido que apoiaram.</p>
<p>É a mesma história contada por um grupo de idosos ouvidos pela reportagem na mesma aldeia remota do sul do país. Por medo de serem ouvidos – e de correrem risco de vida –eles pediram para nos encontrar em um matagal na entrada do vilarejo.</p>
<p>“Os fertilizantes e as boas sementes são dadas só para quem está a favor do governo. Os pobres nunca ganham nada. A gente se registra para receber ajuda, mas nos dizem que chegamos tarde. Foi a única razão que nos deram.&#8221;</p>
<p>Uma pessoa do grupo acrescentou: “Devido ao meu ponto de vista político, perdi minha fazenda. Meus filhos estão espalhados por aí. As roupas que eu uso são fornecidas por meus parentes que moram no exterior.  Levaram a minha terra, que foi dada para a autoridade local – o único  juiz.  Eu só estou sobrevivendo porque estou trabalhando na fazenda dos outros”.</p>
<p><strong>Políticas de sanção do governo?</strong></p>
<p>Tanto os EUA como a União Europeia têm feito relatórios criticando tanto as eleições de 2005 quanto as de 2010.  Entre as acusações estão casos de assédio, intimidação, coerção e sistemática negação de ajuda alimentar aos apoiadores da oposição.</p>
<p>Por exemplo, um relatório do Departamento de Estado EUA em 2006 afirma que “durante o ano todo há relatórios confiáveis da Comissão de Direitos Humanos da Etiópia e dos partidos de oposição que mostram que em certas zonas rurais as autoridades locais usaram  ​​ameaças de redistribuir as terras e suspender o fornecimento do auxílio alimentar e de fertilizantes para conseguir apoio para a coalizão governista”.</p>
<p>Esta denúnicia é sustentada por outras entidades, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch.</p>
<p>Mas, para o primeiro-ministro Meles Zenawi, estas acusações são “ultrajantes e estúpidas”; “Não há tal sistema, nunca haverá um sistema desse tipo”, afirma.</p>
<p><strong>Doadores internacionais</strong></p>
<p>“Temos tentado chamar a atenção dos doadores internacionais para o fato de que os suprimentos necessários, o fornecimento de ajuda alimentar e a implementação de medidas de segurança simplesmente não estão indo para os necessitados. Há uma grande diferenciação política entre aqueles que apóiam o governo e nós [da oposição]”, afirma o mesmo professor Pretros, da Universidade de Adis Abeba, afirmou.</p>
<p>Apesar das evidências de que o subsídio alimentar foi suspenso para os que se opõem ao governo, a ajuda internacional nunca foi suspendida ou negada, ou passou por escrutínio internacional.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Prisões etíopes: As vozes dos torturados</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/11/parte-4-as-vozes-dos-torturados/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 10:57:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#DireitosHumanos]]></category>
		<category><![CDATA[#Etiópia]]></category>

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		<description><![CDATA[Reportagem ouviu diversos etíopes que foram presos e torturados pela polícia no seu país.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Leia abaixo alguns depoimentos:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>“Ainda </strong><strong>sinto uma queimação nas veias das pernas”</strong></p>
<p>Um ex-empresário descreveu ter sido arrastado de sua casa à meia-noite e aprisionado por três anos nas regiões de Gode e Jijigam, no leste somali da Etiópia. Ele afirma ter sido mantido em uma cela junto com outros 67 prisioneiros. Não havia água encanada nem rede de esgoto. Os prisioneiros eram obrigados a defecar em canecas de plástico – por conta da falta de higiene, ele ficou doente.</p>
<p>“O tratamento era muito cruel. Eles nos levavam para fora das celas durante a noite para nos interrogar e nos torturar, fazendo perguntas para as quais não tínhamos resposta. Eu apanhei muito. Ainda tenho as marcas das torturas e sinto uma queimação nas veias das pernas. Todos os meus músculos doem”.</p>
<p>Ele afirma que algumas vezes for a amarrado e colocado em um pequeno buraco no chão, praticamente sem ar. Também ameaçavam jogarem-no em outro buraco “usado para matar pessoas”.</p>
<p><strong>O ex-soldado</strong></p>
<p>“Daniel” – o nome é fictício – era um capitão no exército etíope até ser preso por dois meses em uma prisão local e depois transferido para o famoso centro de detenção Maikelawi.</p>
<p>Ele descreve como a tortura era rotineiramente usada para obter confissões forçadas. Algumas vezes os prisioneiros nem sabiam de qual crime eram acusados.</p>
<p>“O interrogatório começa com espancamentos, depois eles amarram suas mãos e seus pés com ferro e te penduram de cabeça para baixo. Eles te afogam, depois usam cheques elétricos. Eles enchem sua boca para que não possa gritar”.</p>
<p>Em geral havia 50 pessoas na prisão. Todas sofreram feridas graves como resultado da tortura. Algumas delas perderam a mobilidade nas mãos, outras perderam as unhas. Houve um homem que foi pendurado pela mão por mais de 19 horas”.</p>
<p><strong>“Fui jogada num buraco cheio de cobras”</strong></p>
<p>Uma mulher de<strong> </strong>55 anos, que já é avó, disse que estava no meio de mais de 100 civis retirados do seu vilarejo pelas forças de segurança. Alguns foram mortos, incluindo o seu filho, enquanto outros foram para a cadeia.</p>
<p>Ela descreveu como estava ainda em choque pela morte do filho quando foi retirada do meio da multidão e jogada em um buraco cheio de cobras.</p>
<p>Ela foi deixada lá durante a noite, e foi picada. De manhã estava tão mal de saúde que os soldados, acreditando que estava morta, retiraram-na do poço para enterrá-la. Quando viram que estava viva, jogaram-na de volta.</p>
<p>“Mas as cobras não foram o pior; eu fui estuprada por uma fila de soldados”, diz ela. “Me estupraram em um quarto, um deles estava sobre minha boca e outro amarrou as minhas mãos. Eu desmaiei”.</p>
<p>Ao mesmo tempo em que era estuprada, ela conta que recebia pauladas com um pedaço de metal, e depois com uma baioneta.</p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/ajuda-internacional-financia-brutalidades-na-etiopia/"><span style="color: #0000ff;">Parte 1: Ajuda internacional financia brutalidades na Etiópia </span></a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/reinado-de-terror-no-centro-de-detencao-de-maikelawi/"><span style="color: #0000ff;">Parte 2: Reinado de terror no centro de detenção de Maikelawi</span></a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/ajuda-financeira-e-usada-como-arma-politica-no-sul-da-etiopia/"><span style="color: #0000ff;"><strong>Parte 3: </strong><strong>Ajuda financeira é usada como arma política no sul da Etiópia</strong></span></a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-5-midia-e-amordacada-por-leis-antiterror/"><span style="color: #0000ff;"><strong>Parte 5: Mídia é amordaçada por leis antiterror</strong></span></a></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/leia-mais-resposta-da-embaixada-da-etiopia/"><span style="color: #0000ff;">Leia mais: A resposta da embaixada da Etiópia</span></a></strong></span></p>
<p><strong>“Eu tinha que lutar com os cães policiais por comida”</strong></p>
<p>Um homem disse ter sido preso na sua casa à 1h da madrugada e levado a um campo militar na região de Gode. A prisão aconteceu há quatro anos, mas ele traz ainda as marcas da tortura.</p>
<p>“Eu fui amarrado com um fio elétrico ao redor do peito e das pernas e apanhei até ficar inconsciente. Só voltei a mim às 10 horas da manhã”.</p>
<p>Ele ficou preso por sete meses, durante os quais ele permaneceu muito tempo ao relento, vigiado por cães, e foi sistematicamente torturado. Ele afirma ter sido obrigado a beber água do esgoto e a brigar com os cães pela comida.</p>
<p>“As mulheres, eles estupravam. Como eu sou homem, era torturado. Eles me batiam com um bastão de metal parecido com o que usam para construções, e também me davam coronhadas de revólver e me chutavam com suas botas. Eu estava tão fraco que um chute me atirava para longe, como uma bola de futebol. No começo eu sangrava por causa das torturas, mas com o tempo apenas salivava muito”, diz ele.</p>
<p>“Uma noite, começou a chover e todos os guardas correram para buscar abrigo. Foi aí que eu encontrei um buraco na cerca de segurança e passei por ela. Eu não fui libertado; consegui fugir”.</p>
<p>Ele diz que nunca soube por que foi preso.</p>
<p><strong>“Me bateram com um rifle até matarem o bebê que eu estava esperando”</strong></p>
<p>Uma mulher descreveu ter sido presa quando estava gravida. Ela diz ter sido estuprada e espancada até perder o bebê.</p>
<p>Ela diz ter sido levada para uma cabana geralmente usada como lugar de descanso por um soldado de alta patente, onde foi agredida violentamente.</p>
<p>Um homem pulou no seu estômago e bateu nele com um rifle até matar o bebê. Depois ela foi estuprada até desmaiar.</p>
<p>A mulher descreveu ter visto um homem que também estava preso. Segundo ela, o prisioneiro foi torturado tão barbaramente que “sua língua e olhos estavam saltados para fora”.</p>
<p>“Também havia uma garota comigo, ela devia ter uns 16 anos. Ela também apanhou e foi estuprada, depois foi cortada e acabou em coma”.</p>
<p><strong>A jovem mãe</strong></p>
<p>Uma mulher de 30 anos estava dormindo no mesmo quarto que a sua mãe, o seu irmão e um bebê de dois dias de idade quando as forças do governo invadiram a sua casa.</p>
<p>Eles mataram o seu irmão e a arrastaram para a cadeia sem o filho. Ali ela foi mantida presa por dois anos e meio, onde foi repetidamente torturada. “Não fazia a menor diferença se era dia ou noite, eles não tinham medo de ninguém. Como eu podia lutar contra isso? Estava fraca e era cercada por centenas de homens armados. Eu desisti de viver”.</p>
<p>Além dela, outras 50 detentas eram sujeitas à mesma brutalidade – algumas continuam presas.</p>
<p>Ela conta que conseguiu escapar quando pediu que os guardas trouxessem remédios para ela.</p>
<p><strong>AS VOZES DOS OPRIMIDOS</strong></p>
<p>Na região sudeste da Etiópia a chuva veio tarde e os grãos ainda não estão maduros.  Há milhões de pessoas desnutridas e passando fome. Em agosto deste ano, o Bureau visitou algumas das aldeias mais distantes ao sul. E ouviu os seguintes depoimentos:</p>
<p><strong>“Queremos morrer mas a morte não chega”</strong></p>
<p>‘Negasi’ é um agricultor de oposição ao governo.</p>
<p>“Não há problema que não exista nesse país. Quem se opõe ao governo não tem direito de viver em nosso país. Não podemos migrar porque não temos forças. Queremos morrer mas a morte não chega”, diz ele.</p>
<p>“Por causa de nossas posições políticas enfrentamos grande intimidação. Nos negam o acesso a fertilizantes e sementes porque somos da oposição. Muitos preferiram mudar suas preferências políticas. Se uma mulher segue o partido do governo e seu marido está na oposição, eles tentam forçar o casal a se divorciar. Nossa vida é uma prisão sem grades”.</p>
<p><strong>&#8220;Fomos abandonadas até pelas nossas  famílias&#8221;</strong></p>
<p>“Por causa da perseguição das autoridades locais fomos abandonados até por nossos parentes. Eles lhes dizem para se afastar de nós e não se deixar prender por laços sociais e culturais. Fomos abandonados não apenas pelo governo mas também pela comunidade local. Não posso apoiar o partido do governo – minha mente não aceita isso. Eu preferia morrer do que viver desse jeito”, diz ‘Yenee’, uma viúva que cuida sozinha de sete filhos.</p>
<p>“A situação é desesperadora. É frustrante. Vivemos pelas graças de Deus. Não há nada que possamos fazer”.</p>
<p>Ela conta que se as crianças não pudessem sair e pedir esmolas a família não teria como sobreviver. Essa é a única fonte de recursos.</p>
<p><strong>“Aqui não há nenhum tipo de ajuda da ONU ou de países estrangeiros”</strong></p>
<p>Um dos mais idosos da aldeia descreve como é a vida sem receber a tão necessária ajuda.</p>
<p>“Em outras regiões, a terra é fértil e eles têm a sorte de obter boas colheitas. Nossa área é muito populosa, cheia demais. E aqui não há nenhum tipo de ajuda da ONU ou de países estrangeiros. Nenhum tipo de apoio”.</p>
<p>“Houve algumas intervenções do governo nos últimos anos, mas esse ano não recebemos nada, ajuda nenhuma. Eles dizem que não tem recursos para mais, que está acima da capacidade do governo e que eles fizeram o que puderam e que agora não têm como obter mais doações”.</p>
<p><strong>“Não há nenhuma vaca dando leite”</strong></p>
<p>Encontramos uma mulher no alto da aldeia, sentada com uma criança no colo.</p>
<p>“Quando os homens trabalham, cuido sozinha das crianças. Mas eu também estou faminta e doente. O problema é que não há nenhuma vaca dando leite. A fome esse ano tem sido um grande problema. Não temos reserva de alimentos, apenas esperamos pela próxima colheita. Vivemos dessa esperança. Se tivermos pelo menos uma refeição por dia, sobreviveremos até a colheita. Com menos do que isso, não há salvação para nós”.</p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/ajuda-internacional-financia-brutalidades-na-etiopia/">Parte 1: Ajuda internacional financia brutalidades na Etiópia </a></strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/reinado-de-terror-no-centro-de-detencao-de-maikelawi/">Parte 2: Reinado de terror no centro de detenção de Maikelawi</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/ajuda-financeira-e-usada-como-arma-politica-no-sul-da-etiopia/"><strong>Parte 3: </strong><strong>Ajuda financeira é usada como arma política no sul da Etiópia</strong></a></strong></p>
<p><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-5-midia-e-amordacada-por-leis-antiterror/"><strong>Parte 5: Mídia é amordaçada por leis antiterror</strong></a></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/leia-mais-resposta-da-embaixada-da-etiopia/">Leia mais: A resposta da embaixada da Etiópia</a></strong></p>
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		<title>Mídia etíope é amordaçada por leis antiterror</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/11/parte-5-midia-e-amordacada-por-leis-antiterror/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 10:56:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O governo da Etiópia está usando leis radicais antiterror para combater os jornalistas críticos ao regime.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O governo etíope está usando leis radicais antiterror para combater os jornalistas críticos ao regime.</p>
<p>Nos últimos quatro meses, pelo menos seis jornalistas foram presos – incluindo dois jornalistas suecos – de acordo com o grupo internacional Comitê de Proteção aos Jornalistas.</p>
<p>Os dois jornalistas, o repórter Martin Schibbye e o fotógrafo Johan Persson, foram acusados ​​de terrorismo. Foram presos após cruzar Puntland (Somália) em direção à conturbada região de Ogaden, na região fronteiriça, do lado Etíope.</p>
<p>Em agosto as forças de segurança detiveram dois jornalistas etíopes, Eskinder Nega e Sileshi Hagos, sob a acusação de “tramar uma série de atos terroristas que causariam danos e estragos”, nas palavras do porta-voz do governo etíope, Shimelis Kemal.</p>
<p>Outros dois jornalistas etíopes foram detidos durante o verão sob a acusação de terrorismo, após escrever artigos criticando o governo.</p>
<p>O repórter Wubishet Taye, da agência de notícias Times Arawamba, e o colunista Alaemu Reeyot, estão atualmente na  prisão de Maikelawi na capital Addis Abeba, à espera de julgamento. Eles podem pegar até 20 anos de cadeia por terrorismo.</p>
<p>“Nos últimos quatro meses as autoridades abrangeram o usou de leis contra o terror para deter seis jornalistas independentes em uma tentativa de acabar com as poucas vozes críticas à esquerda no país”, afirma o consultor do Comitê de Proteção aos Jornalistas na África oriental, Tom Rhodes. “Se as autoridades têm provas concretas contra qualquer destes jornalistas, deveriam apresentá-las publicamente. Caso contrário, devem libertá-los”.</p>
<p><strong>Declaração Antiterrorista de 2009</strong></p>
<p>Em 2009, o governo etíope aprovou uma nova legislação antiterror. As definições das atividades consideradas terroristas na visão da lei são amplas e ambíguas.</p>
<p>Na prática, a lei permite reprimir a dissidência política, incluindo manifestações políticas e críticas públicas ao governo – atitudes consideradas como um incentivo à atividade de oposição armada.</p>
<p>A lei também permite a extinção da presunção de inocência aos acusados ​​de crimes de terrorismo.</p>
<p>Mohamed Keita, coordenador do Comitê de Proteção aos Jornalistas, diz que a Etiópia “é certamente um dos países africanos com maiores restrições à liberdade de imprensa. É um dos casos mais vergonhosos do continente”.</p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/ajuda-internacional-financia-brutalidades-na-etiopia/"><span style="color: #0000ff;">Parte 1: Ajuda internacional financia brutalidades na Etiópia </span></a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong></strong><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/reinado-de-terror-no-centro-de-detencao-de-maikelawi/"><span style="color: #0000ff;">Parte 2: Reinado de terror no centro de detenção de Maikelawi</span></a></strong></span></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-4-as-vozes-dos-torturados/"><span style="color: #0000ff;">Parte 4: As vozes dos torturados</span></a></strong></span></p>
<div><span style="color: #0000ff;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/leia-mais-resposta-da-embaixada-da-etiopia/"><span style="color: #0000ff;">Leia mais: A resposta da embaixada da Etiópia</span></a></strong></span></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Emissoras internacionais perseguidas</strong></p>
<p>A imprensa livre se expandiu sob o governo etíope quando o partido do atual primeiro-ministro chegou ao poder 1991. Mas, desde as eleições de 2005 – quando os resultados foram contestados, causando um conflito civil com o massacre de 193 civis –  tem havido uma repressão implacável contra a imprensa independente.</p>
<p>Na época, muitas agências independentes foram fechadas e 13 editores foram presos. Hoje, a maioria dos meios de comunicação na Etiópia é estatal. E mesmo a mídia internacional não está imune a interferências políticas.</p>
<p>Tanto a emissora do governo americano, Voice of America, quanto a Deutsche Welle, o canal estatal alemão, tiveram seus serviços de rádio e internet bloqueados no país.</p>
<p>Isso ocorreu principalmente durante as eleições de maio de 2010, e também neste ano, quando as revoltas se espalharam no norte da África.</p>
<p>“O governo tem nos pressionado para demitir funcionários de oposição”, diz Ludger Schadomsky, chefe da Deutsche Welle na África.</p>
<p>Ele diz que o canal foi informado pelo ministro das Comunicações do governo etíope, Shimles Kemal, que a interferência “devia-se às entrevistas que a emissora tinha feito com ‘organizações terroristas’”. A alegação diz respeito a uma entrevista com Berhanu Nega, líder do partido da oposição Ginbot 7 &#8211; considerado oficialmenet terrorista este ano pelo governo.</p>
<p><strong>Jornalistas na Etiópia</strong></p>
<p>Dawit Kebede, editor do Times Awramba, uma das poucas agências independentes no país, foi encarcerado por dois anos sob a acusação de traição e genocídio depois de ter escrito que a frente governista poderia ter perdido as eleições de 2005.</p>
<p>“O clima em que os jornalistas vivem na Etiópia é de insegurança e de medo do que o amanhã pode trazer. Jornalistas que escrevem sobre questões políticas trabalham com medo até da própria sombra”, diz ele.</p>
<p>“Quando os países que doam assistência financeira se oferecem para dar ajuda, deveriam perguntar que tipo de Estado democrático é a Etiópia. Se pudessem condicionar a ajuda à questões da Liberdade de Imprensa, por exemplo, acho que isso poderá criar  melhores condições na Etiópia”.</p>
<p>O governo não quis se pronunciar a respeito da liberdade de imprensa no país.</p>
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		<title>LEIA MAIS: Resposta da Embaixada da Etiópia</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/11/leia-mais-resposta-da-embaixada-da-etiopia/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 10:55:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[#Etiópia]]></category>

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		<description><![CDATA[A Embaixada da Etiópia no Reino Unido emitiu um comunicado rejeitando as alegações.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta à reportagem do Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública – que foi realizado conjuntamente com a BBC inglês – a Embaixada da Etiópia no Reino Unido emitiu um comunicado de imprensa rejeitando as alegações.</p>
<p>Leia os principais trechos:</p>
<p>“O momento em que esta investigação é apresentada só ajuda a infligir danos maiores aos que já estão sofrendo com a pior seca de 60 anos em nossa região.</p>
<p>As alegações mais graves no programa, piamente refutadas pelo governo, foram expressas pela Frente de Libertação Nacional de Ogaden (FLNO) e pela Frente de Libertação de Oromo (FLO), designados pelo Parlamento da Etiópia como grupos terroristas. Os dois grupos são filiados à Al Shabab e à Al Qaeda. Nada disso foi mencionado no filme.</p>
<p>A FLNO admitiu ter matado 74 cidadãos etíopes e trabalhadores chineses na instalação de petróleo de Abole em abril de 2007. O porta-voz da FLNO falou  com orgulho sobre o assunto no canal de televisão Al Jazeera. Apesar do produtor da BBC ter garantido que esses fatos seriam incluídos no program, eles não foram.</p>
<p>A vasta maioria da população da região não apóia a FLNO porque eles conhecem bem a política do grupo de destruir a infra-estrutura de desenvolvimento e atacar as comunidades que não os apoiám.</p>
<p>A BBC afirmou diversas vezes durantre o programa de que ele  foi feito “clandestinamente”. Mas dezenas de equipes de filmagem visitam a Etiópia todo mês. O próprio correspondente da BBC, Mike Wooldridge, estava na Etiópia há três semanas para cobrir uma semana da seca na região de Ogaden.</p>
<p>É lamentável que a BBC tenha deixado de considerar o contexto – o extenso leque de direitos de que a maioria da população etíope agora usufrui, como a educação; saúde; água potável; o aumento da produção agrícola – e esquemas de micro-crédito para incentivar pequenas e médias empresas, para mencionar apenas alguns dos direitos implantados.</p>
<p>O governo etíope bravamente refuta a alegação de que existe uma política ou uma prática de execuções extrajudiciais, de prisões arbitrárias e de torturas de rotina executadas por policiais, carcerários e outros oficiais ligados aos serviços de segurança e militar.</p>
<p>A Força de Defesa Nacional Etíope já ganhou os corações e as mentes da população da região de Ogaden, uma vez que garantem sempre em suas acções contra os espólios que não prejudicarão de nenhuma forma a vida pacífica do povo da região.</p>
<p>A polícia etíope e outros serviços de segurança são igualmente bem treinados e disciplinados. Não há nenhuma evidência, além das acusações falsas da ONLF e de algumas ONGs internacionais de reputação duvidosa, de que a tortura e outros tratamentos desumanos são sistematicamente usados para extrair confissões.</p>
<p>A reivindicação de que a ajuda está sendo negada  a partidários da oposição são fortemente negadas, não apenas pelo governo etíope, mas pelo Grupo de Doadores de Assistência (DAG), um consórcio de 26 países doadores e de organizações internacionais como o Banco Mundial, com base em Adis Abeba, depois de ter sido feitas investigações aprofundadas.</p>
<p>A Etiópia tem um sistema judiciário independente que é respeitado em todo o continente africano e fora dele. Os réus são tratados de acordo com a lei e o devido processo legal é observado. As prisões da Etiópia são submetidas a inspecções regulares por organismos independentes”.</p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/ajuda-internacional-financia-brutalidades-na-etiopia/">Parte 1: Ajuda internacional financia brutalidades na Etiópia </a></strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/reinado-de-terror-no-centro-de-detencao-de-maikelawi/">Parte 2: Reinado de terror no centro de detenção de Maikelawi</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/ajuda-financeira-e-usada-como-arma-politica-no-sul-da-etiopia/"><strong>Parte 3: </strong><strong>Ajuda financeira é usada como arma política no sul da Etiópia</strong></a></strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-4-as-vozes-dos-torturados/">Parte 4: As vozes dos torturados</a></strong></p>
<div><a href="http://apublica.org/2011/11/parte-5-midia-e-amordacada-por-leis-antiterror/"><strong>Parte 5: Mídia é amordaçada por leis antiterror</strong></a></div>
<p><strong><br />
</strong></p>
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