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	<title>Pública &#187; Tag: #CIA</title>
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	<description>AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO</description>
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		<title>Olimpíadas 2016: Você será vigiado</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Oct 2012 15:21:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Documentos diplomáticos vazados pelo Wikileaks mostram como o governo dos Estados Unidos monitorou tudo que aconteceu durante as Olimpíadas de Inverno no Canadá]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Durante os 16 dias dos Jogos Olímpicos de Inverno em Vancouver, no Canadá, em 2010, mais de 30 orgãos do governo americano – entre eles a Casa Branca, o FBI, o Departamento do Tesouro, o Centro Nacional de Contraterrorismo, a Secretaria Nacional de Defesa, os Comandos militares (incluindo o famoso Comando do Sul) e até um bunker nuclear da época da Guerra Fria (conhecido como “Cheyenne Mountain”) – receberam relatórios do Consulado americano em Vancouver, detalhando todas as manifestações que aconteceram e que aconteceriam. Todas mesmo. No pacote, eram descritas com minúcias o que os representantes americanos consideravam suspeitas de atos terroristas, possíveis ameaças de bombas, incidentes e manifestações de qualquer tipo – até mesmo uma inofensiva bicicletada atraiu a atenção dos americanos.</p>
<p>Nos 16 documentos vazados pelo Wikileaks entitulados “Vancouver 2010 Winter Olympics: Situation Report” (Jogos Olímpicos de Vancouver 2010: Relatório de Situação) disponíveis no <strong><a href="http://cablegatesearch.net/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">Cablegate</span></a>,</strong> é possível ver o grau de vigilância americana sobre os países que recebem megaeventos. Os relatórios, enviados geralmente por volta de 22h, continham uma sessão “Questões de Segurança”, onde eram detalhados os protestos que estavam sendo programados para os próximos dias, os que haviam acontecido naquele dia, incidentes e possíveis ameaças terroristas; outra chamada “Operações de Segurança” que acompanhava os compromissos de autoridades norte-americanas, principalmente os do vice-presidente Joe Biden, que assistia aos Jogos de Inverno; e outras, dedicadas às questões consulares e aos jogos em si.</p>
<p>Vários relatórios mostram como as informações da polícia canadense eram amplamente compartilhadas com os serviços de inteligência americanos. O<a href="http://cablegatesearch.net/cable.php?id=10VANCOUVER90&amp;q=2010%20olympics%20report%20situation%20vancouver%20winter" target="_blank"> <strong>report #11</strong></a> fala de um jogo de hockey entre Canadá e Estados Unidos que poderia estimular a desordem pública: “As autoridades policiais locais estão preocupadas com a natureza potencialmente litigiosa do jogo entre Canadá e EUA e seu impacto na ordem pública. O local está localizado a quarteirões do distrito de entretenimento de Vancouver, dos corredores de pedestre e de vários hotéis. As autoridades esperam uma atmosfera carregada entre os fãs com implicações para as áreas referidas. (…) Como uma medida preventiva, o Departamento de Polícia de Vancouver pediu ajuda à B.C. Liquor and Licensing Branch com o fechamento às 19 horas das lojas de venda de bebidas públicas e privadas na área do centro durante este fim de semana”.</p>
<p>Até as redes sociais de organizações e manifestantes eram monitoradas de perto. Qualquer tipo de protesto considerado “anti-olímpico” era detalhado antes mesmo de acontecer. No <a href="http://cablegatesearch.net/search.php?qo=169" target="_blank"><strong><span style="text-decoration: underline;">report #3</span></strong></a>, por exemplo, o consulado alerta para futuras manifestações de grupos anarquistas: “Antecipação de atividade de protesto: ‘Outra [manifestação]‘’2010 Autonomous Day of Action’ está prevista para segunda-feira 15 de fevereiro (…) pequenos grupos de anarquistas podem se envolver em atos de vandalismo e confronto com a lei”. E no <a href="http://cablegatesearch.net/cable.php?id=10VANCOUVER96" target="_blank"><strong>report #12</strong></a>: “Uma manifestação intitulada ‘Games Over! Resistance Lives!’ (Os Jogos acabaram! A resistência vive!) está agendada para acontecer das 13h às 15h do dia 28 de fevereiro na intersecção entre as ruas Smithe e Cambie. O evento é anunciado como ‘um festival público barulhento para celebrar nossas comunidades e nossa resistência’. Essa manifestação está sendo organizada no site <a href="http://www.no2010.com/">www.no2010.com</a>”. E no <a href="http://cablegatesearch.net/cable.php?id=10VANCOUVER116" target="_blank"><strong>report #18</strong></a>: “A manifestação “Games Over! Resistance Lives!” (“Os Jogos acabaram! A resistência vive!”) está agendada para acontecer das 13h as 15h de hoje na intersecção entre as ruas Smithe e Cambie. As informações iniciais indicavam que os organizadores queriam que o evento fosse inofensivo para a polícia e para os manifestantes. Contudo, 171 pessoas estão confirmadas para comparecer ao local e eles podem bloquear as ruas. O grupo Black Bloc deve participar do evento, embora não haja indicação alguma de que eles queiram engajar-se em táticas violentas ou ilegais durante o evento. Discussões online sobre o evento indicam que um grande número de participantes pode prosseguir para a Tent Village para juntar-se a outros simpatizantes, uma decisão que pode se transformar em uma marcha improvisada”.</p>
<p>Outra ação citada em vários relatórios é a “Critical Mass Bike Ride&#8221;. O <a href="http://cablegatesearch.net/cable.php?id=10VANCOUVER88" target="_blank"><strong>report #10 </strong></a>diz: “Atividade de protesto antecipada: a próxima atividade marcada digna de nota é a ‘Critical Mass Bike Ride’ no dia 26 de fevereiro.  Os ciclistas planejam se reunir no lado norte da Galeria de Arte de Vancouver, na rua Georgia, e pedalar pelas ruas de Vancouver”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Varas de pesca ameaçadoras</h2>
<p>Já o <a href="http://cablegatesearch.net/cable.php?id=10VANCOUVER62" target="_blank"><strong><span style="text-decoration: underline;">documento número #2</span></strong></a>, enviado no dia de abertura dos Jogos de Inverno, diz que um cidadão americano foi deportado depois que a polícia encontrou uma granada de mão inerte e literatura pornográfica em seu veículo: “Em entrevista ao FBI ele disse que estava emocionalmente perturbado e não tem vínculos com grupos domésticos de milícias”, explica. No mesmo relatório, consta que um pacote suspeito foi identificado em um terminal de transporte aquático chamado Lonsdale Quay, e que o serviço foi suspenso até que o pessoal da Real Polícia Montada do Canadá  usou um canhão de água, neutralizou a embalagem e constatou que a caixa continha varas de pesca e equipamentos.</p>
<p>Nem a igreja passou desapercebida pelos olhos do grande irmão. O <a href="http://cablegatesearch.net/cable.php?id=10VANCOUVER78" target="_blank"><strong>documento #7</strong></a> alerta para um protesto organizado por membros da Igreja Unida do Canadá, estudantes católicos da Universidade da Colúmbia Britânica e estudantes universitários evangélicos, que marchariam no começo da tarde do dia 17 de fevereiro para destacar a forma como as Olimpíadas historicamente deslocam os pobres de suas casas. Qualquer semelhança não é mera coincidência.</p>
<h2>Aqui não vai ser diferente</h2>
<p>Como os documentos do WikiLeaks no Brasil já haviam revelado, mesmo antes da escolha do Brasil como sede das Olimpíadas de 2016 a segurança dos jogos já era um dos principais temas na pauta de reuniões bilaterias entre diplomatas e militares. <a href="http://cablegatesearch.net/cable.php?id=09BRASILIA1383&amp;q=cherie%20jackson" target="_blank"><strong><span style="text-decoration: underline;">Telegramas</span></strong></a> enviados pela embaixada americana em Brasilia e publicados pelo Wikileaks revelaram que os EUA não só estavam preocupados com a segurança durante os megaeventos mas queriam lucrar com isso. “Os EUA buscam cooperação militar, oportunidades comerciais e já preparam um aumento do seu pessoal no país” diz a comunicação diplomática.</p>
<p>Em 24 de dezembro de 2009, o Departamento de Defesa americano recebeu um relatório intitulado<a href="http://cablegatesearch.net/cable.php?id=09BRASILIA1439&amp;q=brazil%20future%20the" target="_blank"> <strong><span style="text-decoration: underline;">“Olimpíadas do Rio – O Futuro é Hoje”</span></strong></a>, assinado pela Ministra Conselheira da Embaixada Lisa Kubiske apontando oportunidades comerciais e militares: “O governo brasileiro compreende que enfrenta desafios críticos na preparação dos Jogos de 2016 e demonstrou grande abertura em áreas como compartilhamento de informações a cooperação com o governo dos Estados Unidos – chegando até a admitir que poderia haver a possibilidade de ameaças terroristas”, diz o documento.</p>
<p>O raciocínio que se segue demonstra que os relatórios emitidos em Vancouver não foram uma ação isolada: “além de preparar as oportunidades comerciais que os jogos vão oferecer às empresas americanas, o governo dos EUA deveria se aproveitar do interesse do Brasil no sucesso olímpico para progredir na cooperação bilateral em segurança e troca de informações”.</p>
<p>O telegrama, de dezembro de 2009, diz que a missão missão americana já estava coordenando a ampliação de pessoal, estrutura e recursos, com suas agências em Brasília e no Rio de Janeiro – o que seria necessário para gerenciar o envolvimento dos EUA nos Jogos. “Já existem oportunidades para o governo americano buscar colaboração em função dos Jogos, incluindo aumentar a cooperação e a expertise brasileira em contraterrorismo”, finaliza.</p>
<p>Os comitês populares e manifestantes brasileiros que se cuidem: estarão todos sob a mira do &#8220;Big Brother&#8221; durante os megaeventos. Ou será que já estão?</p>
<p>*Colaborou Ciro Barros</p>
<blockquote><p><strong><strong>O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.</strong></strong></p></blockquote>
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		<title>CIA prendeu opositores de Gadaffi, os torturou &#8211; e depois entregou ao ditador</title>
		<link>http://www.apublica.org/2012/09/cia-gadaffi-guerra-ao-terror-mi6/</link>
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		<pubDate>Wed, 26 Sep 2012 12:00:11 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Como os serviços secretos americano e britânico colaboraram com a captura de inimigos do regime de Gadaffi valendo-se de tortura e detenções ilegais ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O ex-presidente Bush e o diretor da CIA, Michael Hayden, afirmam que a técnica de afogamento por waterboarding – que consiste em jogar água sobre o rosto de uma pessoa imobilizada, causando a sensação de sufocamento &#8211; só foi utilizada em três prisioneiros.</p>
<p>Mas este número está sendo questionado por um dissidente da Líbia que fez uma descrição detalhada, alegando ter sido vítima de waterboarding durante um interrogatório realizado pela CIA em uma prisão secreta no Afeganistão.</p>
<p>Mohammed Shoroeiya contou à ONG Human Rights Watch que foi submetido à técnica de waterboarding inúmeras vezes durante um o fatídico interrogatório no Afeganistão. Ele afirma ter ficado amarrado a uma placa de madeira durante todo o tempo. “Depois eles começacam a jogar água… Jogam água até o ponto de você sentir que está sufocando… E não paravam até receber algum tipo de resposta”, disse. Outro líbio também descreve ter sofrido “uma prática de sufocamento próxima a waterboarding” nas mãos da CIA no Afeganistão.</p>
<p>Eles são alguns dos 14 entrevistados pela ONG Human Rights Watch para o relatório &#8220;<a href="http://www.hrw.org/reports/2012/09/05/delivered-enemy-hands">Entregue em mãos inimigas</a>&#8220;, que mostra como as agências de serviço secreto dos EUA e do Reino Unido prenderam dissidentes da Líbia por todo o mundo e os entregaram diretamente nas mãos do coronel Gaddafi. Muitos sofreram maus tratos antes de serem enviados de volta à Líbia, então comandada por Gadaffi.</p>
<p>Um dos detidos, Ibn al-Sheikh al-Libi, revelou informações durante um interrogatório da CIA que depois foram usadas para jutsiifcar a invasão do Iraque em 2003. Ele foi depois enviado à Líbia, onde morreu na cadeia em 2009.</p>
<p>Cinco destes homens foram enviados para prisões secretas das CIA no Afeganistão por até dois anos, onde ficaram presos em celas sem janelas, foram espancados, acorrentados, ficaram em receber comida e foram mantidos acordados por longos períodos com rock tocando em altíssimo volume. Eles nunca foram acusados formalmente de nenhum crime e no final foram enviados de volta à Líbia. Um deles descreve ter sido preso em uma cela no Marrocos.</p>
<p>Os relatos dos dissidentes são corroborados por documentos descobertos pela Human Rights Watch no escritório do chefe de inteligência de Gadaffi, Musa Kusa, após a queda do governo, que incluem faxes da CIA e do serviço secreto britânico, MI6, avisando ao governo da Líbia sobre as prisões dos dissidentes.</p>
<p>Dez dos 14 casos ocorreram pouco depois da reconciliação pública dos EUA e do Reino Unido com Gaddafi. Os detidos foram depois enviados de volta para o ex-ditador da Líbia apesar da reputação de torturas e detenções sem julgamento. Os documentos mostram que em dois casos os EUA pediram garantias diplomáticas que os prisioneiros não seriam torturados – mas essas garantias foram solenemente ignoradas.</p>
<p>Dois casos envolvem forças de segurança britânicas cooperando com a CIA para sequestrar dissidentes líbios. Ambos foram <a href="http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/libya/8748437/Libya-MI6-tricked-me-into-trap-claims-torture-victim.html">amplamente</a> <a href="http://www.guardian.co.uk/world/2011/sep/04/libyan-commander-demands-apology">divulgados</a> após documentos serem revelados no último ano. Abdul Hakim Belhadj e Sami Mostafa al-Saadi, que depois foram enviados à Líbia, estão agora <a href="http://www.guardian.co.uk/world/2012/jun/28/libyan-dissidents-action-government-rendition">processando o governo britânico</a>.</p>
<p>A maioria dos entrevistados para o relatório eram membros do Grupo de Lutadores Islamistas Líbios, formado em oposição à opressiva e controversa repressão do governo de Gadaffi ao Islã.  Quase todos haviam fugido do país no final dos anos 80 e foram para o Afeganistão para lutar contra os soviéticos – uma luta apoiada pelos EUA – e também receber treinamento para lutar pela sua causa.</p>
<p>Mas, como mostra o relatório, depois de 11 de setembro os EUA não se preocupavam em distinguir entre militantes islâmicos lutando contra os EUA e lutando por outras causas. Assim, muitos dos dissidentes dos regimes autoritários do Oriente Médio foram presos em países como Hong Kong, Malásia e Mali. Eles foram transportados entre países asiáticos e do Oriente Médio para Guantánamo, onde ficaram sob custódia americana durante anos.</p>
<p>A investigação da Human Rights Watch contradiz com descrições detalhadas a posição oficial dos EUA sobre o uso de técnicas de tortura depois de 11 de Setembro.</p>
<p><strong><a href="http://www.hrw.org/reports/2012/09/06/delivered-enemy-hands">Clique aqui</a> para ler o relatório da Human Rights Watch report, &#8220;Entregue em mãos inimigas&#8221;. E <a href="http://www.thebureauinvestigates.com/2012/09/06/cia-faces-new-allegations-of-waterboarding/">clique aqui </a>para ler a reportagem original, em inglês.</strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Depois da Primavera Árabe, aumentam ataques americanos no Iêmen</title>
		<link>http://www.apublica.org/2012/04/depois-da-primavera-arabe-aumentam-ataques-americanos-iemen/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Apr 2012 11:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ataques secretos dos EUA contra supostos militantes no Iêmen aumentaram subitamente durante a Primavera Árabe – e já estão no mesmo nível do Paquistão.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Uma investigação do <a href="http://www.thebureauinvestigates.com" target="_blank">Bureau of Investigative Journalism</a>, parceiro da <a href="www.apublica.org" target="_blank">Pública</a>, revelou que pelo menos 27 ataques envolvendo mísseis cruzadores, aeronaves, aviões não tripulados ou bombardeios navais aconteceram na volátil nação do Golfo Pérsico até agora, matando centenas de supostos militantes ligados à facção regional da Al-Qaeda. A reportagem descobriu também que pelo menos 55 civis foram mortos nesses ataques.</p>
<p>Em 30 de março dois ataques de aviões sem tripulação – controlados remotamente – atingiram um veículo e uma casa em Azan, na província de Shabwa, na região central do país. Cerca de cinco supostos militantes morreram. Um segundo veículo, que passava ao lado, também foi atingido, matando um civil e ferindo pelo menos cinco, segundo oficiais, médicos e testemunhas.</p>
<p>Pelo menos seis ataques americanos – alguns envolvendo mais de um alvo – ocorreram no Iêmen apenas em março de 2012, em apoio à ofensiva contra alguns militantes em regiões específicas. Em comparação, as áreas tribais do Paquistão (que é o epicentro da controversa guerra de aviões controlados remotamente da CIA) sofreram quatro ataques em março.</p>
<p><strong>Leia mais: </strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2012/04/forca-aerea-iemenita-sucateada-aponta-para-envolvimento-dos-eua-em-ataques/" target="_blank">Força Aérea iemenita sucateada aponta para envolvimento dos EUA em ataques</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2012/04/massacre-de-civis-os-eua-nao-confirmam-nem-negam/" target="_blank">O massacre de civis que os EUA não confirmam e nem negam</a></strong></p>
<p>A recente onda de ataques parece relacionada à nomeação do novo presidente, Abed Rabbo Mansour Hadi. Em seu discurso de posse, ele prometeu a “continuidade da guerra contra a Al-Qaeda  como um dever religioso e civil”.</p>
<p>Apesar de vários relatos confirmados de ação militar americana no Iêmen, os EUA raramente reconhecem sua guerra secreta. Um porta-voz do Departamento de Estado, falando nos bastidores, disse apenas: “Eu indico você ao governo do Iêmen para mais informações sobre seus esforços no contraterrorismo”.</p>
<p><strong>Centenas de mortos</strong></p>
<p>Uma detalhada observação da atividade militar americana no Iêmen ao longo de nove anos revela que a maioria dos ataques – por volta de 35 – aconteceram depois de maio de 2011, ao mesmo tempo em que aumentaram os protestos relacionados à Primavera Árabe no país. Os protestos no país tiveram início quase ao mesmo tempo do que no Egito. Depois de meses de confrontos, o presidente Ali Abdullah Saleh, que governou o Iêmen por 33 anos, deixou o poder em fevereiro deste ano, após um acordo que lhe garantiu imunidade contra processos futuros. Antes de deixar o poder, ele recebeu tratamento médico nos Estados Unidos.</p>
<blockquote><p>Total de ataques americanos: de  27 a 45 (alguns dele com mais de um alvo). Desses, cerca de 35 desde maio de 2011</p>
<p>Total de mortos: de 280 a 522</p>
<p>Supostamente civis: 55 a 105</p></blockquote>
<p>Dentre todos estes ataques, apenas um ocorreu antes do governo Obama, que desenvolveu um interesse pessoal na campanha do Iêmen. Quando assumiu, a Al-Qaeda na Península Arábe (AQAP) cresceu a ponto de se tornar, nas palavras dele, “uma rede de violência e terror” que atraiu de cidadãos americanos para a sua causa, incluindo o clérigo radical Anwar AL-Awlaki. A AQAP começou a publicar revistas ideológicas online em inglês e estaria por trás de tentativas de ataques terroristas contra os EUA, o Reino Unido e seus aliados.</p>
<p>Com a CIA profundamente envolvida no Iraque e Paquistão, o trabalho de desmantelamento da AQAP foi transferido à Joint Special Operations Command (JSOC), a elite do Pentágono – mesma unidade que capturou Saddam Hussein e matou Osama bin Laden.</p>
<p>Mas, desde o começo, a controvérsia reina nas operações da JSOC.</p>
<p><strong>Um massacre a ser esquecido</strong></p>
<p>Em 17 de dezembro de 2009, tendo como base a informação de que um encontro da AQAP aconteceria no sul do deserto do Iêmen, a JSOC lançou pelo menos um míssil cruzador com bombas alojadas. Uma comissão parlamentar iemenita descobriu mais tarde que 14 supostos militantes morreram no ataque. Mas também 44 civis.</p>
<p>Uma cópia do relatório da comissão obtida pelo Bureau identifica por nome todos os civis mortos, que inclui cinco mulheres grávidas e 22 crianças, sendo a mais jovem de apenas um ano de idade. A comissão descobriu que oito famílias foram efetivamente eliminadas, embora não atribua a culpa nem às forças americanas nem iemenitas.</p>
<p>Dois anos depois, os EUA não confirmem nem negam investigações sobre estas mortes, ou se alguma compensação foi dada aos familiares das vítimas. O Pentágono, o Comendo Central do Exército dos EUA (Centcom), o Departamento de Estado e o Comitê de Forças Armadas do Senado americano se negaram a comentar o assunto.</p>
<p>Um porta-voz do Sheikh Himir Al-Ahmar, presidente da comissão e porta-voz adjunto do Iêmen, disse ao Bureau: “As famílias das vítimas estão de fato tendo ressarcimento apropriado (de acordo com os padrões de indenizações concedidas a vítimas no Iêmen). As autoridades americanas não se envolveram no processo de qualquer modo”.</p>
<p>Em contrapartida, famílias atingidas pela matança realizada por um soldado americano no Afeganistão receberam 50 mil dólares por cada vítima.</p>
<p>A recusa americana em reconhecer o ataque deu-se depois de um telegrama diplomático secreto divulgado pelo WikiLeaks revelar que o então chefe do Centcom, general David Petraeus – agora diretor da CIA – e o presidente do Iêmen e primeiro-ministro na época, Ali Abdullah Saleh procuraram esconder o papel dos EUA no incidente.</p>
<p>De acordo com o despacho secreto, “[Presidente] Saleh lamentou o uso de mísseis cruzadores ‘que não são muito precisos’” e deu boas vindas ao uso de aeronaves equipadas com bombas de precisão em substituição a eles. “Nós vamos continuar a dizer que as bombas são nossas, não suas’, disse Saleh, sugerindo que o vice-premier Alimi teria feito piada quando ele ‘mentiu’ ao dizer ao parlamento que as bombas em Arhab, Abyan e Shebwa eram fabricadas nos EUA, mas lançadas pela ROYG”.</p>
<p>A Anistia Internacional, que realiza sua própria investigação sobre o ataque de dezembro de 2009, considerou que os EUA falharam em investigar relatórios confiáveis de mortes de civis. “Com um aumento em tais operações em lugares como o Iêmen, a menos que alguém busque investigar quem foi morto, o porquê, e quais precauções foram tomadas para proteger civis, tais enganos podem ser repetidos no futuro”, disse Philip Luther, diretor do programa do Oriente Médio da Anistia.</p>
<p>Houve outros erros, também, do Pentágono. Quando suas Forças Especiais de elite atingiram um suposto comboio de militantes em maio de 2010, mataram na verdade o vice-governador popular da região, Jaber AL-Shabwani. Este erro levou a uma pausa de um ano nos ataques americanos, diante de fortes protestos das comunidades locais.</p>
<p>Foi necessária a agitação da Primavera Árabe para que os EUA voltassem ao ataque. Enquanto o povo do Iêmen revoltava-se contra o presidente Saleh e seus aliados, a JSOC e os aviões por controle remoto da CIA, com equipamentos da marinha e aeronáutica americana, tomaram os céus. Desde então, o presidente Obama tem lutado uma guerra praticamente desconhecida no Iêmen.</p>
<p><strong>A força aérea sucateada do Iêmen</strong></p>
<p>Pelo menos 21 ataques americanos ocorreram no Iêmen desde maio de 2011, segundo apurou o Bureau, estima-se em 35 o total. Mas os relatórios são frequentemente confusos, e os governos americano e iemenita não se mostram muito dispostos a esclarecer os eventos.</p>
<p>Existem alegações de que a Força Aérea do Iêmen realizou alguns ataques cirúrgicos. Mas uma investigação da capacidade iemenita revela que está sucateada, com equipamentos de baixa tecnologia, e desmantelada pela recente agitação política. Provavelmente oss EUA estão por trás dos ataques cirúrgicos do Iêmen.</p>
<p>Alan Warnes, correspondente da publicação militar AirForces Monthly, diz que a força aérea iemenita é incapaz de realizar ataques de precisão ou noturnos: “A única aeronave que eles têm capaz de voar à noite são caças bastante antiquados. Eu acho que são os americanos que estão fazendo isso em vez dos iemenitas”.</p>
<p>A recente cooperação conjunta entre a CIA e a JSOC parece estar valendo a pena para Obama. Segundo relatos, alguns dos 24 militantes declarados da Al-Qaeda na região morreram desde a última primavera. O grupo está praticamente sob ataque constante. Mortes de civis são pouco relatadas – embora tenha havido alguns “erros”.</p>
<p>Para Obama, seu maior sucesso no Iêmen veio em 30 de setembro do ano passado, quando dois cidadãos americanos, entre os quatro militantes mais valiosos da Al Qaeda, foram mortos. Anwar Al Awlaki, o clérigo radical, morreu com Samir Khan, editor da revista Inspire, uma publicação ideológica em inglês da AQAP.</p>
<p>Dias depois, um ataque em sequência matou outros militantes – e também o filho de 16 anos de Awlaki e seu sobrinho de 17 anos. A AQAP também perdeu quase completamente sua possibilidade de se comunicar com o público em língua inglesa. Mas essas mortes de cidadãos americanos continuam a gerar muita controvérsia nos Estados Unidos.</p>
<p><strong>Leia mais:</strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2012/04/forca-aerea-iemenita-sucateada-aponta-para-envolvimento-dos-eua-em-ataques/" target="_blank">Força Aérea iemenita sucateada aponta para envolvimento dos EUA em ataques</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2012/04/massacre-de-civis-os-eua-nao-confirmam-nem-negam/" target="_blank">O massacre de civis que os EUA não confirmam e nem negam</a></strong></p>
<p><strong>Com pesquisa adicional de David Pegg e Jack Serle. <a href="http://www.thebureauinvestigates.com/2012/03/29/arab-spring-saw-steep-rise-in-us-attacks-on-yemen-militants/" target="_blank">Clique aqui</a> para ler o texto original, em inglês. Tradução de Marcus V F Lacerda. </strong></p>
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		<title>O massacre de civis que os EUA não confirmam nem negam</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Apr 2012 10:59:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 18 de dezembro de 2009, um ataque americano com bombas cluster dizimou famílias inteiras em al-Majala, sul do Iêmen  ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Por algumas semanas no começo do inverno de 2009, um avião observador sobrevoou o povo de al-Majala, no sul do Iêmen. A aeronave, provavelmente americana, não era vista como ameaça. Afinal, havia 7 anos desde a última ação militar dos EUA no Iêmen, quando um avião não tripulado matou seis militantes ligados à Al-Qaeda.</p>
<p>Mas era o prenúncio de uma catástrofe para aquele povo. Às 6 da manhã de 18 de dezembro, uma embarcação da marinha americana ancorada no Golfo Pérsico lançou pelo menos um míssil cruzador rumo a al-Majala.</p>
<p>Entre os mortos estavam 22 crianças. A mais nova, Khadje Ali Mokbel Louqye, tinha apenas um ano de idade. Uma dúzia de mulheres também morreu, entre elas, grávidas.</p>
<p>O alvo dos americanos era Saleh Mohammed al-Anbouri, também conhecido como al-Kazemi. Um conhecido militante, que supostamente vinha “trazendo cidadãos de diferentes países para serem treinados e se tornar membros da Al-Qaeda”, como declarado no inquérito posterior. Ele era ligado à Al-Qaeda da Península Arábica (AQAP), uma facção da organização terrorista que realizou ataques contra interesses americanos no Iêmen.</p>
<p>Al Anbouri havia trazido sua mulher e quarto filhos jovens para viver em sua comunidade em al-Majala. Também viviam no lugar a extensa família al Haydara, na maioria mulheres e crianças. Eles não sabiam da ligação com a AQAP.</p>
<p>Al Anbouri disse aos moradores que, assim que foi solto da prisão, ele queria “começar uma nova vida”. Na manhã de 17 de dezembro, ele e um grupo de outros homens estavam cavando um poço. Então, ao menos um míssil cruzador BGM-109D Tomahawk atingiu al-Majala.</p>
<p>Uma investigação da Anistia Internacional identificou pericialmente os fragmentos, concluindo:</p>
<p>“Este tipo de míssil, lançado de um navio de guerra ou submarino, é projetado para carregar 166 munições de bombas de fragmentação (cluster) que explodem em cerca de 200 fragmentos afiados de aço, podendo causar danos a mais de 150 metros de distância. Substâncias incendiárias dentro da bomba também espalham fragmentos de zircônio incandescente desenvolvido para atear fogo em objetos inflamáveis”.</p>
<p><strong>Leia mais:</strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2012/04/forca-aerea-iemenita-sucateada-aponta-para-envolvimento-dos-eua-em-ataques/" target="_blank">Força Aérea iemenita sucateada aponta para envolvimento dos EUA em ataques</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2012/04/depois-da-primavera-arabe-aumentam-ataques-americanos-iemen/" target="_blank">Depois da primavera árabe, aumentam ataques dos EUA ao Iêmen</a></strong></p>
<p><strong>Famílias inteiras assassinadas</strong></p>
<p>Algumas horas depois do ataque, começou a circular a notícia de que um grande número de civis havia morrido em al-Majala. O New York Times noticiou naquela noite: “algumas testemunhas e jornalistas locais em Abyan disseram que muitos civis  foram mortos”. No dia seguinte, a Al Jazeera transmitiu imagens de corpos encobertos.</p>
<p>Foram mortos 41 civis no ataque americano. Destes, 14 eram do extenso clã al Haydara, junto com 27 membros do clã al Anbouri. Outras três pessoas morreram depois, quando pisaram nas sobras das bombas cluster.</p>
<p>Uma sobrevivente contou ao repórter Jeremy Scahill, da Al Jazeera: “às 6 da manhã eles estavam dormindo, e eu estava fazendo pão. Não sei o que aconteceu com minhas crianças, minha filha, meu marido. Apenas eu sobrevivi, com este idoso e uma de minhas filhas”.</p>
<p>Famílias inteiras foram aniquiladas. Mohammed Nasser Awad Jaljala, 60 anos, sua esposa Nousa, 30 anos, o filho deles Nasser, 6 anos, e filhas Arwa, 4 anos, e Fatima, 2 anos, foram todos mortos. Lá estavam Ali Mohammed Nasser Jaljala, de 35 anos, sua esposa Qubla, de 25 anos, e suas quatro filhas: Afrah (9), Zayda (7), Hoda (5) e Sheikha (4). Todas assassinadas.</p>
<p>O mais jovem a ser morto, Khadje Ali Mokbel Louqye, tinha apenas um ano de idade.</p>
<p>Ahmed Mohammed Nasser Jaljala, de 30 anos, foi morto ao lado de sua mulher Qubla, de 21, e sua mãe Mouhsena de 50 anos. A filha deles, Fátima, de 13 anos, foi a única sobrevivente da família, gravemente ferida e com necessidade de tratamento médico no exterior.</p>
<p>O clã Anbour sofreu perdas catastróficas similares. Abdullah Mokbel Salem Louqye morreu com sua mulher, filho e três filhas. A família de sete pessoas do seu irmão Ali Mokbel Salem Louqye também foi dizimada.</p>
<p>Um líder tribal, Sheik Saleh Ben Fareed, visitou a área logo depois do ataque e descreveu o massacre para o repórter da Al Jazeera: “Se alguém tiver o coração fraco, creio que ele desabará. Você vê cabras e ovelhas por todo lugar. Você vê cabeças daqueles que foram mortos aqui e ali. Você vê crianças. Você não pode distinguir se esta carcaça pertence a animais ou seres humanos. Muito triste, muito triste.”</p>
<p>As mortes representam uma das maiores baixas de civis dentro das operações militares americanas recentes.</p>
<p>Como os EUA estão em guerra secreta no Iêmen, não se sabe se há alguma investigação dessas mortes. O que transparece é que os EUA tentam encobrir seu papel no ataque.</p>
<p><strong>Corpos queimados </strong></p>
<p>O alvo do ataque, o militante Al Anbouri, foi morto naquele dia junto com mais de uma dúzia de supostos militantes. Apenas um foi identificado – Abdulrahman Qaed Al-Zammari. De acordo com relatórios, seis corpos sumiram do local levados por “homens armados não identificados”. Os corpos teriam sido queimados em um lugar desconhecido.</p>
<p>Para a elite do Pentágono, a Joint Special Operations Command (JSOC) – o grupo que capturou Saddam Hussein e matou Osama bin Laden – o primeiro ataque americano no Iêmen em sete anos deve ter sido um sucesso. Um terrorista procurado e seus supostos comparsas estavam mortos.</p>
<p>Três semanas depois do ataque, o general David Petraeus, então chefe do Comando Central dos EUA (Centcom) – e que agora dirige a CIA – encontrou o presidente do Iêmen, Saleh, na capital Sanaa. Alinhado com a natureza escusa da nova frente de Obama na guerra contra o terror, os dois arquitetaram para esconder o papel dos EUA no ataque.</p>
<p>Saleh mostrou-se consternado e “lamentou o uso de mísseis cruzadores &#8216;não muito precisos&#8217;&#8230; erros foram cometidos”, ele disse. “Por que tantos civis foram mortos no ataque?”</p>
<p>De acordo com um relatório secreto deste encontro, divulgado posteriormente pelo WikiLeaks, Petraeus foi movido pela preocupação de Saleh. “Os únicos civis mortos foram a esposa e duas crianças de Al Anbouri”, ele disse ao presidente. Um adendo ao telegrama observa que “A conversa de Saleh sobre as baixas de civis sugerem que ele não esteja sendo bem informado por seus assessores”.</p>
<p>No entanto, parece que o próprio Petraeus estava mal informado naquele dia.</p>
<p>A esposa de Al-Anbouri, Amina, morreu. E também seus quatro filhos: Maha, 12; Soumaya, 9; Shafika, 4; e Shafiq de apenas dois anos. Outros 39 também morreram, como se sabe agora.</p>
<p><strong>Inquérito oficial</strong></p>
<p>Dias após o ataque, o parlamento do Iêmen convocou uma comissão de inquérito sobre os incidentes militares na província de Abyan. Formada por 14 representantes, a comissão foi liderado pelo Sheikh Hamir Ben Hussein Al-Ahmar, atualmente vice porta-voz do parlamento iemenita.</p>
<p>A comissão procurou descobrir o que realmente tinha acontecido em al-Majala, viajando ao local para interrogar sobreviventes. Um porta-voz do sheik afirma que o inquérito “não confirmou que forças americanas tenham lançado o ataque”.</p>
<p>Mas a comissão achou provas tenebrosas do massacre. Embora tenha concluído que al Anbouri e 13 outros militantes morreram, suas mortes foram eclipsadas pelas de outros 44 civis. O efeito de um míssil recheado de bombas cluster, de fragmentação, foi particularmente brutal:</p>
<p>“Quando os membros da comissão visitaram o cemitério onde as vítimas estão enterradas, notaram que alguns estavam enterrados em valas comuns porque seus restos não puderam ser identificados. Seus corpos foram completamente despedaçados durante o ataque”.</p>
<p><strong>Dando nomes aos mortos</strong></p>
<p>A comissão publicou &#8211; em árabe &#8211; toda sua investigação em 7 de fevereiro de 2010. Foram inclusos os nomes, idades, gênero, relação de parentesco e clãs de todos os 44 civis mortos, junto com as declarações de testemunhas sobreviventes.</p>
<p>Um mês depois, o parlamento iemenita aprovou completamente as descobertas da comissão, evocando o governo a abrir uma investigação judicial. De acordo com a Anistia Internacional, “no mesmo dia o governo do Iêmen desculpou-se às famílias das vítimas, descrevendo as mortes como um ‘erro’ durante uma operação que era tinha como alvo militantes da Al-Qaeda, e disse que comissões seriam montadas para providenciar reparos pelas pessoas mortas e propriedades destruídas”.</p>
<p>O Iêmen confirmou ao Bureau que pagou indenizações às famílias afetadas, e que “autoridades americanas não se envolveram no processo sob qualquer forma”.</p>
<p>Há dois anos os EUA estão cientes de todos os 44 civis mortos em al-Majala. Seu papel direto no ataque é claramente documentado e confirmado em telegramas diplomáticos vazados pelo WikiLeaks.</p>
<p>Procurado pelo Bureau, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou, em off: “Eu não tenho nenhuma destas informações para vocês a respeito do incidente de 17 de dezembro de 2009 em questão. Eu te encaminho ao Governo do Iêmen para mais informações sobre seus esforços no contraterrorismo”.</p>
<p>O Centcom se negou a discutir assuntos que possam ser relacionados às forças especiais americanas.</p>
<p>O Bureau também perguntou ao comitê de Forças Armadas do Senado Americano quais investigações foram realizadas sobre as ações militares no Iêmen. O comitê respondeu que não está “habilitado para responder estas perguntas”.</p>
<blockquote><p><strong>Quem são os civis mortos</strong></p>
<p>A comissão iemenita identificou todos os 44 civis mortos no ataque. Três foram mortos logo após o ataque, depois de pisarem em munição fragmentária. São eles: Khaled Mohammed Ali, Nasser Saleh Al-Soueidi e Mithaq Al Jild. Todos os 41 outros morreram atingidos pelo míssil:</p>
<p>Família de Mohammed Nasser Awad Jaljala</p>
<table width="100%" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Nome</strong></td>
<td valign="bottom" width="19%"><strong>Idade</strong></td>
<td valign="bottom" width="23%"><strong>Parentesco</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Mohammed Nasser Awad Jaljala</strong></td>
<td valign="bottom" width="19%">60</td>
<td valign="bottom" width="23%">Pai</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Nousa Mohammed Saleh El-Souwa</strong></td>
<td valign="bottom" width="19%">30</td>
<td valign="bottom" width="23%">Esposa</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Nasser Mohammed Nasser</strong></td>
<td valign="bottom" width="19%">6</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filho</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Arwa Mohammed Nasser</strong></td>
<td valign="bottom" width="19%">4</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filha</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Fatima Mohammed Nasser</strong></td>
<td valign="bottom" width="19%">2</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filha</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Família de Ali Mohammed Nasser Jaljala:</p>
<table width="100%" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Nome</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%"><strong>Idade</strong></td>
<td valign="bottom" width="22%"><strong>Parentesco</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Ali Mohammed Nasser</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">35</td>
<td valign="bottom" width="22%">Pai</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Qubla Al-Kharibi Salem</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">25</td>
<td valign="bottom" width="22%">Esposa</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Afrah Ali Mohammed Nasser</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">9</td>
<td valign="bottom" width="22%">Filha</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Zayda Ali Mohammed Nasser</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">7</td>
<td valign="bottom" width="22%">Filha</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Hoda Ali Mohammed Nasser</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">5</td>
<td valign="bottom" width="22%">Filha</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Sheikha Ali Mohammed Nasser</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">4</td>
<td valign="bottom" width="22%">Filha</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Família de Ahmed Mohammed Nasser Jaljala:</p>
<table width="100%" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Nome</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%"><strong>Idade</strong></td>
<td valign="bottom" width="22%"><strong>Parentesco</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Ahmed Mohammed Nasser Jaljala</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">30</td>
<td valign="bottom" width="22%">Pai</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Qubla Salem Nasser</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">21</td>
<td valign="bottom" width="22%">Esposa</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Mouhsena Ahmed Adiyou</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">50</td>
<td valign="bottom" width="22%">Mother</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong><br />
Os mortos do clã Anbour:</strong></p>
<p>Família de Abdullah Mokbel Salem Louqye</p>
<table width="100%" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Nome</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%"><strong>Idade</strong></td>
<td valign="bottom" width="22%"><strong>Parentesco</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Abdullah Mokbel Salem Louqye</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">37</td>
<td valign="bottom" width="22%">Pai</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Saleha Ali Ahmed Mansour</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">30</td>
<td valign="bottom" width="22%">Esposa</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Ibrahim Abdullah Mokbel Salem Louqye</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">13</td>
<td valign="bottom" width="22%">Filho</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Asmaa Abdullah Mokbel Salem Louqye</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">9</td>
<td valign="bottom" width="22%">Filha</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Salma Abdullah Mokbel Salem Louqye</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">4</td>
<td valign="bottom" width="22%">Filha</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="58%"><strong>Fatima Abdullah Mokbel Salem Louqye</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">3</td>
<td valign="bottom" width="22%">Filha</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Família de Ali Mokbel Salem Louqye</p>
<table width="100%" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Nome</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%"><strong>Idade</strong></td>
<td valign="bottom" width="23%"><strong>Parentesco</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Ali Mokbel Salem Louqye</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">36</td>
<td valign="bottom" width="23%">Pai</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Hanaa Abdallah Monser</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">28</td>
<td valign="bottom" width="23%">Esposa</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Moheile Mohammed Saeed Yaslem</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">30</td>
<td valign="bottom" width="23%"></td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Safaa Ali Mokbel Salem</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">25</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filha</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Khadije Ali Mokbel Louqye</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">1</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filha</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Hanaa Ali Mokbel Louqye</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">6</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filha</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Mohammed Ali Mokbel Salem Louqye</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">4</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filho</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Família de Mokbel Salem Louqye:</p>
<table width="100%" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Nome</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%"><strong>Idade</strong></td>
<td valign="bottom" width="23%"><strong>Parentesco</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Fatima Yaslem Al-Rawami</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">67</td>
<td valign="bottom" width="23%">Primeira Esposa</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Maryam Awad Nasser</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">43</td>
<td valign="bottom" width="23%">Segunda Esposa</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Jawass Mokbel Salem Louqye</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">15</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filha</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Família de Abdullah Awad Sheikh:</p>
<table width="100%" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="bottom" width="56%"><strong>Nome</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%"><strong>Idade</strong></td>
<td valign="bottom" width="24%"><strong>Parentesco</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="56%"><strong>Abdullah Awad Sheikh</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">65</td>
<td valign="bottom" width="24%">Pai</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Família de Hussein Abdullah Awad Sheikh:</p>
<table width="100%" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="bottom" width="56%"><strong>Nome</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%"><strong>Idade</strong></td>
<td valign="bottom" width="23%"><strong>Parentesco</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="56%"><strong>Hanane Mohammed Jadib</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">25</td>
<td valign="bottom" width="23%">Esposa</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="56%"><strong>Maryam Hussein Abdullah Awad</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">2,9</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filha</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="56%"><strong>Shafiq Hussein Abdullah Awad</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">1,5</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filha</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Família de Nasser Mahdi Ahmad Bouh:</p>
<table width="100%" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Nome</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%"><strong>Idade</strong></td>
<td valign="bottom" width="23%"><strong>Parentesco</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Maryam Mokbel Salem Louqye</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">38</td>
<td valign="bottom" width="23%">Esposa</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Sheikha Nasser Mahdi Ahmad Bouh</strong></td>
<td valign="bottom" width="20%">3</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filha</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Família de Mohammed Saleh Mohammed Ali Al-Anbouri:</p>
<table width="100%" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Nome</strong></td>
<td valign="bottom" width="21%"><strong>Idade</strong></td>
<td valign="bottom" width="23%"><strong>Parentesco</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Amina Abdullah Awad Sheikh</strong></td>
<td valign="bottom" width="21%">27</td>
<td valign="bottom" width="23%">Esposa</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Maha Mohammed Saleh Mohammed</strong></td>
<td valign="bottom" width="21%">12</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filho</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Soumaya Mohammed Saleh Mohammed</strong></td>
<td valign="bottom" width="21%">9</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filho</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Shafika Mohammed Saleh Mohammed</strong></td>
<td valign="bottom" width="21%">4</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filho</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" width="57%"><strong>Shafiq Mohammed Saleh Mohammed</strong></td>
<td valign="bottom" width="21%">2</td>
<td valign="bottom" width="23%">Filho</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</blockquote>
<p><strong>Leia mais:</strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2012/04/forca-aerea-iemenita-sucateada-aponta-para-envolvimento-dos-eua-em-ataques/" target="_blank">Força Aérea iemenita sucateada aponta para envolvimento dos EUA em ataques</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2012/04/depois-da-primavera-arabe-aumentam-ataques-americanos-iemen/" target="_blank">Depois da primavera árabe, aumentam ataques dos EUA ao Iêmen</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.thebureauinvestigates.com/2012/03/29/the-civilian-massacre-the-us-will-neither-confirm-nor-deny/" target="_blank">Clique aqui</a> para ler o original, em inglês. Tradução de Marcus V F Lacerda.</strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Força Aérea sucateada aponta para envolvimento dos EUA em ataques</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Apr 2012 10:58:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[#militar]]></category>

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		<description><![CDATA[O Iêmen é um grande aliado dos EUA na guerra contra o terror. Ataques à Al-Qaeda no são assumidos pela sua força aérea, mas a reportagem mostra que ela está sucateda]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Dados extensivamente coletados pelo <a href="http://www.thebureauinvestigates.com" target="_blank">Bureau of Investigative Journalism</a>, parceiro da <a href="www.apublica.org" target="_blank">Pública</a>, revelam que pelo menos oito ataques aéreos foram lançados contra alvos supostamente militantes da Al-Qaeda no sul do Iêmen, matando no mínimo 102 pessoas. Mas fontes locais e especialistas descrevem a força aérea iemenita como decrépita e inadequada, em parte por causa da corrupção no país.</p>
<p>De acordo com o International Institute of Strategic Studies (IISS), a Força Aérea do Iêmen tem equipamento e treinamento insuficientes para defender o próprio espaço aéreo. O analista iemenita Abdul Ghani Iryani diz que a corrupção endêmica indica que a força aérea “não funciona há tempos”.</p>
<p>“As histórias de corrupção são fenomenais”, ele diz. Pilotos não podem voar de noite porque a corrupção nas aquisições militares leva à falta de instrumentos de navegação. Em 2011, oficiais iemenitas apoiaram esta afirmação ao confirmar à Associated Press que um ataque em 14 de julho foi realizado por aviões não tripulados americanos, já que os seus aviões não estão equipados para ataques noturnos.</p>
<p><strong>Baixo moral</strong></p>
<p>Eventos recentes mostraram que o moral e a disciplina na Força Aérea do Iêmen ruíram quase completamente. Em 22 de janeiro, pilotos e equipe de terra entraram em greve. Por dois meses, cerca de 2 mil dos 3 mil homens da força aérea ocuparam as ruas, protestando contra a corrupção e o nepotismo.</p>
<p>Esses fatos demonstram que os iemenitas não têm poder de fogo para lutar em uma campanha aérea contra a Al-Qaeda. E que os EUA têm estado por trás da maioria dos ataques aéreos recentes.</p>
<p>Mesmo assim, a Força Aérea do Iêmen continua a assumir ataques aéreos americanos como sendo seus próprios. Um despacho diplomático liberado pelo WikiLeaks expõe esta decepção. Enquanto discutia a campanha contraterrorista iemenita-americana com o general David Petraeus, o então presidente Ali Abdullah Saleh teria afirmado “Nós continuaremos dizendo que as bombas são nossas, não suas”.</p>
<p>Enquanto cobria os protestos dos grevistas na capital Sanaa para a Aviation Week, a jornalista Sharon Weinberger descobriu que a força aérea mal estava funcionando. “Minha impressão foi de que a força aérea como um todo estava à beira de um colapso”, afirmou ao Bureau.</p>
<p>De acordo com o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), o Iêmen possui 79 aeronaves hábeis a combater, mas algumas destas são descritas como “não confiáveis”, em especial os caças MIG-21, de 19 anos de &#8220;idade&#8221;.</p>
<p>A força aérea é uma “salada mista de equipamentos soviéticos e americanos”, diz Weinberger. Manter os aviões no ar é um desafio. E peças sobressalentes para algumas aeronaves são difíceis de chegar – algumas são tão velhas que os fabricantes nem existem mais. Alguns dos 15 caças F-5 da época da Guerra Fria são capazes de voar, segundo Weinberger. Mesmo assim, ela relata que por volta de cinco são completamente inoperáveis, com motores desfalcados pela busca por peças de substituição.</p>
<p>Isto ocorre apesar dos EUA terem dados 326 milhões de dólares em assistência à segurança entre 2007 e 2011. A maior parte do dinheiro foi dirigido à manutenção de aviões de transporte e helicópteros, diz Katherine Zimmerman do American Enterprise Institute.</p>
<p>Porém, o US Government Accountability Office, órgão do congresso americano responsável pela auditoria das contas americanas, relata que parte do auxílio financeiro às forças armadas do Iêmen são para sustentar “alguns dos seus caças F-5”.</p>
<p><strong>O que dizem os analistas</strong></p>
<p>Os EUA fornecem treinamento e equipamento para as forças armadas do Iêmen. Além do fornecimento de peças sobressalentes e de reposição, muitos soldados iemenitas viajam aos EUA para treinamento. E Sharon Weinberger diz que pessoal americano tem entrado e saído do aeroporto de Sanaa para inspecionar o avião de transporte C-130 Hercules, da força aérea do Iêmen.</p>
<p>As Forças Especiais dos EUA atuam no país. No último ano, em meio a relatos de uma nova base de aviões não tripulados sendo construída na península árabe, houve especulação de que o governo Obama iria erguê-la no Iêmen.</p>
<p>Alan Warnes, correspondente da AirForces Monthly, cita Camp Lemonnier, no Djibouti, como uma possível base para os ataques aéreos americanos. Ele diz que ali ficam seis caças F-15.</p>
<p>Em 2004 e 2005, o Iêmen comprou 20 MIG-29 russos. É difícil dizer quanto o Iêmen pagou. Mas Scott Johnson, da empresa de análise de defesa Jane’s, estima que cada avião deve ter custado cerca de 40 milhões de dólares. As aeronaves mais avançadas do Iêmen são seus 16 MIF-29. Os jatos russos podem carregar armas teleguiadas – as chamadas “bombas inteligentes”, necessárias para ataques de precisão.</p>
<p>Mas o analista iemenita Abdul Ghani Iryani acredita que o arsenal da força aérea não inclui bombas inteligentes. Ele lembra que em um episódio aeronaves do governo erraram o alvo de rebeldes e acabaram bombardeando um oleoduto.</p>
<p>Em 2010, a Human Rights Watch relatou que não era sabido se o Iêmen tinha comprado armas teleguiadas, mas o mesmo relatório diz que o governo iemenita usou bombas não-guiadas nos ataques contra rebeldes Houthi no norte do país. Em uma longa guerra separatista no nordeste do Iêmen, os rebeldes Houthi têm enfrentado as forças do governo há oito anos.</p>
<p><strong>Além de sua habilidade</strong></p>
<p>A força aérea do Iêmen não tem capacidade para ataques de precisão contra a Al-Qaeda, acredita Warnes. Missões de vôo noturno provavelmente estariam além de suas habilidades. “As únicas aeronaves capazes de voar à noite seriam caças um tanto antiquados”, ele diz. “Eu acho que são os americanos que estão fazendo isso em vez dos iemenitas”.</p>
<p>“O volume de ataques a militantes está sendo feito por outro pessoa”, concorda Iryani. Mas segundo a Jane’s, o Iêmen possui dois tipos de mísseis teleguiados, carregados por helicópteros. O AT-2 Swatter, da era soviética, foi usado a partir dos anos 1960 e o AT-6 Spiral foi empregado pela primeira vez no começo da década de 1970. Não se sabe quantos os iemenitas possuem ou quão velhos são seus estoques.</p>
<p>Estes mísseis poderiam ser empregados nos oito helicópteros de ataque russos Mi-35 Hind que os iemenitas têm. Mas não há sinal que eles estejam em melhor forma que suas aeronaves com asas.</p>
<p><strong>Leia mais:</strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2012/04/massacre-de-civis-os-eua-nao-confirmam-nem-negam/" target="_blank">O massacre de civis que os EUA não confirmam e nem negam</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://apublica.org/2012/04/depois-da-primavera-arabe-aumentam-ataques-americanos-iemen/" target="_blank">Depois da primavera árabe, aumentam ataques dos EUA ao Iêmen</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.thebureauinvestigates.com/2012/03/29/barely-functional-why-us-is-likely-to-be-behind-yemens-precision-airstrikes/" target="_blank">Clique aqui</a> para ler o original, em inglês. Tradução de Marcus V F Lacerda. </strong></p>
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		<title>E no Paquistão&#8230; CIA conduz 300º ataque por controle remoto</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/10/enquanto-isso-no-paquistao-cia-conduz-300%c2%ba-ataque-por-controle-remoto/</link>
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		<pubDate>Mon, 17 Oct 2011 11:05:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#AviõesNão-tripulados]]></category>
		<category><![CDATA[#CIA]]></category>
		<category><![CDATA[#Paquistão]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais de 2 mil pessoas foram ao enterro de vítima de ataque da CIA; a região sofreu 4 ataques aéreos de aviões sem tripulantes em 48 horas
]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A guerra por controle remoto dos Estados Unidos no Paquistão atingiu um novo marco no último sábado com o 300º ataque feito por um avião não-tripulado contra supostos militantes nas regiões tribais, de acordo com uma investigação do Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública.</p>
<p>Pouco antes de amanhecer, aviões não-tripulados da CIA atacaram um complexo residencial em Angor Adda, no Waziristão do Sul. Calcula-se que seis supostos militantes morreram no ataque, que feriu outras três pessoas.</p>
<p>Os mortos estariam ligados ao militante talibã Maulvi Nazir, visto como hostil aos EUA, embora mantenha um acordo de paz no Paquistão.</p>
<p>Foi o quarto ataque por controle remoto da CIA em  <strong><a href="http://www.thebureauinvestigates.com/2011/08/10/obama-2011-strikes/">48 horas</a></strong>.</p>
<p>Na sexta-feira, mais de 2 mil pessoas compareceram ao funeral de Maulana Iftiqar, diretor de uma escola islâmica local – e suposto jihadista – morto em um ataque <strong><a href="http://www.nytimes.com/2011/10/14/world/asia/drone-attack-in-pakistan-kills-a-haqqani-leader.html?_r=1">na quinta-feira passada</a></strong>.</p>
<p>Um político local<strong> <a href="http://articles.boston.com/2011-10-14/news/30280185_1_haqqanis-miran-shah-north-waziristan">afirmou aos presentes</a></strong> que “Os Estados Unidos deveriam perceber que esse ataques estão gerando uma enorme revolta, e ver as milhares de pessoas que vieram ao funeral de um verdadeiro mártir”</p>
<p><strong>Trezentos ataques</strong><strong><br />
</strong></p>
<p>O Bureau identificou até agora <strong><a href="http://www.thebureauinvestigates.com/category/projects/drone-data/">300 ataques por aviões sem tripulantes desde 2004</a></strong>. Destes, 248 ocorreram durante a presidência de Obama, ou seja, um ataque a cada quatro dias.</p>
<p>De acordo com uma análise detalhada dos ataques, pelo menos 2.318 pessoas foram assassinadas pela CIA.</p>
<p>A maioria é supostamente de militantes. Mas entre 386 e 775 civis foram mortos, incluindo mais de 170 crianças. Além disso, pelo menos 1.100 pessoas foram feridas.</p>
<p>A CIA recentemente <strong><a href="http://www.nytimes.com/2011/08/12/world/asia/12drones.html?pagewanted=1&amp;hp">admitiu a morte de 2.050 pessoas</a></strong> em ataques conduzidos por aviões sem tripulação – segundo a CIA, apenas 50 eram civis.</p>
<p>Porém, o Bureau <strong><a href="http://www.thebureauinvestigates.com/2011/08/10/most-complete-picture-yet-of-cia-drone-strikes/">publicou uma extensa base de dados</a></strong> comprovando o contrario.</p>
<p>Os Estados Unidos afirmam não ter matado nenhum civil no Paquistão desde maio de 2010.</p>
<p>A base de dados coletada pelo Bureau consiste em um compilado de relatos publicados por fontes como a AP, Reuters, New York Times e a mídia paquistanesa.</p>
<p>Quando possível, os dados foram cruzados com documentos da inteligência e da diplomacia americana, com textos de acadêmicos, agentes da inteligência e políticos, além de pesquisa em campo no Waziristão.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://apublica.org/2011/08/cia-ataques-aereos-por-controle-remoto-mataram-mais-de-2-mil-no-paquistao/"><span style="color: #000000;">Clique aqui</span></a> para ler a investigação completa: <a href="http://apublica.org/2011/08/cia-ataques-aereos-por-controle-remoto-mataram-mais-de-2-mil-no-paquistao/"><span style="color: #000000;">A guerra por controle remoto da CIA</span></a>  </strong></span></p>
<p><em><br />
</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.apublica.org/2011/10/enquanto-isso-no-paquistao-cia-conduz-300%c2%ba-ataque-por-controle-remoto/feed/</wfw:commentRss>
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		<title>CIA treina assassinos para agirem no mundo subterrâneo da guerra às drogas</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/09/cia-treina-assassinos-para-agirem-no-subterraneo-da-guerra-as-drogas/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Sep 2011 14:45:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#CIA]]></category>
		<category><![CDATA[#GuerraContraAsDrogas]]></category>
		<category><![CDATA[#México]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo uma fonte da CIA ouvida pelo repórter do Narconews, esses grupos de extermínio estão agindo contra facções de narcotraficantes no México]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma pequena – mas crescente – guerra subterrânea acontecendo no México. No embate, soldados de operações especiais mexicanos são treinados pelos EUA para agirem contra um crescente grupo de organizações de tráfico de drogas que são bem mais violentas do que os velhos cartéis mexicanos.</p>
<p>Esses grupos de assassinos estão atuando há cerca de seis meses, segundo fontes ouvidas pelo site Narco News, parceiro da Pública,<br />
com o apoio de uma rede sofisticada de inteligência composta por operativos da CIA, civis contratados pelas forças militares americana, e também soldados dos EUA sob o comando do Pentágono. Esse “apoio” consiste em identificar os alvos certos para os matadores mexicanos.</p>
<p>Evidências dessa rede de inteligência têm surgido em jornais americanos e mexicanos, como no New York Times e no El Universal. O NYT publicou que operativos da CIA e contratistas americanos foram alocados em uma base militar americana e o jornal mexicano relatou que tropas de elite dos EUA e do México estavam realizando treinamento conjunto em Colorado no início deste ano.</p>
<p>O Narco News<a href="http://narcosphere.narconews.com/notebook/bill-conroy/2010/06/us-military-has-special-ops-boots-ground-mexico"> já havia revelado em junho do ano</a> passado que uma força-tarefa de soldados de forças especiais dos EUA estava agindo em território mexicano, auxiliando os militares locais a encontrar os “capos” dos principais cartéis de tráfico de drogas – como as organizações <em>Juarez</em>,<em> Beltran Leyva</em>, <em>Zetas</em> e <em>La Familia</em>.</p>
<p>(É claro que os comandantes do cartel de <em>Sinaloa</em> permaneceram ilesos; se forem verdadeiras<a href="http://apublica.org/2011/06/mais-veloz-e-mais-furioso-%E2%80%93-a-protecao-americana-a-um-cartel-mexicano/"> as alegações judiciais do líder Vicente Zimbada Niebla</a>, que está preso nos Estados Unidos, houve na verdade um acordo fechado com o governo americano).</p>
<p><strong>Procura-se supervisores para a guerra contra as drogas</strong></p>
<p><a href="http://narcosphere.narconews.com/notebook/bill-conroy/2011/04/us-private-sector-providing-drug-war-mercenaries-mexico" target="_blank">Em abril deste ano</a>, o Narco News descobriu um anúncio de uma empresa militar privada contratando pessoas para supervisionar seus contratistas (civis que prestam serviços militares) que atuam no México e coordenar “com oficiais do exército mexicano” em uma dúzia de locais de treinamento no país.</p>
<p>O anúncio revelava mais: que a rede de treinamento de contratistas americanos fazia parte do chamado “Projeto Sparta”, que tem o objetivo de treinar soldados mexicanos em operações de guerra urbana avançada com o objetivo de formar uma “força de elite”.</p>
<p>E concluía: a “nova força de reação especializada” vai apoiar “agências de segurança locais, estaduais e federal” na “guerra contra o crime organizado e os cartéis de drogas”.</p>
<p>A empresa negou, logo depois, ter contratos deste tipo no México e o anúncio foi retirado do site.</p>
<p><strong>Estratégias militares, e não de segurança pública</strong></p>
<p>Uma fonte que conhece bem a situação no México diz que treinamento em táticas de guerra urbana seria essencial para qualquer força interessada em iniciar uma campanha de assalto nos narcogrupos independentes no país.</p>
<p>Só que essas operações em solo mexicano, que contam com a colaboração dos EUA, parecem todas se basear em estratégias militares, e não em preceitos da segurança pública. E aí está a chave da questão: ao contrário da segurança pública, o objetivo militar por excelência é neutralizar o inimigo no campo de batalha – e não levá-lo à justiça.</p>
<p>Segundo o ex-agente da CIA <a href="http://narcosphere.narconews.com/userfiles/70/Plumlee.Testimony.PDF">Tosh Plumlee</a>, há pelo menos três times de matadores mexicanos operando no México, nas regiões norte, central e sul do país.</p>
<p>Plumplee, que já foi era piloto contratado pela CIA na América Latina e mantém conexão com a comunidade de inteligência, diz que esses grupos militares de extermínio foram treinados pelos Estados Unidos.</p>
<p><strong>Por trás da nova tática, a multiplicação de mini-cartéis </strong></p>
<p><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/09/CarteldelPacifico.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-946" title="CarteldelPacifico" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/09/CarteldelPacifico.jpg" alt="" width="261" height="203" /></a>A estratégia dos governos americano e mexicano de atacar os chefões dos cartéis mexicanos não reduziu o fluxo de drogas entrando nos EUA, nem reduziu o número de atores no tráfico de drogas.</p>
<p>Em vez disso, levou ao surgimento de diversos pequenos grupos independentes que assumiram o vácuo de poder deixado pelos chefões do tráfico quando os policias e militares mexicanos conseguem acabar com um deles.</p>
<p>Isso ocorreu, por exemplo, com o assassinato de <a href="http://www.huffingtonpost.com/2009/12/17/arturo-beltran-leyva-top-_n_395431.html">Arturo Beltran Leyva </a>, da organização <em>Beltran Leyva</em>, com a captura de <a href="http://articles.cnn.com/2011-06-22/world/mexico.cartel.capture_1_la-familia-michoacana-cartel-alejandro-poire?_s=PM:WORLD">Jose de Jesus Mendez Vargas </a>da <em>La Familia</em>, e mais recentemente com a prisão de <a href="http://www.elpasotimes.com/news/ci_18628239?source=most_viewed">Jose Antonio Acosta Hernandez </a>da <em>La Linea</em>.</p>
<p>Entre os grupos independentes que emergiram, muitos deles no último ano, estão nomes ainda desconhecidos do grande público como <em>Mano con Ojos</em>,<em> Mata Zetas</em>, <em>Caballeros Templarios</em>, <em>Cartel de Pacifico Sur</em>, <em>Cartel de Jalisco Nueva Generacion</em> e <em>Cartel del Centro</em>.</p>
<p>Esses grupos são extremamente violentos, já que competem mais intensamente e contra mais organizações por sua parte no negócio de tráfico de drogas e armas, assassinatos de aluguéis, sequestros e extorsões, agindo como organizações criminosas que seguem o “cada um por si”.</p>
<p>Quase sempre são os antigos “braços armados” ou gangues de ruas que prestavam serviços para o chefões dos cartéis.</p>
<p>Esse “efeito Hydra” – o fenômeno da mutiplicação de mini-organizações cada vez que se elimina um chefão do tráfico – se tornou um grande problema tanto para o governo mexicano quanto para os EUA, e também para sua campanha de marketing, que insiste que esses grupos não têm relevância.</p>
<p>Mas a crescente onda de violência causada por esses grupos tem gerado um aumento brusco na taxa de homicídios no México, onde desde 2006 cerca de 50.000 pessoas, incluindo muitos civis inocentes e até crianças, foram atingidas pela selvageria da guerra contra às drogas.</p>
<p><a href="http://online.wsj.com/article/SB10001424053111904787404576528413479614524.html">Cerca de metade  dessas mortes</a> ocorreram nos últimos 18 meses, marcando o crescimento das mini-organizações criminosas.</p>
<p><strong>Tosh Plumplee</strong></p>
<p>E a resposta a essa nova ameaça, de acordo com uma fonte ouvida pelo Narco News, o ex-agente da CIA <a href="http://narcosphere.narconews.com/userfiles/70/Plumlee.Testimony.PDF">Tosh Plumlee</a>, tem sido pegar <a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/09/ToshonMexicoUSborderFenceMXbehi.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-947" title="Tosh Plumlee" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/09/ToshonMexicoUSborderFenceMXbehi.jpg" alt="" width="425" height="318" /></a>uma página da “Solução El Salvador”, adaptá-la aos dias de hoje, e ir atrás destes grupos de maneira encoberta — utilizando unidades de extermínio altamente treinadas cuja missão é “neutralizar” os seus líderes antes que eles possam consolidar seu poder.</p>
<p>Em El Salvador, nos anos 80, os militares americanos treinaram grupos de extermínio para acabar com a guerra contra o grupo guerrilheiro Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional &#8211; FMLN. Em 2005, a revista americana Newsweek revelou planos do Pentágono de utilizar a mesma estratégia contra grupos insurgentes que estavam surgindo no Iraque e no Afeganistão.</p>
<p>Em junho do ano passado o Narco News revelou que uma força-tarefa de forças especiais americanas, sob o comando do Pentágono, estava operando no México.</p>
<p>A reportagem era baseada em informações dadas por Plumlee.</p>
<p>Pouco depois, um relatório diplomático vazado pelo WikiLeaks comprovou que a unidade da marinha mexicana que conduziu a operação contra o chefão Arturo Beltran Leyva “recebeu treinamento extensivo dos EUA” — o que ajudou a comprovar a história do envolvimento americano na guerra aos chefões mexicanos.</p>
<p>De acordo com Plumlee, membros da mesma força-tarefa de forças especiais dos EUA estão agora fornecendo apoio de inteligência e treinamento para os times de assassinos mexicanos que foram montados para alvejar as novas mini-organiações criminosas.</p>
<p>A missão dessas unidades de ataque é, segundo Plumlee, “neutralizar” os alvos, ou seja: assassinar os traficantes.</p>
<p>Esse parece ser um novo foco, já que antes os militares mexicanos estavam caçando os cabeças dos cartéis para prendê-los, se possível.</p>
<p>De acordo com Plumlee, os antigos “cartéis” também vêem esses mini-grupos como inimigos que ameaçam seu modelo de negócios. “Parte da inteligência sendo obtida sobre esses novos grupos está vindo na verdade de membros dos Zetas”, diz ele.</p>
<p>Os grupos de extermínio das forças militares mexicanas teriam sido treinados pelos EUA, mas Plumlee afirma não saber exatamente onde. Plumlee também afirma que os membros da força-tarefa militar americana estão ajudando os mexicanos a identificar e verificar quais seriam os principais alvos.</p>
<p><em><a href="http://narcosphere.narconews.com/notebook/bill-conroy/2011/08/us-trained-assassin-teams-now-deployed-drug-war">Clique aqui</a> para ler a reportagem original, em inglês.</em></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Paquistão: 168 crianças assassinadas pela CIA</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/08/paquistao-168-criancas-assassinadas-pela-cia/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 09:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
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		<category><![CDATA[#CIA]]></category>
		<category><![CDATA[#Paquistão]]></category>

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		<description><![CDATA[Aviões não tripulados da CIA foram usados por Bush e Obama para driblar a lei que não permite seus soldados em território paquistanês. Dano colateral: 168 crianças mortas]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública, identificou relatos sobre 168 crianças assassinadas – 44% dos 385 civis mortos – em sete anos de ataques de aviões não tripulados, pilotados remotamente pela CIA, em áreas tribais do Paquistão.</p>
<p>O paquistanês Din Mohammad, por exemplo, teve a má sorte de ser vizinho, na região de Danda Darpakhel, no Waziristão do norte, de supostos militantes da rede Haqqani, um grupo insurgente que luta contra as forças americanas no vizinho Afeganistão.</p>
<p>No dia 8 de setembro de 2010, mísseis destruíram a casa dos supostos militantes, matando seis deles. Um dos mísseis atingiu também a casa de Din Mohammad matando o filho, estudante em um colégio militar no Waziristão, duas filhas e o sobrinho, todos em idade escolar.</p>
<p>Embora os repórteres de campo do Bureau tenham identificado detalhes deste ataque, os EUA negam que civis tenham sido mortos na campanha militar naquele país.</p>
<p><strong>Bush: 112 crianças mortas</strong></p>
<p>O maior número de mortes de crianças pertence ao governo de George Bush. São 112 menores de 17 anos assassinados. Durante os ataques, morriam muitas crianças. Em apenas um deles, foi registrada a morte de uma única criança.</p>
<p>No dia 28 de julho de 2008, por exemplo, os aviões sem tripulantes da CIA atingiram um seminário no Waziristão do sul, matando o expert em armas químicas da Al Qaeda, Abu Khabab al Masri e a sua equipe.</p>
<p>O ataque, considerado um sucesso, também vitimou três jovens rapazes e uma mulher. Apesar do segredo em torno dessa guerra por controle remoto, <a href="http://www.washingtonpost.com/world/national-security/obama-administration-remains-divided-over-future-of-us-pakistan-relationship/2011/05/13/AFOJcj3G_story_2.html" target="_blank">detalhes já haviam surgido em maio deste ano</a>, revelando que não apenas os EUA sabiam deste tipo de “dano colateral”, mas que o chefe da CIA, Michael Hayden, pediu desculpas pelo erro pessoalmente ao primeiro ministro paquistanês Yusuf Raza Gilani.</p>
<div style="background-color: #eeeeee;"><strong><strong>Num colégio religoso, um dos piores ataques</strong></strong></div>
<div style="background-color: #eeeeee;"></div>
<div style="background-color: #eeeeee;">Em 20 de outubro de 2006, num dos piores incidentes de toda a campanha militar norte-americana e um dos menos noticiados pela imprensa, 80 civis – sendo 69 crianças – foram mortos num ataque da CIA a uma escola religiosa, em Chenegai, na localidade de Bajaur Agency.</div>
<div style="background-color: #eeeeee;"></div>
<div style="background-color: #eeeeee;">O suposto alvo era o diretor da escola, um militante conhecido. Relatos dão conta de que helicópteros militares paquistaneses ajudaram, tardiamente, no ataque a escola.A mais jovem das crianças mortas tinha apenas sete anos. O veterano jornalista da BBC, Rahimullah Yousufzai, relembrou a cena. “As pessoas estavam devastadas. Conheci um pai que havia perdido dois dos seus filhos.</div>
<div style="background-color: #eeeeee;"></div>
<div style="background-color: #eeeeee;">Ele era muito paciente, e falava que fora esta a vontade de deus, mas estava claramente traumatizado”.O exército paquistanês assumiu o ataque para si, mas com as notícias que se espalhavam e com protestos que paralisaram o comércio em toda região a história mudou.</div>
<div style="background-color: #eeeeee;"></div>
<div style="background-color: #eeeeee;">O jornal britânico Sunday Times publicou um depoimento de um assessor do então presidente do Paquistão, Pervez Musharraf: “Nós pensamos que seria menos prejudicial se disséssemos que fizemos o ataque em vez dos EUA. Mas houve um grande dano colateral, e tivemos que pedir aos americanos para não fazerem mais isso”.</div>
<div style="background-color: #eeeeee;"></div>
<div style="background-color: #eeeeee;">Na semana seguinte aos ataques, o jornal <a href="http://thenews.com.pk/TodaysPrintDetail.aspx?ID=4043&amp;Cat=13&amp;dt=11/5/2006" target="_blank">The News</a> publicou os nomes e os vilarejos de cada uma das 80 vítimas. 69 delas tinham 17 anos ou menos.</div>
<div style="background-color: #eeeeee;"></div>
<div style="background-color: #eeeeee;">De acordo com uma fonte ouvida, uma das vítimas tinha apenas 7 anos; três tinham 9; uma tinha 10; quatro tinham 11; outras quatro tinham 12; oito tinham 13; seis tinham 14; nove tinham 15; dezenove tinham 16; doze tinham 17; três tinham 18; três tinham 19; e somente dois tinham 21 anos.</div>
<div style="background-color: #eeeeee;"></div>
<div style="background-color: #eeeeee;">O jornalista Yousufzai não tem dúvidas de que o ataque foi obra da CIA: “tenho certeza absoluta de que esse ataque foi feito por aviões não tripulados dos EUA, baseado no que ouvi de testemunhas e nos comentários subsequentes de oficiais do governo do Paquistão”.</div>
<p><strong><br />
Obama: 56 crianças mortas</strong></p>
<p><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/08/Menina.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-898" title="Fátima, morta em um ataque em maio de 2010" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/08/Menina-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>O Bureau identificou 56 crianças assassinadas durante o seu mandato – embora, nos últimos meses, tenha se constatado a redução do número de vítimas.</p>
<p>O filho de 8 anos de Maezol Khan perdeu a vida em 14 de fevereiro de 2009, após sua casa ser atingida por engano num ataque que visava seus 25 supostos vizinhos militantes.</p>
<p>Os estilhaços dos mísseis mataram o menino enquanto dormia. “Como os EUA podem invadir nossas casas quando estamos dormindo, e alvejar as nossas crianças?”, desabafou Maezol.</p>
<p>Segundo relatos, em 11 de agosto de 2009 outro incidente vitimou crianças e mulheres, num ataque a um suposto complexo do Talibã que matou até 25 pessoas.</p>
<p>Dois anos mais tarde, Arshad Khan, um jovem sobrevivente desse ataque, preso sob custódia da polícia paquistanesa, disse à imprensa que o complexo era um campo de treinamento para homens-bombas adolescentes. <a href="http://www.csmonitor.com/World/Asia-South-Central/2011/0616/Pakistani-teen-tells-of-his-recruitment-training-as-suicide-bomber" target="_blank">Ele identificou</a> quatro vítimas jovens.Contou ainda que foi recrutado sem saber que seria um homem-bomba.</p>
<p>Ao falar sobre as vítimas menores de 17 anos, a porta-voz da Unicef para a região sul da Ásia, Sarah Crowe, afirmou que “até mesmo uma morte de criança por aviões não tripulados é demais. Crianças não deveriam estar no meio de uma guerra e os dois lados deveriam fazer o máximo parta protegê-las de ataques violentos a qualquer hora”.</p>
<p><strong>Queda nas mortes</strong></p>
<p>Há indícios de que o governo Obama se esforça para reduzir o número de crianças atingidas. Após os incidentes de setembro de 2010 que mataram os filhos de Din Mohammad e semanas antes outras três crianças, houve uma queda no número de vítimas fatais menores de idade.</p>
<p>Em parte, isso corrobora a afirmação de oficiais de inteligência dos EUA de que houve uma mudança na estratégia usada pela CIA para reduzir as mortes de civis atingidos pelos aviões não tripulados.</p>
<p>Embora o Bureau tenha provado que a posição oficial da CIA – de que há “zero vítimas civis” – é falsa, a realidade é que o número de mortes diminuiu desde agosto de 2010.</p>
<p>Além de duas menções vagas a “crianças mortas”, um estudante de 17 anos morreu em novembro do ano passado. De acordo com pesquisadores do Bureau, no dia 22 de abril deste ano, dois aviões destruíram uma hospedaria em Spinwan, no Waziristão do norte, resultando na morte do menino Atif, de 12 anos.</p>
<p>“Todas essas crianças são agentes de recrutamento para militantes na área. Quando você mostra às pessoas que crianças foram mortas nos ataques aéreos, todos aqueles que não estão aliados às forças militantes vão para o outro lado. Isso é o que mais me preocupa como paquistanês”, diz Mirza Shahzad Akbar, advogado representante de famílias atingidas, em Islamabad</p>
<p>Um oficial de contraterrorismo ouvido pelo Bureau negou que tantos civis tenham sido mortos e afirmou. “Ninguém está dizendo que o programa é perfeito, mas ainda é o mais preciso que já tivemos”.</p>
<p><a href="http://www.thebureauinvestigates.com/2011/08/11/more-than-160-children-killed-in-us-strikes/">Clique aqui</a> para ler a reportagem original, em inglês. Versão em português editada por Thiago Domenici.</p>
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		<title>Paquistão: a guerra por controle remoto da CIA</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2011 12:04:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#AviõesNão-tripulados]]></category>
		<category><![CDATA[#CIA]]></category>
		<category><![CDATA[#Paquistão]]></category>

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		<description><![CDATA[A administração Obama depende cada vez mais de ataques aéreos controlados a partir dos EUA para atingir supostos militantes nas regiões tribais do oeste do país]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ataques de aeronaves não-tripuladas, pilotadas pela CIA através de controle remoto, causaram bem mais mortes no Paquistão do que se pensava, de acordo com pesquisa publicada dia 10 de agosto pelo centro de jornalismo independente Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública.</p>
<p>Mais de 160 crianças estão entre as 2.292 mortes registradas desde 2004. Há relatos consistentes de pelo menos 385 civis entre esses mortos.</p>
<p>Um oficial de combate ao terrorismo do governo americano também vazou estimativas internas do número total de mortos. A estimativa é de que 2.050 pessoas tenham sido mortas durante ataques de aviões sem tripulantes, e somente 50 seriam civis.</p>
<p><strong>Investigação</strong></p>
<p>A investigação feita pelo Bureau sobre essa guerra secreta envolveu uma pesquisa e reavaliação de tudo o que se sabia sobre cada um dos ataques de aviões sem tripulantes.</p>
<p>O estudo é baseado em uma análise detalhada de fontes confiáveis: 2.000 notícias que saíram na mídia; testemunhos; registros  feitos por ONGs e advogados nos campos de batalha; documentos diplomáticos do governo dos EUA; documentos de inteligência vazados; e entrevistas com jornalistas, políticos e oficiais de inteligência.</p>
<p>O resultado foi publicado em 10 de agosto em uma base de dados que cobre, em detalhe, cada um dos ataques. Uma ferramenta de busca, uma linha do tempo e mapas que podem ser pesquisados pelo usuário acompanham os dados. <a href="http://www.thebureauinvestigates.com/category/projects/drone-data/">Clique aqui para acessar a base de dados</a> completa, em inglês.</p>
<p>O objetivo da pesquisa é esclarecer o público sobre a guerra remota promovida pela CIA contra os militantes no Paquistão, realizada por aviões pilotados por controle remoto a partir dos Estados Unidos. O Bureau foi avisado de que oficiais da inteligência americana estão fazendo uma campanha para desacreditar o trabalho jornalístico, afirmando que há “problemas significativos com seus números e metodologias”.</p>
<p>Iain Overton, editor do Bureau, comenta: “Não me surpreende que os serviços de inteligência ataquem nossa investigação desta maneira. Mas, dizer que nossa metodologia tem problemas antes mesmo de publicarmos mostra a maneira como eles operam. E isso é reforçado pelo fato de que eles não conseguem chamar os ‘não combatentes’ pelo que realmente são: civis, frequentemente crianças”.</p>
<p><a href="http://apublica.org/2011/08/%E2%80%9Cnao-sou-sortudo%E2%80%9D-%E2%80%93-mais-de-mil-feridos-pelos-ataques-da-cia/">LEIA MAIS: &#8220;NÃO SOU SORTUDO&#8221; &#8211; MAIS DE MIL FERIDOS NOS ATAQUES</a></p>
<p><a href="http://apublica.org/2011/08/%E2%80%9Cnao-sou-sortudo%E2%80%9D-%E2%80%93-mais-de-mil-feridos-pelos-ataques-da-cia/">LEIA MAIS: AS HISTÓRIAS POR TRÁS DOS DADOS</a></p>
<p><strong>Muitos outros ataques</strong></p>
<p>Os dados levantados pelo Bureau revelam que houve muitos mais ataques da CIA contra alvos supostamente civis do que se sabia. Pelo menos 291 ataques feitos por aviões sem tripulantes ocorreram desde 2004.</p>
<p>Os alvos – militantes nas áreas tribais – parecem ser a maioria dos assassinados. Há 126 militantes reconhecidamente mortos desde 2004 e mais centenas de militantes desconhecidos.</p>
<p>Pelo menos 385 civis e 168 crianças estão entre os assassinados. Na era Bush, um em cada três ataques registrados mataram uma criança.</p>
<p>Mais de 1.100 pessoas também revelaram que foram feridas por ataques deste tipo – é a primeira vez que o número de feridos é contabilizado.</p>
<p>Após as revelações feitas pelo Bureau, a Anistia Internacional pediu que a CIA seja mais transparente.</p>
<p>“A administração Obama tem que explicar qual é a base legal para ataques no Paquistão se não quiser ser acusada de agir arbitrariamente. O governo paquistanês também tem que prestar contas sobre o assassinato indiscriminado, violando as leis internacionais, que está ocorrendo no país”, afirmou Sam Zarifi, diretor para Ásia da Anistia Internacional.</p>
<p><strong>Civis assassinados no governo Obama </strong></p>
<p>Até o momento, pelo menos 236 ataques por controle remoto foram ordenados pela administração Obama – e pelo menos 1.842 pessoas foram mortas nestes ataques.</p>
<p>Recentemente, o assessor de Obama para contraterrorismo John Brennan disse que o presidente americano “insistiu” que tais ataques “não ponham homens, mulheres e crianças inocentes em risco”. No entanto, pelo menos 218 dos mortos durante os ataques na era Obama podem ter sido simples civis, segundo a investigação do Bureau.</p>
<p>As mortes de civis parecem ter diminuído no último ano. Mas há evidências consistentes de pelo menos 45 civis mortos em dez ataques em 2010. Os Estados Unidos insistem que “não podem confirmar” nenhuma morte de não-combatentes no ano passado.</p>
<p>A morte mais recente ocorreu no dia 12 de julho. Abdul Jalil, um trabalhador imigrante de Dubai, tornou-se um “efeito colateral” quando a CIA atacou um carro que levava oito supostos militantes, segundo pesquisadores do Bureau em Waziristão, a montanhosa região norte do Paquistão.</p>
<p><strong>Estimativas internas do governo americano</strong></p>
<p>As estimativas internas do governo americano sobre os mortos em ataques de aviões não tripulados chegam a 2.050. Apenas 50 destes seriam não-combatentes. A fonte é um oficial de contraterrorismo do governo Obama.</p>
<p>A investigação aponta um mínimo de 2.292 mortos, um número considerado “longe” do real por este oficial, que não é identificado na reportagem do Bureau. “Essas ações alvejam militantes que estão efetivamente planejando matar afegãos, paquistaneses, europeus e americanos, entre outros, e frequentemente ocorrem quando eles estão treinando ou já se preparando para atacar. Mais de 4 mil civis paquistaneses foram mortos por terroristas desde 2009 – a ameaça é clara e é real”.</p>
<p>A Reprieve, uma ONG que atua em campanhas de direitos humanos, afirmou que “as descobertas do Bureau pelo menos trazem uma visão consistente e completa dos fatos.  É um grande começo. A partir de agora, a Reprieve espera que as pessoas vejam a propaganda do governo sobre esse tipo de ataque com uma “pulga atrás da orelha” – e se pergunte, se tais ataques não estão aumentando o número de radicais entre os jovens, do mesmo jeito que Guantánamo fez”.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>“Não sou sortudo” – mais de mil feridos pelos ataques da CIA</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2011 12:02:21 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[#AviõesNão-tripulados]]></category>
		<category><![CDATA[#CIA]]></category>
		<category><![CDATA[#Paquistão]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais de mil pessoas foram feridas em ataques de aviões pilotados pela CIA]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Algumas pessoas dizem que Sadaullah tem sorte de estar vivo. Quando sua casa em Machi Khel, no norte do Waziristão, foi atingida por mísseis atirados por aviões americanos sem tripulantes, ele sobreviveu. Seu tio, que já estava em uma cadeira de rodas, e mais dois primos morreram.</p>
<p>O ataque, que aconteceu em 7 de setembro de 2009, tinha como alvo um militante que não estava no local. Mas o estudante Sadaullah, de apenas 15 anos, pagou (e paga) um preço terrível por ter sobrevivido: perdeu as duas pernas e um olho no ataque.</p>
<p>Ele é apenas uma das 1.100 pessoas feridas durante ataques de aviões pilotados pela CIA.</p>
<p>“Os feridos que sobreviveram e ficaram aleijados sempre me dizem: ‘não dá para dizer que sou sortudo’”, conta o advogado Mirza Shahzad Akbar, que representa Sadaullah em um caso legal contra a CIA. “Aqui não é Londres, ou Islamabad, a capital do Paquistão. Não há equipamentos para essas pessoas com necessidades especiais no Waziristão, então elas não têm nenhuma perspectiva de futuro”.</p>
<p><span style="color: #000000;"><a href="http://apublica.org/2011/08/as-historias-por-tras-dos-dados/"><span style="color: #000000;">LEIA MAIS: AS HISTÓRIAS POR TRÁS DOS DADOS</span></a></span></p>
<p><strong>Ferido por estilhaços</strong><strong></strong></p>
<p>O Bureau descobriu detalhes de pelo menos 1.117 pessoas que foram feridas de maneira grave, a ponto de merecer a atenção da imprensa.<strong></strong></p>
<p>Entre os feridos há militantes e civis, adultos e crianças, embora seus nomes sejam raramente relatados nas notícias. Dezenas deles foram feridos durante os ataques – mas ainda mais comum são as pessoas presas em prédios destruídos, feridas por detritos que voam após os ataques, ou por estilhaços de mísseis.</p>
<p>Em algumas ocasiões, encontram-se nomes dos feridos nas reportagens da imprensa. Quando o especialista em explosivos da Al Qaeda, Abu Musa al-Masri, foi morto em 21 de outubro de 2009, pouco se falou sobre as oito pessoas que também ficaram feridas.</p>
<p>Mas naquela ocasião, <a href="http://daily-allnews.blogspot.com/2009/10/missile-strike-could-complicate.html">um fotógrafo da agência Associated Press</a>, que estava acompanhando os militares paquistaneses, também fotografou duas meninas feridas.<a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/08/Paquistao-5.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-884" title="Paquistao 5" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2011/08/Paquistao-5.jpg" alt="" width="532" height="400" /></a></p>
<p>Sameeda Gul, de apenas seis anos (foto), teve sua perna atingida, e Fatima Gul, de quatro anos, foi ferida na cabeça. “Nenhuma das duas parece estar em risco de vida”, noticiou a AP.</p>
<p>O maior número de feridos já registrado ocorreu em dois ataques durante os primeiros meses da administração Obama.</p>
<p>Um deles, contra um suposto campo de treinamento do Talibã, matou 31 militantes e civis. Pelo menos 50 pessoas ficaram feridas. Um mês depois, mais 41 pessoas foram feridas em um ataque em Kurram Agency.</p>
<p>Raramente se sabe o que aconteceu com os feridos – especialmente com os que são militantes. Muitos novos relatos mencionam clínicas privadas para onde eles são levados, mas pouco se sabe sobre essas clínicas.</p>
<p><strong>“Traumas psicológicos”</strong></p>
<p>Há evidências que sugerem que os ataques comandados pela CIA nas áreas tribais do Paquistão estão afetando a saúde das pessoas muito além das feridas físicas.</p>
<p><a href="http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&amp;aid=21232">Médicos locais dizem</a> que há um aumento significativo de pessoas que têm que usar tranqüilizantes ou medicamentos para dormir.</p>
<p>Em agosto deste ano, mais pessoas que se somaram à lista de feridos. No dia 10, um ataque aéreo destruiu um carro e uma construção, matando ao menos 21 supostos militantes. Três pessoas ficaram feridas.</p>
<p><a href="http://www.thebureauinvestigates.com/2011/08/10/one-thousand-drone-injuries-are-they-truly-lucky-o/">Clique aqui</a> para ler a reportagem original, em inglês.</p>
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