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	<title>Pública &#187; Tag: #África</title>
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	<description>AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO</description>
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		<title>Quênia: mulheres soropositivas são esterilizadas sem saber</title>
		<link>http://www.apublica.org/2012/09/quenia-mulheres-soropositivas-sao-esterilizadas-sem-saber/</link>
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		<pubDate>Mon, 17 Sep 2012 12:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#África]]></category>
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		<category><![CDATA[HIV]]></category>

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		<description><![CDATA[Relatório denuncia casos de quenianas operadas à força após dar à luz]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Quando foi para o hospital dar à luz, Amani estava preocupada com muitas coisas. No seu país, o Quênia, a taxa de mortalidade materna é altíssima. Além disso, durante o pré-natal, Amani recebera a  notícia  de que tinha HIV. Os médicos lhe disseram que a maneira mais segura de ter o bebê sem transmitir o vírus seria por cesárea. Assim, quando foi levada na cadeira de rodas para a sala de cirurgia, ela pensava que estava em boas mãos. Que engano. Durante a cesariana, sem que ela soubesse ou desse seu consentimento, Amani foi esterilizada.</p>
<p>Pior: ela só descobriu o que aconteceu por acaso. “Depois do parto eu levei meu bebê para uma clínica”, diz. “A enfermeira pediu para examinar o meu útero, e durante o exame uma colega perguntou a ela se a ligação das minhas trompas estava cicatrizando. Eu não sabia de nada. Achava que eles haviam me operado apenas por causa do parto”.</p>
<p>O caso de Amani não é o único. Uma novo relatório da ONG <a href="http://www.awcfs.org/new/programmes/training-a-research/gender-and-media-initiative" target="_blank">Iniciativa Africana de Mídia e Gênero</a> detalha 40 casos de mulheres do Quênia que foram esterilizadas de maneira forçada porque eram soropositivas.</p>
<p>O relatório é chocante; algumas mulheres descobrem depois que seus maridos assinaram a autorização médica, permitindo a operação irreversível de ligação de trompas. Outras têm que assinar os documentos durante o estresse do parto, e só muito depois descobrem o que estavam permitindo.</p>
<p>Diversas entrevistadas dizem ter sido mal tratadas pelos enfermeiros que deviam ajudá-las.</p>
<p>Nekeska deu à luz em 2008 no Hospital Geral de Kakamega, no oeste do Quênia. Ali, sofreu diversos abusos. O médico lhe disse que “é um crime para mulheres com HIV ter filhos” e, portanto, ela só poderia dar à luz no hospital se concordasse em ser esterilizada. Nekeska resistiu, negando-se a assinar a autorização, mas foi esterilizada assim mesmo.</p>
<p>Muitas das mulheres afirmam que caíram no ostracismo e foram expulsas dos seus lares pela dupla pecha de serem inférteis e terem HIV. O marido de Amani morreu de Aids em 2004, deixando-a só com a filha. “Nos últimos anos tive três namorados, mas rompi os relacionamentos. Se eu casasse, seria abandonada assim que eles descobrissem que não posso ter filhos”, diz.</p>
<p>De acordo com a Pesquisa Indicador de AIDS no Quênia 2007, uma em cada dez grávidas no país tem HIV. Crianças com menos de 15 anos representam 16% das pessoas contaminadas; a grande maioria foi infectada pela mãe. No entanto, o risco de contaminação da mãe para o bebê pode ser reduzido a zero através do uso de anti-retrovirais durante a gravidez e o parto, além da adoção da cesariana.<strong><em></em></strong></p>
<p><strong>Envolvimento de ONGs</strong></p>
<p>Em janeiro, um canal queniano de TV denunciou que a organização americana <a href="http://www.projectprevention.org/">Project Prevention</a> estava pagando para que mulheres com HIV aceitassem implantar métodos anticoncepcionais intrauterinos.</p>
<p>O governo queniano reagiu fortemente à notícia. “É importante deixar claro que mulheres com HIV têm o direito de ter filhos se desejarem. Ter HIV não lhes retira este direito”, afirmou o Ministro da Saúde Peter Anyang’ Nyong’o.</p>
<p>Agora, o relatório da Iniciativa Africana de Mídia e Gênero envolve tanto funcionários do serviço de saúde local como ONGs internacionais na denúncia. Alguns relatos citam as ONGs Médicos sem Fronteiras e Marie Stopes, organização britânica que trabalha com saúde reprodutiva.</p>
<p>Betty descobriu que tinha HIV em 1993. Ela havia dado à luz seu quarto filho quando médicos da família foram visitá-la em sua casa e, segundo ela, pediram que os acompanhasse até uma clínica onde seria atendida por médicos da ONG Marie Stopes.  Betty aceitou, na esperança de receber assistência financeira da ONG. Lá, ela conta ter recebido alguns documentos, mas “ninguém me disse o que eu estava assinando”, diz. “Eu pensei que estava apenas me registrando”. Depois da cirurgia, recebeu a notícia de que os médicos da comunidade a haviam marcado como alguém que deveria ser esterilizada por ser soropositiva e não ter marido ou fonte de renda.</p>
<p>A ONG Marie Stopes respondeu às acusações afirmando que “o processo descrito por Betty é absolutamente contrário às políticas, valores e práticas da Marie Stopes sobre o consentimento informado. Levamos muito a sério essas denúncias”. A ONG diz que alguns dos casos trabalha com “organizações que enviam clientes para a Marie Stopes no Quênia para fortalecer suas políticas e práticas de consentimento informado, e é algo que buscamos”.</p>
<p><strong>Reportagem do Bureau of Investigative Journalism. </strong><strong>Leia o original, em inglês, <a href="http://www.thebureauinvestigates.com/2012/09/07/kenyan-women-forcibly-sterilized-for-having-hiv/" target="_blank">aqui</a>. Acesse <strong><a href="http://kelinkenya.org/wp-content/uploads/2010/10/Report-on-Robbed-Of-Choice-Forced-and-Coerced-Sterilization-Experiences-of-Women-Living-with-HIV-in-Kenya.pdf" target="_blank">aqui</a></strong> o relatório “Sem escolha: experiências de esterilização forçadas e coercivas de mulheres com HIV no Quênia&#8221;.  </strong><strong><em></em></strong></p>
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		<title>O ditador e seus amigos</title>
		<link>http://www.apublica.org/2012/04/ditador-seus-amigos/</link>
		<comments>http://www.apublica.org/2012/04/ditador-seus-amigos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Apr 2012 21:03:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#África]]></category>
		<category><![CDATA[#corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[#EUA]]></category>
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		<category><![CDATA[#petróleo]]></category>

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		<description><![CDATA[Como o dinheiro do presidente da Guiné Equatorial comprou apoio nos EUA – de lobistas, advogados, políticos e ONGs. Até a luva brilhante de Michael Jackson entrou na trama]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Por mais de uma década, o ditador da Guiné Equatorial, país na África subsaariana, e a sua família gastaram uma fortuna nos Estados Unidos, comprando desde imóveis até roupas em lojas como Dolce &amp; Gabanna e Louis Vuitton. No final de outubro do ano passado, o governo americano finalmente decidiu agir para refrear as compras do círculo íntimo do presidente Teodoro Obiang Nguema; o Departamento de Justiça abriu um processo pedindo o confisco de dezenas de milhões de dólares em bens do filho e herdeiro de Nguema.</p>
<p>A petição, obtida pelo site <a href="http://100r.org/" target="_blank">100Reporters</a>, parceiro da Pública, afirma que Teodorin, filho do ditador e ministro de florestas do país, usou recursos provenientes de lavagem de dinheiro para comprar uma mansão de US$30 milhões em Malibu, em Los Angeles, um jatinho particular e até relíquias que pertenceram a Michael Jackson – como a luva encravada de cristais usada pelo astro pop na turnê do álbum “Bad”.</p>
<p>Segundo a petição, oficiais do alto escalão do regime de Obiang “adquiriram uma enorme fortuna” através de métodos como “extorsão, apropriação indébita, roubo e desvio de verbas públicas”. Ao anunciar a abertura do processo, o assistente da promotoria Lanny Breuer afirmou: “Estamos enviando uma mensagem clara: os Estados Unidos não servirão de esconderijo para a riqueza de líderes corruptos”.</p>
<p>Não é bem assim. Afinal, a base da riqueza do regime de Obiang é o petróleo explorado por empresas americanas como ExxonMobil e Amerada Hess. Com uma produção estimada de cerca de 300 mil barris por dia, a Guiné Equatorial é o terceiro maior produtor na África subsaariana. A ação do Departamento de Justiça – que vem muito depois de dois relatórios do Senado detalharem, já em 2004, a apropriação da renda do petróleo pelo clã de Obiang – confirma a reputação do regime como um dos mais corruptos do mundo.</p>
<p>Mas passou quase desapercebido que tamanha corrupção tenha sido facilitada por agentes dos Estados Unidos: empresas de energia que enriqueceram Obiang fazendo acordos mais que amigáveis com ele; banqueiros e contadores que ajudaram o clã a lavar seu dinheiro; lobistas generosamente pagos que fizeram propaganda para ganhar apoio político nos EUA; e até duvidosos grupos pró-democracia que, com financiamento das petroleiras, enviaram observadores para validar eleições fraudulentas no país africano.</p>
<p>A maior parte dos facilitadores do regime não fizeram nada ilegal; porém, sem cerimônia, deram proteção política ao regime de Obiang. Apenas seus intermediários financeiros podem ser vir a ser escrutinizados legalmente – além de eticamente.</p>
<p>“Corrupção em grande magnitude não é apenas um problema local, é internacional, pois muitas vezes envolve múltiplas jurisdições”, explica Mark Vlasic, professor de direito na Universidade de Georgetown e ex diretor da Iniciativa para Recuperar Bens Roubados, do Banco Mundial.</p>
<p>“Oficiais corruptos não usam o PayPal para fazer transações com largas somas em dinheiro”, diz Vlasic. “Eles precisam de pessoas que os auxiliem, e esses facilitadores também têm que ser punidos pelos crimes”.</p>
<p><strong>Auxílio classe A</strong></p>
<p>Ainda hoje, o herdeiro Teodorin consegue obter auxílio <em>Classe A</em> nos EUA para resolver seus crescentes problemas. Advogado de escritórios renomados como Cleary Gottleib estão sempre à mão para lidar com seus problemas legais.  Tanto ele quanto seu pai pagam uma das maiores empresas de Relações Públicas em Washington para polir a sua imagem. Documento judiciais e entrevistas conduzidas pelo <a href="https://100r.org">100Reporters</a> mostram que Teodorin emprega também intermediários americanos para constituir empresas para ele, gerir suas transações financeiras e atuar como testas-de-ferro.</p>
<p>Até 1990, ninguém prestava muita atenção à Guiné Equatorial. Era um dos países mais pobres e isolados do mundo. Obiang, que chegara ao poder através de um golpe de Estado em 1979, era internacionalmente considerado um pária.</p>
<p>Mas isso mudou no começo dos anos 90, quando a Walter International, uma empresa sediada do Texas, começou a explorar um campo de gás natural no país. Para conseguir a permissão de exploração, a Walter (que depois conseguiu vender seus direitos sobre a operação por nada menos que US$ 46 milhões) financiou os estudos de Teodorin em um curso de inglês na universidade de Pepperdine, em Malibu.</p>
<p>Para seu desgosto posterior, a Walter concordou em pagar todas as despesas de Teodorin, despesas que chegariam a US$ 50 mil em cinco meses, incluindo excursões para compras luxuosas em Beverly Hills e uma suíte no hotel Beverly Wilshire.</p>
<p>A entrada da Walter International na Guiné Equatorial foi negociada com o então embaixador americano, Chester Norris, que mantinha uma relação amigável com o regime de Obiang. Tanto que, depois de se aposentar na carreira diplomática em em 1991, ele virou representante oficial do presidente da Walter International.</p>
<p>O governo de Obiang gostava tanto de Norris que deu o seu nome a uma rua em uma área residencial de luxo para executivos da indústria petroleira, na capital do país.</p>
<p>Apesar do conhecido histórico de repressão política do governo, Norris diz acreditar que Obiang é um líder “bem intencionado”, embora reconheça que não havia feito o suficiente para ajudar os pobres, e que “deveria estar construindo casas, escolas e hospitais”.</p>
<p><strong>A entrada das petroleiras</strong></p>
<p>O verdadeiro frenesi <em></em>a respeito de Obiang teve início em meados da década de 90, quando empresas americanas descobriram grandes reservas de petróleo no litoral do país que governa. Meses antes, a embaixada americana local havia fechado suas portas, em parte porque o novo embaixador John Bennett, sucessor de Norris no cargo, foi menos indulgente com os excessos do regime, e passou a ser ameaçado de morte por suas críticas às violações contra direitos humanos.</p>
<p>Assim, as petroleiras passaram a ajudar Obiang, na esperança de melhorar as suas relações com os Estados Unidos. Em 1996, antes da sua fusão com a Exxon, a Mobil ajudou a custear a viagem de observadores da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais por ocasião das primeiras eleições sob o governo Obiang. O conselho executivo da fundação, na época, incluía Peter G. Kelly, um lobista que representava o regime de Obiang em Washington.</p>
<p>A fundação criticou a eleição – Obiang ganhou com 98% dos votos – mas não tanto quanto a maioria dos observadores internacionais independentes. No ano seguinte, ela enviou uma delegação ao país que concluiu que, apesar dos problemas, havia “oportunidades para o governo, para os partidos políticos e para a comunidade internacional trabalharem conjuntamente em prol da ampliação do espaço democrático”.</p>
<p>Quatro anos depois, a Mobil contratou uma ONG chamada Instituto para Estratégias Democráticas para enviar observadores às eleições municipais. De novo, observadores independentes criticaram veementemente aquelas eleições, mas a equipe paga pela indústria de petróleo apresentou uma visão diferente, relatando que as eleições foram livres e justas.</p>
<p>No mesmo ano, um deputado do estado de Louisiana, William Jefferson, encabeçou a primeira delegação de congressistas dos EUA a visitar a Guiné Equatorial. Foi recebido com entusiasmo pelo governo e recebeu a chave da capital, Malabo.</p>
<p>Nove anos depois, Jefferson (popularmente conhecido no seu estado natal como “Dólar Bill”) foi sentenciado a 13 anos de prisão por pagamento de propinas e conspiração para violar a Lei Anti-Corrupção no Exterior (FCPA, na sigla em inglês). Parte desses crimes se devia aos seus esforços para ajudar empresas americanas a ganhar concessões de petróleo na Guiné Equatorial.</p>
<p>Foi mais ou menos nesta época que a empresas americanas começaram a produzir grandes quantidades de petróleo no país, que se tornou um importante aliado energético dos Estados Unidos. Isso levou a uma aproximação política entre Washington e Malabo, lubrificada por intenso lobby pago pela empresa petrolífera Amerada Hess. O coordenador dessa campanha de lobby era K. Riva Levinson, que havia trabalhado anteriormente com o lobista Peter G. Kelly.</p>
<p>“A maior parte das concessões de petróleo e gás natural na Guiné Equatorial acabam nas mãos de empresas americanas”, escreveu Levinson em um memorando para a administração Bush em 2001. “Diferentemente dos outros países da região, onde o Estado Unidos perdem para competidores [europeu]”.</p>
<p>Logo depois deste documento, a administração anunciou a reabertura da sua embaixada.</p>
<p><strong>Entram os bancos</strong></p>
<p>Enquanto isso, a Guiné Equatorial estava depositando centenas de milhões de dólares de receita provenientes do petróleo no Riggs Bank em Washington, numa conta estatal efetivamente controlada por Obiang.</p>
<p>O banco Riggs também abriu dezenas de contas pessoais para o presidente e os seus parentes, algumas delas em paraísos fiscais. “O banco Riggs… ignorou evidências de que estava administrando dinheiro proveniente de corrupção internacional, e permitiu que diversas transações suspeitas ocorressem sem jamais alertar as autoridades”, concluiu uma investigação do Senado em 2004.</p>
<p>Mais do que isso: o banco designou o seu vice-presidente, Simon Kareri, para servir como gerente pessoal da família de Obiang. O diligente Kareri aumentou  o limite pessoal do cartão de débito da primeira dama para US$10 mil por dia, para se adequar às suas ambições de compras quando ela viajava aos EUA. “O limite de US$ 2.500 é insuficiente para as suas necessidades”, explicou o banqueiro em um memorando obtido pela comissão do Senado.</p>
<p>Kareri, já falecido, ajudou o presidente a comprar duas mansões em Potomac, Maryland, por cerca de US$ 4 milhões. Em dinheiro vivo. Ele também ajudou o irmão de Obiang, Armengol Ondo Nguema, a comprar uma casa de US$ 349 mil na Virginia, no ano de 2000.</p>
<p>Apenas um ano antes, um relatório do Departamento de Estado americano sobre violações de direitos humanos na Guiné Equatorial havia mostrado que Ondo Nguema, à época chefe do aparato de segurança do país, ordenara a seus homens urinar em prisioneiros, cortassem suas orelhas à faca e jogar óleo sobre eles, para atrair a picada de formigas. “O senhor Armengol Ondo Nguema é um prezado cliente do banco Riggs Bank”, escreveu o vice-presidente Kareri a um agente imobiliário a respeito da compra da propriedade na Virgínia, garantindo que seu cliente tinha dinheiro para pagar pela propriedade.</p>
<p>O Senado também descobriu que as empresas petroleiras estavam pagando milhares de dólares ao núcleo duro do governo do país, o que “pode ter contribuído para práticas corruptas”, segundo o relatório.</p>
<p>A ExxonMobil vendeu ao presidente Obiang 15% em uma negociação de venda de petróleo, pela qual ele pagou à época US$2.300. Em seis anos, o valor da sua parcela no contrato havia aumentado em 280 vezes.</p>
<p>Tanto a ExxonMobil quanto a Amerada Hess contrataram a empresa de segurança privada Sonavi, cujo diretor era ninguém menos que Ondo Nguema, o torturador.</p>
<p>A Amerada Hess pagou a membros do governo e seus familiares mais de US$2 milhões para alugar propriedades no país, dos quais cerca de ¼ foram pagos a um menino de 14 anos, parente de Obiang, num contrato assinado em 2000.</p>
<p>O relatório do Senado acabou sendo altamente vexaminoso para a Guiné Equatorial e seus amigos americanos.</p>
<p>O banco Riggs foi multado em US$16 milhões por violações à Lei do Sigilo Bancário, e acabou sendo vendido para o banco PNC Financial Services.</p>
<p>Executivos das petroleiras foram intimados a testemunhar em uma audiência pública sobre o relatório, na qual o senador Carl Levin afirmou: “Não vejo nenhuma diferença fundamental entre  negociar com Obiang e com Saddam Hussein.”</p>
<p><strong>Eles sabiam</strong></p>
<p>Na audiência, Andrew Swiger, executivo da ExxonMobil, afirmou que na Guiné Equatorial “muitas empresas têm relações familiares com algum membro do governo, e virtualmente todos os servidores do governo têm seus próprios interesses comerciais”. Ele contou que era “virtualmente impossível fazer negócios…sem fazer negócios com um membro do governo ou o parente de algum membro do governo”.</p>
<p>A ExxonMobil e a Amerada Hess disseram ao Senado que a Sonavi monopoliza os serviços de segurança, então não havia outra opção a não ser contratá-la.</p>
<p>Porém, o relatório do Senado não evitou que o clã Obiang recrutasse mais facilitadores americanos, em especial o herdeiro Teodorin.</p>
<p>Embora alguns bancos tenham se recusado a abrir contas para ele, o herdeiro contratou Michael Berger e George Nagler – um advogado especialista em falência sediado em Los Angeles e outro que trata de direito imobiliário e financeiro, de Beverly Hills – para montar empresas de fachada e contas bancárias controladas por Teodorin, mas sem vínculos legais com ele.</p>
<p>Foi através de uma dessas empresas, a Sweetwater Malibu Inc., que Teodorin comprou a sua mansão em Malibu. E no caso de outra empresa, a Sweet Pink, Teodorin nomeou como presidente a rapper Eve, sua namorada à época.</p>
<p>Todo ano, o herdeiro do ditador da Guiné fazia uma festança na sua casa que tinha até nome próprio, a “Nguema Summer Bash”. Em 2007, o advogado Berger marcou presença. “Muito obrigada por me convidar para a sua festa e por ser tão bom para mim”, escreveu o advogado, por email, no dia seguinte. “A comida estava excelente, a bebida estava melhor ainda, a casa, a vista, o DJ, e o tigre branco… SO COOL!”</p>
<p>No mês seguinte Teodorin conseguiu que Berger fosse convidado ao “Kandy Halloween Bash”, a festa de Dia das Bruxas realizada na mansão da revista Playboy. O flyer da festa prometia “modelos com o corpo coberto de pinturas”, “go-go dancers” e “mil gatas escolhidas a dedo e com os modelitos mais sexy”.</p>
<p>Depois dessa festa, Berger enviou outro email efusivo a Teodorin. “Me diverti horrores. Conheci muitas mulheres bonitas… Se elas souberem você está procurando uma noiva, mulheres do mundo todo vão ficar ainda mais loucas por você”.</p>
<p>Os lobistas e profissionais de RH não pensaram duas vezes sobre trabalhar para Obriang, apesar da corrupção flagrante e das violações de direitos humanos cometidas pelo seu regime – desde que ele pagasse bem.</p>
<p>Um dos especialistas contratados foi Lanny Davis, ex consultor especial do presidente Bill Clinton, um proeminente oportunista de Washington que já teve na sua carteira de clientes apoiadores do golpe de 2009 em Honduras e Laurent Gbagbo, presidente da Costa do Marfim que foi forçado a sair do poder.</p>
<p>Ironicamente, Davis, que tinha um contrato anual de US$ 1 milhão, processou seu antigo chefe por não pagar a conta.</p>
<p>A investigação inicial do Departamento de Justiça dos EUA e da ICE a respeito das atividades de Teodorin no país veio a público em 2009, <a href="http://harpers.org/archive/2009/11/hbc-90006022">em reportagem na revista Harper’s</a>. Documentos da investigação mostravam que Teodorin conseguiu complementar o seu parco salário ministerial de US$5.000  por mês criando um “imposto revolucionário” sobre a extração de madeira, que as madeireiras internacionais deviam pagar a uma empresa de sua propriedade.</p>
<p>No ano passado, um relatório do Senado dos EUA detalhou as atividades de Berger, Nagler e outros profissionais que trabalhavam para Teodorin, mostrando que ele transferiu mais de US$100 milhões para os Estados Unidos através dessas empresas de fachada.</p>
<p><strong>A luva brilhante de Michael Jackson</strong></p>
<p>Hoje em dia, Teodorin ainda consegue contratar americanos para ajudá-lo a resolver seus problemas financeiros e corporativos. Além das empresas que já trabalham para ele, o filho de Obiang contratou os serviços de uma pequena empresa de contabilidade de Los Angeles chamada <a href="http://www.jamesmccaleb.com/" target="_blank">James McCaleb</a>.  De acordo com o seu site, a McCaleb – que também tem um escritório em Honolulu, no Havaí – ajuda seus clientes a “concentrar todos os recursos no que mais importa: aumentar a renda e pagar menos impostos”. A McCaleb, que registrou várias das empresas usadas por Teodorin, não respondeu aos telefonemas do site 100Reporters pedindo uma entrevista.</p>
<p>A petição governamental para confisco de bens afirma que um intermediário não identificado de Los Angeles ajudou Teodorin a comprar as relíquias de Michael Jackson, registrando-se para o leilão em Beverly Hills e na China.</p>
<p>O intermediário enviou um email para a casa de leilões em que dizia: “Por favor, certifique-se que o nome Teodorin não apareça em lugar algum, ele deve ser invisível”. Logo depois, o mesmo intermediário fez lances vencedores sobre diversos itens, num total de US$ 1,4 milhão. As mercadorias foram então faturadas na conta de “Amadeo Oluy” e enviadas para a Guiné Equatorial.</p>
<p>Teodorin contratou diversos advogados para lidar com seus problemas legais nos Estados Unidos. Um dos maiores é a atual tentativa do governo de bloquear seus bens em função das diversas ações judiciais movidas por ex-empregados de sua propriedade em Malibu, em Los Angeles, que denunciam falta de pagamento. Nos processos, os ex empregados fornecem muitas informações sobre o luxuoso estilo de vida de Teodorin.</p>
<p>A equipe de advogados recém contratada inclui alguns peixes pequenos, mas também renomados advogados como Duane Lyons do escritório Quinn Emanuel (Luons foi defensor do governo de Los Angeles) e Juan Morillo, do escritório Cleary Gottlieb, que figura na lista dos 50 melhores advogados com menos de 45 anos dos Estados Unidos.</p>
<p>Teodorin e o governo de seu pai empregam também a Qorvis Communications, empresa de relações públicas de Washington que chegou a faturar US$ 70 mil por mês dos dois clientes. Como mostra <a href="http://www.salon.com/2011/08/08/qorvis_bahrain/">um recente artigo no site Salon</a>, a Qorvis, que também trabalha para os governos do Bahrein e da Arábia Saudita, é especialista em tentar enganar o algoritmo do Google ao soltar um fluxo constante de press releases positivos a respeito de seus clientes na esperança de enterrar as inevitáveis notícias ruins relacionadas aos seus nomes.</p>
<p>Ainda em 2009, o procurador-geral Eric Holder disse, no Fórum Global em Doha, que “quando os ‘cleptocratas’ saqueiam os cofres de suas nações, roubam seus recursos naturais e desviam a ajuda para o desenvolvimento, eles estão condenando suas crianças à fome e doenças. Em face desta injustiça, recuperar os ativos [desse saque] é um imperativo global”.</p>
<p>Assim como o auto-controle por parte dos países que se beneficiam desse saque.</p>
<p><strong>Jantares e <em>black-tie</em></strong></p>
<p>No dia 15 de dezembro de 2011, o presidente Obiang recebeu uma ajuda de outro facilitador americano, quando ganhou o prêmio “Inspiração da África”, concedido em um jantar na Fundação Leon H. Sullivan, no hotel Marriott-Wardman Leon, em Washington.</p>
<p>O evento foi realizado para homenagear os destinatários de suas “exemplares contribuições para melhorar a vida das pessoas mais vulneráveis da África”. O prêmio foi dado à União Africana, e Obiang o recebeu como presidente da entidade. O governo da Guiné Equatorial alegou, como era previsto, que o presidente foi pessoalmente honrado.</p>
<p>Um comunicado de imprensa dizia que a elegante Hope Masters, líder da fundação, elogiou-o “pela sua liderança exemplar e por suas contribuições na reconstrução de Guiné Equatorial”. Na página do governo no Flickr há diversas fotos de Obiang durante a cerimônia – incluindo uma com Masters –, todas com a legenda: “presidente Obiang ganha prêmio Sullivan”.</p>
<p>A fundação diz que “capacita pessoas desprivilegiadas ao redor do mundo”, o que faz, na maioria das vezes (julgando pelo seu site) através de videoconferências, <em>happy hours</em>, jantares chiques em estilo <em>black tie</em> e premiações. Pelos seus esforços diligentes em ajudar os menos afortunados do mundo, somando salário e benefícios, Masters recebeu cerca de US$ 194 mil em 2006. Seu marido, Carlton, que é afiliado á fundação, dirige uma firme de consultoria que faz negócios na África.</p>
<p>O presidente da fundação é Andrew Young, o antigo embaixador estadunidense nas Nações Unidas e também ex-prefeito de Atlanta. Ele agora dirige a GoodWorks Internacional, uma empresa de consultoria que já trabalhou com diversos governos africanos notoriamente corruptos. Seu sócio na Goodworks, Carlton Masters, é casado com Hope Masters.</p>
<p>Em outubro de 2011, ativistas reclamaram para a fundação depois que ela lançou um release que incluiu Obiang na lista de pessoas que deveriam receber uma menção honrosa no jantar. A fundação lançou então uma série de <em>tweets</em> se desculpando, negando que seria uma homenagem a Obiang. A confusão seria resultado de “um infeliz erro no release”, erro taxado como “HORROROSO”. A fundação, diz outro <em>tweet</em>, “NUNCA faria tal homenagem”.</p>
<p>Em resposta a perguntas enviadas por e-mail, Aly Ramji, coordenador de projetos especiais na Fundação Sullivan, negou que o presidente Obiang ou seu governo tenham feito doações para a fundação. Ainda assim, segundo a transcrição do seu discurso feito no jantar, Obiang diz que “a Guiné Equatorial contribui hoje no financiamento” da fundação “como já foi feito no passado”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Ken Silverstein é bolsista da Open Society Foundation e editor contribuinte da Revista Harper’s. </em></strong></p>
<p><strong><em><a href="https://100r.org/2011/12/obiangs-american-enablers/#more-1995">Clique aqui</a> para ler o texto original, em inglês, no site <a href="http://100r.org/" target="_blank">100Reporters</a>. </em></strong><strong></strong></p>
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		<title>Ataques de tropas americanas matam civis e militantes na Somália</title>
		<link>http://www.apublica.org/2012/02/ataques-de-tropas-americanas-matam-civis-militantes-na-somalia/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Feb 2012 19:34:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Longe do olhar público, EUA intervêm na guerra da Somália através de ataques militares	que já vitimaram 162 pessoas ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Desde 2007, cerca de vinte ataques militares americanos mataram 162 pessoas na Somália, segundo numa nova pesquisa do Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública. Dentre os mortos há entre 11 e 59 civis.</p>
<p>A intervenção militar americana na guerra que assola a Somália é muito menos notada do que no Iêmen ou no Paquistão. Mas os ataques a alvos da Al Shabaab, um grupo fundamentalista islâmico que atua no país, aumentaram de forma aguda no ano passado.</p>
<p>O Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública, realizou uma pesquisa detalhada sobre as atividades militares ocidentais na Somália na última década. A pesquisa foi feita com base em registros de jornais, pesquisas acadêmicas, registros dos exércitos dos EUA e do Reino Unido e registros diplomáticos.</p>
<p>A equipe comparou relatos divergentes para checar o máximo de incidentes possível. A investigação revela uma teia complexa de inimigos, invasões e conflitos de interesse, além de ataques secretos e mortais das Forças Especiais americanas.</p>
<p><strong>Ataques</strong></p>
<p><a href="http://www.thebureauinvestigates.com/2012/02/22/get-the-data-somalias-hidden-war/">O banco de dados montado pelo Bureau</a> registra mais de 50 eventos ocorridos desde 2001. A atuação americana abrange desde operações contra a pirataria na costa da Somália até ataques aéreos de aviões tripulados e não tripulados contra supostos militantes islâmicos.</p>
<p>A pesquisa descobriu entre 8 e 20 ataques contraterroristas de 2007 a 2012. O total de mortos varia entre 46 e 162 – a maioria supostamente militante. Mas o número de mortos pode ser ainda maior, já que alguns relatos dizem apenas que “muitos morreram”, e outros ataques podem não ter sido registrados por jornais ou exércitos.</p>
<p>Apesar das Forças Especiais americanas estarem na Somália desde o 11 de setembro, a investigação do Bureau indica que os ataques dos EUA só começaram em janeiro de 2007.</p>
<p>Oito ataques foram confirmados por porta-vozes americanos ou oficiais que preferiram não se identificar. Nestes ataques morreram entre 46 e 60 pessoas – sendo entre 11 e 13 delas declaradas civis.</p>
<p>Há outros quatro ataques cobertos pela imprensa, mas que não foram reconhecidos por militares americanos. Estas ações teriam matado entre 13 e 45 pessoas, sendo entre 4 e 31 delas civis.</p>
<p>Também há oito ataques não corroborados por mais de um relato, mas todos eles foram reportados por meios de comunicação confiáveis. Estes ataques geraram de 22 a 57 mortes, com 15 vítimas civis.</p>
<p>O Departamento de Defesa americano nega-se a fornecer correções e esclarecimentos sobre estes ataques.</p>
<p>Durante a investigação, o Bureau também examinou 56 ataques realizados por veículos não-tripulados dos EUA que foram registrados <a href="http://www.thebureauinvestigates.com/2011/12/02/iranian-tv-station-faked-1370-somali-deaths-by-us-drones/">pela emissora iraniana Press TV</a>. Apesar da TV iraniana aformar que houve mais de 1370 mortes nestes ataques, a equipe de reportagem não achou nenhuma evidência que fundamente estas declarações.</p>
<p><strong>Vigilância secreta</strong></p>
<p>O estudo do Bureau mostra fases distintas na intervenção militar ocidental na Somália. Apenas algumas semanas depois do ataque terrorista de 11 de Setembro, as Forças Especiais americanas foram acionadas no país.</p>
<p>Na época, temia-se que a nação se tornasse outro Afeganistão, apoiando a Al-Qaeda e outras organizações terroristas transnacionais.</p>
<p>Entre 2001 e dezembro de 2006, o engajamento americano consistia principalmente em operações de vigilância secreta. Em março de 2003, por exemplo, os comandos americanos <a href="http://www.armytimes.com/news/2011/10/military-seals-horn-of-africa-al-qaida-terrorists-103011w/">instalaram uma dúzia de câmeras escondidas</a> na costa da Somália para monitorar atividades militares.</p>
<p>Os EUA também realizaram rendições extraordinárias, sequestrando clandestinamente cerca de oito suspeitos de terrorismo neste período. Foi o caso de dois homens, identificados pelo Bureau: Suleiman Abdallah, sequestrado em março de 2003, e Mohammed Ali Isse, capturado em junho de 2004.</p>
<p><strong>Ataques aéreos</strong></p>
<p>Em dezembro de 2006, os americanos acionaram uma nova fase de intervenção. A Joint Special Operations Command (JSOC) aproveitou a invasão etíope na Somália para lançar uma série de ataques aéreos, navais e por terra contra supostos militantes da Al-Qaeda.</p>
<p>Esta segunda fase “não tinha a ver com as fronteiras da Somália, mas com perseguir indivíduos particulares ligados a complôs terroristas específicos, que por acaso estavam ali”, explica o Dr. Micah Zenko, do <a href="http://www.cfr.org/experts/afghanistan-un-intelligence/micah-zenko/b15139">Conselho de Relações Estrangeiras</a>.</p>
<p>Em janeiro de 2007, aviões AC-130 das Forças Especiais americanas fizeram mais de quatro ataques a acampamentos de militantes; entre 26 e 61 pessoas morreram nos ataques – incluindo de 6 a 35 civis.</p>
<p>Além disso, em junho de 2007, o navio USS Chafee realizou <a href="http://www.stripes.com/news/u-s-destroyer-shells-somali-militants-1.65000">um bombardeamento naval </a>contra militantes islâmicos no norte da Somália, matando doze pessoas.</p>
<p>Na terceira e atual fase de empenho militar americano na Somália, que começou em meados de 2011, os EUA começaram a mirar diretamente a Al-Shabaab, já que a organização  passou a ser reconhecida como uma ameaça à segurança interna americana.</p>
<p>Segundo o consultor-chefe de contraterrorismo da Casa Branca, John Brennan, afirmou em outubro último, “a Al-Qaeda tradicionalmente tira vantagem de áreas que foram destruídas por conflito, desordem e falta de governança. São vistas como um porto seguro para lançar ataques&#8230; A Somália é uma das áreas mais desafiadoras neste momento por causa do conflito interno e da fome devastadora. É uma área que a Al-Qaeda tenta regularmente explorar”.</p>
<p><strong>Ataques com veículos aéreos sem tripulação: de 2011 até agora</strong></p>
<p>A pesquisa do Bureau mostra que, depois de uma lacuna de 18 meses, os EUA definitivamente voltaram à ofensiva na Somália, <a href="http://security.blogs.cnn.com/2011/06/28/u-s-strikes-al-qaeda-affiliate-in-somalia/">realizando o primeiro ataque</a> com aviões controlados remotamente em 23 de junho de 2011. Os ataques visavam os principais líderes da Al-Shabaab, mas até hoje não se sabe se algum deles foi morto.</p>
<p>Os aviões das Forças Especiais operam a partir de bases em Djibouti, na Etiópia e possivelmente nas Ilhas Seychelles. Em fevereiro de 2012, foram registrados de 3 a 11 ataques aéreos deste tipo.</p>
<p>“Nós não podemos fornecer detalhes operacionais específicos”, afirmou o porta-voz do Pentágono, tenente-coronel James Gregory. “A respeito da Somália, nós apoiamos a African Union Mission e os esforços do governo de transição assim como eles continuam a combater o terrorismo”.</p>
<blockquote><p><strong>Quem são os militares estrangeiros na Somália?</strong></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">JSOC</span></strong></p>
<p>A <em>Joint Special Operations Command</em> é a divisão de elite das Forças Especiais americanas que realiza a maioria das operações na Somália. Formada em 1980, durante as tentativas desastrosas de libertar reféns americanos no Irã, o papel da  JSOC é coordenar pessoal de elite das Forças Especiais do Exército, Marinha, Força Aérea e Fuzileiros. Seus objetivos: “Estudar requisitos e técnicas de operações especiais, assegurar interoperatividade e padronização de equipamento, planeja e conduzir exercícios e treinamento de operações especiais, e desenvolver táticas conjuntas de operações especiais”</p>
<p>Desde 11 de setembro de 2001, a JSOC tornou-se um elemento crítico da “guerra contra o terror”.  Suas forças mataram Abu Musab Al-Zarqawi e capturaram Saddam Hussein no Iraque. Em maio do ano passado, o Navy Seal Team 6, parte da JSOC, matou Osama Bin Laden no Paquistão. A JSOC também trabalhou com a CIA no Iêmen em setembro de 2011 para matar Anwar Al-Awlaki. Seus soldados também se envolveram em ações controversas como uma série de incursões por terra ao Paquistão que resultaram na morte de civis.</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Amison</span></strong></p>
<p>A <em>African Union Mission in Somália (Amison)</em> é uma força de paz da ONU que busca estabilizar o pais e desalojar a Al-Shabaab. Foi criada em fevereiro de 2007 com um mandato de seis meses. Cinco anos depois, as forças da Amison permanecem na Somália. Em março, a União Europeia doou mais US$ 92 milhões, enquanto os EUA providenciaram equipamento militar no valor de US$ 45 milhões. Sua missão da Amison tem três componentes: policial, militar e civil. O setor militar é de longe o maior, com cerca de 9.500 soldados principalmente de Uganda e Burundi. A ONU tem exigido um “aumento urgente” deste número para 12 mil até outubro de 2012. Desde 2009, a Amison encarrega-se da segurança nas áreas de onde as tropas etíopes se retiraram.</p>
<p>Enquanto a Amison afirma que forças seguem padrões internacionais, a ONG Human Rights Watch denunciou em agosto de 2011 que “todas forças envolvidas na recente luta em Mogadishu&#8230; incluindo a força de paz African Union, Amison têm sido responsáveis por violações graves da Lei Humanitária Internacional (as leis de guerra). Estes abusos incluem ataques indiscriminados, execuções extrajudiciais, capturas e prisões arbitrárias e recrutamento forçado ilegal”.</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">CJTF – Horn of Africa</span></strong></p>
<p>A operação <em>Combined Joint Task Force – Horn of Africa (CJTF-HOA)</em> foi criada para ajudar na conclusão de objetivos da Operation Enduring Freedom – Horn of Africa, uma iniciativa americana pós-11 de Setembro que visa combater o terrorismo e a pirataria no Chifre da África.</p>
<p>Alocada em Camp Lemmonier, no Djibouti, a CJTF-HOA possui um contingente de 2 mil soldados dos EUA e países aliados, além de 1.200 funcionários da iniciativa privada.</p>
<p>A iniciativa conduz operações militares e civis no leste africano sob comando do Africom, um setor do exército americano designado para a África. A primeira meta da força-tarefa foi detectar e destruir esconderijos potenciais de terroristas, localizar indivíduos, inviabilizar rotas de transporte e atacar diretamente grupos ligados à Al-Qaeda.</p>
<p>O campo militar Lemmonier também serve de plataforma de lançamento para mísseis e aviões não-tripulados operados pela CIA e pela elite da JSOC.</p>
<p>Em 2008, o tenente-coronel do exército americano R. Bates comentou: “à medida que a missão CJTF-HOA progrediu, logo tornou-se claro que a invasão do Afeganistão não provocou a fuga de terroristas para o Chifre da África, como o Comando Central americano havia previsto. Na verdade, a região do Chifre da África tinha menos terroristas do que se temia”.</p>
<p>Como resultado, a força-tarefa expandiu-se e passou a assumir outras tarefas civis e também o treinamento de forças contraterroristas. No entanto, por volta do começo de 2011 o contingente militar americano dentro da força-tarefa aumentou muito. Com a ascendência da Primavera Árabe no Iêmen, ainda mais militares americanos foram destacados para Djibuti.</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Combined Task Force 150</span></strong></p>
<p>Criada para enfrentar o terrorismo, prevenir contrabando e promover segurança nos mares, a Combined Task Force 150 está desde 2007 em embarcações na costa da Somália . Seu objetivo é procurar suspeitos de terrorismo. É uma das três forças-tarefa operadas pela Combined Maritime Forces (CMF), que já teve entre as nações participantes o Reino Unido, França, Canadá, Alemanha, Paquistão, Austrália, Dinamarca e os EUA. Suas operações cobrem os golfos de Aden e Oman, os mares Árabe e Vermelho e o norte do Oceano Índico.</p>
<p>Ela realiza missões de “contato, abordagem, procura e apreensão” em barcos pesqueiros e petroleiros na costa somaliana. O objetivo é “deter indivíduos com conexões com a Al-Qaeda e outras organizações terroristas que usem o mar como rota de fuga potencial”, de acordo com o Departamento de Defesa dos EUA.</p></blockquote>
<p><strong><a href="http://www.thebureauinvestigates.com/2012/02/22/militants-and-civilians-killed-in-up-to-20-us-somalia-strikes-new-study-shows/">Clique aqui</a> para ler a reportagem original, em ingles. Tradução de Marcus V. F. Lacerda</strong></p>
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		<title>Misteriosa rede empresarial chinesa avança sobre recursos naturais africanos</title>
		<link>http://www.apublica.org/2011/11/africa-misteriosa-rede-empresarial-chinesa-avanca-sobre-recursos-naturais/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 12:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Últimas Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#África]]></category>
		<category><![CDATA[#China]]></category>
		<category><![CDATA[#petróleo]]></category>

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		<description><![CDATA[Corporação não cumpre promessas de investimento em infraestrutura e faz negociações obscuras com governos repressivos. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Durante séculos, investidores estrangeiros devassaram a África à procura dos lucros oferecidos pelas abundantes reservas de petróleo e de minerais preciosos. Muitos deixaram rastros de corrupção e não cumpriram promessas de compartilhar a riqueza com os africanos.</p>
<p>É por causa deste passado que um conglomerado tem chamando a atenção da opinião pública do continente, ocupando as manchetes de jornais em diferentes países da África.</p>
<p>A companhia China-Sonangol é parte de uma rede global de empresas que realiza desde extração de petróleo em Angola, exploração de do ouro no Zimbábue, construção de condomínios de luxo em Singapura e empreendimentos imobiliários em Manhattan.</p>
<p>Os altos executivos deste conglomerado reúnem-se quando querem com chefes de Estado africano, e já são vistos como ameaça pelas tradicionais petroleiras multinacionais e por gigantes da mineração que atuam no continente.</p>
<p>É por isso mesmo que os empreendimentos da China Sonangol têm atraído curiosidade, até mesmo do Departamento de Estado dos EUA, como mostraram documentos do WikiLeaks.</p>
<p>A China Sonangol parece ser inovadora e bem relacionada. Mas a companhia está sob investigação devido às promessas não cumpridas de realizar investimentos públicos e pelo envolvimento em negócios obscuros com líderes africanos como Robert Mugabe, no Zimbábue, e Eduardo dos Santos, em Angola.</p>
<p>Há também questões sobre a atuação da companhia na Guiné: uma investigação da ONU ligou a China Sonangol ao massacre de mais de 150 manifestantes em 2009, durante o regime militar encabeçado pelo capitão Moussa Dadis Camara.</p>
<p><strong>A nova cara da disputa por recursos naturais</strong></p>
<p>Repórteres do Stabile Center for Investigative, na Universidade de Columbia, passaram 11 meses investigando a complexa rede de holdings e de empreendimentos conectados à China Sonangol, além dos executivos chineses e de Hong Kong que estão por trás dela.</p>
<p>Descobriram uma rede transnacional que une mais de 60 empresas, incorporadas em Singapura, Hong Kong e em paraísos fiscais como Bermuda, Ilhas Virgens Britânicas e as Ilhas Cayman.</p>
<p>“Esta é a nova cara da competição por recursos naturais”, disse Judith Poultney, pesquisadora da Global Witness, organização internacional que monitora a corrupção. A ONG está de olho na China Sonangol e em outras companhias de extração mineral na África.</p>
<p>“As elites africanas estão usando estruturas complexas <em>offshore</em> para garantir uma fatia nos negócios junto com empresários asiáticos”, diz Poultney. “Como na antiga disputa pela África na época colonial, quem sai perdendo é o cidadão comum africano”.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Conheça a China Sonangol</strong></p>
<p>A China Sonangol parece ser a face pública de um gigantesco empreendimento privado.</p>
<p>Registrada em Hong Kong como Fundo Internacional da China (FIC), saiu da obscuridade para se tornar líder no mercado de extração dos recursos minerais africanos, prometendo mais de 18 bilhões de dólares de investimentos em vários países do continente nos últimos seis anos.</p>
<p>Através da China Sonangol e de outras empresas afiliadas, o Fundo Internacional da China adquiriu ações de uma dúzia de campos de petróleo, além de uma mina de diamantes em Angola. E detém uma parte substancial de outras empresas com concessão para explorar o minério de ferro e os depósitos de bauxita na República da Guiné.</p>
<p>Em poucos anos, o FIC transformou sua atuação em Angola em um novo modelo de negócios para todo o continente africano. O ponto de partida são as parcerias com as autoridades angolanas e o uso dos bancos estatais e de empresas chinesas.</p>
<p>O FIC chinês convenceu governos de outras nações a dar como garantia seus recursos naturais em troca de promessas de investimento em infraestrutura. Assim, o financiamento de estradas e ferrovias viria em troca do acesso às minas e aos campos de petróleo em regiões politicamente instáveis e minados pela corrupção – como costumam ser os países africanos ricos em recursos naturais.</p>
<p>Foi assim que o Fundo e as suas empresas afiliadas conseguiram os direitos de exploração dos mais ricos recursos minerais da África.</p>
<p><strong>Promessa feita, promessa descumprida</strong></p>
<p>Só que, em muitos casos, a infraestrutura prometida jamais se concretizou: os lucros dessas transações foram investidos em locais fora do alcance da lei africana e do escrutínio dos seus cidadãos.</p>
<p>A primeira incursão do Fundo Internacional da China na África foi em 2005. A base para o acordo entre companhia e governo foi um empréstimo no valor de 2,9 bilhões de dólares que seria usado para construir infraestrutura em Angola, recém saída de 30 anos de guerra civil.</p>
<p>A empresa tinha apenas um ano de idade e nenhuma experiência em obras de infraestrutura mas se comprometeu a realizar três projetos ferroviários, construir um novo aeroporto internacional e concluir mais de 200.000 unidades de moradia social.</p>
<p>Logo surgiram problemas. Em 27 de junho de 2007, a embaixadora dos EUA em Angola, Cynthia Efird, informou a Washington que o FIC teria cometido “erros de cálculo dos custos operacionais” e estaria “falida”, segundo um documento diplomático do WikiLeaks.</p>
<p>Efird descreveu que o FIC havia subcontratado uma estatal chinesa para reparar a estrada de ferro Luanda-Malange, mas os trabalhadores pararam de trabalhar no mesmo ano por falta de pagamento.</p>
<p>Um ano mais tarde, o embaixador Dan Mozena, que sucedeu Efird, escreveu que “as obras das três ferrovias estavam paradas [em 2007] e o projeto do aeroporto internacional não chegou a sair do papel”.</p>
<p>Na mesma comunicação, datada de 13 de julho de 2008, o embaixador informou que as obras ferroviárias foram retomadas depois, mas sem o financiamento do FIC, e sim de outra fonte, também chinesa.</p>
<p>O aeroporto, que estava projetado para ser o maior da África, permanece inacabado. O repórter angolano Rafael Marques de Morais que a obra não foi muito além dos alicerces.</p>
<p><strong>Estrutura corporativa complexa</strong></p>
<p>O FIC e a empresa China Sonangol fazem parte de um conglomerado que incorporou empresas de pelo menos sete países.</p>
<p>No topo desta rede está uma empresa de Hong Kong, a <a href="http://www.documentcloud.org/documents/31659-new-bright-international-development-2010-annual-return">New Bright International</a>, formada em julho de 2003.</p>
<p>Três meses depois, a empresa Beiya International Development foi formada: 70% dela pretence à New Bright e 30% ao grupo Beiya Industrial Group, uma empresa de construção de ferrovias com base na cidade de Harbin, na China. A Beiya, depois chamada de Dayuan International Development Corporation, detém 99% do <a href="http://www.documentcloud.org/documents/31658-da-yuan-international-development-limited-2010-annual-return">FIC</a>.</p>
<p>Quem procurar saber quem é a pessoa que representa o FIC vai deparar com a chinesa Lo Fong Hung, que dirige oficialmente mais de 60 empresas ligadas ao FIC no mundo todo.</p>
<p>Antes de entrar no Fundo, ela aparentemente tinha pouca experiência no mundo empresarial.</p>
<p>Em Hong Kong, costumava dizer aos amigos que já fora intérprete de Deng Xiaoping, o líder do Partido Comunista chinês que abriu a economia do país para os mercados.</p>
<p>Em 2004, ela apareceu em um programa de TV ao lado do presidente venezuelano Hugo Chavez, que se referiu a ela como filha de um general chinês.</p>
<p>Seu marido, Wang Xiangfei, já foi diretor da China Everbright Holdings Company Limited, parte de um conglomerado de investimento estatal chinês, o China Everbright Group.</p>
<p>O representante do FIC na África, Sam Pa, já foi diretor de uma empresa de Hong Kong que comercializava equipamentos com a China.</p>
<p>No final dos anos 90 e começo dos anos 2000, ele enfrentou diversas batalhas legais por causa de dívidas.</p>
<p>Sua esposa, Veronica Fung, está listada como dona de 70% da New Bright International, que por sua vez detém a maioria das ações do FIC. Além disso, ela dirige 23 outras empresas afiliadas ao FIC.</p>
<p><strong>Fachada para o governo chinês?</strong></p>
<p>As diversas conexões dos executivos do FIC e as constantes reuniões de alto escalão com governantes africanos sugerem que a empresa seria uma testa-de-ferro para o governo chinês.</p>
<p>Mas em 27 de janeiro de 2009, o embaixador americano em Angola afirmou que o enviado chinês para o país, Bolum Zhang, teria dito que o Fundo era uma companhia “privada”.</p>
<p>De acordo com o documento diplomático do WikiLeaks, Zhang também afirmara que o FIC “tinha problemas de gestão e pouca liderança em Angola, apesar da sua proximidade com a presidência angolana”.</p>
<p>Em outubro de 2009, o ministro chinês de Relações Exteriores declarou em um comunicado sobre o FIC que “o governo chinês não tem nada a ver com os seus negócios e não tem conhecimento de questões específicas”.</p>
<p>Procurado pela reportagem, o diretor do Fundo, Wang Xiangfei, não quis responder perguntas específicas sobre a empresa. “Outros países e empresas competidoras estão falando bobagens sobre o FIC porque Angola optou por negociar com a China”.</p>
<p>A reportagem procurou em diversas ocasiões diretores do Fundo e seus advogados para entrevistas, sem sucesso.</p>
<p>Mas descobriu coisas estranhas: de acordo com documentos judiciais, o representante da empresa na África, Sam Pa, usou diversos nomes diferentes como Sam King e Ghiu Ka Leung.</p>
<p><strong>A conexão em Angola</strong></p>
<p>A companhia <a href="http://www.documentcloud.org/documents/15893-china-sonangol-international-holdings-2009-return">China Sonangol</a> foi formada em 2004 em Hong Kong: 70% pertencia à empresa-mãe (o FIC) e 30% à Sonangol. Entre seus diretores estão Lo Fong Hung, Veronica Fung e o CEO da Sonangol, Manuel Vicente.</p>
<p>Entre 2005 e 2008, a China Sonangol vendeu pelo menos 15 milhões de barris de petróleo por ano para uma subsidiária da petroleira estatal chinesa, Sinopec, de acordo com documentos de Hong Kong.</p>
<p>Mas a China Sonangol teria “errado” ao calcular o preço do petróleo e perdido 20 dólares por barril com o negócio, segundo um documentos diplomático do WikiLeals enviado em 2007 pelo embaixador americano em Angola, Efird.</p>
<p>Mas obteve outro tipo de benefício: documentos imobiliários em Hong Kong relativos à China Sonangol mostram que esse contrato foi usado como garantia para obter um empréstimo de 2 bilhões de dólares de um consórcio financeiro.</p>
<p>Os documentos também mostram que em 2006 a Banco da China fez empréstimos para o FIC e outra empresa afiliada, cuja garantia foram os mesmos contratos de petróleo da China Sonangol.</p>
<p>Além disso, uma hipoteca de 2006 registrada em Hong Kong pela China Sonangol descreve a seguinte negociação: a <a href="http://www.documentcloud.org/documents/204416-csih-mortgage-details-2006-08-07">Sonangol Sinopec International</a> (SSI), uma <em>joint venture</em> com uma subsidiária de <a href="http://english.sinopec.com/media_center/announcements/20100329/download/en-ann010329a.pdf">uma petroleira estatal chinês</a>, recebeu em 2004 a concessão para a exploração de um campo de petróleo na costa angolana que antes pertencia à americana Shell.</p>
<p>A SSI ficou famosa dois anos atrás, quando deu um lance recorde num leilão por dois poços de petróleo em Angola.</p>
<p>De acordo com a revista Businessweek, a SSI ofereceu um lance de 2,2 bilhões de dólares, superando a Exxonmobile e a BP por centenas de milhões de dólares.</p>
<p>Um mapa feito em junho de 2011 sobre as reservas de petróleo mostram que, juntas, a SSI e  a China Sonangol compraram os direitos de explorar oito campos em Angola.</p>
<p>Segundo a Economist, apenas em março, a China Sonangol comprou entre 10% e 15% das ações em quatro concessões diferentes para exploração de petróleo.</p>
<p><strong>Expandindo na África – e apoiando regimes violentos</strong></p>
<p>Mas a conexão angolana foi só a porta de entrada – facilitando a subsequente inserção do FIC na República da Guiné e depois em Madagascar e no Zimbábue.</p>
<p>Em 2008, militares dissidentes derrubaram o governo da República da Guiné. O novo regime estava diplomaticamente isolado e desesperado por dinheiro.</p>
<p>Mahmoud Thiam, então ministro de Mineração, conta que o FIC abordou a junta militar em março de 2009 apresentando-se como um “amigo especial” que traria um apoio financeiro de suma importância.</p>
<p>Thiam estava cético. Mas, duas semanas depois, o FIC enviou o CEO da Sonangol, Manuel Vicente, à capital guineana, para conversar com ele.</p>
<p>Em 10 de outubro daquele ano, o ministro assinou um acordo formal – chamado por ele de “contrato do século” – que envolvia entre 7 a 9 bilhões de dólares, como revelou em uma coletiva de imprensa.</p>
<p>O contrato em si não especificava nenhuma quantia particular; mas concedia ao FIC direitos de exploração de minério de três grandes áreas em troca da realização de  projetos de infraestrutura escolhidos pelo governo.</p>
<p>O potencial do negócio chegava a bilhões de dólares, já que a Guiné tem as maiores reservas de bauxita do mundo, além de reservas inexploradas de minério de ferro.</p>
<p>A cerimônia de assinatura aconteceu 12 dias depois de um dos eventos mais sangrentos na história da Guiné.</p>
<p>Em 28 de setembro de 2009, militares guineanos abriram fogo contra um protesto pacífico em protesto ao regime militar, deixando mais de 150 mortos e mais de 1200 feridos. Centenas de mulheres foram estupradas.</p>
<p>Em resposta, a comunidade internacional impôs sanções.</p>
<p>Segundo Thiam, o Fundo chinês era o único investidor estrangeiro disposto a negociar com o país.</p>
<p>“Havia algo seriamente errado”, disse Abdoulaye Yero Baldé, atual vice-presidente do Banco Central Guineano, então um político de oposição. “O governo tinha acabado de estuprar mulheres e matar civis inocentes, e todos investidores tinham ido embora. Mesmo assim este grupo ficou e assinou um novo contrato. É difícil saber que tipo de benefício essa negociação traria para a República da Guiné”.</p>
<p><strong>Madagascar e Zimbábue</strong></p>
<p>No final de 2010, Thiam voou diversas vezes para Madagascar com representantes do FIC para negociar com o governo que tomou o poder depois de um golpe em março de 2009.</p>
<p>Ele era amigo do ministro de Mineração de Madagascar e o FIC estava interessado no campo de petróleo de Tsimoro, com reservas estimadas de quase um bilhão de barris.</p>
<p>Em janeiro deste ano o ministro das Finanças anunciou a criação da Madagascar Development Corporation. Registrada em Cingapura, a <em>joint venture</em> entre o governo e o FIC foi criada para explorar de petróleo a minas.</p>
<p>Quando a China Sonangol e o FIC chegaram ao Zimbábue, seguiram o modelo de negócios oferecido em Angola e na República da Guiné: primeiro, prometeram ajuda na “renovação da infraestrutura do país”.</p>
<p>Como em qualquer lugar na África onde o Fundo e a China Sonangol firmaram negócios similares, poucos detalhes sobre o acordo do Zimbábue foram divulgados.</p>
<p>De acordo com uma estação de rádio estatal, o negócio supostamente incluiria investimentos em refinarias de ouro e platina, exploração de petróleo e gás, refinamento de combustíveis e financiamento de unidades habitacionais. É incerto o quanto foi prometido e o que o FIC terá de retorno.</p>
<p>Outra companhia, Sino Zim Development, tem concessões nos controversos campos Marange do Zimbábue, onde, de acordo com a Global Witness, “a elite política e militar do Zanu-PF tenta se apossar da riqueza do país em diamantes através de uma combinação de violência patrocinada pelo Estado e do uso legalmente questionável de <em>joint ventures</em> escusas”.</p>
<p>A Sino Zim Development foi registrada como uma <em>joint venture</em> em junho de 2009 em Cingapura.</p>
<p>Seus diretores incluem Lo Fong Hung – o mesmo do FIC – e o zimbabuano chamado Masima Ignatius Kamba.</p>
<p>Documentos de registro em Cingapura informam que a Sino-Zim é totalmente controlada por duas companhias registradas nas Ilhas Virgens Britânicas.</p>
<p>Outra companhia também chamada Sino-Zim Development foi registrada no Zimbábue. Lo e Veronica Fung estão entre seus diretores.</p>
<p><strong>Um endereço em Wall Street</strong></p>
<p>Recentemente apareceram fissuras na estrutura corporativa do FIC.</p>
<p>No ano passado um de seus diretores, Wu Yang, acionou diversas companhias exigindo acesso aos livros-caixa.</p>
<p>Em 2004, a Beiya Industrial Group de Harbin, na China, transferiu suas ações para Wu.</p>
<p>Em uma audiência em março, os advogados do FIC disseram que ele não poderia ver os livros-caixa porque ele era apenas um representante da companhia e não o dono real das ações.</p>
<p>Na República da Guiné, onde um novo governo eleito democraticamente está no poder há menos de um ano, o futuro do FIC parece incerto.</p>
<p>No mês passado, segundo a Reuters, o atual ministro de Minas teria dito que o contrato com o fundo seria revogado.</p>
<p>Por outro lado, em Angola, o presidente da China Sonangol, Manuel Vicente, é o nome mais forte para ser o próximo presidente.</p>
<p>No meio destas dúvidas, a China Sonangol alcançou o coração do mercado americano.</p>
<p>No final do século passado, o número 23 da rua Wall Street em Nova York era o endereço mais famoso do mundo das finanças nos Estados Unidos: ali ficava o quartel-general da primeira empresa bilionária do mundo, JP Morgan &amp; Co.</p>
<p>Hoje, a China Sonangol está tentando transformar o prédio em um shopping luxuoso.</p>
<p>Através de uma companhia do estado do Delaware, CS Wall Street, a China Sonangol comprou o prédio em 2008.</p>
<p>O espaço comercial está sendo oferecido a empresas varejistas de elite.</p>
<p>Em fevereiro deste ano, prováveis compradores encontraram-se em coquetéis para conhecerem o prédio. Em julho, a Cushman &amp; Wakefield Inc, uma empresa líder do ramo imobiliário, foi escolhida para procurar os novos inquilinos.</p>
<p>Mas três anos depois da China Sonangol comprar o imóvel, o prédio continua vazio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>———</p>
<p><em>Reportagem feita por Estudantes da Stabile Center for Investigative Reporting, da Escola de Pós-Graduação da Universidade de Columbia de Jornalismo</em></p>
<p><strong><a href="http://www.iwatchnews.org/2011/11/09/7108/china-based-corporate-web-behind-troubled-africa-resource-deals">Clique aqui</a> para ler a reportagem original, em inglês</strong></p>
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